A corrente temporada tem sido marcada pelo debate, quer por parte dos participantes, que por parte dos espectadores, de 2 temas: i) a qualidade do futebol interno – com referências ao tempo de jogo útil, táticas de “anti-jogo” e as potenciais consequências de futebol pouco atrativo; ii) a prestação da Liga Portuguesa, como um todo, nas competições internacionais, com especial preocupação na ultrapassagem por parte da Liga Holandesa, sendo que, é possível argumentar que ambos os temas se correlacionam.
Numa tentativa de ilustrar quais as potenciais causas deste panorama, e acreditando que à luz das recentes capacidades de análise de dados e previsão, um olhar cuidado aos valores de mercado das 7 principais ligas europeias (Inglesa, Espanhola, Italiana, Alemã, Francesa, Portuguesa e Holandesa) e das competições da UEFA – providenciados pelo site Transfermarkt – pode ajudar a tornar claras as razões subjacentes às performances.
Em primeiro lugar as qualidade do futebol interno: Quando olhamos aos valores de mercado, a liga portuguesa é aquela que maior valor concentra nas 4 primeiras equipas (ordenadas por valor de mercado), sendo a única que ultrapassa claramente o dobro da liga com menor valor concentrado – a Inglesa. É também a 2ª liga em que a diferença entre a equipa mais valiosa e a menos valiosa é mais acentuada – o Benfica possui um valor de mercado equivalente a 31x o valor do Chaves – apenas suplantada pela Liga Francesa, tão criticada pela aparição do PSG que tem um valor de mercado 36x maior que o Ajaccio. Já na liga inglesa esta diferença é de apenas 6x.

Por último, podíamos ainda argumentar que “apesar da concentração de valores de mercado nas maiores equipas, isto deve-se à existência de um conjunto de equipas muito pequenas no final, sendo que as equipas no meio são equilibradas”. Na verdade este argumento também não se confirma. Olhando para as 9 equipas que compõe o centro da ordenação por valores de mercado, a Liga Portuguesa é aquela que menos valor concentra. Olhando par estes números é possível entender que, existindo diferenças tão elevadas nos recursos entre clubes, seja difícil manter a qualidade do jogo, uma vez que, as equipas “mais fracas” necessitam utilizar táticas menos elegantes para conseguirem pontuar e que, mesmo nos jogos entre elas, o futebol seja pouco atrativo dada a menor capacidade dos intervenientes (acreditando que os valores de mercado relativos, ou seja ajustados à realidade de cada país, correlacionam positivamente com a qualidade dos futebolistas).

As prestações externas: Este será o segundo ponto importante do qual podemos partir da informação anterior. Dada a “falta de valor” nas equipas de centro da tabela, Portugal é a única liga que não tem 1 equipa nos Top 10 de valor de mercado de pelo menos uma das Competições Europeias a decorrer. Mais, ainda que o Vitória SC estivesse a participar, ocuparia um honroso 16 lugar, vs sétimo lugar por parte da Holanda, explicando talvez a emergência desta liga no panorama europeu pelas participações nas competições extra UCL de forma relativamente preponderante.
“Qual é, então, a diferença para a liga Portuguesa?”. Na Europa, assistimos a 2 “táticas” que parecem “dar frutos”. A) homogeneidade da liga – Ligas Inglesa e Italiana – nas quais os valores de mercado são relativamente distribuídos possibilitando a comparência de muitas equipas fortes em todas as competições e B) emergência de um líder – França, Alemanha e Holanda – nas quais uma equipa claramente concentra uma grande parte do valor do mercado, existindo espaço para um grupo competitivo e homogéneo, excluindo o mais valioso. A liga espanhola, é um hibrido destas “táticas” com 2 líderes claros mas bastante equilíbrio na primeira metade.
A liga Portuguesa “sofre” de uma espécie de maldição – a existência de 3 líderes. Na verdade, quando olhamos para a distribuição de valores entre as 3 principais equipas, a ligar Portuguesa é a mais equilibrada entre todas as ligas.

Esta “dispersão de líderes” combinada com alta heterogeneidade no mercado conduz à primeira referência neste argumento. Portugal é a única liga sem uma equipa no 10 de qualquer competição europeia. Porque os “3 líderes” jogam na Champions. Porque as equipas do meio não são suficientemente competitivas para a Conference ou a Liga Europa.
As soluções: O objetivo deste artigo não é providenciar soluções, mas sim ilustrar os elementos que podem estar subjacentes aos debates críticos no futebol nacional. No entanto, seria cobarde não enumerar algumas: a) criação de tetos salariais relativos (isto é, o jogador mais bem pago não pode ganhar mais do que X vezes o valor do menos bem pago), b) agregação da liga e venda coletiva vs por clube, c) transparência e profissionalização da arbitragem (é necessário garantir que os clubes “pequenos” não sofrem um duplo viés pela diferença de valores de mercado). No entanto, estas soluções podem ter “custos”. Podemos ter um dos 3 grandes a jogar menos vezes a Champions, passando a apenas 2 grandes (em termos de recursos). Podemos ter menos jogadores de classe mundial a jogar nas nossas equipas favoritas. Mas, como um todo, o espetáculo pode melhorar.
Visão do Leitor: Henrique Guerreiro


103 Comentários
Sombra76
Ter 3 “grandes” em vez de 1 ou 2 nunca pode ser mau para a competitividade. Ter 3 ou 4 clubes que conseguem ser competitivos na europa vindo de um mercado marginal e sem expressão só tem de ser elogiado.
Os “pequenos” dificilmente serão mais competitivos. Mesmo com melhores jogadores jogariam da mesma forma… tal como em Itália se joga também de uma forma particular e menos atractiva do que noitros lados.
Os “pequenos” têm 50% dos direitos dos jogos contra os grandes. Se não se uniram e fizeram valer a sua posição é por culpa própria e porque é mais fácil reclamar dos outros. Não tem de ser todos ou nenhum…
kanjy6
Comparando apenas com a Holanda,
Portugal tem 10M e um salário médio de 20602€/ano,
Holanda tem 17M e um salário médio de 55339€/ano
Significa que se o futebol ti era um apoio de 40% da população em Protugal e de 30% na Holanda em que ambos gastem 5% dos seus rendimentos em futebol na Holanda o bolo é de 14000M e em Portugal é de 3000M
E esta discussão acontece pois seremos passados pelos Países Baixos onde se se mantivesse este sistema faria que tivéssemos uma equipa dos 3 na Liga Europa e aí voltaríamos a passar os Países Baixos…
Basicamente devido á nossa dimensão o nosso lugar é este 6 ou 7…
P.S. acredito mais nos 55000 da Holanda que os 20000 de Portugal!
Meu nome é Toni Sylva
O texto está bem escrito e bem ilustrado. Ainda assim, não concordo com nada do que diz.
A liga portuguesa é do que melhor funciona neste país. Estivessem a educação, a saúde, a justiça, ao nível que está o futebol, e seríamos topo no índice de desenvolvimento.
A liga está condicionada ao tamanho da população, a única maneira de termos uma liga homogénea é nivelar por baixo. Não temos a população de nenhum dos Big-5, já sem entrar na economia. Sem nivelar por baixo, podemos reduzir o número de clubes, e aí acho desde sempre que 16 era o ideal.
A única coisa que podemos
efectivamente melhorar, mas compreendo que custe, é a nossa cultura. A cultura de achar que não prestamos, a cultura de querer que os pequenos sejam competitivos mas ficar em choque quando um grande tropeça neles, a cultura de aceitar que se ganhe com ajudas de terceiros (que acontece vezes demais), e também a cultura de aproveitar isso para depois não reconhecer quando se ganha bem (que acontece de vez em quando).
Antonio Clismo
Não temos a população de nenhuma das big5?
Com os portugueses da diáspora a população portuguesa quase que duplica.
Não é por acaso que a maior parte das receitas dos clubes se fazem entre Julho e Setembro que é quando os emigrantes cá estão e compram as camisolas todas.
Sam Tuga
Antes de mais muitos parabéns pelo texto, excelente.
Ha tanta coisa no nosso futebol que deveria ser melhorada, mas principalmente deveríamos ver o futebol como ele realmente é, UM ESPECTÁCULO. Para começar mais organização, mais profissionalismo em todas as áreas e o mais importante e também o mais difícil acabar com este ódio que existe no nosso futebol. Deixo alguns pontos que gostaria de ver mudado.
•Preços dos bilhetes. Criar bilhetes Familia etc
•Segurança reforçada dentro e fora dos recintos desportivos
•Acabarem com os programas da treta que alimenta ódios.
•Horários mais convidativos ao espectáculo. Sabados e domingos são perfeitos para a bola.
•Exigir uma cota de jogadores nacionais nos plantéis.
•Acabar com esta cultura de autocarro em frente a baliza
•Árbitros mais profissionais, que a arbitragem seja vista como uma profissão e nao um part-time
•Multas mais pesadas consoante o salário ou orçamento dos clubes e investir esse dinheiro nas formações das divisões inferiores.
•Descer impostos.
•Interditar estádios caso claques e adeptos nao tenham um comportamento adequado.
•Descer o numero de equipas para 16. As primeiras 4 play-off campeão, últimas 4 playoff manutenção, descem 3.
ha tanto por fazer…
DNowitzki
Aveiro tem 80 mil habitantes. Onde anda o Beira-Mar? Não daria para meter 20 mil espectadores em cada jogo? Por que razão isso não acontece? Talvez porque o número de pessoas que goste de futebol não seja o que se apregoa por aí.
Os clubes ingleses podem receber o que recebem, porque têm os estádios cheios. Por cá, qual é o estádio que esgota, mesmo quando um dos ditos grandes lá se desloca?
lipe
Nem os grandes com milhões de adeptos enchem consistentemente os seus estádios, vai ser o Beira-Mar.
E em Aveiro muita gente tem clube, só não é o Beira-Mar, e quando calhar desses clubes irem lá jogar o estádio está muito longe de vazio.
Em relação ao último ponto, a verdade é que muitos clubes portugueses jogam em estádios demasiado grandes para a sua massa adepta, até os grandes.
Bino Costa
20 mil pessoas no Beira-Mar?? Estás a pedir que 25% da população do concelho inteiro (porque a cidade só tem 58 mil) vá ver um jogo da 3ª Divisão? Um bocado irrealista não?
Nem o Benfica consegue encher o estádio normalmente e 25% de Lisboa são 140 mil, sem falar que está inserida numa área metropolitana enorme com 3M.
Antonio Clismo
O distrito de Aveiro é dos mais densamento povoados do país.
O concelho de Aveiro pode ter apenas 80 mil pessoas mas tem muitas cidades próximas muito ligadas a Aveiro, como Ílhavo, Estarreja, Agueda, Oliveira do bairro, Vagos, etc
Um clube bem gerido que dissesse alguma coisa aos cidadãos da sua região, que fosse relevante para a sociedade, encheria o estádio de 30 mil pessoas todas as semanas..
Aveiro tem a feira de Março e todos os anos é a mesma coisa, conseguem meter 20 mil pessoas todos os dias lá…
Knox_oTal
Ou talvez as pessoas estão desinteressadas devido à fraca qualidade do produto e ao meio tóxico que o rodeia…
DNowitzki
Também, mas trata-se de uma minoria.
Knox_oTal
Há sondagens?
junior_1984
Isto é verdade esta época e em todas as outras á décadas…
O nosso futebol tem os adeptos que merecem. Os dirigentes desportivos sao os culpados. A todos os níveis: clubes, liga, federação, arbitragem. Até a comunicação social, política e justiça, ajudam a desacreditar isto.
A coisa tem de funcionar como um todo.
Resumindo, o que a malta quer é a bola na rede. O resto é problema dos “outros”.
Tiago Silva
Isto pode ser muito polémico e é com certeza, mas tenho pensado num formato para as competições nacionais totalmente revolucionário que iria na minha opinião aumentar bastante a competitividade. Ora aqui vai:
– No início de Agosto começava a época e logo a abrir com a Taça da Liga jogada no seu todo. O campeonato teria 12 equipas na primeira liga e participaram também as 4 primeiras da Segunda Liga do ano anterior (retirando as equipas B). Seria uma espécie de continuação de pré-época para umas equipas, outras poderiam ganhar bastante ritmo com este tipo de competição e poderiam ir mais preparadas para as fases de playoff das competições europeias. A Taça de Portugal também começaria nesta fase, jogando primeiro as equipas de divisões inferiores.
– A supertaça seria em campo neutro logo no primeiro fim de semana após o fecho do mercado. As equipas assim já jogariam no seu todo e já com algum ritmo o que seria muito bom para abrir o campeonato.
– A partir daí começaria a primeira ronda do campeonato de 12 equipas. 12 equipas na Primeira Liga, 12 equipas na Segunda Liga, 12 equipas na Terceira Liga. Ou seja, 11 jogos numa primeira ronda de um conjunto de 22 até final de Dezembro. Claro que coincidiria com alguns jogos das competições europeias e alguns da Taça de Portugal. Neste início de campeonato as equipas teriam que enviar uma lista de 25 inscritos, com obrigatoriedade de alguns jogadores formados no clube e quiçá de jogadores portugueses.
– Chegava Janeiro e havia uma pausa de um mês no campeonato. As equipas fariam os retoques nos planteis que quiserem e ao mesmo tempo vão disputando a Taça de Portugal até à final que seria no final de Janeiro.
– Em Fevereiro começaria a segunda ronda da primeira fase do campeonato. Os clubes teriam que submeter nova lista de 25 jogadores e com os mesmos requisitos da primeira ronda. Jogariam-se os restantes 11 jogos até ao final de Março, ao mesmo tempo que se dariam os jogos das competições europeias.
– Em Abril, começava a segunda fase do campeonato. 6 equipas a lutar pelo título, 6 a lutar pela manutenção. Um total de 10 jogos a realizar até meados de Maio. No campeonato do título, o primeiro seria o campeão e alguns dos últimos entrariam numa terceira fase de luta pela qualificação europeia, juntamente com os primeiros do campeonato da manutenção (aqui teria que depender das vagas que teríamos para a Europa). Os 2 últimos do campeonato da manutenção jogariam uma terceira fase contra o 2° e 3° da Segunda Liga. O primeiro da Segunda Liga subiria diretamente.
– Final de Maio, disputa-se a terceira fase. Para as competições europeias jogaria-se uma espécie de eliminatórias. Para a subida à Primeira, haveria um mini-torneio em campo neutro entre as 4 equipas, numa mini-liga a uma volta. Os 2 primeiros subiriam.
E o mesmo se aplica da Segunda para a Terceira Liga. Nas divisões mais secundárias penso que o formato poderia ser do género a como está agora, dividido em várias fases devido à falta de recursos que tem para grandes deslocações. Os 3 últimos da Terceira Liga desciam diretamente e o primeiro de cada fase (Norte, Centro, Sul) subiria à Terceira Liga.
Pode ser um formato esquisito, mas acho que seria uma forma de valorizarmos o nosso futebol de uma maneira revolucionária. Iria aumentar a competitividade já que há decisões a toda a hora seria muito interessante de se ver!
FranLx81
Fiquei um pouco confuso a dado momento, mas segundo percebi se, por um lado vai aumentar a competitividade entre os 12 clubes, por outro muitos outros iriam à falência. Ter apenas 36 clubes nas divisoes profissionais (se é que 3a liga é considerado profissional) ia deixar os restantes clubes, de norte a sul, na penúria. Considerando as 3 primeiras divisōes atualmente e o modelo que propōes, quantos clubes ficariam de fora dos principais campeonatos? Imensos!
Percebo o objetivo mas em termos económicos seria devastador!
Manel Ferreira
Já o disse várias vezes: reduzir a Liga para 10/12 equipas é condenar à morte montanhas de clubes. Esqueçam investimentos, esqueçam projetos a longo prazo, esqueçam tudo. A maioria dos clubes vai simplesmente desistir quando virem que é quase impossível chegar à Primeira e manter-se lá durante muito tempo.
As pessoas que querem reduzir para 10/12 têm uma fantasia ridícula de uma segunda liga fortíssima, tipo Championship e tal. Esquecem-se é de uma coisa: Ninguém quer jogar na Segunda Liga! Para a maioria dos clubes, a segunda liga é apenas o caminho para a Primeira e nada mais. Vão perguntar a qualquer projeto que nasce na Liga3/CPP se o objetivo é chegar à Segunda Liga. Claro que não! O objetivo é consolidar-se na 1ª Liga, crescer financeiramente, promover o nome da cidade, jogar com os grandes (e eu, que nem sou adepto de um grande, reconheço isto sem problemas). Não é na segunda liga que se vai fazer isso.
Além de que uma liga a 16/18 equipas permite que clubes possam crescer com calma, consolidar-se, ter projetos a longo prazo (sem andarem sempre obcecados com descidas ou num io-io constante entre as duas divisões), como aconteceu com Paços ou Rio Ave que cresceram precisamente com vários anos de meio da tabela.
O pessoal vai buscar modelos de liga a países onde o futebol nem é o primeiro desporto, ou é apenas mais um, países onde há relativamente poucos clubes profissionais e pouco investimento em futebol e acham que isso deve ser replicado num país “louco por bola” como Portugal. Porquê? Porque sim.
Depois também acho piada quando dizem que Portugal não tem capacidade para ter mais de 12 clubes na Liga, quando a última vez que Portugal teve menos de 14 clubes foi em… 1971. Portanto, são 51 anos em que Portugal está a viver acima do número de clubes que devia ter. Safa! Nem sei como é que sobrevivemos…
Já nem falo da história dos playoffs de campeão. Estou a imaginar um clube em Abril a jogar quartos ou meias de uma competição europeia, ensanduichado entre dois jogos do campeonato contra rivais. Nem durava dois anos para isso acabar!
E isto nem é nada contra o Tiago, que respeito e acredito que tenha boas intenções. Mas isto é um pouco “cuidado com o que desejas”.
Meu nome é Toni Sylva
Não entendo como é que as pessoas não veem isto.
Knox_oTal
Além da análise e identificação dos problemas, a discussão das soluções também é indispensável. Não sendo, nem de perto nem de longe, forte na área financeira, vou realçar o lado desportivo. Neste âmbito, vou enumerar algumas das medidas que deveriam, a meu ver, ser adoptadas para não só reforçar a nossa posição no ranking das ligas europeias, mas para tentar em primazia “drenar o poço de águas obscuras“ do nosso futebol.
– O clássico acordo colectivo dos direitos comerciais e distribuição equitativa pelos vários clubes (competitividade nivelada por cima vai sempre gerar maior qualidade, a superação é sempre antecedida pela dificuldade… o problema é o dogma da “terra queimada” e da política de eucalipto. Esta nova distribuição de receitas, não sendo o remédio mágico para todos os males, é fundamental para pelo menos os clubes menores tirarem pelo menos a “cabeça de água” e terem uma perspectiva de esperança e possibilidades de futuro).
– Medidas eficazes contra a corrupção e conflito de interesses, através de limitação de mandatos (aqui teriam que ser os sócios dos clubes a entrar em acção), separação de poderes mais clara (numa primeira fase abolia a Liga de Clubes e reconstruia do zero um novo organismo), consequências pesadas para os prevaricadores e maior profissionalização do dirigismo a todos os níveis (a começar na comunicação e nas estratégias de gestão, já que com os dirigentes actuais, na sua maioria vá, os clubes até poderiam ganhar o Euromilhões… os vícios estariam na mesma lá e os resultados/cenários seriam invariavelmente os mesmos).
– Maior segurança nos estádios (quer dizer, isto também merecia outro debate por si só, resumindo ao extremo: as claques se não sabem estar deviam acabar e os criminosos no seu meio julgados como tal, tão simples quanto isto), favorecer as famílias e os mais novos com promoções e horários mais convenientes (um acordo colectivo daria força na negociação com os canais por exemplo).
– Limitação nas inscrições de jogadores e empréstimos (aqui até houve clara evolução positiva) e aumento do mínimo exigido de formados localmente nos plantéis (sendo Portugal um país exportador, parece-me evidente que tem que se reforçar esta aposta, nem que seja preciso impô-la numa primeira fase. E não estou a dizer a pôr jovens dos juniores a titular, aposta na formação é prever e precaver o espaço para que os jovens possam aparecer nas equipas principais, no lugar por exemplo de estrangeiros de qualidade duvidosa cujas transferências alimentam parasitas). Quem não conseguisse respeitar estes critérios, poderiam ter que pagar multas que alimentariam por sua vez um fundo para colmatar situações de salários em atraso de jogadores e treinadores por exemplo.
– Limitar de forma clara e directa a actuação e poder dos agentes desportivos (ponto prévio, o jogo é dos jogadores e dos treinadores em primeira mão, e numa segunda é dos adeptos… está na hora de pôr na ordem quem utiliza este estatuto de agente de jogadores para parasitar e deixar os clubes reféns).
– Impor um tecto salarial também me parece muito oportuno (com flexibilidade claro, crescendo em função da Liga), e, claro, impor e aplicar seja a quem for o clube sanções sérias para quem não respeitar os critérios de participação nas Ligas profissionais (dívidas, salários em atraso, etc).
Enfim, um tema muito interessante e rico a se debater, que tarda a passar definitiva e efectivamente para a prática!
Saudações Desportivas
Knox_oTal
Ah falha grave… parabéns ao Henrique Guerreiro! Um texto pertinente, elucidativo e muito bem fundamentado! A “tocar na ferida”, mas a mostrar os vários ângulos do problema! Muito bem… mais destes!!!
Tiago Silva
Concordo com quase tudo, do que se pode fazer e pensando também a longo prazo, acho que estes são mesmo os princípios que se podem aplicar e melhorar no nosso futebol. A juntar a isto tem que haver uma clara mudança de mentalidade e não se vender apenas 3 clubes para tudo e para nada, mas isso já é função da imprensa e de nós adeptos que compramos o que nos dá. Mas mesmo isso essas medidas iriam melhorar, porque ao aumentar a competitividade, aumenta também a variabilidade em termos de escolha clubística.
Knox_oTal
Aproveito também para falar sobre a questão da redução do números da Liga e outros formatos competitivos, agradecendo desde já a partilha! Este espaço é para isso mesmo…
Nesse ponto tendo a concordar que uma redução tão drástica do número de equipas nas ligas profissionais não só não resolveria problemas de fundo, como seria muito problemática para vários clubes, e clubes com peso no futebol português. Eu não me cinjo apenas ao tamanho e densidade populacional do país, mas sim à proporcionalidade da importância que o futebol têm em Portugal face a outros países europeus (quer se goste ou não, o futebol é de muito longe o desporto mais praticado e visto por cá) e, consequentemente, ao enorme número de clubes que existem (muito provavelmente temos mais clubes que muitos países maiores que nós).
E num exercício fantasioso, consegues fazer um campeonato a 18 clubes, em que todos têm um peso histórico de realce no futebol português! Por outro lado, reduzir a 12 cortaria muito a probabilidade do aparecimento de outros clubes (por exemplo um Paços teria muita mais dificuldade em crescer o que cresceu e se estabilizar como clube de primeira nesse contexto).
No fundo, nesse molde o choque entre futebol profissional e os restantes escalões seria ainda mais gritante e muito mais restrito, penalizando ainda mais os clubes de menor dimensão! Reduzir a 16 poderia ser pertinente, mas sinceramente já o fizemos relativamente há pouco tempo e não vimos grandes diferenças. Agora tudo vai como as coisas se estruturam, liga a 18 e só descerem 2 é palerma, sobretudo com tanta disparidade. E depois temos a questão da centralização dos direitos (bem feita claro, justa e a pensar no panorama global), que aumentaria a capacidade negocial e uma distribuição equitativa (diferente de igualitária)… o resto são fait-divers, mentalidade “velho do restelo” e clubite aguda na minha opinião!
Saudações Desportivas
Knox_oTal
Sim claro a imprensa desportiva terá sempre uma grande importância nesta mudança (o aparecimento do canal 11 foi um passo muito positivo, quando há boas iniciativas também não pode haver pejo de as realçar), mas acredito que a mudança no jornalismo desportivo também irá atrás do que as pessoas querem e como elas interagem com o meio do futebol!
Hoje em dia, as gerações mais novas parecem-me tendencialmente mais desinteressadas do futebol em Portugal, se calhar dando lugar a grupos mais pequenos que são muito mais fanáticos e facilmente percorrem os caminhos do ódio e clubite extrema. É claro especulação minha, mas é o que me parece. Até porque como noutras áreas, o futebol é associado directamente à corrupção (diria quase sinónimo para muitos portugueses), o que juntando à insegurança nos estádios e os discursos de ódio de alguns dirigentes e treinadores… leva a que muita gente que até gosta de futebol e iria ao estádio com a família e amigos para passar um bom momento, mas como não são “fanáticos” pelo futebol e por um clube em particular preferem não ir. Eu pelo menos não levaria um filho ou uma filha ver um Porto e Benfica por exemplo, o que para muitas pessoas é algo normal e que o futebol é para “homens de barba rija” e outras palermices… e essa mentalidade e logo indicativa de muita coisa!
É como dizes há que mudar mentalidades antes de tudo, o problema é que se trata do mais difícil!
Saudações desportivas
Flavio Trindade
Antes de mais Henrique, parabéns pelo texto e pela excelente análise!
O problema em si é mais do mesmo.
É apenas e só estrutural, e como todos os problemas estruturais do nosso país, a solução mais fácil (e única para alguns) é injectar dinheiro para embelezar a deficiência em vez de se atacar a causa raiz.
E a melhoria do produto futebol só se pode fazer estruturando.
Por exemplo:
1. Aposta na formação como base.
O jovem jogador português tem um valor de mercado superior, valor contabilístico de zero, e isso possibilita retorno financeiro em receita extraordinária e também retorno desportivo na maioria dos casos.
2. Regulamentar as inscrições e as regras.
Somos uma das ligas mais desregulamentadas a esse nível.
Com base no ponto anterior, deveríamos no mínimo adoptar as regras da Uefa. 8 formados no país, 4 formados no clube, 25 inscritos.
Não só para potenciar a aposta na formação como para que os clubes ficassem menos expostos aos empresários e comissões.
3. Tolerância financeira zero.
Mais uma vez somos uma liga sem rei nem roque. Temos que ser intolerantes relativamente aos clubes que não tem condições financeiras para participar numa Primeira Liga.
Aqui adulteram-se certidões e opta-se pela via judicial para ganhar tempo.
Não tem condições não participa. Seja que clube for.
4. Trazer os adeptos de volta ao estádio.
A qualidade do nosso futebol é boa, bem melhor do que apregoam, mas é impossivel valorizar o produto quando se tem 1000px no estádio.
Há N de medidas que têm que ser tomadas.
Redução do preço dos bilhetes.
Limite máximo definido.
Beneficiar os sócios com bilhetes de época com jogos grátis para a família.
Criar iniciativas para trazer crianças, estudantes, famílias ao estádio, que normalmente não comparecem, em jogos onde não haverá casa cheia, com bilhetes a valores reduzidos.
Esse argumento de que há clubes que não têm massa crítica não cola. Por cada 10 miúdos que têm a possibilidade de ir ver um jogo gratuito, se 1 se tornar sócio e adepto já é uma aposta ganha, e servirá para criar novas bases de fãs não ligados aos do costume.
5. Retirar o futebol da Liga de Clubes e retirar Pedro Proença do controlo.
Ter os clubes a gerir causa própria é como ter um ladrão como CEO de um banco. Nunca correu bem, nem vai correr.
Os lobbies são demasiado fortes, as trocas de favores também e neste caso os grandes têm uma enorme responsabilidade.
6. Com tudo isto feito, aí sim avançar para a centralização dos direitos de tv, mas em moldes competitivos.
Melhor produto, melhores equipas, melhores espetáculos significam mais dinheiro.
Trazer todos os players para a mesa de discussão em vez de aceitar monopólios.
Não fazer contratos de centralização a 10 anos que servem apenas para aumentar o endividamento futuro (por má gestão) mas contratos no máximo de 3 anos, até para potenciar o interesse das negociações seguintes.
Nada disto é difícil de aplicar. Haja vontade de resolver o problema em vez de o esconder.
John Doe
Obrigado pelo artigo, é uma reflexão muito interessante e rica do ponto de vista empírico – quem sabe se não se inaugura aqui no VM uma série de artigos que verse sobre a “economia política” do futebol.
rikhardo
A mim faz-me alguma confusão como é que alguém que tem cresce com um clube da sua cidade na 1 liga, é adepto fervoroso de um dos 3 grandes.
Era bom para o Futebol português que Benfica, Porto e sporting deixassem de ter a maioria dos adeptos de futebol e passassemos a ter mais clubes.
Sobre a competitividade e as diferenças entre os clubes, tudo isso é verdade, sem falar que os 3 grandes geralmetne vão buscar jogadores baratos aos restantes clubes…
mas vejamos nos ultimos anos (desde 2009/10)quantos clubes foram campeões :
Portugal – 3 clubes (2 clubes 6 vitorias em 13 anos)
inglaterra 5 clubes(1 clube 6 vitorias )
italia – 3 clubes( 1 clube com 9 vitoras )
Espanha 3 clubes (1 com com 7 vitorias)
França 5 clubes (1 com 8 vitorias)
alemanha 2 clubes ( 1 com 11 vitorias)
Não me parece que estejamos mais limitados a 2/3 equipas do que outros campeonatos!
Knox_oTal
Primeiro que tudo, sim é uma “maldição” esta dos ditos Três Grandes sobre o futebol português. E como tal, numa situação destas até podem existir factores positivos, “poderes”/benefícios que advêm da “maldição”, mas numa perspectiva mais abrangente e a longo termo… o balanço é claramente negativo e insustentável quanto a mim.
Começando pela desconstrução do grande argumento a favor do status quo actual, uma eventual perda de competitividade dos três do costume nas competições internacionais. Pessoalmente, isto trata-se de uma táctica de acomodação dos outros pelo medo de algo hipotético, e assim se mantém todo um desporto refém com essa manipulação. Aliás, como alguns falam é quase como se não existisse futebol português senão fosse o Benfica, Sporting e FCP… e o problema está mesmo aí, as pessoas em Portugal não gostam de futebol, gostam acima de tudo, de Benfica, Sporting ou FCP. No entanto, o bom-senso dita que em condições normais, sendo o futebol o principal foco de interesse desportivo no país, se não existissem ou se caíssem do pedestal algum destes autoproclamados Senhores do Destino do Futebol Português, outro clube(s) qualquer iria eventualmente tomar o seu lugar ou pelo menos absorver parte da importância. Estes três clubes não foram Escolhidos, qual Matrix, por serem especiais, estão “apenas e só” neste lugar de poder e influência porque ganharam mais, muito mais diga-se a bem da verdade, no contexto e circunstâncias da evolução e enquadramento histórico-politico do futebol português. Por detalhes, decisões e pura sorte, o Belenenses, por exemplo, poderia ser muito bem ser O grande do futebol português e o Benfica um clube de bairro.
E este ponto, o da autoridade moral (quase sagrada e inata), leva-me concordar com quem diz que uma simples distribuição colectiva de receitas não bastaria, pois para mim antes de tudo isso há este PORMAIOR da gritante falta de cultura desportiva e de mentalidade mesquinha dos três clubes em questão e os seus adeptos (e sim haverá diferença/atenuantes entre eles a dado momento e contexto, mas na sua essência são todos equiparáveis e com telhados de vidro). Também não podemos esquecer o próprio contexto cultural e social do país, e qual é o grande flagelo deste belo jardim à beira-mar plantado??? A corrupção e promiscuidade de poderes/interesses, claro está, talvez desde a sua concepção até aos dias de hoje. E como qualquer outra actividade na sociedade portuguesa, o futebol é altamente impactado por esta corrupção… começando nos lobbys políticos (por exemplo temos um Presidente de Câmara, de uma grande cidade por sinal, que é simultaneamente vice-presidente de Conselho Superior de um destes clubes… e aparentemente não choca ninguém), nas instituições que gerem o desporto (a Federação e, sobretudo, a Liga são um antro interesses e jogadas de bastidores), nos dirigentes desportivos (que já são a personificação de corrupção na sabedoria popular), nos agentes desportivos, nas claques, até ao “peixe miúdo”… o adepto comum metido em esquemas de apostas e venda/especulação de bilhetes ilegais. Boa sorte e muita força a quem tiver coragem de enfrentar este panorama com efectiva vontade de mudar alguma coisa, vai precisar bastante de ambas!
To be continued…
Knox_oTal
Continuando…
Voltando ao mito do lugar “sagrado” dos três grandes, e tentando dar luz à perspectiva do outro lado da barricada… todos os clubes!, na minha opinião, assente no bom-senso mais uma vez, um futebol mais forte, uma liga mais competitiva iria, a longo prazo, fortalecer Benfica, Sporting e FCP. As equipas não sentiriam tanto a diferença de nível de exigência para as competições internacionais (mas há dúvidas que isso é um dos grandes factores para o novo-rico PSG ainda estar a zeros na Champions?!?), estando melhor preparadas para o esforço físico requerido, tal como o mental. Haveriam mais equipas a contribuir com pontos, está visto que por muitos brilharetes que Benfica, FCP e Sporting façam, com o ranking actual (e as suas regras) não chega!!! E ao ser apresentado o produto de forma colectiva, a tendência seria aumentar o seu valor total e não o contrário… lá está, os tabus da sustentabilidade e dos projectos a longo prazo!!! E com melhores projectos se calhar seriam mais os tais craques a fazer carreira por cá, a começar pelos craques da casa, os portugueses (pena é serem os mais criticados e com tolerância zero, mas isso seria um tema próprio por si só para debater).
Mais, faz-me sempre rir as incoerências de quem está sempre a criticar, a fraca qualidade, o anti-jogo em Portugal (as mesmas tácticas que empregam no futebol internacional muitas das vezes) e ser constantemente condescendente para com os ditos “pequenos” (basta ver uma qualquer caixa de comentários de um post do Braga seguida de um grande resultado desportivo). No entanto, quando chega a hora de falar de soluções e mudanças é sempre cada um por si e, seja qual a cor clubística, preferem “reinar na terra queimada”!!! Mais, sempre que um clube começa a fazer uma base competitiva interessante e a ameaçar quebrar a ordem das coisas, chega o mercado de Verão (ou mesmo de Janeiro) e essas equipas são despedaçadas pelos tais 3 guardiães do futebol português, e muitos desses jogadores são para emprestar para fora ou ganhar maior margem de influência num futuro empréstimo estratétigo. E aqui, sem querer ser redundante, voltamos ao mesmo… dirigismo de visão curta e corrupto! Sim porque isto é feito com a complacência e quase convite dos dirigentes do clubes dimensões menores!!! Percebo quem fala de sobrevivência e de ser um dilema entre migalhas ou nada, mas gosto de pensar na origem do problema… MÁ GESTÃO e de se servirem dos clubes para enriquecerem. O Boavista é um exemplo cristalino deste ciclo vicioso, o que já foi e como o puseram… a lutar pela sobrevivência!
Nesta linha, e sendo claro que para mim o Braga já é uma grande equipa em Portugal (aliás é até parvo servirem-se do critério títulos e depois termos um clube no grupo dos 3 que ganha a cada 19 anos mais coisa menos coisa), tenho para mim (os adeptos dos Guerreiros serão muito mais legítimos para aprofundarem isto) que o Braga arriscasse a passar pelo mesmo, mais década menos década. Pois, o sistema está feito para corrigir este tipo de “erros”, como fez com o Belenenses, o Vitória ou o Boavista… o Braga se quiser consolidar o seu estatuto de equipa grande a médio/longo prazo e, sobretudo, evoluir ainda mais, na minha opinião precisa de uma lufada de ar fresco na sua liderança. Salvador fez muito pelo clube, seria palerma não admitir isso, mas é mais um dirigente protótipo deste sistema corrompido e que se joga nos bastidores. Tem uma relação amor/ódio com os outros 3 clubes, que por vezes faz-me pensar se terá feito a sua obra por amor ao Braga ou inveja dos outros… no fundo, é um herói que tem todas as condições de se tornar vilão. Basta ver o que se passou este defeso, o Braga fez um mercado de transferências positivo, sem dúvida, mas teve uma oportunidade de se emancipar ainda mais dos outros três com transferências do seus melhores jogadores para o estrangeiro, valorizando a sua marca e quebrando o ciclo vicioso do dinheiro e dos melhores jogadores no futebol português (o Carmo não tinha mercado em Inglaterra?!?).
E, por fim, para um país que preza tanto Revolução de Abril, há nos clubes de futebol um fascínio por totalitaristas muito bizarro, quer dizer nem tanto, os portugueses sempre tiveram uma queda especial por populistas. Por outras palavras, o Salvador não é o Braga, tal como o PdC não é o FCP, o BdC não era o Sporting ou o regime Vierista não é o Benfica, deve haver espaço para ciclos saudáveis de liderança (não, não é uma indirecta ao Cristiano Ronaldo… mas podia ser! Ups, não resisti) e margem de crescimento ou será extremamente difícil sair deste marasmo desportivo e de sustentabilidade que é o futebol português! Mudanças e ideias precisam-se, haja coragem (e muito poder de encaixe!).
Saudações Desportivas e Muita Força nesta Luta!
Antonio Clismo
Para o tamanho que tem Portugal até tem boa concentração de boas equipas. Por exemplo tem a mesma população da Catalunha (aprox). Quantos grandes clubes é que tem a Catalunha além do Barcelona?
Girona? Sabadell? Espanyol? Lleida?
O modelo de gestão dos clubes em Portugal está na maioria das vezes completamente errado. Quais são as equipas que conseguem dar lucro em Portugal? Quase nenhuma.
Para sobreviverem basta ligarem-se a um centro do poder instalado (ou a norte ou a sul) et voilá.
Depois é comprar e vender o máximo de jogadores para maximizar as comissões e as luvas porque os mandatos geralmente só duram 3 ou 4 anos e os adeptos têm memória curta, só se lembram das vitórias e nos títulos e ninguém se importa se as dividas dupliquem e tripliquem durante esse tempo.
Quem vier de último que feche a porta.
Mantorras
Bom artigo. Nao sei se sera o melhor, porque ja houve outro que gostei bastante e nao quero ser injusto, mas esta bastante bom. Parabens.
Quanto ao tema, a minha opiniao ja vem de ha muito tempo. E nao mudou ainda.
O problema em Portugal nunca deixara de existir enquanto esta classe dirigente estiver no poder. Antiquada, corrupta e mesquinha. Anti desporto. A liga e as suas assembleias sao actos circenses, a FPF nao serve ninguem, mas serve-se de todos, e os conselhos de disciplina sao tao manietados/influenciados pelo que Dias da Cunha uma vez denominou de “sistema”, que da vontade de desejar paz a alma de todos que dizem que acreditam na justica. O futebol alimenta muita coisa e muita gente, e apenas o que se passa no campo acaba no escrutinio popular. O resto passa ao lado… ate desaparecer pelos pingos da chuva.
Todas as medidas, mais ou menos validas, que ajudarao a melhorar (quase) tudo, podem e vao impulsionar a competitividade da liga, mas terao o seu impacto diminuido, atrofiado e eventualmente poderao revelar-se um “falso fracasso” face ao seu proposito, porque a competitividade depende mais de outras coisinhas.
Seja quem for que esteja colado ao poder, sejam quais forem as coligacoes e aliancas, das varias permutacoes entre Porto, Benfica, Sporting, Braga e Boavista, havera facilidade em branquear quase tudo o que ha de podre, e influenciar os sectores/entidades relevantes, desportivos e nao so, pelas ligacoes aos meandros da politica e esta maravilha da impunidade, ate aos adeptos, que nao querem saber de nada desde que se ganhe. A paixao “por que se vendem”, sempre, invariavelmente, sejam de que clube forem, e defendam coisas erradas, imorais, ilicitas, e abjectas porque “os outros tambem fizeram”, ou “porque e desculpa de mau perdedor”… torna isto dificil de mudar. Quem ganha campeonatos ganha eleicoes a brincar, alias, quem ganha 6 ou 7 jogos seguidos ganha eleicoes.
Reduzir equipas?
Experimentar outros formatos?
Descerem mais ou menos e fazer liguilhas?
Valorizar com mais premios e acesso a Europa em competicoes como a Taca da Liga?
Fazer caps orcamentais, de salarios, por exemplo, como em Espanha?
Reduzir o numero de estrangeiros e aprimorar ainda mais as regras dos emprestimos?
Implementar algo para impedir partilha de passes e haver clubes que sao entrepostos de fundos e afins?
Criar apoios e investir em infra estruturas ajudando os clubes pequenos a subir?
Criar cursos e fomentar educar os dirigentes dfesportivos em gestao desportiva e outro tipo de conhecimentos importantes para a area?
Criar entidades de fiscalizacao para intervir e regular/visturiar transferencias e o “repartimento da mama” que acontece e retira do desporto em si milhoes e milhoes todos os mercados?
Aprimorar a forma como os clubes podem intervir e ajustar regras nas entidades criadas para o efeito? Tipo ligas e conselhos de disciplina?
Tornar relatorios, imagnes, sons e explicacoes dos arbitros publicas para acabar com materia “coco”?
Impor conceitos de comunicacao que sirvam o desporto e regras que punam os “agora na moda” directores de comunicacao (ou entulho, se preferirem)?
Centralizar os direitos televisivos?
Primeiro, a classe dirigente deve mudar e ser regenerada. As estruturas que existem actualmente, quebradas. Isto em PT vai aos juizes/advogados, politicos, e todo o trafico de influencias implicado ai, mais os negocios duvidosos de lavagem de dinheiro, e brincadeiras com empresas e trocas de (favores) servicos aos clubes, mas chega ate ao trafico de armas, de drogas, controlados por claques e empresas de seguanca duvidosas. Segundo, a nova classe dirigente deve utilizar os meios existentes e tornar a liga numa entidade ao servico do futebol e nao num aterro sanitario para material organico ainda vivo. Quando isso acontecer, terao os intrumentos necessarios para decidir e tornar o campeonato melhor, implementar as medidas certas, rapidamente, com bom senso e boa fe. Podem entao centralizar os direitos e tracar um plano que podera conter muitas outras coisas para, pelo menos, serem tentadas. Se isso acontecer, tenho zero duvidas que o nosso futebol fara o resto. Ha muito valor, muita qualidade, muito engenho e muita arte. Nao da e para ser liderado por gente pequenina.
Manel Ferreira
“Valorizar com mais premios e acesso a Europa em competicoes como a Taca da Liga?”
Isto não resulta. O que aconteceria era apenas os 4 primeiros irem à Europa (ou até os 3 primeiros, se Portugal caísse no ranking) e depois o 10º e o 12º calhavam de ganhar às taças e iam à Europa sem bases ou plantel para tal. Até os franceses acabaram com isso porque estavam fartos de ver Guingamps a acabar em 11º lugar e ir à Europa fazer dois pontinhos.
Eu nem sou contra a existência da Taça da Liga, mas não tem peso suficiente para dar lugar na Europa. É uma competição gira para testar jogadores, para haver uma “final four” que traga mais jogos grandes e o pessoal andar mais à bulha nos blogs e tal. E tudo bem, nem sou contra isso, mas não me parece suficiente para dar lugar na Europa e prejudicar uma equipa que tenha feito uma boa época.
Mantorras
Acredito que nao resulte como acredito que poderia resultar.
A parte principal seria potenciar a competicao, porque nos moldes actuais nao tem grande interesse. Na minha opiniao, o melhor seria dar um premio avultado para a nossa realidade, em caso de vitoria na competicao.
Se o vencedor ganhar 3M e o segundo 2M, por exemplo, ja faz uma grande diferenca para os mais pequenos. Faz parte da distribuicao de receitas.
Ir a europa pode resultar ou nao. Depende de quantos outsiders ganham e das suas campanhas.
troza
Também gostava de ver a distribuição das equipas pelos países em questão. Em Portugal quase todo o futebol profissional está concentrado no norte do país, existindo muito poucas equipas de nível no centro e no sul do país.
São dados. Muitos falar de tetos salariais (faz diminuir a qualidade dos ditos grandes, o que diminui o interesse na liga e as prestações na europa que podem dar visibilidade à liga) e da centralização dos direitos (que até ver o real valor da liga, não deixa de ser mais uma vez à custa do que pode mesmo fazer subir o valor da liga, além de garantir que o mapa do futebol português não muda, continuando tudo numa zona pequena do país e impedindo assim de que haja mais interesse ao longo do país, com mais audiências, mais equipas onde os jogadores podem virar profissionais sem terem de abdicar de tudo e ir para longe…).
Para mim, há que mudar muito antes de se falar em soluções como centralização dos direitos… porque isto é apenas continuar a ir às cavalitas dos ditos grandes (e mais umas equipas com uma base de fãs interessante como o Guimarães e o Braga, embora este já possa estar na conversa dos grandes por estar acima de todos os outros) sem mérito nenhum das outras equipas.
Primeiro há que ter um presidente da liga que antes de querer a centralização dos direitos sem alterar nada, tenha soluções para melhorar o produto.
Sei lá… bons relvados, melhores horários para os adeptos e condições para que existam verdadeiras molduras humanas nos jogos, alguém que queria realmente limpar o futebol de adeptos que façam asneiras, aumentar a transparência da liga, multas pesadas para quem continuar a insistir em certos comportamentos e declarações, distribuição do número de árbitros pelas diferentes regiões, alterações do formato de todas as divisões de forma a que num futuro próximo – mais ou menos 10 anos – o mapa do futebol em Portugal esteja mais distribuído, profissionalização dos árbitros e homogeneízação do estilo de arbitragem – que torna os jogos mais transparentes para os adeptos, que pode por aqui ajudar a um estilo mais atrativo para a liga em geral pela forma como os jogos são geridos – são algumas coisas que ajudariam a melhorar o produto.
E depois de muito disto, de tornar a liga mais apelativa por diversos factores, aí sim falar do resto (neste caso a centralização dos direitos televisivos) porque não há magia que vá dar mais dinheiro à liga portuguesa só porque se começa a negociar os direitos por todos.
DNowitzki
A União Soviética e a sua economia planificada deram um resultadão.
Há uma outra questão: o número de adeptos e espectadores de futebol tem vindo a decair brutalmente, tal como a capacidade dos estádios recentes demonstra. Quem imagina, hoje, um Estádio da Luz com mais de 120 milhões de almas? Nem aos 70 chega hoje em dia!
Se diminuirmos a competitividade dos ditos 3 grandes, vamos remeter-nos a ser da terceira divisão europeia, a batalhar com gregos, dinamarqueses, suecos e por aí adiante. Até poderemos ter uma espécie de Brasil, onde tivemos 3 campeões diferentes nos últimos 3 anos, mas seremos totalmente irrelevantes.
Os números traduzem a dimensão do nosso país. Há uns anos tentei-me associar-me a uma empresa digital Internacional, que teria apenas de gerir o “marketing” e a publicidade. Tinham bons números para a realidade do nosso país, porém não tinha escala internacional, a que eles operam, por isso recusaram, explicando exatamente porquê: tem mercado apetecível a nível interno (por exemplo, 75%), mas nós (eles) operamos 400% acima disso. O futebol é a mesma coisa.
Por outro lado, sempre me fez confusão ter de cortar uma árvore para que as outras cresçam e pareçam maiores, transformando a floresta num amontoado se plantas anãs.
rikhardo
em 1 lugar acho q não era frequente o estádio da luz meter 120 milhoes ( :P mil) adeptos, mas mesmo assim nesses tempos metia-se mais do que hoje.
Em 2 lugar… ter sporttv a 20€ mês e ver futebol sentado no sofá, ajuda a reduzir o numero de adeptos…
em 3 lugar , acho que temos cada vez mais fanáticos de clube e menos adeptos de futebol… as dicussões de futebol são sempre sobre erros de arbitragem, ninguém fala de tática, técnica, nem sequer de erros de jogadores… só dos da arbitragem!!!!
DNowitzki
Tens toda a razão! Uma coisa é pensar em grande, outra é uma argolada destas.
lipe
Os adeptos de um Paços, Portimonense ou Boavista nem dormem só de pensar que os grandes podem perder relevância lá fora!
Mantorras
“E se deixassem de dormir tambem nao faria muita diferenca, alem de maia duzia de camas livres.”
Esta podia ser a resposta, porque esta guerra grandes e pequenos, constantemente na cabeca de alguns faz me confusao. Isto nao e guerra. A solucao tera sempre de ser conjunta.
Manel Ferreira
Quando se passa todo o tempo a ler coisas do género “reduzir a liga para 10 clubes” é difícil os outros clubes não verem isto como um ataque até à sua própria existência. Já nem vou ao terem que passar o tempo todo a ouvir que são vendidos, que deviam era apodrecer nos Distritais por terem tirado pontos ao seu grande e por aí fora… Naturalmente que depois não são só beijinhos em troca.
Mas sim, concordo, todos deviam remar para o mesmo lado.
DNowitzki
Pois, é isso mesmo: cada um pensa no seu quintal.
John Doe
Uma nota sobre a primeira frase do teu comentário, que de resto me pareceu interessante: não faz qualquer sentido aludir à economia planificada soviética quando se quer falar de regulação ou estruturação legal de um sector económico e/ou mercado, neste caso o do futebol profissional em Portugal.
É um argumento pobre porque reduz qualquer proposta de reforma à sovietização da economia, quando na verdade é difícil encontrar um mercado que não se encontre altamente estruturado do ponto de vista legal (e.g. legislação sobre contratos, sobre remunerações, sobre o trabalho, sobre investimentos) e/ou institucional (e.g. intervenção de autoridades reguladoras, tutela governamental através de licenças). Em Portugal, e em todo o lado, há “planeamento” em vários sentidos: indirecto (através de incentivos e penalizações fiscais, por exemplo) ou directo (e.g. leis regulatórias, investimento público, políticas industriais). O que varia (e muito) são os contornos dessa estruturação/regulamentação/intervenção, em grau e natureza.
Reduzir tudo à economia soviética só empobrece estas discussões, francamente.
Meu nome é Toni Sylva
É dito abertamente que um dos objectivos será que os clubes da I Liga estejam mais distribuídos pelo território em vez de concentrados a norte. Se isso não é sovietização, não sei o que é.
Uma coisa é regulação com vista a objectivos asbtractos, que depois o país alcançará de forma orgânica. Outra é com objectivo de ter este ou aquele resultado concreto, seja ele sustentável ou não.
Também não me parece que o comentário acerca da história dos clubes tenha o que quer que seja a ver com regimes políticos, o que seria absurdo. É uma maneira de dizer que o país não é um campo homogéneo onde se semeiem batatas e depois cresçam todas por igual.
E digo isto tendo muita pena que haja a concentração a norte que há. Mas não quero que ela mude por decreto.
DNowitzki
Desculpa, mas o pensamento de muita gente passa pela sovietização e, nalguns casos, por uma reorganização social. Os clubes portugueses têm uma história e convinha perceber, por exemplo, como é que Benfica e Sporting se tornaram tão populares.
John Doe
Quanto às razões que explicam a popularidade do Benfica e do Sporting – suponho que te refiras aqui à proximidade destes clubes a interesses próximos dos regimes políticos portugueses do século XX – também nada têm que ver com “sovietização”, mas quando muito com tópicos como a confluência de interesses e ideias entre o sector político-institucional, o sector privado e as próprias massas, e que inclui tópicos como clientelismo, lobbying e favorecimento. Mas essas são (infelizmente) características próprias das economias de mercado ocidentais, modernas, tais como as conhecemos. Também aqui, falar de “sovietização” é um equívoco.
John Doe
Desculpa, mas quem, no caso em apreço – o debate sobre a organização do futebol em Portugal – é que defende algo que se aproxime de uma “sovietização” (suponho que queiras com isto dizer algo como planeamento central de produção e distribuição, controlo de preços e quantidades, planos quinquenais, cálculos input-output, propriedade pública dos meios de produção, etc.)? Ninguém. O que se discute são essencialmente formas de restruturar/reformar as ligas profissionais, as relações entre clubes, a organização competitiva, a distribuição de receitas televisivas e, no limite (vade retro!) definir tectos salariais. Tudo elementos que se encontram aplicados noutras ligas ou noutros desportos caracterizados por clubes e associações privadas, dos EUA à Europa.
Vir neste contexto falar de “sovietização” é para mim um mistério, mas enfim.
Antonio Clismo
O título deste artigo tanto poderia ser:
A maldição dos 3 grandes
Como,
A bênção dos 3 grandes
Antonio Clismo
Na Grécia também sempre houve uma luta a 3 (Olympiakos, Panathinaikos e AEK)
Na Escócia sempre houve uma luta a 2 (Rangers e Celtic)
Na Sérvia sempre houve uma luta a 2 (Estrela Vermelha e Partizan)
Na Turquia sempre houve uma luta a 3 (Gala, Besiktas e Fenerbahce)
Na Ucrânia sempre houve uma luta a 2 (Shakhtar e Dínamo Kiev)
Depois há ligas que parecem super competitivas porque parece que têm um vencedor diferente todos os anos, mas analisando melhor são clubes que andam à boleia de investidores que ficam lá 2 ou 3 anos e depois saem deixando os clubes na ruina como vemos na Roménia, Polónia ou Hungria.
Bino Costa
É exagerado dizer que na Grécia a luta é a 3, quando o Olympiakos tem 47 títulos e o Pana e AEK, 20 e 12 respectivamente. Sendo que nos últimos 25 anos, o Olympiakos venceu 21 (!!!) campeonatos. Talvez há 25 anos fosse uma luta a 3, mas desde então deixou de o ser.
No entanto, o ponto do artigo não é a quantidade de candidatos ao título, mas a desigualdade entre candidatos e restantes. É óbvio que o normal é existirem 2 a 4 candidatos ao título.
MR
E porque não os clubes pequenos tentarem jogar futebol?
E porque não os clubes pequenos usarem mais as escolas?
Neste momentos tems os clubes pequenos a comprar carradas de jogadores sem ligação alguma à terra onde jogam, pagando comissões à parva. Porque não usar jovens jogadores das escolas? São assim tão maus? Se o são então algo de muito errado se passa nessas escolas.
Se formos ver aos paises baixos, muitos desses clubes pequenos apostam na formação.
O que acontece? Um melhor futebol praticado, casas mais cheias, cidades ligadas aos clubes.
Enquanto por cá se treinar como demorar a bater pontapés de baliza, como melhor simular uma falta e como pedir entrada da equipa médica o nosso futebol nunca vai evoluir
Zpteixeira
Pode ir analisar a percentagem de jogadores da formação que o Vitória tem no plantel principal. E os resultados que tem tido na Europa.
O problema é fácil de identificar: falta de dinheiro, que provoca falta de qualidade.
Não é uma associação direta, mas há uma correlação fortíssima. A falta de dinheiro provoca que qualquer jogador da formação que se destaque e que se começa a impor, saí imediatamente para render dinheiro e salvar um orçamento (ver o exemplo do André Almeida, que agora na época em que se iria impor como a figura maior do plantel, sai, porque o Vitória não tem capacidade para igualar condições salariais e precisava do rendimento para não se enterrar). E como exemplo usei o clube com a 4a maior massa adepta de Portugal. Imagine os outros…
Manel Ferreira
As “casas mais cheias e ligação aos clubes” na Holanda não tem a ver com formação ou falta de formação, mas sim com o facto de haver muito mais cidades grandes a jogar na 1ª liga holandesa do que em Portugal. Há muito maior representação do top-20 de cidades holandesas na Liga do que acontece cá.
Colocando a coisa de outro prisma, dos 18 clubes com mais adeptos na Holanda, se calhar uns 15 estão a jogar na 1º liga. Em Portugal nem metade!
E isto não tem nada a ver com formação, mas sim com uma disparidade enorme entre os bons projetos e os clubes com adeptos. Temos muitos Aroucas e Casas Pias, bem geridos e que fazem tudo bem, mas que depois não têm adeptos para encher um autocarro, nem potencial para isso. Ao mesmo tempo, as Académicas e V. Setúbais, que têm potencial para boas médias, andam a apodrecer nas divisões secundárias (por culpa própria, claro).
Esse é que é o problema do futebol português em termos de assistências, os clubes com adeptos andarem todos nas divisões secundárias. Reduzir isto à formação é ridículo.
Antonio Clismo
Excelente análise. Muito do que se conclui com estes dados tem muito de factores históricos e culturais do que outra coisa.
O facto de teres escolhido a threshold de 20% foi inteligente para chegares às conclusões que pretendias (Portugal ficar em primeiro) embora concorde com a análise e com as conclusões gerais.
Usando a threshold de 20% numa liga de 18/20 equipas pega nas 4 primeiras (sensivelmente) e compara com as restantes. Ora na Liga Portuguesa obviamente que irá dar resultados absurdamente desiguais, uma vez que o Braga e Sporting estão muito mais fortes (valorizados) do que a média histórica dos últimos 20 anos (Benfica e FC Porto mantêm-se intocáveis). E vemos um ano de grande desinvestimento em clubes que estão abaixo da valorização média dos últimos 20 anos (Guimarães é um grande exemplo).
Se usasses a threshold de 10% (top2) ou mesmo de 5% (top1) iria fazer com que a La Liga, Ligue 1 e Bundesliga ultrapassassem Portugal neste ranking de ”desigualdade”.
Amigos e bola
Nunca nada vai mudar. Os 3 grandes concentram demasiada influência na sociedade portuguesa. E isto vai muito além do futebol. Chega à política, à justiça, etc.
É um lobby.
Antonio Clismo
Até já fui apologista de acabar com tudo e começar novamente com clubes novos para limpar de vez todo este cancro que já está para lá de metástase.
Mais preocupante do que a desigualdade de recursos (grande parte dos próprios clubes que não sabem gerir o dinheiro) é para mim a distribuição geográfica de clubes na Primeira Divisão. Qualquer pessoa que olha para a distribuição geográfica dos clubes da Primeira Liga portuguesa fica logo a saber onde se encontram os 2 centros de poder instalados em Portugal.
Um no norte.
Um no sul.
Depois há os satélites todos à volta.
Querem direitos descentralizados? Mas primeiro há muitas coisas a resolver.
Nem quero imaginar dar 15 milhões de euros por ano de direitos televisivos descentralizados a um clube que não consegue meter mais do que 500 adeptos no seu estádio nos jogos em casa.. O que é que eles vão fazer com esse dinheiro? Obviamente que vão dar um salário milionário a um ex-internacional do Brasil que mal consegue correr mas que ganha mais do que toda a gente e que pouco ou nada consegue jogar… (Sandro Raniere, por exemplo).
Bino Costa
Talvez o melhor texto de análise alguma vez postado no VM, com dados específicos e claros sobre o problema estrutural da nossa liga, que já vem de há muito tempo.
Para mim a solução passa irremediavelmente pela distribuição das receitas, estes dados de desigualdade só vêm confirmar o que se sabia empiricamente, que esta é uma liga muito desigual e que alguns clubes pequenos fazem milagres quando conseguem vencer um grande.
Depois é preciso reduzir para 16 clubes para o bolo aumentar, aumentando a competitividade também. Com estas duas soluções, penso que a médio prazo a liga iria melhorar substancialmente, podendo também atrair mais adeptos para os pequenos, que para além de sobreviver com migalhas, ainda têm de levar com locais a apoiar os clubes de fora na própria casa.
Antonio Clismo
Mas a liga com 16 anos não ficou mais competitiva, longe disso.
Aliás, a principal premissa quando voltaram a colocar 18 equipas na Primeira Liga foi para potenciar a aposta no jogador português e o que tem acontecido é o inverso, pois não existem regras e os clubes claro, aproveitam.
Ter 2 terços de atletas estrangeiros a competir na Primeira Liga portuguesa é vergonhoso para as entidades que regulam a competição e para a FPF que nada faz para inverter essa tendência que está intimamente ligada com a má gestão que a maioria dos clubes faz em Portugal.
Dar mais dinheiro para ser mal gerido? Não obrigado.
É preferível manter o modelo descentralizado enquanto não houverem provas concretas que irá haver uma gestão supervisionada e regulada pela FPF.
Bino Costa
Ora vejamos, a média de pontos dos campeões nas últimas 8 épocas vs. média das 8 épocas a 16 equipas:
Média 75 pts. / 16 equipas = 4,69
Média 86 pts. / 18 equipas = 4,78
Como se pode perceber, os campeões fizeram menos pontos no campeonato a 16, apesar de a diferença não ser significativa. No entanto, essa medida conjugada com a distribuição de direitos ao estilo Premier League, certamente aumentará a competitividade de forma mais assertiva.
Quanto à restante argumentação do jogador português, já todos conhecemos a tua posição radical neste ponto, mas a competitividade da liga nada tem a ver com isso, aliás se houvessem restrições de nacionalidade, aí sim a competitividade desceria a pique (ex.: Liga Turca e as suas restrições).
Em 10M de habitantes, não existem jogadores portugueses suficientes de qualidade para todos os clubes, os bons vão para campeonatos que lhes oferecem melhores condições financeiras e desportivas.
E dizer que os clubes pequenos são mal geridos é uma falácia, quando muitos deles fazem milagres com orçamentos baixíssimos. Agora claro que existem clubes mal geridos, mas isso existem em todos os países.
Tiago Silva
Até concordo contigo, mas é normal as equipas acabarem com mais pontos quando têm mais jornadas para jogar…
Bino Costa
Epá, andei eu a fazer contas com os pontos as dividir pelas equipas para me dizeres isso?? Mesmo dividindo pontos pelo número de equipas, fizeram menos pontos.
Se calhar não usei a melhor fórmula, mas dividindo por jornadas:
75/30=2,50 pts por jornada
86/34=2,53 pts por jornada
Tal como disse a diferença não é significativa, mas porque não foi conjugado com distribuição centralizada de direitos televisivos.
Antonio Clismo
16 equipas*
Fireball
Análise bastante interessante com alguns pontos bem apanhados. Gostei.
Neville Longbottom
Pode ser que este seja o ano do Braga. Era bonito. Não atirei de todo a toalha ao chão, mas não posso negar (e há provas) que já perspectivava isto. Caso o Sporting não lute pelo título (que novamente isto pode mudar tudo), que seja o Braga, há muito merecido! Mas infelizmente o Benfica está forte e o Porto…bem o Porto é sempre forte, mesmo quando aparenta crise.
SL
lipe
O Braga até pode lutar, mas não vai sair por cima. O momento de forma é bom mas prolongá-lo até Maio é praticamente impossível.
Kafka
Tem prós e contras este monopólio dos 3 grandes..
Internamente é um contra, pq faz com que os 3 aglomerem todos os recursos sócio-económicos alocados ao futebol em Portugal
Mas internacionalmente faz com que especialmente Benfica e Porto sejam em termos de palmarés, 2 das 3 maiores equipas europeias da história do futebol europeu (diria que a maior é o Ajax), descontando os 4 grandes Países do futebol europeu (Itália, Alemanha, Inglaterra e Espanha)…. Mesmo a França que é o 5o país, do ponto de vista histórico não consegue ter nenhum clube com um palmarés europeu superior a Benfica, Porto e Ajax
Poderá ainda incluir-se aqui o Anderlechet nesta luta a 3, mas tb é indiferente para o caso em questão ser 2 dos 3 maiores ou 2 dos 4 maiores de sempre
E estou convicto q este monopólio dos 3 grandes num país pequeno e como tal com poucos recursos, é também ao mesmo tempo o que permitiu ao Benfica e Porto se tornaram 2 dos 3 maiores clubes europeus da história, só atrás do Ajax
Dario Nunes
Concordo, e disse algo parecido no meu comentário. É o próprio desiquilíbrio da nossa liga que a mantém competitiva na Europa. Depois há fatores que explicam o porquê de termos 3 clubes tão mais fortes do que os outros, nomeadamente o facto de quase metade da população do país (4,6 milhões de pessoas) viverem em 2 áreas metropolitanas, onde se situam os 3 grandes.
lipe
Essas áreas metropolitanas também são a casa de outros clubes históricos como Boavista ou Belenenses e não é por isso que têm muitos adeptos.
Os grandes têm adeptos de Melgaço a Sagres, com direito às ilhas, e é assim porque desde sempre são os que mais vencem.
Se o melhor grande português fosse de Évora muitos portugueses seriam desse clube.
Dario Nunes
Sim de facto tens razão, há esse fenómeno de adeptos dos grandes espalhados por todo o país (devem haver poucas cidades em Portugal em que o clube com mais adepto não é um dos grandes). É um fenómeno que penso ser único ou quase no mundo, e sinceramente não sou capaz de responder porque é que isso aconteceu.
Meu nome é Toni Sylva
Se calhar porque dois desses não estiveram nunca associados ao seu local de origem. O Benfica e o Sporting são de Portugal, nunca foram muito ‘de Lisboa’. O outro clube é a excepção, pelo menos desde os anos 80.
Em qualquer outro contexto isto seria considerado uma coisa boa. Eu não tenho de ser adepto do clube com sede na minha freguesia, com o qual, pelos mais diversos motivos, posso não simpatizar nada.
Estigarribia
O futebol português precisa de uma mudança urgentemente nas suas competições. E aproveito e deixou aqui algumas sugestões:
I Liga: deixaria de ser de 18 clubes e reduzir-se-ia para 16 clubes no mínimo, onde os três últimos classificados desceriam à Liga de Honra e os 4 primeiros classificados disputariam um playoff de campeão, depois de finalizada a ronda por jornadas (sou adepto desse modelo muito por culpa do futsal, apesar de aí serem 8 equipas a irem a playoff).
II Liga: o segundo escalão passaria a dividir-se em três Ligas, digamos assim: uma denominada Zona Sul, outra Zona Norte e outra Zona Centro (um pouco quase à imagem da antiga II Divisão B). E as três ligas teriam todas 16 equipas, onde subiriam os três campeões e desceria o último classificado de cada liga.
E no que diz respeito às Taças, acho que a Taça da Liga deveria ter o formato da Taça de Portugal, ou seja tudo a eliminatórias até à final; a Taça de Portugal mantinha o formato, mas retirava-se a aberração das meias-finais a duas mãos (que só tira magia à Taça); e a Supertaça de Portugal passaria a ser disputada em cada época num país dos PALOP ou em países onde exista uma grande comunidade europeia, tipo Canadá ou Suíça, por exemplo.
Por fim, em relação ao tempo útil de jogo e ao antijogo, acabar-se-ia com os jogos de 90 minutos e os jogos passariam a ser cronometrados em 60 minutos em cada parte, como acontece, por exemplo, no futsal – o futebol não deixaria de ser emocionante só por ter tempo cronometrado (acredito que mais ano, menos ano, passaremos a ter o tempo cronometrado no futebol. Será tudo uma questão de tempo).
Saudações Leoninas
fsrgio
Penso que o ideal era reduzir mesmo para 12/14 equipas no máximo. Portugal não tem qualidade competitiva para ter tantas equipas na 1ª Liga.
Antonio Clismo
Não acho que seja esse o caminho.
A liga con 16 equipas não aumentou a competitividade, muito pelo contrário. Criou imensos buracos competitivos e por isso é que inventaram a taça da liga para rentabilizar esses buracos competitivos.
FootballTotal
Há um factor importante a colocar em jogo. O facto de Portugal ser um país pequeno e estar geograficamente localizado no fim da Europa. É um dos grandes factores da economia deste País.
Dito isso, acho que um dia que se consiga equilibrar o nosso campeonato, vai ser com a perca de força dos grandes ( centralização dos direitos).
Mas depois vamos deixar de lutar na grande Europa e passar a lutar com os pequeninos da liga conferência e por aí.
Será que queremos isso?
A verdade é que tirando a qualidade do futebol ( pouco tempo útil de jogo, muitas faltas, autocarros estacionados à frente da baliza, etc) o nosso campeonato não é assim tão desequilibrado. Todos os anos temos 3/4 equipas a lutar pelo pódio, mais umas 2/3 equipas a lutar pelos lugares europeus, para não falar na luta pela manutenção que tem sido bem engraçada.
Temos campeonatos na big 5 que não é bem assim.
lipe
Não é de todo verdade que todos os anos tenhamos 3/4 equipas a lutar pelo pódio. Antes fosse.
O que temos sim é todos os anos 2 dos grandes a lutar pelo título e um deles resignado com o 3º lugar, sendo que o 4º está quase reservado para o Braga, e daí para baixo sim, há alguma imprevisibilidade. É raro o campeonato onde os 3 grandes lutem pelo título simultaneamente.
Fireball
Eu não acho que esse último ponto seja relevante:
– 3/4 equipas a lutar pelo pódio. O pódio são 3 lugares, se são 3 a lutar pelo pódio não há luta nenhuma, são as 3 que ficam. Se há o Braga ao barulho mesmo assim normalmente precisam de uma época pouco conseguida de um dos grandes para conseguir sequer entrar na luta pelo 3º.
– 4º lugar está atribuído à partida.
– 2/3 equipas a lutar por lugares europeus. Again, se são 2 equipas a lutar por 2 lugares não há luta. Se são 3 há pouca luta. Mas a questão nem vai por aí, é que haver 2/3 equipas a lutar por um lugar acontece SEMPRE. O problema é que são sempre equipas diferentes, pq a maioria tão depressa luta pelo 5º lugar como luta para não descer. Quem luta por estes lugares são equipas que por acaso tiveram sorte nas contratações e conseguiram uma boa temporada. Na época seguinte vendem tudo e descem.
– A luta pela manutenção é engraçada sim, mas o facto de metade da tabela ser luta pela manutenção não é positivo. Não temos meio da tabela quase.
JFN
Não sei se o 4º lugar está atribuído à partida. Nos últimos 10 anos houve 4 equipas diferentes a ficar em 4º lugar. Só não foram 5 porque o Paços num deles ficou em 3º (sporting em 7º), caso os 3 grandes tivessem feito o pódio o Paços seria a 5ª equipa em 10 anos a ficar em 4º. Não me parece assim tão atribuído à partida.
lipe
Nos últimos 10 anos o Braga ficou 8 vezes em 4º lugar ( e duas em 3º).
Não está atribuído à partida, mas a probabilidade de ser o Braga é sempre bem elevada.
Amigos e bola
À escala europeia, somos um país médio.
Dario Nunes
Excelente texto, muitos parabéns.
Quanto à pergunta, eu penso que é difícil de dizer, afinal somos o país do mundo com melhor rácio população/qualidade da liga. Podíamos ter um campeonato mais competitivo? Sim, é verdade. Mas acho que se não fosse o facto dos clubes grandes terem 90% dos adeptos nunca seriam clubes tão bons. Se não fossem tão bons não teriam tanto sucesso lá fora. Se não tivessem tanto sucesso lá fora, provavelmente o povo português não iria ligar tanto ao futebol e iria dividir a sua atenção por outras modalidades. Se assim fosse, o futebol português diminuiria o seu número total de adeptos de futebol. Portanto, o que eu estou a tentar concluir, é que, na minha opinião, o sucesso incrível do futebol em Portugal deve-se precisamente ao facto de termos um campeonato desequilibrado para três equipas. Acho muito bem que apareçam clubes como o Braga( e para efeitos de ranking UEFA, devíamos ter mais um ou dois clubes do mesmo nível) mas a verdade é que, devido ao nosso tamanho, nunca poderíamos ter um campeonato como o Italiano ou Inglês, em que há sempre bastantes equipas candidatas ao título.
Knox_oTal
Exacto, mais vale não mexer que ainda estraga o sucesso incrível…
Kafka
E é um sucesso incrível, o Benfica e Porto são os 2 maiores clubes da história do futebol europeu, só atrás do Ajax e descontando os clubes dos 4 big markets (Itália, Alemanha, Espanha e Inglaterra)
E mesmo com o Ajax já é uma luta desigual, pois a Holanda tem mais 7 milhões habitantes q Portugal e tem um poderio financeiro superior… Mas pronto ainda assim ainda incluo a Holanda na linha abaixo dos 4 big markets e na linha de Portugal
Knox_oTal
A diferença é que eu quando penso no futebol português e como reestruturar e melhorar o “produto”, não penso somente em FCP e/ou Benfica!!! O futebol em Portugal é mais do que isso… ou vá, deveria ser! E este modelo actual é insustentável no global, mesmo nos ditos grandes (para chamar a atenção infelizmente é necessário fazer este tipo exemplos) a qualidade dos plantéis diminui em 10 anos de forma evidente.
Espero que tenha sido claro e coerente!
Meu nome é Toni Sylva
O que aparentemente muitos não entendem é que o produto já tem uma qualidade bastante acima do que se poderia esperar e a generalidade das ideias para o ‘melhorar’ são copiar países com um produto inferior.
Se me falarem de melhorar a cultura e segurança de quem vai aos estádios, aí tudo bem.
Kafka
Nem mais
BIGBOSS
Excelente texto.
Esses dados mostram claramente o porquê da liga portuguesa estar a ser ultrapassada pela holandesa, e ainda pior será se esta se juntar com a belga como ja foi falado.
Apenas 4 equipas portuguesas conseguem fazer pontos nas competições europeias e isso acontece porque as restantes equipas nao têm receitas suficientes para terem ou segurarem jogadores de qualidade.
Podem dizer que outras coisas tb contribuem para isso, tais como dirigentes desportivos que nao gerem os seus clubes da melhor forma e que se lhes derem mais dinheiro vai ser mal gasto, mas isso sao outros quinhentos.
A base do problema nasce na cultura desportiva dos adeptos, evidenciando-se na concentração dos mesmos em apenas 3 estadios.
Essa falta de adeptos nas restantes equipas faz com que a receita seja diminuta.
Não havendo receita nao dá para manter os bons jogadores.
Não mantendo os bons jogadores nao se ganha jogos.
Não ganhando jogos nao se agrega adeptos.
Nao tendo adeptos não ha dinheiro.
E assim segue o circulo vicioso do futebol português com os restantes agravantes como as arbitragens, a disciplina, as guerrilhas entre clubes, tudo alimentado por uma comunicação social que apenas dá tempo de antena aos 3 do costume.
Quanto a mudar este estado das coisas, é impossivel precisamente pq:
Nao ha vontade por parte dos 3 do costume(perderiam receitas e consequentemente resultados desportivos);
Os adeptos são todos dos 3 do costume e como tal nao querem saber dos restantes clubes;
A Liga é dominada directa e indirectamente por 3 clubes;
Os outros clubes não se unem de modo a provocar mudanças.
Isto só ia la com a implusão dos futebol nacional provocado pelos restantes clubes recusando-se a jogar a não ser que, para começar se fizesse a repartiçao mais equitativa dos valores das transmissões e dos patrocinios.
Manel Ferreira
Pela milésima vez, Portugal não está a ser ultrapassado pela Holanda porque “apenas 4 equipas pontuam”. Na Holanda acontece o mesmo. Aliás, Portugal até meteu mais clubes diferentes nos grupos do que a Holanda nos últimos 10 anos.
Portugal está a ser ultrapassado pela Holanda porque os equivalentes holandeses de 3 de Benfica, Porto, Sporting e Braga andaram a pontuar na Conference (no caso do PSV a ser grotescamente recompensado pelo fracasso), enquanto o top-4 português andou a jogar com equipas muitíssimo superiores na LC e LE. Depois, claro, vai-se refletir no ranking.
Este mito de “Holanda é mais forte que Portugal extra top-4” é apenas isso, um mito.
Knox_oTal
A questão é que Conference League é uma realidade e tem o peso actual que tem, e as equipas portuguesas que teriam nível para essa competição nem conseguem se qualificar para a fase de grupos da competição… quanto mais pontuar!
Mas concordo numa coisa, a principal motivação para uma suposta mudança não pode ser meramente o medo de sermos ultrapassados no ranking (até porque não será assim tão fácil quanto isso, e mesmo acontecendo é perfeitamente reversível)!!! Isso até pode servir de subterfúgio e dar lugar a um “apontar de dedos” inútil, quando devíamos era reestruturar e melhorar o nosso futebol no global e na sua essência, tornando-o sustentável, equitativo e competitivo.
Saudações Desportivas
Aimario
Porque consideramos que temos 3 grandes e não consideramos o Atlético de Madrid em Espanha?
Porque devemos ter medidas para nivelar a liga por baixo? Tetos salariais não fazem sentido no meu ponto de vista, tanto que se verificarmos acontece o mesmo em todas as ligas
Fireball
Porque o Atlético não tem nem de perto os orçamentos, o historial, o peso futebolístico e até me arrisco a dizer a qualidade de plantel que os outros dois têm. Não fosse o tão odiado Simeone e o Atlético com sorte disputava o 3-5º lugar com Sevilla, Villarreal e companhia e nunca sequer cheirava o título ou as fases avançadas da Champions.
GPereira
Provocações à parte, não é esse também o caso do Sporting?
lipe
Atendendo ao palmarés e histórico recente (futebol “moderno”), é.
Jeco Baleiro
Resposta sincera, não. O “peso” do Sporting no futebol português é muito superior ao do Atlético em Espanha, quer em número de títulos, percentagem de adeptos no total, impacto social e mediático.
Estamos muito mais na linha estrutural de uma Holanda (Ajax, Feyenoord, PSV), ou de uma Turquia (Gala, Fenerbahce, Besiktas) do que da Espanha.
Tiago Silva
Gostei bastante do texto, mas não acho que as soluções fossem melhorar a competitividade do nosso campeonato. Acho que o maior problema por cá é mesmo a mentalidade das pessoas, a mentalidade da imprensa principalmente. Cá fala-se muito de futebol, mas não se fala nada de algo que não sejam os 3 grandes e de vez em quando o Braga e a seleção. Temos um canal de desporto que quando dá notícias fala primeiro dos 3 grandes e de todo o detalhe que lhes proporciona e que só no fim mostra um resumo pequeno dos restantes jogos da jornada, se houver tempo. Temos um canal de desporto que dá prioridade em dar os resumos dos jogos da Premier League em relação aos jogos da Segunda Liga. Temos um canal de desporto que não faz qualquer referência à Liga 3 e aos restantes campeonatos nacionais.
Ou seja esse canal de desporto tem 6 ou 7 canais e pouco fala do futebol nacional como um todo. Preferem dar as repetições do Brasileirão ou de um jogo do campeonato turco a jogos da Liga 3 (e só este ano houve “espaço” para a Segunda Liga).
O trabalho feito pela maioria dos clubes cá em Portugal está a ser bem feito. Mas é impossível fazer mais com tão poucos recursos e principalmente quando não há interesse que esses clubes evoluam.
A questão da mentalidade é o principal problema e depois temos outros que a sua resolução iria ajudar bastante também claro. Mas enquanto não se resolver esta questão, o nosso campeonato não passa disto.
Fireball
Não quero ser advogado do diabo nem discordo da maior parte do que dizes. Mas não é só não haver interesse que esses clubes evoluam, os próprios clubes não têm interesse em evoluir. Basta ver que o Famalicão que até parecia um clube com um projeto interessante acabou de ir contratar um treinador que tinha despedido há pouco tempo. Não há projeto em nenhum clube fora os 3 grandes e o Braga. Os projetos dos outros clubes é “ganhar o próximo jogo”, ninguém tem um plano a médio-longo prazo nem noção nenhuma do que quer fazer. O objetivo é ganhar jogos e evitar descer para não perder receitas. O “como” não interessa, atiram-se jogadores e treinadores à parede até colar, escolhidos no catálogo da nova coleção 2022/23. Não lhes faz diferença ficar em 6º ou em 16º, desde que não descam, porque as competições europeias são apenas para dar algum prestígio no início da época para atrair jogadores e ser logo eliminado nas primeiras rondas que é para não acontecer um Arouca e não descerem à conta disso.
GabCel
Até quando é que vamos continuar a insistir em 18 equipas na 1ª liga? É ridículo e destrói a competitividade, porque, mesmo acontecendo o milagre da centralização dos direitos televisivos, o valor a distribuir será sempre minúsculo.
Quanto mais equipas, mais será repartido o que restar do que os grandes deixarem disponível. (havendo acordo de centralização, desengane-se quem achar que irão abdicar de muito do que actualmente recebem).
Para além disso, implica um calendário muito extenso que acaba por prejudicar as performances nas competições internacionais.
Dario Nunes
Que liga melhor que a nossa é que tem poucas equipas? Eu acho que 18 é um número bom, penso que, no limite possa-se ir às 16, mas menos que isso não seria benéfico
Miguel Caçote
A alemã tem 18 equipas, mas a Alemanha tem mais de 80M de habitantes. A Inglesa, Espanhola, Francesa e Italiana têm 20, mas são todos países com população entre 40M e 70M de habitantes.
O exemplo mais semelhante a Portugal seria a liga holandesa, com 18 equipas, mas a Holanda tem 17.5M de habitantes. Depois, se compararmos estes países a Portugal, nomeadamente, em termos de PIB, também não há surpresas. Em Portugal, volta e meia, temos clubes a descer da Primeira Divisão por não conseguirem pagar salários.
Fireball
Vamos ver as coisas por outro prisma, se calhar as ligas melhores que a nossa têm mais de 16 precisamente porque são melhores que a nossa e podem ter mais.
FranLx81
É verdade que existe um grande fosso entre Benfica, porto e sporting e os restantes clubes na 1a liga. Mesmo o valor de mercado do Braga representa menos de metade de qualquer um dos 3 grandes.
Os clubes da liga holandesa até podem ser mais homogéneos, mas a verdade é que a unica razão pela qual têm subido no ranking da uefa é por terem vindo a amealhar pontos na liga europa e liga conferencia enquanto que os clubes portugueses tentam o mesmo na Champions.
A situação irá inverter-se em breve com a Holanda com mais clubes na Champions e Portugal nas outras 2 ligas europeias, pelo que daqui a 5 anos estaremos a debater o crescimento dos clubes portugueses sobre os holandeses.
Manel Ferreira
Espera aí um post com sensatez e sem histerismos parvos? Não façam movimentos bruscos, podem assustá-lo!
FranLx81
Se não gostas dos meus posts, respeito, mas limita-te a calar-te ou a tecer comentários construtivos. Se é para deitar abaixo, vai escrever para os foruns do Record ou do Correio da Manhã, não me parece que o Visão de Mercado seja util para respostas deste tipo.
Manel Ferreira
Bem, ó Fran, que falha de interpretação. Eu estava a ELOGIAR o teu post. Concordo a 100% com o que disseste e eu próprio já referi que isto do ranking é cíclico e que as histerias à volta disso não fazem sentido nenhum.
O “não façam movimentos bruscos, podem assustá-lo” é porque um post sem histeria é como se fosse um bicho raro no Zoo (mesmo aqui neste blog). OK, a piada foi fraca, admito.
Se calhar, interpretaste mal porque faltou a vírgula a seguir ao “espera aí”. Se for isso, my bad.
FranLx81
Peço desculpa Manel, foi má interpretação minha!
Abraço! :)
JFN
Pode ser de eu ser um gajo que adora análises de dados socioeconómicos, mas esta foi a publicação mais interessante que já li no VM feita nas rúbricas Visão do Leitor. Os meus sinceros parabéns, Henrique!
Fireball
Concordo, foi bastante interessante, nunca tinha ido ver estes dados.