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A Superfinal mais esperada na história da Libertadores

Fonte: Twitter da CONMEBOL

Dos Andes à Amazónia, do Chimborazo à Aconcágua, do Altiplano à Pampa Gringa, de Atacama ao Matogrosso, do Pacífico até ao Atlântico, do arquipélago de San Andrés à Terra do Fogo, de Machu Pichu ao rio de la Plata, do lago Titicaca ao Nahuel Mapi, da Ilha de Páscoa ao Equador, do Salto Ángel à Patagónia, do rio Orinoco até às Malvinas. Não é só toda a nação Argentina que vive o seu maior frenesim dos últimos anos, mas também todo um continente parará! Pois quis o destino presentear-nos, naquela que será a última final da Libertadores disputada a duas mãos, com a maior rivalidade sul-americana no futebol, da Argentina, de Buenos Aires e do bairro de La Boca, onde ambos foram fundados: Boca Juniors – River Plate.

Mesmo assim, este embate titânico esteve em risco de não ocorrer. Foi necessário a CONMEBOL, desde a sua sede em Asunción, analisar o protesto do Grêmio, que administrativamente tentou chegar à final, alegando que o incumprimento da suspensão por parte de Marcelo Gallardo – visitou a equipa no balneário durante o intervalo da segunda mão – teria sido determinante para o desfecho do resultado final desse encontro. A final entre emblemas argentinos manteve-se, porém o técnico do Millo pagará uma multa de cerca de 45 mil euros, ficando inclusivamente impossibilitado de se deslocar esta noite à La Bombonera, alargando-se também para 4 partidas o anterior castigo.

No caminho para a inédita final, o Boca Juniors empatou 3 jogos, ganhou 2 e apenas foi derrotado pelo Palmeiras no grupo 8, sendo que o Verdão deu uma mão aos Xeneizes, ao ganhar ao Junior na última ronda da fase de grupos, de modo que o emblema presidido por Angelici se qualificou para os oitavos de final no segundo posto. A partir daí, os campeões argentinos eliminaram o Libertad do Paraguai, o Cruzeiro do Brasil e não vacilaram no reencontro com o líder da atual edição do Brasileirão, vingando a derrota caseira consentida na fase de grupos da maior prova de clubes da América do Sul. O objetivo agora passa por igualar o Independiente, o Rey de Copas, no número de Libertadores conquistadas (7).

Do outro lado, o River Plate arrecadou 3 igualdades e 3 triunfos na fase de grupos, tendo sido o único emblema do país das Pampas a qualificar-se para os oitavos de final no primeiro lugar do seu grupo nesta edição da Libertadores. Seguiram-se os confrontos com os rivais de Avellaneda, Independiente e Racing, e, por fim, a épica reviravolta na eliminatória contra o Grêmio de Porto Alegre, que foi a única formação a derrotar o campeão de América de 2015. Para o River, esta superfinal é encarada como a verdadeira recuperação de honra e de respeito frente ao eterno inimigo, depois de há poucos anos terem caído inacreditavelmente para a Primera B Nacional, no play-off com o Belgrano de Córdoba, o que provocou que os adeptos do Millo fossem alvos de chacota constante por parte dos fãs dos Xeneizes.

Para este embate, também contribuiu o forte investimento realizado por ambos os emblemas ao longo da temporada, num ano em que a Superliga argentina e os respetivos clubes beneficiaram do novo acordo de direitos televisivos e de patrocinadores, que veio aumentar as receitas de todos os participantes na liga interna. Aliado às vendas e principalmente às contratações cirúrgicas no último ano e meio, River (semifinalista vencido em 2017) e Boca (semifinalista vencido em 2016) conseguiram, assim, formar fortes plantéis para rivalizar com o poderio dos principais favoritos Palmeiras, Cruzeiro e Grêmio.

Do lado do bicampeão argentino, aconteceu o regresso mediático de Tévez, as aquisições de Ábila, Buffarini e Más, e, ainda, de Mauro Zaraté e de Izquierdoz, no mercado de inverno do hemisfério Sul. Não obstante, o Boca conseguiu manter uma das maiores promessas do futebol argentino, que participou no último Mundial, Cristian Pavón, além de conseguir o empréstimo de Lucas Olaza, lateral que foi muito cobiçado pelo Benfica no último defeso. Nos Millonarios, os destaques foram as entradas de Borré, Pratto, Quintero, Armani e Zuculini, numa formação que perdeu esta época o jovem lateral Saracchi para o RB Leipzig e que conseguiu manter Ezequiel Palacios, que estará perto de rumar ao Real Madrid.

Em termos de histórico de jogos, considerando apenas encontros oficias, é a formação orientada por Barros Schellotto que leva vantagem, com a cifra de 88 vitórias. A equipa de Marcelo Gallardo venceu por 81 ocasiões, ao passo que se registaram 78 empates. Por outro lado, no último confronto, no passado mês de setembro, quem sorriu na Bombonera foi o River Plate, ao triunfar por 2-0 frente ao seu eterno rival. A primeira mão realiza-se este sábado, às 20h de Portugal continetal, em La Bombonera, sem a presença de apoiantes do campeão de América de 2015, enquanto a segunda mão está marcada para 24 de novembro, no Monumental, no mesmo horário.

Luis Enrique Santos

António Hess
Author: António Hess

17 Comentários

  • Berto
    Posted Novembro 10, 2018 at 1:54 pm

    Qual a origem da alcunha Xeneizes aos adeptos do Boca?

    • LES
      Posted Novembro 10, 2018 at 2:39 pm

      No Bairro de La Boca viviam muitos emigrantes italianos genoveses, que eram chamados na Argentina como os Xeneizes. Muitos destes emigrantes estiveram na base da fundação do clube, daí a alcunha ter sido associada ao Boca Juniors.

    • oMeuUserName
      Posted Novembro 10, 2018 at 2:52 pm

      “O Boca foi fundado por um grupo de jovens provenientes da cidade italiana de Génova. O dialecto cerrado do bairro chamava «xeneizes» aos genoveses e, no bairro de La Boca, existia uma grande comunidade de imigrantes genoveses, devido à proximidade ao porto, que fez com que o clube desde cedo granjeasse uma base de apoio numerosa. Devido a esta estreita ligação entre o clube e essa comunidade, os adeptos e jogadores do Boca passaram a ser apelidados de «Xeneizes».”

    • Sombras
      Posted Novembro 10, 2018 at 3:37 pm

      Xeneizes é o nome dado às pessoas de origem genovese (de Génova, em Itália) no dialecto local de Buenos Aires, pessoas essas que estão na fundação do Boca, uma vez que tipicamente os fãs do Boca inicialmente eram pessoas de origem genovese. Um pouco da mesma maneira que os Boston Celtics são associados aos imigrantes Irlandeses.

  • Filipe Ribeiro
    Posted Novembro 10, 2018 at 2:03 pm

    Bom texto Luis,obrigado.

  • TheWatcher
    Posted Novembro 10, 2018 at 2:35 pm

    Sou uma pessoa que não acompanha o futebol sul-americano mas estou em pulgas para esta final. Que o espectáculo dignifique toda a expectativa em torno deste.

    • Tsubasa
      Posted Novembro 10, 2018 at 3:31 pm

      Como é já referi, considero ser o maior jogo de toda a história do futebol Mundial, já quanto ao espectáculo não espero um grande jogo, pois o medo de perder será muito maior que o de vencer, pois isto é muito mais que uma final, a equipa que perder ficará de rastos psicologicamente por muitos anos, quem ganhará ficará com uma superioridade moral imensa durante os próximos anos ou décadas mesmo, tal como o presidente da Argentina e ex-presidente do Boca o disse, assim sendo prevejo um jogo muito fechado e não me admirava nada que hoje ficasse um 0-0 com tudo a ficar por decidir no Monumental, é este o meu prognóstico para hoje, um 0-0 sem oportunidades sequer de golo

      • Filipe Ribeiro
        Posted Novembro 10, 2018 at 5:11 pm

        Bom futebol será difícil hoje,o terreno está num estado lastimoso por causa do dilúvio que atingiu Buenos Aires ontem e hoje,veremos se não vai ser suspenso o jogo até.

    • Sombras
      Posted Novembro 10, 2018 at 3:39 pm

      Também eu. Aliás acho que já não estava assim entusiasmado com um jogo de futebol sulamericano há muito tempo!

  • JoaoMiguel96
    Posted Novembro 10, 2018 at 3:09 pm

    Ansioso para estes 14 dias de tensão máxima! Dois jogos incríveis e futebol do mais louco na maior competição de clubes da América do Sul.

    • Estigarribia
      Posted Novembro 10, 2018 at 4:31 pm

      Claramente, João. Hoje acho que vai haver muita gente que vai prescindir de ver o FC Porto-SC Braga (embora também seja um grande jogo) para ver este primeiro jogo entre Boca Juniors e River Plate, na fina da Copa Libertadores.

      Que seja um grande jogo de futebol e que o River Plate saia vencedor nos dois jogos.

  • Tsubasa
    Posted Novembro 10, 2018 at 3:24 pm

    Para mim isto é o pináculo enquanto adepto do futebol… Considero que será o maior jogo de toda a história do futebol Mundial, nunca um jogo de tamanha importância, teve tanta história, mística, rivalidade e paixão juntas..

  • 100Clubismo
    Posted Novembro 10, 2018 at 4:11 pm

    Seria muito bom se esta final fosse transmitida em TV aberta. Infelizmente, isso não vai acontecer com toda a certeza, infelizmente. :(

    • Tsubasa
      Posted Novembro 10, 2018 at 5:03 pm

      Num país que gosta realmente de futebol daria, o q não é o caso de Portugal… A capa de hoje da Marca principal jornal desportivo de Espanha, é sobre o River-Boca… Em Portugal nenhum dos 3 jornais desportivos, faz sequer alusão à final na sua capa

  • Tiago Silva
    Posted Novembro 10, 2018 at 4:26 pm

    Que seja um grande espetáculo, dentro e fora de campo, e que seja um jogo que dignifique esta rivalidade, o futebol argentino e o próprio futebol sul-americano.

  • Filipe Ribeiro
    Posted Novembro 10, 2018 at 6:22 pm

    Jogo suspenso!!

  • Berto
    Posted Novembro 11, 2018 at 1:35 pm

    Obrigado a todos pela explicação

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