A propósito do reinício dos espetáculos ao vivo, retratados nas 2 mil pessoas presentes no Campo Pequeno para o “Deixem o Pimba em Paz” eis que surgiu no debate público, de forma imediata, a tentativa de comparação com o futebol profissional procurando comparar o incomparável.
Está à vista de todos que o adepto que vai ao estádio não tem sido o motor que faz carburar o futebol em Portugal. Ao contrário da Cultura, o futebol português não está dependente de bancadas cheias ou vazias para continuar.
O futebol é uma indústria, e ainda bem. É ótimo que o talento dos intervenientes seja valorizado e reconhecido. Que os adeptos desfrutem do entretenimento proporcionado por um jogo de futebol. Pena que o adepto do sofá monopolize tanto as preocupações da indústria por oposição ao adepto que vai ao Estádio.
As baixas médias de assistência não são tema central de debate.
Há um clube que nem precisa de adeptos, campo próprio ou identidade que o suporte para poder subsistir na Liga Nos e nem por isso a revisão e melhoria da Lei das SAD´s parece ser uma prioridade.
Temos jogos chutados para dias úteis e a horas tardias por um operador que não vê neles mais de que uma oportunidade para preencher um espaço vazio na grelha de programas, sem qualquer interesse na valorização do produto.
Jogos estes onde adeptos forasteiros são remetidos para a bancada descoberta a apanhar chuva quando as restantes bancadas cobertas estão vazias.
O fomentar do gosto pelo jogo e a massificação do futebol é negligenciada e uma criança pobre não tem sequer acesso a um jogo em canal aberto do principal campeonato. Talvez seja um erro vedar tudo…
Não foi preciso uma pandemia para termos a oportunidade de ouvir o que os jogadores dizem durante um jogo da nossa Liga …
Preocupemo-nos mais com isso…
Visão do Leitor: Rúben Pinheiro


6 Comentários
Estigarribia
Bom artigo, Rúben. Gostei. E tocaste num ponto essencial para esse debate: a transmissão de jogos em sinal aberto. Eu não sou contra a transmissão de jogos em sinal aberto, e gostava que em Portugal se voltasse a optar por esse sistema, mas neste momento, em que a economia portuguesa vai demorar muito tempo a recuperar no pós-COVID-19, é impensável que o dinheiro dos nossos impostos vá para o financiamento da indústria do futebol. E com o preço absurdo que a Sport TV estava a impingir aos assinantes, muita gente acabou por preferir ver os jogos de futebol no computador ou por um sistema de IPTV.
O futebol tem de ser um desporto mais democrático, digamos assim, e chegar a toda a gente e não só para uma determinada elite da sociedade portuguesa. Uma pessoa mais pobre tem tanto direito a ver um jogo do futebol do seu clube como uma pessoa com mais posses. Tem de haver uma maneira de haver transmissão de jogos em sinal aberto sem o Estado ter que financiar o futebol em Portugal (neste momento, há outros sectores da sociedade que necessitam de mais investimentos do que o futebol).
Saudações Leoninas
Marik
O futebol é um bem essencial? Não é pois não? Logo não faz sentido essa conversa de ser mais democrático e etc. Segundo esse raciocínio, que os pobres têm tanto direito como os ricos, então também posso alegar que tenho tanto direito a ter um Ferrari como o CR7.
O Estado não tem obrigação nenhuma de transmitir jogos de futebol nos seus canais de televisão (nem sei se devia ter tantos canais de tv mas pronto, adiante), logo se nem a SIC nem a TVI querem pagar para transmitir jogos, estes vão continuar a dar em sinal fechado.
Estigarribia
Marik,
Percebo o teu ponto de vista, mas como disse em cima, eu defendo a transmissão de jogos em sinal aberto, mas que não seja por intermédio do dinheiro do Estado. Sendo a RTP um canal público essa questão fica fora de hipótese, mas a TVI e a SIC, por exemplo, são canis privados e poderiam muito bem transmitir os jogos em sinal aberto.
E eu não disse que o Estado tinha obrigação de transmitir, dando até o exemplo de outros sectores da actividade económica que necessitam de mais investimentos por parte do Estado. Pode ser que, um dia, quando tudo isto da COVID-19 passar voltemos a ter jogos em sinal aberto. Até lá vamos ter que arranjar alternativas para ver os jogos.
Saudações Leoninas
VieiraT
Para os jogos passarem em sinal aberto, só há 2 hipóteses: o Estado financia ou impõe por força da lei.
A mim não me agrada nenhuma das hipóteses. E também não tenho assim tantas saudades de ver jogos com estádios às moscas e futebol paupérrimo.
O que o futebol tuga precisa é de uma revolução, as transmissões são a última das preocupações.
Filipe Ferreira
Enquanto criança, uma vez que sou da região centro, também tive pouquíssimas oportunidades de ir ver jogos ao estádio, pelo menos da 1ª liga. A primeira vez que fui ja devia ter os meus 12 ou 13 anos. Sport TV cá em casa também era mentira, e não foi por aí que deixei de me tornar um fã do desporto. Na minha altura havia um jogo em canal aberto por jornada é certo, mas acho que não será por aí. Na altura para ser Inácio era preciso ter uma internet muito à frente, hoje em dia até com 4G. Lembro-me perfeitamente de ver Ronaldinho fazer uma bicicleta ao Villarreal provavelmente em 260p, quando hoje em dia se pode ver em 4k. O futebol não é só o ambiente no estádio.
O que me apaixona no futebol, são as valências ténicas dos jogadores, as suas capacidades físicas e depois ver isso tudo ser posto em prática seguindo um plano, uma tática desenvolvida durante a semana e estudada pelo treinador.
Miguel Coimbra
Acerca das transmissões em sinal aberto, foi enviado este email ontem para diversas entidades. Até ao momento apenas respostas automáticas…
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Caros senhores,
Tendo em conta que
– de acordo com o artigo 32º da Lei n.º 27/2007 (Lei da Televisão), um jogo por jornada da Liga Portuguesa é considerado de interesse generalizado do público;
– as operadoras de sinal fechado já conheciam essa determinação aquando da contratação dos direitos de transmissão dos jogos da Liga portuguesa;
– nada indica que as operadoras em sinal aberto devam pagar um preço estipulado pelas operadoras de sinal fechado;
– apenas é indicado que deve ser feito “de acordo com as condições normais do mercado”, o que será aplicavel se houver mais do que uma televisão de sinal aberto interessada na transmissão do jogo de interesse generalizado do público;
– ainda que não transmita por via herteziana, a tv cabo já permite transmitir para a maioria da população;
– a própria SportTV já tem um canal aberto na referida tv cabo;
Solicito que
– divulguem este pedido junto das entidades competentes para que estas façam aplicar a Lei;
– procedam na medida do possivel para obrigar a referida SportTV a ceder ou transmitir um jogo por jornada de acordo com a definição do interesse público generalizado.
Obrigado pela atenção dispensada,
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