Este foi o ano de Novak Djokovic. O sérvio foi mais forte mentalmente, fisicamente e tecnicamente que Rafael Nadal, somando 70 triunfos e apenas 6 derrotas ao longo da temporada, conquistando dez títulos (incluindo cinco Masters 1000) e 3 Grand Slam: Austrália, Wimbledon e US Open. Uma série impressionante de vitórias consecutivas (41 mais precisamente), que terminou com o desaire frente a Roger Federer na meia-final de Roland Garros, permitiram ao tenista ascender ao primeiro lugar do ranking mundial. A concorrência foi incapaz de superar o atleta de 24 anos, que efectuou uma temporada irrepreensível e se intrometeu entre Rafael Nadal e Roger Federer (foi muito superior aos dois – em 11 confrontos, venceu 10 e apenas perdeu 1, sendo que derrotou o espanhol em 6 finais). A terminar o ano, foi o suíço que levou a melhor no Masters (sexta vitória) em Londres, batendo na final o combativo Tsonga (época interessante do francês, que não consegue manter a regularidade). Na Taça Davis, a Espanha levou a melhor sobre a Argentina na final (conquistou 3 das últimas 4 edições), em Sevilha, provando todo o seu potencial tenístico (é o país com mais representantes no top 100). Em termos de tenistas portugueses, Rui Machado atingiu o 59º lugar do ranking mundial, o melhor que um luso já alcançou e foi o melhor do Ranking Challenger. Destaque igualmente para a presença nos quartos de final de Monte Carlo de Frederico Gil e ainda para a subida fantástica no ranking de Gastão Elias, que subiu do 603º (no início do ano) para o 163º lugar em Novembro.
No circuito feminino, mais uma vez não houve uma tenista claramente superior às restantes (principalmente pela ausência de Serena por lesão). A nº1 mundial Caroline Wozniacki ainda não conseguiu vencer um Grand Slam, mas mantém a liderança do ranking. Na primeira fase da temporada, o grande destaque foi Li Na, derrotada na final do Open da Austrália por Kim Clijsters e vencedora em Roland Garros (primeira jogadora chinesa a fazê-lo). Já na parte final, foi a poderosa Petra Kvitova (a melhor do ano, com 6 títulos conquistados) a evidenciar o seu talento, vencendo Sharapova na final de Wimbledon e, mais tarde, o Masters em Istambul. Pelo meio, a australiana Samantha Stosur triunfou no Open dos EUA, aproveitando os fracassos das principais candidatas. A FED Cup foi ganha pela República Checa. O que parece claro é que a número 1 mundial não se distingue das demais no WTA (só se for pela regularidade), pois se olharmos para as anteriores líderes (Safina ou Jankovic), nenhuma delas venceu nos grandes palcos.
2012
Aguarda-se com expectativa o ano de 2012, que terá bastantes motivos de interesse. Veremos como Novak Djokovic defende os pontos conquistados na temporada passada, sabendo que é o alvo a abater. O seu principal adversário será Rafael Nadal, com Roger Federer a necessitar de definir quais os seus objectivos para a temporada. Com os Jogos Olímpicos à porta e numa fase adiantada da carreira, o suíço não quererá perder a oportunidade de vencer em Londres. Interessante será também verificar se Del Potro consegue aproximar-se dos melhores e atingir o nível que prometeu quando venceu o US Open em 2010. Quanto aos portugueses, esperemos que Rui Machado e Frederico Gil se estabeleçam no top 100, consigam resultados interessantes, e principalmente, que Gastão Elias evolua e se torne numa referência a nível nacional (chegar ao top 100 seria excelente).
No circuito feminino, Wozniacki tentará vencer o seu primeiro Grand Slam, ela que está há 55 semanas na liderança do ranking mundial. O regresso das irmãs Williams é uma incógnita, devido às lesões, pois parece claro que na sua melhor forma são ainda tenistas de topo (principalmente Serena). Depois de uma temporada espectacular, Kvitova tentará o assalto ao nº1. A jovem checa tem as características ideais para o fazer (agressividade, profundidade e capacidade de aceleração), resta saber se terá força mental. A portuguesa Michelle Brito terá mais uma temporada para se afirmar e provar o talento que há muito lhe vem sendo apontado (voltar ao Top100 já era excelente, considerando o que aconteceu desde o RG de 2009, mas admitimos a nossa esperança em que volte aos Grand Slam, ganhe mais alguns títulos de ITF, marque presença em fases adiantadas de alguns torneios WTA e acabe o ano no Top70). Também Maria João Koehler apresenta condições para chegar ao Top150.
Que balanço faz de 2011? Conseguirá Nole repetir esta temporada absolutamente fantástica? Depois da humilhação que sofreu, voltará Nadal Federer lutará pelos Grand Slam ou concentrará atenções nos Jogos Olímpicos? Quais os tenistas que surpreenderam, pela positiva e pela negativa? Quem poderá atingir o estatuto de “super-campeã” no circuito feminino? E no que diz respeito aos portugueses, quais são as expectativas?


