Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

A espada (não) era a lei

Era uma vez, numa terra sem rei chamada Portugal, uma pedra. Essa pedra tinha uma espada. A espada tinha uma lenda. Ora, rezava esta, mitigada por distintos visionários e mercadores, que quem conseguisse arrancar a espada da pedra, feito inatingível para o homem comum, seria rei. Tal tarefa poderia somente, pois, ser executada por uma alma dotada de incrível dom de liderança e grande habilidade, capaz de domar os mais bravos mares e guiar os guerreiros combalidos pelos trilhos até aí desconhecidos da glória.
Vieram desde longínquas terras até Portugal vários espíritos repletos de ambição e vontade, ansiosos por elevar da firme pedra a tão desejada espada. Muitos tentaram, nenhum concretizou tal desígnio. Veio o Luiz, intentou o Carlos, fracassou o Paulo. Muitos mais chegarão a Portugal e procurarão levantar lusa Excalibur, contudo, nenhum conseguirá até que outro feito, nunca contado mesmo pelas mais obscuras e sábias lendas, seja alcançado.
E que feito é esse, perguntas tu, meu jovem e sonolento leitor que aguarda que eu termine por fim esta história para poder fechar o livro e cair em profundo e mágico sono? Conto pois, para apenas tu ouvires, que não é nossa terra Inglaterra e não é este o conto do Rei Artur — pelo que o segredo para ser soberano não se resume a arrancar a espada. Pois o mal desta terra, que a mantém sem rei nem roque, está na pedra que agarra com pardacentas garras a arma e a prenderá, inacessível à honra e dignidade, a não ser que um homem nobre e elevado compreenda que para se fazer com a espada e ser rei há que primeiro destruir a pedra.
Não sendo isso feito, poderão vir Fernando, Vítor, Rui ou qualquer cavaleiro de nome estrangeiro, que nunca Portugal se erguerá. Era uma vez, numa terra sem rei chamada Portugal, uma pedra. Essa pedra tinha uma espada. A espada tinha uma lenda. A verdade estava na pedra.

Visão da Leitora (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Inês Sampaio

0 Comentários

  • Kafka I
    Posted Setembro 11, 2014 at 11:10 pm

    Inteiramente de acordo Inês, excelente metáfora este teu texto…tal como já disse várias vezes, todos os problemas do futebol Português fossem o treinador, o problema é bem maior do que o treinador ser o Paulo Bento, ou o "Zé da Esquina"…

    Simplesmente na mouche o teu texto

  • Mauro Machado
    Posted Setembro 11, 2014 at 11:10 pm

    Fantástico Inês! Parabéns

  • Anónimo
    Posted Setembro 11, 2014 at 11:15 pm

    Este tipo de texto, mais profundo, com grande valor literal e recorrendo a contos e histórias globais e envolvendo o futebol enriquecem muito o blogue para todo o tipo de leitores.

    Luis Freitas

    • Kafka I
      Posted Setembro 11, 2014 at 11:23 pm

      Subscrevo inteiramente, para mim este texto que a Inês acabou de escrever, foi dos melhores textos que já li aqui no VM

  • João Dias
    Posted Setembro 11, 2014 at 11:15 pm

    Tens um talento enorme, Inês ;)

    O Paulo Bento é um treinador limitado, teimoso e vingativo. Não tem perfil para a seleção.

    Eu desejo que o próximo selecionador que a FPF queira contratar sente-se numa mesa e diga:

    -" Meus senhores, só aceitarei o cargo a que me propõem se criam leis que defendam o jogador português".

    Pode ser que assim a FPF abra os olhos.

    Falem-se em Peseiro para selecionador. Please, NO!!!
    O Peseiro não tem nível para a seleção!

    Isso era manter o atual statu quo da seleção. Mais do mesmo.

    O ideal para mim era Fernando Santos para selecionador e Jesualdo Ferreira para a área técnica.

    Isso sim, seria uma escolha acertada.

    E já agora correr com os Humbertos, Jões Pintos desta vida que não estão lá a fazer coisa alguma.

    • Anónimo
      Posted Setembro 12, 2014 at 10:07 am

      João Dias, que hipocrita. Dizes isso só por ela ser mulher. Não será o Tobias Figueiredo ou o Ronny Lopes melhores? POrque não apostar na prata da casa??

      Rokemback

    • João Dias
      Posted Setembro 12, 2014 at 10:39 am

      Rokemback,

      Não entendi o teu comentário.

  • Pacheco
    Posted Setembro 11, 2014 at 11:52 pm

    Fantástico, não podia concordar mais.
    A FPF continua a somar disparates atrás de disparates e engane-se quem achava que se tratava da "selecção Jorge Mendes" devido a Paulo Bento. Tudo vai continuar na mesma, porque infelizmente o dinheiro sujo manda quase sempre.
    Propunha que o gabinete de coordenação que recente foi criado de modo a dar mais poder a Paulo Bento fosse reformulado por um gabinete de formação

  • Anónimo
    Posted Setembro 11, 2014 at 11:59 pm

    Futebol de Fernando e de Jesualdo melhor do que o de Paulo? Não obrigado…

    Limpem os parasitas da seleção, alguns a ganharem 10M q bem conheço q nem para me engraxar os sapatos o queria…
    Depois aproveitem e assumam q querem fazer uma renovação a sério a pensar já no próximo Mundial, se n formos ao Europeu o q deve ser mto difícil de acontecer, paciência..!

    Mane

  • Rui Amaral
    Posted Setembro 12, 2014 at 12:08 am

    Parabéns Inês pelo dom que tens para a escrita e para esta metafora que esta deliciosa!

    Há bem pouco tempo um clube que reside em Portugal tambem tinha um problema que consistia exactamente na pedra e não nos guerreiros … parece que a pedra mudou

    veremos

    • António
      Posted Setembro 12, 2014 at 1:24 am

      Que excelente partilha Inês, parabéns pela capacidade de escrita natural e plausível que tens! Além disso, a metáfora corresponde de forma literal com a realidade presente na FPF e afins.

      Parabéns!

  • Lsdreams
    Posted Setembro 12, 2014 at 12:28 am

    Um tipo de participação que eleva este blog a outro universo. Obrigado Inês!

    Lsdreams

  • Anónimo
    Posted Setembro 12, 2014 at 1:13 am

    Pois, pois, mas se é para associar uma lenda a esta vergonha que grassa na FPF, acho que o futebol português tem mais a ver com a lenda de S.Jorge e o Dragão…

    …Só que em vez do Dragão sucumbir através da "ponta-da-lança" de S.Jorge como a lenda nos conta, o que assistimos realmente é a uma "Associação" de interesses obscuros entre S.Jorge e a dita besta, e os afilhados da besta.

    E o povo bem pode esperar sentado, com muita "tranquilidade", por mudanças.

    LMS

  • Anónimo
    Posted Setembro 12, 2014 at 1:20 am

    A mensagem não é nada de extraordinariamente novo ou que não se tenha já lido algo aqui. Agora a maneira como está escrito é soberba, cativante e bonita.

    Os meus sinceros parabéns

    João Malaquias

  • Anónimo
    Posted Setembro 12, 2014 at 2:11 am

    Excelente texto. Visão de mercado sempre a somar pontos e a elevar o seu estatuto. Parabéns e venham mais destes!

    Duarte

  • MrTrypta
    Posted Setembro 12, 2014 at 3:09 am

    Muito bem falado. O problema está nesta estrutura feita de favores, filhos e enteados em q empresários são donos e senhores do futebol português. Sinceramente não vejo como isto mude, pelo menos a curto prazo.
    Seria preciso uma reforma geral… mas quem sou eu pra falar..

  • António
    Posted Setembro 12, 2014 at 3:34 am

    Muito metafórico e romântico, mas a verdade está lá.

  • José Veiga
    Posted Setembro 12, 2014 at 6:46 am

    Um texto magnífico . Realmente um dos melhores que já aqui li. E verdade seja dita, o problema não é o treinador mas sim todo o edifício da FPF.

  • NONICKNAME
    Posted Setembro 12, 2014 at 6:47 am

    Muito bom post,gostei!Sou da opiniao que nao é preciso mudar muito os jogadores que lá vao,mas sim mudar a tatica sempre que for preciso,jogamos de forma previsivel e isso confere vntagem aos adversarios,PB nunca foi capaz de nos surpreender,jogo com a Albania e ter trinco?Vergonha!Com Israel precisar de ganhar e ter trinco?Já sao horinhas de largar o sistema que Mourinho inventou no fcp e que ,seleçao aproveitou,porque os jogadores sao outros!

  • Flávio Trindade
    Posted Setembro 12, 2014 at 8:03 am

    Magnífico o texto e mais do que certeira a comparação.
    Nos tempos que correm já me satisfaria com um Robin Hood qualquer que tivesse a habilidade e o desígnio de incomodar solenemente a corte real e os seus bobos

  • Ze Carlos Beterraba
    Posted Setembro 12, 2014 at 8:24 am

    Bom texto. Mas não é só na seleção que tal se passa… Em qualquer clube ou seleção se não existem resultados o primeiro a ir é o "cavaleiro".
    O que realmente difere é que no caso da federação portuguesa há uma urgência em conduzir uma reforma que abranja todo o futebol português.
    Não sou como a maior parte dos users que acredita em teorias da conspiração e que a selecção é do Jorge Mendes ou de um qualquer clube. Todos os selecionadores fazem escolhas e nunca recolhem consenso porque os adeptos (que são mais adeptos dos clubes do que da seleção) só querem ver os deles convocados, ignorando as questões mentais, físicas, técnicas e quantidade/qualidade de opções por posição mediante o sistema tático desejado. É por isto que não somos todos treinadores.
    Obviamente, há uns mais competentes que outros, há uns menos teimosos que outros, e há uns que aguentam melhor a pressão externa do que outros (neste caso acho PB inatingível, caracter nunca lhe faltou e talvez por excesso disto mesmo é que ele sai muitas vezes a perder).
    Os sportinguistas (maiores críticos e que só vêm o JM na seleção) esquecem-se que PB no Sporting esteve 4 anos a fazer um trabalho fantástico com um plantel ao nível de um Braga (se tanto), e que dava a cara em todas as ocasiões. Caracter e saber estar é coisa que nunca lhe faltou. Lamento profundamente que os adeptos se esqueçam tão facilmente daqueles que em tempos defenderam a sua camisola como poucos.

    Posto isto, PB tinha de sair. Quem vier nunca terá consenso. E seja qual for a convocatória que faça, não terá um único adepto do seu lado a dizer que aqueles eram exatamente os "seus" 23. O adepto português é fantástico quando a sua equipa ganha, mas é péssimo quando a sua equipa perde. Mas também não é capaz de se mexer para tentar mudar seja o que for (e isto vale para o resto da sua vida em sociedade, o futebol é só mais um espelho).
    A Federação tem de reformar os seus campeonatos e as suas regras. Tem de deixar a imbecilidade dos dirigentes de clubes de lado (e falo de todos aqui, são todos iguais) e tem inegavelmente de criar condições para termos uma seleção forte. Acima de tudo tem de criar condições para o jogador português florescer e se afirmar.

    Eu lanço o seguinte desafio, comparem o banco da seleção do Euro 2004 com os titulares do Mundial 2014.. Acreditem, vão chorar.

    E os adeptos têm de deixar de pedir omeletes quando não têm ovos, e nada fazem para os ter.

    • Yeah!
      Posted Setembro 12, 2014 at 11:10 am

      Sim sim…gueras com jogadores, teimoso, fraco taticamente, etc. O que conta o dar a cara se nao faz o trabalho dele como devia.

      Já para não falar que esse magnífico paulo bento nunca ganhou um titulo nacional sequer…e a equipa não era assim tão fraca, não exageremos.

  • Paulo C.
    Posted Setembro 12, 2014 at 8:36 am

    Era uma vez um blogue, numa terra sem rainha chamada Portugal, uma Inês. Essa Inês tinha um dom. O dom de cativar os seus leitores com cada palavra que escreve. Parabéns Inês por nos teres encantado mais uma vez!

  • Pedro Chambel
    Posted Setembro 12, 2014 at 9:15 am

    Parabéns Inês, um texto muito bem escrito e que retrata a realidade

  • Marcelo Afonso
    Posted Setembro 12, 2014 at 9:24 am

    muito bom texto Inês Sampaio,
    é uma boa maneira de contar uma verdade que todos contornam.
    de facto, enquanto não houver uma reformulação de raiz a cepa vai crescer sempre torta.
    Nem se tem que falar de uma com a profundidade da reformulação belga, acredito pois, que na génese do nosso país há mais talento. Falta sim o choque, alguém que faça mudança! alguém com eles no sítio…

    como diria o enorme Miguel Torga:

    ‎"É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto. Falta-lhe o romantismo cívico da agressão-
    Somos, socialmente, uma sociedade pacífica de revoltados"

  • Joaquim Ferreira
    Posted Setembro 12, 2014 at 10:30 am

    Não tem nada a ver ou terá tudo? : "Agora, a fúria dos adeptos foi direcionada para Jorge Mendes, o agente que representa os dois jogadores e negociou as respetivas transferências. E esta terça-feira, na zona de La Turbie, onde está localizado o centro de treinos do Mónaco, os contestatários escreveram, em letras bem visíveis, na estrada: "Mendes = mafia"."

  • Ricardo Lopes
    Posted Setembro 12, 2014 at 10:38 am

    Que grande texto. É mesmo isto!
    A falta de ideias para a equipa, a teimosia crónica e a prepotência não só irritavam, como confirmavam erros crassos. Para muitos, a convocatória para o Mundial foi o primeiro passo para esse descalabro. Na altura, sendo sincero, alarmou-me mais a incapacidade de utilizar os que lá tinha, do que propriamente os que deixou de fora. Não me refiro às lesões, também elas a serem ponderadas, refiro-me, por exemplo, à utilização de um Raúl Meireles cansado dos anos de futebol, que deixava a descoberto um flanco onde deveria proteger um Ronaldo, também ele limitado. Ou, outro caso ainda mais gritante, a utilização do Miguel Veloso, incapaz de dar verticalidade ao jogo ou recuperar bolas em terreno adiantado ou recuado, limitando-se a correr metros sem sentido e a procurar cruzamentos que, em tempos, foram um dos seus pontos fortes.
    O problema do ponta-de-lança também existe, é notório, mas não desculpa tudo. Bebé, Quaresma, Antunes ou Adrien poderiam ter dado algo àquela selecção perdida no Brasil, mas, estou em crer, não narrariam uma história diferente da que assistimos. Quaresma e Bebé são jogadores agitadores, mas são anárquicos tacticamente, o que, para um treinador pouco capaz de ler o jogo tacticamente, traria ainda mais problemas. O meio-campo seria o ponto a mexer, com a necessidade de rigor e inteligência, com as entradas antecipadas de William Carvalho e Rúben Amorim, para libertar Moutinho e Ronaldo, mas nem isso ele quis ver (até que foi obrigado).
    Agora, no recomeço, que poderia ser importante para ele, falava de reestruturação. Mas, não entrando em detalhes dos convocados, parece-me despojado de sentido falar em reestruturação, quando fica um central como Neto, que, não sendo o melhor do mundo, é relativamente jovem e capaz de cumprir, para lançar Ricardo Costa, que no pico da sua carreira se lançou para o Qatar.
    Porém, no meu entender, o caso é mais grave. Compreendamos que a matéria-prima ao dispor não é fantástica. Habituámo-nos a acreditar que sim, pela presença do melhor do mundo, mas já não somos a seleccção de outros anos, que tinha a generalidade dos jogadores nos melhores clubes do mundo, ou, não tendo, dispunha de uma espinha-dorsal de uma equipa a dar cartas, como foi o Porto de início de século. Assim, agora é importante compreender que este passo, ainda que necessário, pode não ser suficiente para nos libertar desta maleita dos últimos tempos. Ronaldo com a bola no pé não pode resolver tudo, Moutinho com a sua entrega e precisão não pode resolver tudo e nem o querer do Coentrão fará esquecer as selecções de outros tempos. Há demasiadas carências, que podem ou não ser disfarçadas. Um treinador inteligente tacticamente, nesta fase, poderia ser o fundamental. Porém, nem sempre esse tipo de treinadores são os que mais agradam aos jogadores e adeptos, porque exigem e nem sempre são entendidos. Juntando a isso o pouco tempo que existe na selecção para consolidar processos.
    Por tudo isto, estou em crer que foi dado um passo necessário, mas o sucesso ainda vem longe, tal como a Inês refere no texto.

  • Anónimo
    Posted Setembro 12, 2014 at 10:55 am

    Brilhante Texto! Inteligente Metáfora!
    LIKE!!!
    FMarques

  • Anónimo
    Posted Setembro 12, 2014 at 12:33 pm

    Tão bom que até mostrei à minha mãe e ela ficou a perceber do assunto! Obrigado Inês!

    Jordan

  • Anónimo
    Posted Setembro 12, 2014 at 12:37 pm

    Agora que venha o guerreiro e que traga a espada do outro canto do mundo, está visto que as espadas de cá estão todas enferrujadas e os guerreiros submissos a um rei, de seu nome Jorge Mendes!

    parabéns pelo excelente texto!

    Bruno M.

  • Bruno Fonseca
    Posted Setembro 12, 2014 at 2:53 pm

    Muito bom texto, parabéns Inês!

  • Rui Miguel Ribeiro
    Posted Setembro 12, 2014 at 3:46 pm

    Texto excelente. Os meus parabéns. Imaginação e criatividade unidos numa crítica acerba da realidade.

    Confesso que gostava de ter sido eu a escrevê-lo! ;-)

Deixa um comentário