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As saudades de um líder em campo

Imagem: noticiaaldia.com
Imagem: noticiaaldia.com

Concluídas as nove primeiras jornadas das eliminatórias de qualificação para o Mundial’2018, a Venezuela encontra-se no décimo lugar, com apenas dois pontos arrecadados. Trata-se da pior fase de qualificação desde a do Mundial de 1998, na qual à nona jornada perfazia apenas um ponto. A verdade é que esta campanha tem sido delicada para os venezuelanos, em contraste com a evolução que se estava a registar na última década e meia. Para tal, várias serão as razões para que a caminhada para a Rússia se tenha tornado uma tempestade, sem fim ainda à vista.

Em primeiro lugar, a instabilidade nos quadros federativos e na equipa técnica ao longo dos últimos catorze meses foram prejudiciais. Nas vésperas da Copa América 2015, a Federación Venezolana de Fútbol (FVF) via o homem que a liderava há mais de 25 anos ser preso na Suíça, na sequência do escândalo de corrupção da FIFA Rafael Esquivel foi uma das figuras preponderantes na organização da Copa América 2007 em território venezuelano, assim como na realização da construção de uma das melhores estruturas a nível desportivo no país. Inserido no Projecto Goal da FIFA, o Centro Nacional de Alto Rendimento foi inaugurado na Ilha de Margarita, no Estado de Nueva Esparta, onde as diversas selecções de futebol se preparam desde 2013. Entretanto, foi substituído interinamente por Laureano González na presidência da FVF. A partir daí, acentuaram-se os problemas com a logística, com os prémios e as faltas de pagamentos, que provocaram conflitos entre os futebolistas e a federação. Para além disso, a relação entre o técnico Noel Sanvicente e alguns dos seus escolhidos não era das melhores. A título de exemplo, antes de principiar a caminhada para a Rússia, o técnico riscou Daniel Hernández das convocatórias, Andrés Tuñez (ex-Celta de Vigo) decidiu afastar-se, ao passo que Juan Arango e Fernando Amorebieta renunciaram à Vinotinto. Foi deste modo que “Chita” Sanvicente somou cinco derrotas e um empate (2-2 no Perú) e demitiu-se do cargo, após a goleada contra o Chile (1-4).

Por conseguinte, Rafael Dudamel, que orientava os sub-20, foi o escolhido pela FVF, fruto do bom trabalho que desenvolvera nos escalões jovens: vice-campeão do Sul-Americano de sub-17 (em igualdade pontual com a vencedora Argentina e o Brasil) e logrou a qualificação para o Mundial de Sub-17 de 2013, nos Emirados Árabes Unidos. A missão do antigo guarda-redes concentra-se na renovação da equipa nacional, através do aparecimento de jovens talentos, ao mesmo tempo que tentará promover o regresso de alguns jogadores, como já foi o caso de Daniel Hernández. Até ao momento, a excelente prestação na Copa América Centenária (caiu nos quartos de final no embate contra a Albiceleste) não teve o melhor seguimento na qualificação para o Mundial de 2018: apenas mais um ponto conquistado em nove possíveis.

Por outro lado, apesar da qualidade de futebolistas como Salomón Rondón, Adalberto Peñaranda, Alejandro Guerra,Tomás Rincón, Roberto Rosales e Sema Velázquez, sente-se a falta de uma figura incontornável como Juan Arango. O seu currículo pode ser para muitos desconhecido, no entanto envolveu passagens na liga mexicana (Monterrey, Pachuca, Puebla e Tijuana), pelo Maiorca de Espanha e pelo Bor. M’gladbach da Bundesliga. Conhecido pelo seu fantástico e potente remate de pé esquerdo, trata-se de um futebolista com uma notável visão de jogo e um excelente marcador de lances de bolas paradas. Mas, acima de tudo, destacou-se na selecção pelo seu espírito de sacrifício e pela capacidade de liderança. As melhores performances da Vinotinto em competições oficiais estão ligadas à Zurda de Oro. Internacional por 127 vezes e com 22 tentos festejados, contribuiu para o quarto lugar na Copa América 2011, o sexto lugar na qualificação para o Mundial do Brasil (a melhor classificação) e a melhor pontuação (22) na campanha de acesso à África do Sul 2010, revelando-se o atleta mais influente dos últimos tempos. Ficará na história, por exemplo, por ter cobrado exemplarmente o pontapé de canto para a cabeçada vitoriosa de Amorebieta em Anzoátegui, guiando a equipa para o primeiro e único triunfo registado até ao momento contra a Albiceleste (1-0), para alegria de milhões de venezuelanos.

Assim, de forma a reverter a má forma da equipa da nação de Simón Bolívar, há muitas expectativas em vários futebolistas para serem os próximos Arangos do conjunto de Dudamel. Por um lado, é díficil reconciliar os atributos técnicos e mentais que se observava no actual médio dos New York Cosmos. Por outro, Alejandro Guerra do Atlético Nacional (detentor da Libertadores) parece, no imediato, o candidato mais fiável, devido à sua experiência, influência e garra, acrescentando-se a sua versatilidade posicional, ao mesmo tempo que vive o melhor momento de forma na sua carreira. Por fim, as qualidades de Rondón do WBA, de Rincón do Génova ou de Peñaranda da Udinese também têm que ser tidos em conta, visto que são capazes de galvanizar os colegas e resolver partidas. Embora não deva marcar presença no certame russo, a Venezuela não deverá baixar os braços, pois melhores dias virão para uma selecção que tem potencial para, mais tarde ou mais cedo, atingir o seu objectivo de participar na fase final de um Mundial.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui): Luis Enrique Santos

7 Comentários

  • Jorge
    Posted Outubro 8, 2016 at 3:55 pm

    Espelho do que se passa no País

  • Tiago Silva
    Posted Outubro 8, 2016 at 4:08 pm

    O Equador tem uma meia dúzia de jogadores bastante interessantes mas falta aí mesmo uma referência, um líder que una o grupo. Têm o Peñaranda que é o jogador mais jovem de sempre a marcar na Liga Espanhola, que apresenta bons atributos físicos e técnicos e uma maturidade acima da média da idade. O Josef Matinez também é bastante interessante sendo rigoroso taticamente e muito bom a quebrar linhas e a aparecer em zonas de finalização. O Rosales é um lateral muito interessante que pode fazer os dois lados com bastante qualidade e que já é titular do Málaga à uns bons anos. O Rondon foi uma das maiores contratações de sempre do WBA, clube histórico da Premier League e é um avançado muito forte no jogo aéreo e muito possante que apresenta boas movimentações de pés. Para a defesa não vejo ninguém que se destaque e talvez seja essa a principal razão desta crise.

  • Paulinho
    Posted Outubro 8, 2016 at 4:47 pm

    Nao se esqueçam do Juanpi do Malaga. Esse sim a grande promessa do futuro venezuelano.

  • Venezuela
    Posted Outubro 9, 2016 at 1:30 am

    Pode ser que consigam surpreender no jogo contra o Brasil.

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