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ABC defende título que FC Porto quer recuperar e Benfica e Legião Estrangeira do Sporting querem atacar

vtInicia-se este fim de semana mais uma edição do campeonato nacional de andebol, o denominado PO01. Esta temporada é marcada pela mudança de formato e pelo alargamento a 14 equipas, a que junta um conjunto de alterações às regras do jogo (que já foram colocadas em prática durante os Jogos do Rio). O playoff deu lugar a um modelo que privilegia a regularidade, depois de uma primeira fase em que todos jogam contra todos, os seis primeiros classificados disputam uma segunda fase, para a qual transferem metade dos pontos obtidos, também em sistema de duas voltas em que cada equipa defronta as restantes cinco. Após homologação do novo modelo competitivo, o Passos Manuel decidiu abandonar a competição, por não achar ter condições económicas de disputar uma prova que será mais longa, e cujos motivos de interesse para os oito que ficam de fora são bastante reduzidos.

O ABC defende o seu título com a mesma base do ano transacto. Carlos Resende viu sair Fábio Vidrago, recebendo o regressado Dario Andrade, mas o grande reforço é o internacional José Costa, que volta ao seu clube de formação depois de uma experiência no estrangeiro. Os bracarenses, que surpreenderam o ano passado, mantêm a aposta num conjunto formado por portugueses e assente na sua formação. Filosofia contrária é a do Sporting. Os leões romperam com o passado, dispensando jogadores com muito tempo de casa, e apostaram no mercado estrangeiro para reforçar a equipa. A opção foi claramente apostar em jogadores com experiência internacional e em ligas mais exigentes, bem como aumentar a robustez física do seu conjunto. Daí, e segundo as palavras do treinador Zupo, o elevado investimento efectuado, que permitiu aterrar em Alvalade elementos como Ruesga, Bozovic ou Nikcevic. Já o Benfica aposta na continuidade, sendo a saída mais sonante a de Borragan, substituído por Stefan Terzic. O ponta esquerda Fábio Vidrago trocou Braga pela Luz, adicionando mais uma opção ao vice-campeão. Quanto ao FC Porto, pretende retomar o ceptro que deteu durante sete temporadas. Desta vez sem aquele que é considerado o melhor jogador português da actualidade, Gilberto Duarte, que foi tentar a sua sorte no forte campeonato polaco, onde será companheiro de Tiago Rocha. Mas os portistas foram buscar o excelente ponta esquerda José Carrillo e ainda Nikola Splelic para a posição de lateral esquerda. O conjunto azul e branco volta a apresentar um grupo de jogadores muito forte, com Quintana, Rui Silva ou António Areia como garantia de qualidade, e com uma envergadura física elevada para padrões nacionais, que ajuda a fazer a diferença.

Madeira SAD e Águas Santas apresentam-se como os mais sérios candidatos a acompanhar os quatro candidatos ao título para a segunda fase. Os madeirenses receberam os despojos do Sporting, Bruno Moreira e Fábio Magalhães, enquanto que os maiatos juntam atletas bastante experientes, como Pedro Cruz ou António Campos, à sua forte formação de base (o Águas Santas é o actual campeão nacional de iniciados e juvenis). O campeonato é completo com ISMAI, Arsenal de Braga (pode surpreender com a sua juventude, mas sem perigar os seis da frente), os históricos Boa Hora e São Mamede, e ainda o Belenenses (que por pouco não desceu, e teima em não sair da crise), Horta, Avanca e Fafe.

Espera-se um campeonato bem disputado no que respeita ao título, ainda que desequilibrado, pois existe uma diferença enorme entre as melhores equipas e as restantes, sendo que algumas partidas tendem a decidir-se por números que não se usam. A qualidade global é baixa, sendo ainda potenciada por um alargamento que não faz muito sentido. Espera-se que a segunda fase traga não só emoção, mas também jogos de qualidade superior (aí o equilíbrio de forças será maior), tendo no entanto a noção de que este ano, qualquer ponto perdido pode ser fatal, e a margem de erro é bem menor. Mesmo assim parece claro que ABC, Benfica, Sporting e FC Porto são os principais candidatos ao título, mas em teoria e olhando aos plantéis disponíveis, Dragões e Leões partem na linha da frente. O Sporting tem um conjunto de jogadores habituados a jogar a outro nível competitivo e praticamente duas opções por posição; enquanto que o FC Porto tem a vantagem de estar habituado a vencer e de ter um conjunto muito robusto fisicamente. Ambos têm também em comum o facto de possuírem duas excelentes opções para a baliza, bem como defesas altas e possantes.

Visão do Leitor: Nuno R.

13 Comentários

  • ZRodrigues
    Posted Setembro 3, 2016 at 11:48 pm

    O que é feito do Wilson Davies? Era um craque, já nem na seleção o vejo…

    • NFM
      Posted Setembro 4, 2016 at 1:04 am

      Joga no Rennes e não tem ido à selecção por razões pessoais…

      Ele deu a pouco tempo uma entrevista a explicar a sua situação.

  • Pedro o Polvo
    Posted Setembro 4, 2016 at 12:17 am

    Não acompanho muito Andebol mas como em quase tudo, sou curioso! Obrigado ao Nuno por completar este espaço desportivo com conteúdo extra futebol, faz muita falta e é sempre bem vindo! Obviamente como portista torço para que o FCP ganhe o título! Para ser heptacampeão e depois não ganhar mais nada basta o Lyon, no futebol!

  • Luis ES
    Posted Setembro 4, 2016 at 12:53 am

    É de louvar que exista sempre alguém que capte a nossa atenção para outras modalidades. Muito obrigado ao Nuno por este interessante artigo. Pena a saída de Gilberto Duarte deste campeonato, embora já merecesse dar o salto para um campeonato mais competitivo que o português. Atenção ao Madeira SAD e ao ABC de Braga porque têm plantéis com potencial e capacidade para serem equipas fortes nos jogos caseiros.

  • Pachuca
    Posted Setembro 4, 2016 at 12:55 am

    O wilson acho que está em França. Espero não estar errado. O porto tem vindo a perder muitos jogadores referência e isso notou se o ano passado, porque além do mais os rivais estão se a reforçar Muito e bem…. É pena haver pouca visibilidade, porque o andebol é top e muito emocionante.. Tem de haver uma aposta forte das equipas de futebol para de uma vez por todas termos equipas de pavilhão nos jogos olímpicos, algo que é transcendente.. Podiamos mudar mentalidades e não centrar tudo no futebol…

    • Filipe b
      Posted Setembro 4, 2016 at 2:21 am

      O Ano passado vencemos todos repito todos os jogos da fase regular, foi inventado um play of com arbitragens para não continuarmos a ser campeões, mas o ABC furou as .

  • Natsu
    Posted Setembro 4, 2016 at 1:17 am

    A minha aposta para a surpresa no top 6 este ano vai para o Belenenses. Reforçou se bastante bem, reforçou as posições que necessitavam de reforços cirurgicamente e construiu um plantel jovem e com grande potencial. Conta com nomes interessantes como Nuno Roque (ex porto), os irmãos Pinto (ex Sporting), Gonçalo Ribeiro (Emprestado pelo Benfica), João Ferro (ponta esquerda de tremenda qualidade e que foi muito mal aproveitado pelo Benfica), Carloto Siqueira, Diogo Domingos (ex Sporting), Diogo Moniz (ex Porto e Águas Santas), Espinha (emprestado pelo Benfica).

    Têm um conjunto para surpreender, pena que tenham sido dados como os que se limitam a lutar para não descer aqui porque têm claramente equipa para mais do que isso.

  • Bruno Gonçalves
    Posted Setembro 4, 2016 at 2:22 am

    Com o formato deste ano vão voltar a ofuscar o Andebol. Com o formato de playoffs o ano passado trouxe uma grande emoção ao campeonato e isso reflectiu-se em pavilhões cheios de norte a sul. Espero estar enganado pois adoro a modalidade. Em relação aos planteis:
    ABC reforçou a sua pior posição onde jogava com o adaptado Hugo Rocha passa a jogar com o José Costa, na ponta esquerda faz troca por troca e sai Vidrago e entra o Dario.
    O Benfica perdeu Borragan e foi buscar o Terzic que teve uma lesão muito grave no joelho, se esta for bem colmatada e voltar ao seu nível vai ser um grande reforço, reforçou a ponta esquerda com Fábio Vidrago e, na minha opinião ficou a faltar um ponta direita.
    No Porto, reforçou a posição mais deficitária com Carrillo e faz troca por troca na lateral esquerda.
    No Sporting alterações profundas e foram buscar jogadores que não são do nível português, na minha opinião o principal candidato, a menos que o zupo confirme aquilo que se falava o ano passado, ser um péssimo treinador.

  • LMMarado
    Posted Setembro 4, 2016 at 10:02 am

    Agradeço ao Nuno R. o texto, pois é bom ter uma noção da realidade dum campeonato que conheço mal. A forte qualidade do texto ajuda a motivar os mais afastados do Andebol. Parabéns!

  • Estivela
    Posted Setembro 4, 2016 at 10:54 am

    Excelente texto. Agora sem playoff vai ser mais complicado para o ABC fazer outra vez um bonito. No entanto acredito que a melhor escola de andebol de Portugal pode continuar a fazer bons resultados, especialmente para a sua realidade sem o dinheiro dos 3.

  • Norberto
    Posted Setembro 4, 2016 at 12:41 pm

    E o andebol de Lisboa continua a cair. A desistência do Passos trouxe-os para os acessos da 3ª Nacional (que funciona como o CNS do futebol), o Benfica reduziu nos jogadores e relações, essa sim é a grande razão da desistência. E o Loures terminou com o seu escalão de Seniores que estava na 2ª Nacional. Apenas o Boa Hora tenta contrariar a tendência do andebol lisboeta. Mas não é fácil arranjar uma ROFF para todos os clubes. Pelo menos o Boa Hora mostrou que uma parceria com investimento na ordem das dezenas de milhares e de longa duração acaba por gerar resultados. A maior sorte para eles, que incentivem a que mais empresas procurem namings no andebol de Lisboa.

  • Fernando Alvega
    Posted Setembro 4, 2016 at 6:58 pm

    Eu definitivamente sou contra aos plays-offs, a segundas fazes onde os pontos conquistados na primeira fase são reduzidos ou a qualquer outro modelo que não seja o tradicional de se jogar todos contra todos em duas voltas.
    Acredito e aceito que me digam que os play-offs trazem público aos pavilhões mas, por outro lado, podem desvirtuar um campeonato.
    Eu que acompanho de perto as modalidades, dou como exemplo o que aconteceu ao Benfica +/- (no Voleibol) há uma década atrás, que depois de ter feito uma primeira fase imaculada onde passeou classe, bastou um fim de semana desastroso durante o play-off para lhe estragar a época.
    Os campeões tem que ser a equipa mais regular e isto só se vê no campeonato tradicional.
    Quanto ao chamar público aos pavilhões, porque não reduzirem o número de clubes a disputar os campeonatos, tornando os mesmos mais competitivos. Aqui podiam disputar o campeonato não em duas voltas mas sim em quatro voltas.
    Voltar ao sistema antigo onde os sócios não pagavam bilhete para assistir aos jogos e os adeptos adversários pagavam um bilhete de preço acessível (talvez não a todos).

    Dou como exemplo estas duas modalidades:

    Andebol:
    Um campeonato com;
    Sporting, Benfica, Porto, ABC, Madeira SAD e Águas Santas.

    Hóquei Patins;

    Benfica, Porto, Sporting, Oliveirense, Juventude Viana e Valongo.

    OBS: Não excluo a entrada de mais uma ou duas equipas em ambas as modalidades.

  • Joao Martins
    Posted Setembro 5, 2016 at 11:44 am

    excelente post. espero uma luta a 4 pelo titulo. na teoria os nomes do Sporting levam vantagem (apesar de Zupo ainda nao me convencer totalmente a nivel estrategico), benfica mantem a base ja no 3 ano de trabalho de Ortega isso pode fazer a diferenca. No Porto a saida de Gilberto sera dificil de colmatar enquanto no ABC a minha duvida prende-se com o esforco que a champions vai originar na equipa. Madeira Sad, Aguas Santas e Belenenses (duas destas 3 devem completar a lista dos 6 primeiros).

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