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Análise a um possível investimento estrangeiro em clubes portugueses

A Seleção Portuguesa é uma das mais elogiadas na atualidade. Desde a viragem do século, tem conseguido estar presente em todas as competições internacionais, obtendo desempenhos agradáveis, tanto em Europeus, como em Mundiais. Todo este processo de bom trabalho ao nível da seleção culminou em 2016, com a vitória no Europeu, sendo para muitos dos adeptos do desporto rei, um dos candidatos a levantar o troféu nesta edição de 2021. Em termos de camadas jovens, o facto de se atingir a final no Europeu Sub-21, neste mesmo ano, augura um bom prenuncio para o futuro.

Assim que seguindo a lógica, Portugal com dos melhores jogadores (jovens e menos jovens) do Mundo, com títulos e finais, o que fazia mais sentido seria ter um campeonato muito competitivo, com equipas temíveis por qualquer clube no mundo. Como nem tudo segue a regra, esta ideia é totalmente errada.

Se na área política vivemos um bipartidarismo desde 1976, no futebol a situação não é nada distinta. Desde 1935, somente conhecemos cinco campeões, os três designados de Grandes, SL Benfica, Sporting Clube de Portugal e Futebol Clube do Porto e as duas exceções à regra: Boavista Futebol Clube e Clube de Futebol “Os Belenenses”. A partir dos anos 80, assistimos cada vez mais a um destaque de FC Porto e SL Benfica no topo do futebol português, deixando o Sporting para trás (cinco títulos em mais de cinquenta anos, ainda que esteja na memória coletiva a epopeia da época passada, é manifestamente pouco), sendo que todos os outros estão num patamar ainda mais abaixo, não sendo possível considerar um outro clube à exceção destes três como candidato. Ainda que para os aficionados destas instituições isto seja considerado normal, o campeonato ganha um pouco de aborrecimento, não havendo uma outra possibilidade de vencedor em aberto (o SC Braga é um bom projeto, porém numa opinião pessoal, tem tantas hipóteses de vencer a Liga NOS, como o Bloco de Esquerda de vencer as Legislativas).

Olhando para as restantes equipas, verificamos que a maioria quer lutar pela manutenção preparando as equipas para tal, havendo de vez em quando alguma boa surpresa, mas no geral, o futebol é pobre. Claro que existem projetos interessantes de acompanhar, as histórias bonitas, como o Futebol Clube Paços de Ferreira, o Futebol Clube de Famalicão e o Clube Desportivo Santa Clara, porém o que aparece de positivo no futebol português por norma não dura muito tempo, sendo o Rio Ave o maior exemplo disso.

Se nos focarmos fora de campo, a situação é catastrófica. Os dirigentes dos clubes por vezes comportam-se como autênticos adeptos irracionais, há uma falta de respeito monumental, querendo-se ganhar sempre nas guerras de palavras. Todos os lances são escrutinados por comentadores, saem comunicados a toda a hora, posts nas redes sociais, porém quando o clube do adepto/sócio/dirigente é beneficiado, o silencio é avassalador.  Porém, o mau comportamento vem de outros pontos, até mesmo de onde se espera. A Justiça funciona mal, tomando decisões tardiamente e sem qualquer tipo de sentido. O mero adepto, que conhece o mínimo do Direito, seguramente ainda não compreendeu como é que os treinadores podem ser suspensos nas férias, por exemplo.

Ainda que por vezes aconteçam fenómenos positivos no futebol português, como a fundação do Canal 11, a criação da Liga Revelação ou o bom percurso do FC Porto na Champions League é muito raro que semanalmente não haja uma polémica nova.

O nosso campeonato é tão fraco, que coloca menos jogadores no Euro 2020 do que os da Dinamarca, República Checa, Croácia, Polónia ou Escócia, competições que estão atrás do português no ranking e que o adepto assume são mais fracos que o nosso. Estes números são preocupantes porque verificamos que os melhores portugueses jogam fora (o que é aceitável, em certos casos, visto que é preferível jogar numa Big 5) e não conseguimos atrair para Portugal atletas com capacidade de atuar nas suas seleções, sendo que o nosso país não sofre de carência de estrangeiros a atuar por clubes nacionais.

O desequilíbrio da balança em Portugal é demasiado grande, sendo que para se chegar ao nível de candidato ao título de uma maneira “rápida” (cinco, seis, sete anos) é claramente com investidores, de maneira a que o clube seja olhado com algum temor, não se deixando cair no meio da tabela.

Cada vez mais assistimos à entrada de empresas no mercado futebolístico, sendo que antes esta movimentação tinha uma conotação negativa. Agora já é um pouco indiferente aos olhos das pessoas. Já era habitual clubes pertencerem a famílias ou a apenas um só elemento, nomeadamente em Itália, porém a entrada de empresas e criação de empresas futebolísticas tornou-se um fenómeno no século XX.

O caso mais conhecido é sem duvida o da Red Bull. A empresa conhecida pelas suas bebidas energéticas, conta com muita presença no mundo dos desportos, sendo mais conhecida pela Formula 1, porém no futebol está a realizar um trabalho fantástico. A sua presença estende-se a praticamente todos os continentes. Apesar dos fracassos do Red Bull Brasil e do Red Bull Ghana (2008-2014), existem quatro elementos que estão a fazer a máquina funcionar tão bem como os monolugares de Max Verstappen ou Sergio Pérez: New York Red Bulls, Red Bull Bragantino, Red Bull Salzburg e RB Leipzig (não pertence totalmente ao grupo austríaco, devido à regra 50 mais 1, aplicada na Alemanha, que impede os clubes de não pertencerem na maioria aos adeptos, com as exceções Wolfsburg-Volkswagen e Bayer Leverkusen-Bayer). Este conjunto de equipas tem um conjunto de observadores e analistas que permite que recrutem alguns dos jogadores mais promissores do Mundo (na sua época), como foram os casos de Haaland, Werner, Mané, Daka, Claudinho, Szoboszlai entre outros. Atualmente, o grande objetivo é que estes cheguem ao clube mais importante do grupo, o sediado na Alemanha de Leste, ou então que sejam vendidos de maneira a dar muito lucro. O esquema é excelente e perfeito para dar fazer crescer todos os envolvidos. O RB Leipzig já é um dos afirmados perseguidores do Bayern na Alemanha, o Red Bull Salzburg é um dos crónicos campeões austríacos (o SV Austria, seu antecessor, já tinha ganho alguns títulos e uma presença, em 1994, na final da Taça UEFA) e o Red Bull Bragantino começa a crescer no seio do futebol brasileiro, contratando jovens, de modo a que Maurício Barbieri os faça crescer e colocar o clube em lugares de qualificação continental, faltando ainda dar alguns passos para a luta pelo título.

Já o outro exemplo que merece ser mencionado funciona de maneira um pouco distinta. O City Football Group surge depois da aquisição do Manchester City por parte do Sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, sendo criado em 2014. Ao longo deste tempo adquiriu clubes para este grupo, de todos os continentes, intensificando essa compra com o passar dos anos. Os clubes pertencentes a esta organização são:

  • Manchester City (Inglaterra)
  • New York City;
  • Melbourne City;
  • Yokohama F. Marinos;
  • Montevideo City Torque;
  • Girona FC;
  • Sichuan Jiuniu;
  • Mumbai City FC;
  • Lommel SK;
  • ES Troyes AC;
  • Bolívar.

O Manchester City transfere algumas das suas promessas por empréstimo para estas equipas, nomeadamente para o Girona para que estas cresçam e sejam integradas, ou caso contrário vendidas a outros clubes, processo similar ao Grupo Red Bull.

Ainda assim a grande diferença é que o City Group não faz grandes alterações nas instituições adquiridas, mantendo as cores e os símbolos, algo que não acontece no outro caso, conservando assim os adquiridos alguma personalidade (isto acontece mais nos casos dos clubes europeus).

A questão pertinente é: será que algum destes grupos (ou outro com uma boa capacidade de investimento e visão de mercado) terá vontade de investir em algum português?

Existem pontos positivos e pontos negativos nesse investimento. O nosso país é muito atrativo, existe qualidade de vida, boas cidades para se viver e os adeptos vivem o futebol com alguma intensidade, havendo jogadores de muita qualidade, com maior ou menor experiência, não sendo caro investir na compra de alguma SAD, principalmente em clubes menores (a não ser se a maioria da SAD pertencer a um só elemento, como no caso do Académico de Viseu Futebol Clube).

Porém os pontos negativos levariam a que a maioria dos corajosos perdesse a vontade de investir cá. Para além de tudo o referido nos primeiros parágrafos deste capítulo, a rejeição dos adeptos poderia ser muito grande, porque a identidade em um clube é essencial. Um caso como o que aconteceu entre Os Belenenses e a B SAD seria totalmente de evitar. Aqui a tarefa ficaria muito mais fácil para o City Group que não faz grandes alterações nos seus clubes europeus.

O ideal, na minha opinião, seria investir num clube secundário, longe dos grandes holofotes das grandes cidades (um pouco como o RB Leipzig), mas que tenha alguns adeptos e identidade com a região ao qual pertence a instituição, tendo que haver muita paciência no processo. Seria muito mais simples uma equipa que milite na Liga 3 ou no Campeonato de Portugal aceitar fazer parte de um grupo, do que um histórico nacional como o Vitória SC. Em seguida é continuar os bons exemplos que se têm visto com aquisição de jovens e vitalidade financeira, promovendo o clube e chamando a atenção dos media nacionais, isto claro com o devido investimento e com as pessoas corretas, não deixando cair no esquecimento, como já aconteceu no passado.

Resta é saber se alguém depois de analisar os prós e contras quer vir para este pequeno canto da Europa, onde se gosta tanto de futebol, mas ao mesmo tempo é tão maltratado.

VM-Desporto
Author: VM-Desporto

34 Comentários

  • Amigos e bola
    Posted Junho 18, 2021 at 11:38 pm

    Continuo a dizer: o modelo de negócio dos clubes portugueses tem de passar pela formação. Sem ela, os clubes vão ao ar.

    Há muito talento no jogador português, formamos bem, e por isso chega a ser escandaloso o facto de sermos o país da Europa que menos aposta na formação.

    Vemos os clubes a preferir dar dinheiro por estrangeiros que não acrescentam a menor qualidade ao campeonato português.

    • ngal
      Posted Junho 19, 2021 at 6:59 am

      E existe assim tanta materia prima de qualidade ? porque hoje em dia até os miudos são caros para contratar.

    • Oakander10
      Posted Junho 19, 2021 at 8:15 am

      Concordo. Portugal precisa de algumas regras de inscrição nos plantéis da primeira liga para que isso aconteça.

  • Miguel Figueiredo
    Posted Junho 19, 2021 at 12:32 am

    Excelente texto! Só para reforçar a ideia, não sei se já repararam mas no caso do grupo City, existe uma padronização do estilo de jogo nas várias equipas. Quem vê o Bolívar ou o Melbourne City jogar, nota semelhanças gigantescas com a forma de jogar do Manchester City (na base da posse de bola, passes curtos etc).

    • kiterioVFC
      Posted Junho 19, 2021 at 9:41 am

      Isso é super interessante! Para mim é o que devia existir em todos os clubes, uma identidade de jogo, onde desde os escalões mais jovens até aos séniores o modelo de jogo/táctica seria sempre a mesma. Só traria benefícios a longo prazo aos clubes.

    • Ricardo Lopes
      Posted Junho 19, 2021 at 11:20 am

      Sim, faz parte do projeto e só o melhora. Assim já há uma integração total dos jogadores às filosofias, mesmo que não joguem no topo da pirâmide!

  • Rodrigo 77
    Posted Junho 19, 2021 at 12:57 am

    Agora avalia se o campeonato pelo número de jogadores que se leva ao Europeu? Se somos um país com grande ligação ao mercado brasileiro/Sul americano é normalnão levar muitos jogadores ao Euro.

    E não levas em consideração a carga fiscal no futebol português ser das mais altas da Europa, logo é normal os jogadores europeus irem para outros campeonatos não tão fortes como o português mas que paguem melhor.
    E alguém dúvida que na maior fonte de futebolistas do mundo, Brasil, se muitos desses jogadores fossem das nacionalidades das seleções mais fracas, não seriam pelo menos convocados?

    • TOPPOGIGGIO
      Posted Junho 19, 2021 at 1:18 pm

      Exacto Rodrigo 77. O que eu ia comentar era precisamente nesse sentido, de ser natural essas selecções dadas como exemplo terem mais jogadores no Europeu. E enquanto lia o texto pensava isso que o mercado português continua a ser muito a América d Sul e portanto esses não vão ao Europeu. E se Galenos, Carlos Jrs, Fransérgios, Perinhos, Otávios, etc., se fossem húngaros, finandeses ou macedónios, de certeza que também iriam. Concordo sim que se possa fazer mais/diferente, é de resto muito debatido cá no blog, mas não concordo com essa relação establecida em particular….

  • Marcio Ricardo
    Posted Junho 19, 2021 at 1:22 am

    Penso que nos grandes, se aparecer alguém com muito dinheiro, mas mesmo muito dinheiro, tipo o dono do Chelsea, City ou PSG, é difícil dizer não. As pessoas são muito românticas e tal, mas na hora da verdade, se tens uma pessoa que te diz assim ” Vamos arrasar em Portugal, vamos ter estrelas mundiais, vamos lutar verdadeiramente pela Champions, vamos injetar 400/500/1000 milhões no clube, vamos garantir o clube numa eventual superliga Europeia, vamos trazer Ibras, Iniestas, Klopps, etc… ” é muito difícil dizer não. Chega até a ser ingênuo e tolice negar uma proposta destas.

    Quanto a clubes mais pequenos, o que não falta são candidatos. Só na região centro estão três grandes candidatos em três cidades com excelente qualidade de vida, Académica de Coimbra, Beira-mar e União de Leiria. Estão todos em dificuldades e todos tem belos estádios a ser desperdiçados. Mas existem muitos outros por todo o país. Naval, Farense, Acadêmico Viseu, um Salgueiros, etc, etc..

    O difícil é conseguir alguém que invista em Portugal e que seja sério. Porque há uma grande diferença entre arranjar um Abrahamovic ou um Peter Lim. Há uma grande diferença entre alguém que quer ganhar o mundo e alguém que só quer fazer dinheiro.

    • SENSEI
      Posted Junho 19, 2021 at 8:17 am

      O último que disse que ia arrasar em Portugal não correu muito bem.

      • Marcio Ricardo
        Posted Junho 19, 2021 at 9:56 am

        Eu sei, mas se ele tivesse umas centenas de milhões ( eu quero dizer, várias centenas e não 100 milhões ) com certeza arrasaria. Ele ou qualquer outro, tipo Rui Vitória ou Lage. Ia ser tipo um PSG, Bayern ou Juve em Portugal. Não ganharia sempre, mas seria avassalador e dominador.

    • Ricardo Lopes
      Posted Junho 19, 2021 at 11:19 am

      Claro, a seriedade é o essencial num projeto assim. Se for para abandonar a meio, escusam de vir. O (des ) investimento em Olhão é um dos mais gritantes

  • Oakander10
    Posted Junho 19, 2021 at 8:13 am

    No que toca ao meu clube, espero que nunca aconteça e nunca vou aceitar isso de bom grado. Sem dúvida.

  • Estigarribia
    Posted Junho 19, 2021 at 8:27 am

    Sou totalmente contra os investidores em Portugal nos clubes. Os clubes são dos sócios e não há dinheiro nenhum que troque isso. Os investidores sejam eles árabes, russos, asiáticos ou de outro país qualquer, só querem vir para cá lavar dinheiro e estão-se nas tintas para a história dos clubes. O futebol não é como o FM onde podemos fazer qualquer falcatrua para ganharmos dinheiro facil, como criar um treinador num clube de topo para vender os nossos jogadores por valores absurdamente altos.

    Como Sportinguista jamais aceitarei que o meu Sporting fique nas mãos de um qualquer investidor que venha para cá lavar dinheiro. Ter dinheiro de investidores magnatas é muito bonito, mas quando ele decidir fechar a torneira o clube é que paga a fatura. Os clubes querem ser mais competitivos? Apostem na formação, deiam tempo aos bons treinadores e deixem de contratar contentores de jogadores de qualidade duvidosa.

    Saudações Leoninas

    • Marcio Ricardo
      Posted Junho 19, 2021 at 10:18 am

      Isso é muito lindo no papel, mas na prática não funciona. O Sporting teve um Cristiano Ronaldo, durou seis meses. O Benfica teve um Félix, durou seis meses. Não tens como competir na Europa. Eu cá não sei dos sportinguistas, mas para mim ser Benfica é ter capacidade de competir na Europa. Quem era o City antes do magnata ? E o Chelsea ? E o PSG ? E o que é que eles ganhavam ? Até podes ganhar alguma coisa em Portugal com esse modelo, mas na Europa não ganhas. Interessa-te o clube ou o ego ? O clube não foi feito pra ganhar ? Não é por isso que é grande ? Se, como dizes, o Sheik da Arábia Saudita viesse comprar o Sporting, seria só o dono da empresa mais rica do mundo e do segundo país com mais petróleo. Questões morais e éticas à parte, colocar o Sporting ( ou qualquer outro clube ) constantemente no top 5 Europeu e sempre no Top 10, para essa pessoa seria sempre uma questão de vontade. Basta querer e ele larga o dinheiro pra isso, quer gostes ou não. Sabes o que é que dá a política que tu defendes? A realidade de que o Sporting nunca chegou numa semifinal da Champions.. São diferenças.

      • Estigarribia
        Posted Junho 19, 2021 at 11:16 am

        Marcio Ricardo,

        Mas quantas Champions tem o Manchester City? Zero. E o Paris Saint-Germain? Zero. Senão fosse o dinheiro sujo dos investidores, esses dois clubes não passariam de clubes do meio da tabela.

        Felizmente, em Portugal, esse cenário de investidores a entrarem com dinheiro sujo não vai acontecer tão cedo nos três grandes, porque felizmente ainda são os sócios que mandam nos clubes. Dinheiro de investidores nos clubes portugueses é muito bonito, mas não significa sucesso imediato – essa é uma imagem ilusória que os adeptos têm quando se fala em investidores. E quando o investidor, seja de que nacionalidade for, se fartar de despejar dinheiro no clube e decidir fechar a torneira? O que acontece ao clube? Para ser sincero, essa conversa toda de investidores estrangeiros em Portugal não passa de balelas e como Sportinguista prefiro que o meu clube aposte naquilo que é, foi e sempre será a sua génese, o seu ADN – a formação.

        Saudações Leoninas

        • Marcio Ricardo
          Posted Junho 19, 2021 at 8:59 pm

          Pois, mas pra mim balelas é essa tua conversa..

          Quanto ao teu primeiro parágrafo, o atual campeão europeu é o Chelsea, que ganhou do finalista City.. Ano passado o finalista foi o PSG. Todos sabemos, é uma questão de tempo, para que o City e o PSG sejam campeões europeus… Coisa que era impensável há 20 anos atrás, pensar que um City teria o melhor treinador do mundo e estaria por cima do United, que o Chelsea seria bi campeão europeu, que o PSG podia se tornar uma super seleção, uma equipa acima de todas as outras, como parece que vão fazer este ano. E depois, dinheiro sujo por quê ? Não é o gás e o petróleo um negócio legal e dos mais lucrativos do mundo ?

          Quanto ao teu segundo parágrafo, continuas errado. Os investidores não vêm para Portugal porque o campeonato é fraco e o país pequeno, sem visibilidade, de mercado reduzido. Por isso que se vê irem atrás de um Newcastle em vez de ir atrás de um Ajax, Benfica ou Porto. Não são os adeptos que não querem um investidor assim, são os investidores que não querem vir pra cá.
          Não significa sucesso imediato ? Então o que é que aconteceu com Chelsea, City e PSG ? Não foi sucesso imediato ? Onde é que estes clubes ganhavam titulos constantemente antes de serem comprados ?

          Se o investidor decidir a fechar a torneira voltas ao que eras, simples não é ? Vendes as tuas super estrelas, voltas a ter pratocínios menos valiosos, e voltas a ser o clube que és neste momento.

          Tu podes preferir o teu clube assim, e estás no teu direito. Só não penses que és melhor adepto por isso. Enquanto esses clubes tomados por super inestidores crescem, os outros vão ficando cada vez mais pequenos ( à excepção dos grandes da Alemanha e Espanha ).

          Saudações benfiquistas.

        • Daiuca
          Posted Junho 20, 2021 at 12:39 pm

          Pq é que o dinheiro é sujo? É mais sujo do que o dinheiro que os políticos Portugueses metem no bolso, que é nosso e que descontamos.. os Portugueses levam o futebol tão a sério que esquecem de casos por exemplo do BES. Para evoluir é preciso as vezes parar de ser romântico. Claro que tem q ser com cabeça e ver bom projecto e estável. Mas futebol em Portugal é podre, quem não vê isso é apenas cego. Agora como saber qual é mais podre o dinheiro deles ou os nossos dirigentes e políticos que metem se sempre no Futebol. Ao usar como arma de arremesso. Mas ok palas nos olhos é bom. Eu tenho olhos e já viagem e trabalhei muito fora de Portugal e vejo o tão fechado a mentalidade em Portugal é. Mas isso sou eu. E nada sei..

    • Ricardo Lopes
      Posted Junho 19, 2021 at 11:17 am

      No Sporting é muito difícil vermos um caso como os que falei. O clube é demasiado grande! O máximo que teremos é uma ajuda ou outra de empresários…

      • Estigarribia
        Posted Junho 19, 2021 at 11:29 am

        Ricardo,

        Claro, e o mesmo se calhar também se aplica ao Benfica e ao FC Porto, digo eu.

        Só acho é que dinheiro fácil vindo dos investidores nem sempre é sucesso garantido e muitas vezes o clube paga a factura do encerramento da torneira. Dando um exemplo ibérico, o Málaga á uns anos também tinha dinheiro de um investidor saudita, creio, e até contrataram jogadores como Van Nistelrooy oi Toulalan, mas o emblema andaluz nunca conseguiu dar aquele clique e agora anda sabe Deus onde.

        Saudações Leoninas

        • Ricardo Lopes
          Posted Junho 19, 2021 at 12:36 pm

          E mesmo no SC Braga não vejo a situação acontecer. Mas em clubes do interior como o teu Covilhã ou o meu Académico seria bem mais provável.

          • Estigarribia
            Posted Junho 19, 2021 at 1:02 pm

            No SC Covilhã também seria improvável. Ainda há pouco tempo o presidente José Mendes falou sobre isso afastou completamente essa ideia, assim como de fazer uma SAD – o SC Covilhã tem uma SDUQ. O presidente quer manter o clube nas mãos dos sócios. E compreende-se.

            Saudações Leoninas

          • Abbas
            Posted Junho 20, 2021 at 11:38 am

            O Académico já não pertence aos sócios. O Albino é acionista maioritário.

      • Shinzy123
        Posted Junho 20, 2021 at 5:00 pm

        demasiado grande? O que dizer do Benfica

  • Tiago Silva
    Posted Junho 19, 2021 at 11:46 am

    Até concordo com investidores em Portugal, mas têm que dar voz aos sócios e aos adeptos, têm que mostrar ambição de inicio ao fim e têm que respeitar as raízes do clube. Têm que apresentar um projeto sustentado e entusiasmar os adeptos. Claro que é um processo arriscado porque o investidor pode querer largar tudo de uma vez, mas por isso é que se tem que ser rigoroso e sério e mostrá-lo nesse processo.

    Antes de mais digo, os valores de qualquer clube são mais importantes para os verdadeiros adeptos do que os troféus, os que apoiam um clube apenas porque ganha não são verdadeiros adeptos desse clube. Digo, os projetos da Red Bull e do grupo City são muito bons (não gosto que a Red Bull altere os símbolos dos clubes) e se aparecesse grupos como estes, com projetos bem pensados e delineados, são sempre ofertas para considerar, nunca esquecendo o que os adeptos querem.

  • Cossery
    Posted Junho 19, 2021 at 11:53 am

    Eu sou contra porque não consigo abandonar a ideia romântica do futebol que ainda existia na minha infância, mas entendo as potenciais vantagens de investidores.
    Seria importante analisar a diferença de presenças de jogadores do campeonato português na Copa América e no Mundial, aí duvido que outros campeonatos periféricos fiquem à frente de Portugal. A razão pela qual Croácia, República Checa, etc. têm mais jogadores do seu campeonato no Euro tem a ver com nas suas seleções estarem muitos jogadores desse campeonato que não têm as mesmas condições de qualidade e mercado para darem o salto para as Big-5, além de que os mercados em que investem mais são europeus e os mercados que fornecem os clubes portugueses são muitas vezes extra-europeus. Além disso, os três grandes têm tido jogadores importantes até de países europeus mas que não fazem parte das suas seleções, ou porque já são mais velhos, ou porque ainda são novos, ou ainda porque tiveram um ano menos conseguido mas já lá estiveram e têm perspectivas de lá chegarem. Nestes diferentes aspectos, creio que o campeonato português é claramente melhor que a maioria dos restantes campeonatos europeus excluindo os Big-5.

  • Winter
    Posted Junho 19, 2021 at 12:10 pm

    Texto muito bom a destacar bem os prós e contras de um possível investimento por cá. Porém queria só dar uma opinião diferente em relação a um dos tópicos: os jogadores que o campeonato português coloca no europeu. Tudo certo que são menos em comparação com as referidas ligas, mas não esqueçamos que o clube português tem muita tendência para contratar no mercado sul americano e mais recentemente no africano e até mesmo asiático. Por alguma razão não nos temos virado para a europa (que curiosamente começa a ter muitas ligas periféricas já com muito talento e jogadores ainda relativamente baratos), não sei se por uma questão de língua ou simplesmente por força dos empresários que pairam no panorama português. Assim sendo acredito que se formos ver outra competição como a copa américa por ex, talvez sejamos dos que coloca mais jogadores (atenção admito estar a falar um pouco de cor, pode vir alguém com uma estatística a contradizer-em, mas esta é a sensação que tenho).

    Em relação ao tema principal, na minha opinião aquilo que “afasta” os possíveis investidores prende-se com a militância nos estádios. É certo que o adepto português vive o futebol com intensidade mas mais certo ainda é a polarização da massa adepta a poucos clubes. A maior parte dos projetos surgem em clubes que enchem o estádio ou, pelo menos, terão adeptos para passar a encher o estádio caso passem a ter melhores jogadores e sobretudo desempenhos nas competições onde estão inseridos (já se sabe como isto funciona, toda a gente prefere ver o seu clube a ganhar). Ora, o típico clube pequeno tuga tem poucos adeptos por força da centralização nos ditos grandes, e seria sempre difícil de encher estádios em cidades pequenas por vários motivos, sendo os principais o (pouco) poder de compra dos portugueses e o êxodo rural (há poucas cidades com mais de 50mil habitantes).

    • Ricardo Lopes
      Posted Junho 19, 2021 at 12:38 pm

      Sim, o nosso investimento é muito virado para a América do Sul e maioritariamente mal feito. Eu até gosto de ver esses campeonatos, mas investimos de maneira ridícula por vezes. Temos de investir em outros campeonatos europeus, que têm muitos talentos escondidos!

  • JoaoG
    Posted Junho 19, 2021 at 12:59 pm

    Não compreendo muito bem porque se acha o campeonato português tão fraco. Sim, o slb em tempos recentes tem sido muito fraco lá fora e o scp foi fraco durante muito tempo mas fcp e Braga costumam cumprir ou superar expectativas e basta recuar uma década para ter boas performances dos dois primeiros.

    A globalização do futebol aliada a uma maior facilidade de circulação de jogadores levou a que o efeito bola de neve típico do capitalismo entrasse em ação e agora temos clubes de fundo da tabela dos big 5 que pagam bem mais que o Braga que é o 4º maior orçamento da liga. O mesmo se aplica para quase todos os campeonatos europeus. Já quase não existe variância no futebol, é quase sempre big 4 + PSG.

    Sim, em teoria investimento poderia resultar num novo bom clube que aumentaria a competitividade mas eu sou a favor que o futebol seja auto suficiente e duvido que seria o caso. Temos que aceitar que dificilmente vai dar pra mais, é a lei do mercado.

  • Pedro Santos
    Posted Junho 20, 2021 at 11:56 am

    Qual é o problema realmente? O nosso campeonato está na melhor posição que pode ambicionar. Somos uma nação com 10M de habitantes, um mercado muito pequeno por isso não temos como ambicionar estar mais acima do que estamos neste momento (6º lugar é fantástico tendo em conta tudo). Nenhum investidor vai querer investir em Portugal porque não vai ter nenhum retorno. Sinceramente, acho que estamos muito bem assim.

    O argumento que campeonatos que são, factualmente, muito inferiores ao nosso colocam mais jogadores no Campeonato da Europa é um argumento falacioso. 1º porque isso acontece porque muitos campeonatos colocam jogadores nas respetivas seleções nacionais que são muitíssimo inferiores à nossa, 2º porque não colocam nenhum jogador em equipas de topo como o nosso (Portugal e Bélgica). 3º porque o nosso campeonato coloca jogadores em seleções de topo fora da Europa como o Brasil e Argentina e em seleções muito respeitáveis como Uruguai ou México.

    O nosso campeonato tem muitos problemas, mas o nível não é um problema. Nunca vamos conseguir segurar talentos como Felix, Ronaldo, Nuno Mendes(?) porque o nosso campeonato é mesmo assim: formador e vendedor. E não há nenhum mal nisso. Para termos sucesso de topo na Europa temos de ter a “sorte” de conseguir formar uma equipa de topo e de conseguir segurar os jogadores de um ano para o outro, como aconteceu com o Porto em 03/04 ou como ia acontecendo numa campeonato parecido com o nosso, com o Ajax em 18/19.

  • RobbenKroos
    Posted Junho 21, 2021 at 11:04 pm

    Os clubes mais aliciantes de investir neste momento são o Oriental Dragon (Setúbal) e a B-SAD (Oeiras), são clubes sem história que facilmente com um bom investimento e algumas mudanças logísticas e de denominação terão muito sucesso, seja na Guarda, na Madeira ou no Alentejo.

    As regiões/distritos que mais necessitam de investimento em Portugal são a Madeira, asfixiada por uma forte dependência do dinheiro do Governo Regional no tecido desportivo, que impede uma maior capitalização privada, o Alentejo, que precisa de alguém interessado em investir para ter equipas nos campeonatos profissionais, embora existam históricos da região que com um empurrão desses possam competir ao mais alto nível, e a região do interior, ou seja Viseu, Bragança e Guarda, distritos onde o dinheiro não abunda, sendo o caso da Guarda o mais grave, porque raramente consegue sequer manter por mais de um ano uma equipa no Campeonato de Portugal.

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