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Visão de Mercado: NBA – “Na fronteira dos playoffs”: Utah Jazz e Atlanta Hawks

Seguem-se duas equipas que lutarão certamente por uma presença nos playoffs, longe de estar garantida à partida, e que quando lá chegadas dificilmente serão encaradas como candidatas ao título. Utah Jazz, terminada a era Sloan (e Deron), conseguiu reestruturar-se suficientemente bem para alcançar o 8º lugar do Oeste em 2012, enquanto que os Atlanta Hawks pretendem alcançar novamente uma posição nos playoffs, onde têm sido clientes assíduos.
Utah Jazz
Não, Jerry Sloan já não treina os Jazz (lágrimas de um adepto). Adiante… os novos Jazz (que perderam o seu GM, Kevin O’Connor) encaram a temporada com redobrado vigor, após terem surpreendido na época passada (as previsões apontavam para uma posição abaixo da 9ª). A sua base de jogo continua a mesma de sempre: trabalho colectivo, rotação de bola, luta nas tabelas, ataque baseado em layups e lançamentos próximo do cesto, e a selecção de jogadores com um carácter pouco conflituoso. As principais deficiências do ano passado foram os lançamentos de três (a defesa zona arrumava praticamente com os Jazz) e a defesa de perímetro. Para colmatar essas falhas, Utah fez regressar Mo Williams (bom atirador), foi buscar Randy Foye e trocou o inapto (em Utah) Devin Harris por Marvin Williams, um bom defensor e razoável marcador. Juntamente com o rookie Kevin Murphy, estas foram as soluções encontradas para obrigar as defesa abrirem e assim libertar espaço para as duas principais armas da equipa: Paul Millsap e Al Jefferson. Millsap é um made-in-Utah: escolha de segunda ronda(47º!), fez o seu jogo evoluir imenso, aproveitando a estrutura estável que o clube proporcina. Ele, embora baixo, é um tremendo ressaltador, e marca bastantes pontos, juntando ao seu arsenal até um lançamento longo. Já Jefferson, é um poste com trabalho de pés notável e técnica apurada, excelente marcador e ressaltador, embora não seja um defensor exímio. E aqui está um dos problemas dos Jazz: esta dupla já mostrou o que pode fazer, e pouco mais pode dar. E ambos, em fim de contrato, tiram minutos àqueles que se pensam ser o futuro da franchise: Enes Kanter e Derrick Favors. Kanter mostrou pouco o ano passado, mas era um rookie sem campo de treino, fruto do lockout… Favors já deu mostras de que pode ser uma estrela na Liga. A Direcção (e treinador) terão que gerir estes quatro jogadores: ou fazer jogar os “velhos”, ou trocar pelo menos um, e dar a titularidade a um dos jovens. De qualquer modo, o sucesso este ano vai depender muito do que os jovens de Utah evoluam, não só os dois citados, mas também Hayward (uma espécie de faz-tudo tipo Kirilenko) e Alec Burks. Uma preocupação é o modo como Mo Williams se vai (re)adaptar ao playbook de Utah, ele que não é um playmaker por excelência, mas que, de qualquer maneira, não tem no banco alternativas à altura (Tinsley e Watson). Os Jazz têm bastantes opções em todas as posições, mas colocam essencialmente a sua temporada nas mãos da progressão dos seus jogadores.
Atlanta Hawks
Os Hawks chegaram à conclusão de que dificilmente aquele grupo faria mais do que havia feito até então, vai daí iniciaram um processo de renovação. Despacharam o imenso contrato de Joe Johnson, e trocaram Marvin Williams pelo contrato de último ano de Devin Harris, conseguindo uma boa flexibilidade salarial. Resta saber se isto foi o início (Josh Smith deu mostras de querer ser trocado para uma equipa mais forte, por exemplo), ou se a sua base está encontrada. Mas estarão os Hawks mais fracos? Sim, JJ marcava muitos pontos, mas não era propriamente um jogador eficaz e regular… e em relação à última época, há ainda o “reforço” Horford, que o ano passado esteve lesionado. Ou seja, os Atlanta, mesmo com todas as trocas sonantes em que, teoricamente,saíram a perder, continuam a ser uma equipa candidata aos oito primeiros. Na posição de base, Devin Harris dará um bom contributo do banco (ou até como SG?) atrás de Jeff Teague, que se estabeleceu como o líder do quinteto. Lou Williams será o substituto natural de JJ, e suspeito que os Hawks nem deverão notar muito a diferença (a não ser no fim do mês). No jogo interior dominam Josh Smith, um excelente defensor e bastante rápido para o seu tamanho, e Al Horford, assim venha o poste em condições da longa paragem. Os Hawks irão ainda tirar um bom contributo do suplente Kyle Korver (pode aproveitar a atenção dada aos seus dois grandes), de Anthony Morrow (pode até ser titular,vindo Williams do banco?, de Zaza Pachulia (muito bem o ano passado como titular) como poste suplente, de Tolliver, e do rookie John Jenkins. Mas olhando para o conjunto, os maiores problemas (para lá das birras de Smith e da saúde de Horford) são a posição de SF (Korver é um “suplente” e DeShawn Stevenson é… fraco), e a profundidade do plantel, visto que para lá dos citados o talento não é propriamente abundante. Caso as lesões não afectem muito, os Hawks podem efectuar uma boa rotação de 9/10 jogadores, mas se assim não for, podem ter problemas a longo prazo.
Conseguirão Jazz e Hawks alcançar os playoffs? Jefferson, Millsap e Josh Smith serão trocados durante a temporada? Mo e Lou Williams vão fazer esquecer Deron Williams e Joe Johnson?

Nuno Ranito

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