Esta rubrica tem como objectivo destacar os jogadores mais promissores nascidos em 2002. Os parâmetros de selecção são os feitos até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro.
Nascido nas Ilhas Canárias, em Tenerife, Pedri González teve um percurso invulgar nas camadas jovens até chegar ao Barcelona no escalão senior. Recusado pelo Real Madrid em tenra idade, por não ter os atributos necessários para vingar, o médio espanhol, que começou no Juventud Laguna, rumou ao Las Palmas, em 2018, onde cresceu e se estreou na equipa principal, na II divisão espanhola. Segundo Pedri, qualquer miúdo das Canárias sonha vestir a camisola do Las Palmas e ele não era exceção. A rejeição merengue apenas lhe deu mais força para continuar a trabalhar e a evoluir, mesmo que o contexto da segunda divisão espanhola não fosse o melhor para o seu perfil de jogo. Estreou-se com apenas 16 anos, com Pepe Mel ao leme e pegou rapidamente de estaca. Com apenas três partidas no Las Palmas e 17 anos, o Barcelona não hesitou em avançar para a compra do seu passe, ainda que o tenha mantido emprestado aos Amarillos. O valor poderá chegar a 15 milhões de euros, sendo que o começo do contrato estava marcado para 2020. No entanto, ficou imediatamente no radar da crítica, integrou a seleção sub-17 no Mundial, período onde o Las Palmas só conquistou um ponto em cinco partidas, e fez o seu percurso sustentado, alinhando tanto encostado à esquerda ou como criativo do meio-campo. Quatro golos e sete assistências foi o seu registo, antes de rumar a Camp Nou.
Na Catalunha assistiu-se a uma revolução extraordinária na sua vida. Pedri González passou a recolher fãs em qualquer canto do país vizinho e, em época de estreia, foi utilizado em 52 partidas no Barcelona e conquistou o seu espaço na seleção. Assim, aos 18 anos, tornou-se numa das principais figuras do futebol espanhol, na principal esperança dos adeptos blaugrana para comandar o meio-campo, um pouco na linha da dupla Xavi e Iniesta, e um elemento da confiança de Luís Enrique na Roja, ao ponto de ter sido mesmo um dos melhores jogadores do último Europeu. Com uma inteligência acima da média, qualidade no passe, na decisão e uma leitura de jogo formidável, Pedri faz várias posições dentro das quatro linhas e sempre com elevada eficiência. A sua baixa estatura e aparente fragilidade física não o impede de ser um jogador igualmente agressivo com e sem bola, capaz de ‘comer’ muitos quilómetros e de estar na melhor zona do campo para dar sequência às jogadas. No fundo, é o ‘patrão’ que todos os treinadores desejam ter em campo, o médio que tanto marca ritmos, como descobre linhas e executa o último passe de forma milimétrica, deixando o companheiro na ‘cara do golo’.
Trata-se, por isso, de um dos jogadores mais talentosos da sua geração e de um elemento com uma maturidade muito acima da média, sobretudo se tivermos em conta a pouca experiência no futebol profissional. Quem vê Pedri a jogar não acredita na sua idade, o que mostra bem o peso que já consegue ter nas suas equipas. A nível técnico poucos estarão à sua frente, consegue fazer o que quer com bola e marcar diferenças tanto no passe, como na receção, posicionamento ou drible. Num Barça órfão de Messi e com mais dúvidas do que certezas nesta fase, nenhuma certeza é tão forte como a importância de Pedri no presente e futuro do clube, plasmada na cláusula de rescisão de 1000 milhões de euros.
Resta saber como irá a estrutura culé rodeá-lo nos próximos anos, mas com Pedri, Ansu Fati, Nico González ou Ferrán Torres existem alguns motivos de otimismo. Por outro lado, o estado físico é outra das dúvidas em torno de Pedri. O médio disputou mais de 70 jogos na última época, uma vez que, além do Euro’2020, foi ainda aos Jogos Olímpicos e isso provocou-lhe um desgaste tal que falhou grande parte das partidas do Barça esta época. Assim, leva apenas quatro encontros disputados em 2021/22 e não restam dúvidas de que o seu regresso terá de ser muito bem ponderado, de modo a evitar novas recaídas que possam dificultar a sua afirmação plena neste segundo ano na Cidade Condal.
Nota final para os prémios Golden Boy e Kopa, que conquistou em 2021, sinais claros da sua qualidade, impacto a nível mundial e do reconhecimento de que tem sido alvo por parte da crítica e do público generalizado que segue a modalidade, bem como do seu primeiro lugar na lista dos jogadores mais promissores do mundo nascidos em 2002.
O top dos craques do futuro:
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6 Comentários
Estigarribia
Sou fã deste miúdo. Para mim é o novo Iniesta e o seu sucessor.
E para se ver bem a qualidade que ele tem nos seus pés, um amigo meu, que é adepto ferrenho do Real Madrid, já disse que gostaria de o ver no Santiago Bernabéu.
Saudações Leoninas
BoaMike
Iniesta só há um, não percebo a mania de rotular jogadores como novas cópias.
Pedri é bom mas acho que nunca vai chegar ao nível do Iniesta, que na minha opinião era superior a Xavi, mesmo sabendo que eram jogadores diferentes, isto porque Iniesta conseguia fazer de Xavi mas Xavi não conseguia fazer de Iniesta.
Pedri não tem a mesma capacidade de sair de zonas de pressão como Don Iniesta conseguia, e a elegância que ele possuía…
Pedri é bastante novo e vai melhorar, esperemos nós adeptos culés
Goncalo Silva
Pedri para mim já é dos melhores médios do Mundo, o que lhe falta a meu ver no seu jogo é principalmente a nível de números (golos e assistências), senão nunca terá o reconhecimento devido infelizmente. Claro que há outras coisas que pode melhorar, mas nem Xavi nem Iniesta eram excelentes em todos os aspetos como é óbvio.
Oldasity
Como adepto do Barça digo já que “pouco” me importo com isso dos golos e assistências se fizer o que tem feito sempre. Na época passada era dos poucos que ainda dava critério ao jogo a meio de tanto caos. É um craque e nem todos os craques precisam de fazer golos e assistências. Modric e Thiago, por exemplo, são jogadores que sempre fizeram poucos números e eram top tier.
Goncalo Silva
Claro que sim Oldasity e concordo com o teu ponto de vista. Eu referia-me mais do ponto de vista do adepto “menos especializado”, que não será tão capaz de ver aquilo que Pedri acrescenta ao jogo. Acho que jogadores deste perfil só terão o sucesso reconhecido caso juntem títulos coletivos, como é o caso de Xavi, e mesmo assim pode nem chegar (veja-se Kimmich este ano por exemplo, e este até acrescentou bastantes assistências e é bastante melhor defensivamente que Pedri). É mais por aí que refiro. Mesmo Modric teve bastantes golos e só tem a visibilidade que tem pelos títulos coletivos no Real Madrid e pela campanha da Croácia, porque ele já é dos melhores médios do Mundo desde os tempos do Tottenham.
kamps
Um jogador especial e diferenciado. Um QI revelado em campo muito acima da média e tudo o que faz, faz bem.
Muito entusiasmado com este Barcelona, que guiado de forma estratégica e inteligente pode ter bons resultados no curto/médio prazo.
Neste mercado de Janeiro, vender quem está a mais e recebe muito seria a minha prioridade (Neto, Lenglet, Umtiti, Sergi Roberto, Dest, Coutinho, Luuk, Braithwaite) para poder reforçar posições deficitárias. (Defesa direito, central e meio campo defensivo). Tentaria Azpilicueta, Ginter e Zakaria. Pessoalmente, também gosto bastante de Mazraoui. Corona também poderia ser interessante. Depois, tentaria João Félix. Acho que era o melhor contexto para extrair todo o seu futebol e era um excelente plus para este Barcelona. Para financiar, venderia Dembele e Depay. Um possível 11:
Ter Stegen
Azpilicueta
Ronald Araujo
Ginter
Alba
Frenkie
Gavi
Pedri
Fati
Félix
Ferran Torres