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36: Palace (quase) salvo, mas há muito por decidir na luta pela sobrevivência

O pior arranque da história de um emblema na Premier League, sem marcar qualquer golo nos primeiros sete encontros era um cenário absolutamente negro e inicialmente impensável. Numa equipa que era apontada à metade superior da tabela, mas que despediu o treinador logo em setembro, eis que um homem que leva o clube no coração decidiu abraçar um dos maiores comebacks na história da competição. Para isso, aproveitou a irreverência de Loftus-Cheek, o sentido de liderança de Zaha no ataque, a grande formiga trabalhadora Townsend, a muralha defensiva formada por Sakho e Tomkins, o boom de motivação dos suplentes e dos jovens que jogaram durante as vagas de lesões. Tudo isto valeu, desde então, a conquista de 38 pontos para o Crystal Palace. Respira-se de alívio em Selhurst Park, dado que os Eagles golearam nesta ronda o Leicester (5-0), com Adrien Silva a jogar toda a segunda metade do encontro, e praticamente devem ter garantido a permanência no primeiro escalão, numa recuperação categórica liderada por Roy Hodgson.

Em sentido inverso, Carlos Carvalhal, com 1 ponto de vantagem para o antepenúltimo da liga, começa assim a preocupar-se seriamente com as contas da manutenção na liga. Tal como o Huddersfield – que apanha 3 dos Big6 da liga até ao final – , e o West Ham, ambos com 35 pontos, que foram batidos nos seus recintos respetivamente pela frieza finalizadora do Everton (0-2) e pela magia e classe do campeão Manchester City (1-4). Para aumentar o suspense nas contas da despromoção, o West Brom (último lugar, 28 pontos) mantém acesa uma ténue esperança de se salvar, depois de ir buscar os 3 pontos a Newcastle (0-1), ao passo que Mark Hughes viu o Southampton (18º lugar, 32 pontos) regressar às vitórias perante o Bournermouth (2-1). Mais relaxado encontra-se o Brighton – 14º posto, 37 pontos -, que com uma série de boas intervenções do australiano Ryan, algumas delas num lance caricato que parece saído de famosos videojogos, não passou do nulo na deslocação ao terreno do sétimo classificado Burnley.

Em Old Trafford, houve homenagem a Wenger e os reencontros de Mkhitaryan e Sánchez com as suas respetivas antigas equipas naquele que era o duelo da jornada. Prevaleceu o futebol direto, à procura da cabeça de Fellaini, perante a jovem equipa apresentada pelo treinador francês, que resultou num triunfo na compensação final para o Manchester United (2-1). Isto depois de o criativo arménio ter empatado a contenda e de Pogba ter dado uma primeira vantagem ao conjunto de Mourinho, que reserva assim lugar na fase de grupos da próxima edição da Champions League. Quem ainda participa esta temporada na liga milionária é o Liverpool, que, com a cabeça na segunda mão em Roma, acabou por empatar em casa, frente ao aflito Stoke City (0-0), fruto em certa medida da boa exibição defensiva dos Potters e da rotação implementada no onze inicial por Klopp. Já o Tottenham manteve a distância de 5 pontos para o quinto lugar, graças aos golos de Alli e de Kane, na recepção ao Watford (2-0), respondendo da melhor maneira ao magro resultado obtido pelo Chelsea no embate no País de Gales com o Swansea (0-1).

XI ideal da jornada 36 da Premier League: Ryan (Brighton), Trippier (Tottenham), Dawson (West Brom), Sakho (C. Palace), Pieters (Stoke), Fernandinho (Man. City), Fabregas (Chelsea), Gueye (Everton), Tadic (Southampton), Sterling (Man. City), Zaha (C. Palace).

MVP: Raheem Sterling (Manchester City). Não marcou, tocou o esférico por 68 vezes, fez 45 passes, criou 4 oportunidades e adicionou mais 3 assistências à sua conta pessoal. Foi fundamental para desestabilizar a linha defensiva dos Hammers, através da exploração dos espaços e da sua velocidade pela zona central do setor ofensivo dos Sky Blues.

Jogador a seguir: Konstantinos Mavropanos (Arsenal). Estreia muito positiva do defesa central de 20 anos, que chegou a Inglaterra no mercado de inverno proveniente do Giannina da Grécia. Teve a hercúlea missão de lidar com um tanque chamado Lukaku, contudo exibiu-se a bom nível, mostrando ser forte no posicionamento defensivo e na marcação homem-a-homem.

Treinador da Jornada: Roy Hodgson (Crystal Palace). Que incrível recuperação rumo à permanência na Premier League! Na maior goleada da ronda, que coincidiu com o resultado mais gordo obtido pelos Eagles na primeira divisão desde 1972, o ex-seleccionador inglês apostou na parceria estreita entre Zaha e Loftus-Cheek. Defensivamente, Sakho e Tomkins permitiram pouco espaço a Vardy, enquanto os laterais van Aanholt – 1 belo remate certeiro – e Ward, que evitou um golo quase em cima da linha de golo, estiveram em bom plano.

Desilusão: West Ham. Péssima partida do conjunto comandado por David Moyes. Ao invés do que se viu no encontro no Etihad, os Hammers revelaram dificuldades em lidar com a pressão e domínio dos futebolistas da armada de Guardiola. Os erros de Rice, de Zabaleta e de Adrian e a fraca construção de jogo custaram caro. Embora tenha uma vantagem de 3 pontos para o antepenúltimo lugar, a equipa de João Mário ainda não garantiu a permanência no principal escalão do futebol inglês. Seguem-se confrontos com Leicester, Manchester United e Everton.

Curiosidades: O Manchester City de Guardiola desta época ameaça ainda bater os seguintes recordes no campeonato mais apaixonante do Mundo:
– Pontos: 95 do Chelsea 2004/05 (possui atualmente 93)
– Vitórias: 30 do Chelsea 2016/17 (30)
– Golos: 103 do Chelsea 2009/10 (102)
– Goal average: +71 do Chelsea 09/10 (+76)
– Vantagem para o 2º posto: 18 do Utd 1999/2000 (atual 19)
– Vitórias fora: 15 do Chelsea 2004/05 (15)

Luis Enrique Santos

VM
Author: VM

2 Comentários

  • Manchester Is Red
    Posted Maio 1, 2018 at 3:12 pm

    Vida complicada para os Hammers que a jogar com Leicester, United e Everton, arrisca-se a amealhar 0 pontos em 9 possíveis nesta fase absolutamente crucial da época.

    A ida do clube para o Estádio Olímpico acabou com a mística que existia em torno deste histórico emblema.

  • JoaoMiguel96
    Posted Maio 1, 2018 at 2:38 pm

    Começando pelo Palace, tenho que fazer um mea culpa. Pensei que Hodgson não tinha o que era preciso para virar o início terrível dos rapazes de Selhurst Park, mas lá me calou. A ajuda de Zaha foi mais do que preciosa e mostra que o costa-marfinense tem tudo para brilhar num patamar mais elevado. Vai agitar os mercados.

    Indo para o incrível feito do Burnley que está perto de poder ir à Europa, algo nunca antes pensado e visto. Estamos a falar de um dos conjuntos mais modestos da Premier, mas que sofrem do “mal” de terem um treinador brilhante. Perderam Keane, Heaton por lesão e André Gray, três dos elementos mais decisivos do clube, e mesmo assim conseguiram fazer uma época brutal. Pope e Tarkwoski, tal como Sean Dyche, merecem todo o sucesso.

    Na luta pela despromoção, muitas desilusões. Desde já o Southampton que tinha um plantel excelente, muito completo e que mesmo assim não fez absolutamente nada decente esta época. A descida será um golpe duríssimo no belo projeto dos Saints. Espero que fiquem.

    West Ham…o que dizer? Plantel muito bom, mas uma escolha de treinadores que não lembra ao diabo. Moyes? A sério?

    Ao West Brom só quero dizer: bem feito. Despediram o treinador que mais tem dado aos Baggies nos últimos não sei quantos anos depois de um mau íncio. Não deram a confiança necessária a Tony Pulis e agora podem no ver subir com o Middlesbrough. Outra coisa eu estranho muito é o desaparecimento de Burke. Um miúdo super talentoso, mas que desde o Leipzig que nada faz.

    Deixar aqui os meus votos de força para o Fulham e Villa na subida à Premier. Espero que os meninos de Craven Cottage subam diretos, em vez do Cardiff, e que o histórico de Birmingham consiga ganhar nos play offs. Uma Premier sem estes dois não é uma competição a sério.

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