Nos anos de 1830 e 1831 ocorreu a Revolução Belga. A partir desse momento, a Bélgica tornou-se um país totalmente independente do Reino Unido dos Países Baixos, do qual fazia parte. Após a ocasião histórica, Holanda e Bélgica nunca mais voltaram a fazer parte da mesma Nação. Apesar de tudo, não houve um corte definitivo entre ambos os países, sendo que fizeram parte da curta lista de fundadores da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, que hoje após uma série de desenvolvimentos e entradas, designamos de União Europeia, que é vital para os dias de hoje. Podemos verificar muitas parecenças entre os dois países especialmente na região da Flandres (parte norte da Bélgica, onde se fala ainda o neerlandês, contrariamente à Valónia, parte sul, onde se fala francês), cuja cultura se aproxima à holandesa.
Tanto Bélgica como Holanda têm o futebol como o seu desporto-rei. Ambas as ligas se iniciaram no séc. XIX. A Eredivisie em 1888 e a Pro League em 1895. Estes campeonatos, ainda que não sejam considerados top-5 europeu, são dos mais reputados do continente. Nos dois casos há um conjunto de equipas que se destaca das demais, como é habitual em qualquer competição. Podemos destacar do holandês o Ajax, PSV, AZ Alkmaar e Feyenoord, enquanto que do lado belga há que dar ênfase ao Club Brugge, Anderlecht, Standard Liège e Genk. Em 2019, surgiu a ideia de unir estes dois campeonatos, eliminando-se a fronteira que existe. Já no ano de 2021, os clubes belgas deram o “ok” para que esta ligação aconteça de facto. Mas quais são as grandes vantagens deste formato?
Atualmente, a Eredivisie ocupa o sétimo lugar do ranking de ligas da UEFA, enquanto que a Pro League está dois lugares abaixo, na nona posição. Com a junção destas ligas, as vagas em principio vão ser ocupadas pelos melhores clubes de cada uma, aumentando assim a qualidade do futebol. Com este aumento de competitividade, a aproximação aos melhores campeonatos europeus deverá tornar-se uma realidade. Neste momento, são somente rampas de lançamento que os jogadores utilizam para irem para ligas maiores, um pouco como no caso do campeonato português. Na atualidade, muito dificilmente haverá uma jovem promessa cujo sonho máximo seja jogar no Ajax, ou no Anderlecht, que apesar de terem uma história gigante, não podem atualmente ser comparados com equipas como Barcelona, Real Madrid ou Bayern de Munique. Os jovens formados nas equipas holandesas e belgas sonham ir para campeonatos maiores, de maneira a chegar a conquistar títulos mais reputados ou ganhar um salário superior. Já os estrangeiros que rumam jovens para estes campeonatos, utilizam-no como um trampolim, tentando-se destacar de modo a atrair os olheiros de equipas maiores para os observar e quiçá fazer uma proposta. Analisemos as convocatórias de Bélgica e Holanda para os próximos jogos de qualificação para o Mundial 2022. Dos trinta e dois jogadores chamados por Roberto Martínez, somente sete jogam na Pro League, ou seja, menos de 25% da convocatória, já em si muito extensa. Já no caso da seleção orientada por Frank de Boer, a situação é mais positiva, nove em vinte e quatro convocados, estão integrados em algum plantel da Eredivisie. Porém se olharmos aos nomes, verificamos que muitos destes jogadores são muito jovens e promissores, como o caso de Stengs, Malen ou Verschaeren. Seguramente que se as suas carreiras continuarem a crescer, não vão ficar nos seus clubes atuais, ainda que sejam dos maiores ao nível nacional. Com a criação da BeNeLiga, seria mais fácil segurar estes talentos por mais alguns anos. Igualmente passaria o mesmo com jogadores vindos do estrangeiro. Já não seria mais um entreposto para ligas maiores. Jogadores como Jesus Corona, Davinson Sánchez entre outros poderiam ter estado mais tempo no clube que os recebeu na Europa, antes de pensarem em trocar de clube. Provavelmente irá passar-se o mesmo com outros jovens que atualmente atuam nestas ligas como Antony, que viu no Ajax uma porta de entrada para a Europa. A formação, que é o ponto forte dos clubes destes países poderia alimentar as equipas principais, sem o receio de ver as suas pérolas saírem ainda muito jovens como Doku ou Van de Beek entre muitos outros. Uma BeNeLiga traria também reforços com outra reputação, não apenas para terminar a carreira, o que aumentaria ainda mais o estatuto do campeonato.
Economicamente uma união desta liga seria muito positiva para todos. Segundo a Deloitte, esta liga poderia vender os seus direitos de transmissão por valores muito superiores ao que atualmente individualmente vendem (cerca de 80 milhões de euros anuais, cada uma). Com isto o bolo ficaria muito maior, permitindo um maior encaixe para todas as equipas. Os jogos iriam ser muito mais equilibrados, atraindo mais gente ao estádio, criando possivelmente novos “clássicos” e rivalidades, que controladas, só aumentam o prestigio de campeonato. O que seria do futebol sem os grandes duelos de campeonato como o Real Madrid vs Barcelona, Celtic vs Rangers, River vs Boca Juniors, Bayern vs Dortmund ou Inter vs Juventus? São esses jogos que trazem emoção, mesmo que uma equipa esteja a passar uma fase menos boa, uma partida com estas características é sempre para dar tudo, fazendo com que a forma da equipa passe um pouco ao lado. Com isto haveria naturalmente um aumento na quantidade e no valor dos patrocínios, permitindo um crescimento económico muito elevado dos clubes, que bem gerido, poderia dar margens de lucro altíssimas.
Em relação às competições internacionais, uma maior competitividade nacional, deveria criar uma melhora na qualidade das presenças europeias. Se analisarmos a postura dos clubes holandeses e belgas na Europa, estas têm sido maioritariamente fracas. A que gera uma maior recordação é sem duvida a campanha realizada pelo Ajax na época de 2018/2019. Desde a época de 1995/96 que um clube holandês não vai a uma final da Liga dos Campeões (no ano anterior a chegar à final, o Ajax venceu a competição). No caso belga, nunca houve uma presença na final da competição. No caso da Liga Europa (anteriormente Taça UEFA) a presença holandesa tem muito mais significando, colecionando algumas finais. Os clubes belgas também tiveram melhores presenças, em comparação com a referida anteriormente, no entanto o único trófeu conquistado foi do Anderlecht, no longínquo ano de 1983, chegando à final igualmente no ano seguinte, ultima presença de uma equipa do país numa final. Com uma união dos campeonatos seria provável uma presença maior nas rondas mais adiantadas da competição e possivelmente nas finais, apesar de ser algo a longo prazo.
Podemos concluir que a BeNeLiga seria um grande projeto, com alta taxa de sucesso, porém falta também os clubes da Holanda apoiarem esta ideia, para que se possa criar um modelo competitivo de maneira a que nenhuma das equipas saia prejudicada.
Poderia ser este projeto aplicável numa situação onde Portugal estivesse envolvido? Na minha opinião, não seria possível. A grande razão é a nossa localização geográfica. O máximo que poderíamos almejar seria uma Liga Ibérica, porém isso traria poucas vantagens para as equipas do nosso país. As equipas da La Liga são muito mais fortes que a maioria das nossas, tendo outra capacidade de atacar o mercado e mais adeptos. Pessoalmente penso que somente Benfica, FC Porto, Sporting e Sporting de Braga poderiam ter algum sucesso imediato (lutar pelas vagas em competições internacionais e talvez algum ano pelo título), pois têm uma estrutura sólida, condições de treino fantásticas e equipas de qualidade. Apesar de haverem mais formações competentes na Liga Portuguesa, seria difícil terem sucesso imediato, ainda que com projetos de longo prazo pudesse ser possível algum caso de êxito. Uma outra contrariedade é o tamanho do nosso país que é bem mais pequeno que Espanha, o que não acontece com Bélgica e Holanda, que são similares. Uma ideia interessante que poderia funcionar seria uma criação de uma taça com a presença de algumas equipas de ambos os países, que seguramente chamaria a atenção dos interessados em futebol. A grande contrariedade é a pouca presença de espaços livres na época desportiva.
E em outros pontos da Europa? A meu ver, sim. Existem ligas que são muito fracas e que passam despercebidas à maioria das pessoas, que com a junção com outras de países vizinhos, poderiam criar competições mais fortes, ainda que distantes da analisada inicialmente (e a que tem um projeto mais ou menos palpável). Um caso que me parece aplicável é a criação de uma Liga Báltica, com os membros integrantes surgidos de Estónia, Letónia e Lituânia. Nenhuma é uma potência no futebol, porém têm algumas parecenças, um pouco como Bélgica e Holanda.
Com o evoluir no tempo, vimos clubes muito importantes no futebol europeu a perderem presença no espaço futebolístico europeu, devido à desagregação dos países que faziam parte. Exemplos disso são o Estrela Vermelha, Partizan, Dínamo de Zagreb, Spartak de Moscovo ou Dínamo Kiev. Os campeonatos da Jugoslávia e da U.R.S.S. eram muito mais fortes que os das nações que resultaram das separações. Porém é obvio que é praticamente impossível voltarmos a equipas destes países a jogarem no mesmo campeonato, nomeadamente por razões políticas.
A BeNeLiga será mais tarde ou mais cedo uma ideia colocada em prática e deverá ser a principal rival da Liga Portuguesa no que trata em ser a sexta liga mais conceituada da Europa. Se por um lado para o adepto comum é sinal de aumento de qualidade no futebol, por outro é sinal de que a nossa Liga pode perder possíveis jogadores para a rival que chegará, fazendo lembrar um pouco o passado, quando Portugal (e Espanha), perderam o domínio dos mares para os holandeses (e ingleses).
Visão do Leitor: Ricardo Lopes


50 Comentários
LMMarado
Já conhecia vagamente este projecto e estou curioso relativamente ao seu desenvolvimento. Parabéns pelo texto! Muito bom.
Kafka
100% a favor destas junções de campeonatos, especialmente em Países de dimensão similar como é o caso da Bélgica e Holanda… E os 2 juntos passaríam para um mercado de 30 milhões consumidores, seria fantástico e permitiria diminuir o fosso de receitas para as big5…. Só têm a ganhar em fazer esta junção, por mim era já no próximo ano que devia acontecer
Quanto à Liga Ibérica, para os grandes espanhóis não aquecia nem arrefecia, o que iria acontecer era que Benfica, Porto e Sporting baixavam um patamar e deixavam de poder serem campeões, passariam para o patamar do Atlético Madrid que apenas esporadicamente em anos maus de Real e Barça é que pode lutar pelo título e mesmo assim em anos maus dos 2, o Atlético está a tremer por todos os lados nesta fase final
Por mim outra liga que deviam juntar-se era a Liga Jugoslávia, aliás não só seriam uma liga muito superior do que as actuais “17383884” todas separadas, como seriam uma Selecção muito mais forte que as actuais todas divididas
Liga Russa e Ucraniana também faria sentido unirem-se, o Shaktar e o Dínamo Kyev só tinham a ganhar num regresso à liga URSSS
Outra possível junção seria a Liga Escandinávia, Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia num só campeonato só teriam a ganhar em vez de andarem todos separados
Reino Unido também podia adicionar Celtic e Rangers à Premier League…. Aliás já são em si uma nação, portanto o mais correcto era mesmo serem um só campeonato e não estarem divididos em 2
Suíça e Áustria também podiam juntar-se numa só liga, pois tb são países da mesma dimensão e até podiam juntar a Hungria pois há uma ligação histórica entre Áustria e Hungria, do tempo do imperio Austro-Hungaro.. .. Suíça, Áustria e Hungria passariam a ser um mercado de quase 30 milhões consumidores, tinham tudo a ganhar sendo uma só liga
Por mim estas junções era para ontem, aliás por mim até vou mais longe, já era para ontem a União Europeia passar a ser em definitivo um só país que se chamaria “Estados Unidos Europa”, só teríamos a ganhar em termos sociais e especialmente financeiros se fossemos um só país em vez desta barafunda de 27 países, onde depois cada um tem regras próprias e está a ver-se a enorme confusão que está a ser com a vacina ou na confusão que está a ser ser com os apoios financeiros para o ataque à pandemia… Se fôssemos um só país como os USA, seria muito mais fácil de aplicar as medidas…
Mas já se sabe como são os velhos do Restelo, sempre a irem buscar isto e aquilo de quezílias do passado e da cultura e bla bla da treta, como se fosse o passado e a cultura que pagam as contas às pessoas…. Portanto nada disto irá para a frente
Gunnerz
Bom os usa também não tem a nossa história, foi tudo mais simples para eles. Agora na Europa e mesmo no resto do mundo nunca irá acontecer, basta ver o que se passa aqui mas tbm na india/Pakistan, em Israel, e etc. E aqui em PT basta veres aqui no blog o nacionalismo desmedido de alguns, o ódio à Espanha e à França, curiosamente um amor ao UK vá se lá saber pq. Na Europa nunca funcionará e a fantochada da UE infelizmente vai continuar como está, apenas para impedir nova guerra entre França e Alemanha, provavelmente.
Quanto às tuas sugestões não são más, mas sinceramente tirando mesmo a do texto não vejo mais nenhuma acontecer, no limite via Áustria com suisse.
Kafka
Concordo Gunnerz,
DYI
A fantochada da UE neste momento tem dizer sobre o orçamento de Estado, sobre as regras de concorrência (incluindo tudo o que seja subsídios e fusão e cisão de empresas), tem dizer nos teus impostos, no teu sistema bancário, em todas as sociedades financeiras, no teu direito administrativo incluindo no que toca a celebração de contratos públicos. Muitas das disposições do nosso Direito são transposições de diretivas europeias. É graças à UE que Portugal se conseguiu financiar a juros negativos. É também graças à UE que podes trabalhar e exercer cargos políticos em qualquer país da União sem precisares de vistos para isto e aquilo. É graças à UE que se tiveres uma doença durante uma viagem podes ser tratado em qualquer Estado Membro de graça!! É graças à UE que se tiveres problemas num país sem representação portuguesa te podes dirigir a qualquer embaixada de Estado membro na qual são obrigados a tratar te como um nacional desse Estado. E mais mil coisas que a UE nos trouxe que não vou estar aqui a elencar.
A UE não é perfeita e se não conseguir caminhar cada vez mais para a integração total perderá o seu propósito. Mas daí a dizer que é uma fantochada vai um grande esticão.
Kafka
DYI
Isso que dizes é tudo verdade, mas em termos práticos na comparação com os Estados Unidos da América, fruto deles serem um só país, há muita coisa que se torna menos “burocrática” e mais fluida e eficaz
Já viste ao tempo que andamos para destribuir o dinheiro de apoio à economia… Compara com os Estados Unidos, num dia decidem e no dia a seguir a impressora está a trabalhar e no dia a seguir o dinheiro está nas contas das empresas e dos privados, já na Europa lol daqui a nada acaba a pandemia e ainda andam a decidir quando e como destribuir o dinheiro
Ou compara a questão da vacina, o processo de vacinação está muito mais avançado na América
E sim eu sei que a América tb tem muitos defeitos etc… Mas o ponto aqui é que se fôssemos um País em vez desta “salganhada” de 27 países, todos teríamos a ganhar, as coisas fluiam muito melhor….
Isto para não falar que cada vez mais o Epicentro do Planeta Terra é o eixo do Pacífico (USA-China), e não vai ser a Alemanha com os seus “míseros” 80 milhões habitantes que irá mudar isto….. Mas os Estados Unidos Europa com 400 ou 500 milhões habitantes a história já era outra, e tanto os USA como a China teriam de olhar de forma diferente para os Estados Unidos Europa e iria haver um recentramento do poder a nível Mundial…
Agora assim, a Europa vai ficar cada vez mais para trás
DYI
Percebo perfeitamente Kafka. E tal como tu sou defensor de uma maior integração europeia. De que me interessa soberania nacional se estamos entregues aos abutres.
Mas por razões históricas, culturais, linguísticas e políticas os Estados Unidos da Europa é muito complicado e exige muita cautela.
A UE sempre funcionou como um make or break. Os próximos anos dirão se vamos avançar nesse sentido ou se nos vamos desintegrar. Deus nos livre se for tudo à vida porque aí vão ver o que é uma república das bananas plantada na Europa ocidental.
flanker
Concordo com tudo. Especialmente na parte dos Estados Unidos da Europa. Acho que tinha tudo para funcionar, temos o problema da língua, mas havia-se de resolver.
Gunnerz
Pelo contrário, não tem nada para funcionar ahaha
Abbas
Os três grandes com receitas de liga espanhola e a longo prazo podiam-se aproximar de Real e Barça.
Potter
Em relação aos exemplos que dás seria muito mais difícil implementar algo deste género.
Desde logo pelo problema da moeda, da circulação, distâncias a percorrer. E depois por questões de identidade nacional (então nos países da antiga Jugoslávia só um loco tentaria uma coisa destas).
Se o futebol pode ser usado para superar essas diferenças e potenciar uma vida em paz entre nações? Concordo. Se deve ser este o rumo a ser seguido? Discordo totalmente.
O caso apresentado tem de fato muitas vantagens para ser implementado. Há a questão da localização geográfica, da língua, boas acessibilidades e livre circulação entre os dois países, possuem ambos a mesma moeda e devem ter também, penso, um poder de compra similar.
Mas em relação ao futebol penso que não seria nada agradável. O que vão sentir os adeptos dos clubes mais pequenos que atualmente disputam a primeira divisão de cada país?
Será que um adepto holandês vai ter interesse em ver um jogo entre duas equipas belgas? E vice-versa?
Vai levar mais adeptos ao estádio, sabendo que terão que fazer deslocações maiores?
Ao contrário do que o autor do texto afirma (e dá como garantido, sem ter dados que sustentem a tese), não sei se iria trazer benefícios, ou se estes superariam em larga medida os prejuízos que também viriam com esta fusão.
E quanto ao sucesso nas competições internacionais não creio que se possa explicar pela menor qualidade de ambos os campeonatos ou pela pouca atratividade dos mesmos (em direitos televisivos). Acho que na equação entra também a tradição que outros desportos têm no país, por exemplo.
Por fim, digo apenas que me faz confusão esta mania de se quererem superiorizar ou comparar a outras nações e construírem superpotências no que quer que seja. Em muitos casos os países são desde logo muito diferentes entre si, pelo que nem são comparáveis. Porque não desejar apenas ser melhor? Individualmente e com uma preocupação genuína com os habitantes de cada nação?
JoaoMiguel96
Uma liga da Jugoslávia podia dar tão mau resultado a nível social. Já estou a imaginar o Partizan ou o Estrela Vermelha a irem jogar à Albânia.
Mas de resto, concordo totalmente.
M'difh
No Basket existe a Liga do Adriático, com quase todos os países do antigo bloco jugoslavo. Essa história das guerras balcânicas já foi à muito ultrapassada noutros desportos, por isso seria totalmente exequível no futebol.
Sporting1906
Quase todas essas potenciais ligas são impraticáveis devido aos problemas entre os países envolvidos. A liga escandinava ou uma liga de Suíça e Austria talvez sejam possíveis mas ligas juntando os países da ex-Jugoslávia ou a Rússia e a Ucrânia são completamente impossíveis de acontecer, pelo menos a curto ou médio prazo. E transformar a União Europeia num só país também é algo que se acontecer só vai ser daqui a muito tempo, a maioria dos países europeus têm identidades nacionais muito fortes.
isac
Eu vejo o Benfica e o Porto com potencial para lutar pelo título a médio prazo, especialmente o Benfica. Quem sabe até o Sporting se financeiramente as coisas mudarem (até em termos de investimento estrangeiro as equipas se tornariam mais apetecíveis).
O que os limita hoje em dia é mesmo estarem no campeonato português, um campeonato pequeno com menos receitas e menos atractivo para os bons jogadores europeus, vemos que os grandes jogadores da formação dos 3 grandes têm o objetivo de saltar para as melhores ligas e que os melhores não querem vir para um campeonato periférico, com uma boa estrutura financeira acredito que pelo menos o Benfica e o Porto poderiam ser consistentemente top-6, indo às competições europeias, e de vez em quando ser campeões.
Eu preferia ver as equipas portuguesas a competir a este nível e a lutar para ir à champions e de vez em quando arriscar-se a ser campeões do que a lutar para ser campeões em Portugal com mais 2 ou 3 equipas (com boa vontade).
Tiago Silva
Concordo com tudo deste artigo, parabéns! Um projeto interessantíssimo que tem tudo para explodir e abanar o mundo do futebol com mais um grande campeonato. As razões foram já todas explicadas, mas o que garante ainda mais sucesso neste projeto são as semelhanças que a Bélgica e os Países Baixos têm, mesmo em termos futebolísticos, ambos fazem da formação o seu maior trunfo e ambos vêem o futebol de maneira parecida e com valores parecidos, apesar de o estilo belga ser um pouco mais físico que o holandês que é mais técnico a meu ver.
Quem não quer acompanhar um campeonato em conjunto com Ajax, PSV, AZ, Feyernoord, Anderlecht, Genk, Gent, Standard, Brugge, Twente, Vitesse… iria aumentar bastante o nível dos campeonatos e ao mesmo tempo torná-los mais competitivos, não só no principal escalão como em possíveis escalões secundários. Já agora Ricardo Lopes sabes como seriam escolhidas as equipas para a primeira edição? E os escalões secundários como é que seriam feitos?
Ricardo Lopes
O projeto está ainda numa fase inicial, falta ser aprovado pela parte holandesa. O campeonato deverá ter 18 equipas, com 9 de cada país (as melhores classificadas do ano anterior do surgimento da BeNeLiga). Em relação aos escalões secundários, penso que ainda não foi decidido, mas a meu ver o ideal seria uma divisão entre dois grupos, de modo a que nenhuma das nações fique com o o “monopólio” das subidas e com um número maior de vagas que o outro.
flanker
Concordo que no caso da Holanda e Bélgica resulte. São países muito similares e com uma história recente em comum.
Aliás, uma das coisas que falta a União Europeia se tornar nuns Estados Unidos da Europa é a questão da língua (algo que em 3/4 gerações podia ser apenas um idioma – basta ver os nossos emigrantes onde os filhos já falam a língua local) e as questões históricas, são países com uma história rica onde não vão querer deitar isso a perder.
Quanto ao futebol, ficava engraçado uma Taça Ibérica. Onde jogavam os campeões das duas ligas num único jogo em campo neutro ou uma espécie de final four onde jogavam os dois campeões e os dois vencedores das taças de Portugal e de El-Rei. Caso os vencedores das Taças fossem os mesmos dos campeonatos, ai jogava os segundos classificados.
Kafka
Mesmo a questão da língua, com as novas gerações acho que é facilmente uktrpassavel, pois as actuais gerações de 30/35 anos para baixo já a grande maioria de todos nós falamos inglês fluentemente
Portanto o Inglês passava a ser a língua principal dos Estados Unidos Europa e a língua nativa de cada estado ficaríamos como 2a língua…
Acredito que Dentro de 30 anos para aí 95% da população da União Europeia vai saber falar inglês fluentemente
flanker
Exato. O inglês é fácil de aprender e é a língua universal. Se quiserem impor, em duas gerações falávamos todos inglês.
Mantorras
Isso estaria condenado a nascenca, o futuro da UE deveria passar por reduzir o numero de paises e formarem unioes mais pequenas, em que a) a lingua nao e tanto problema e b) a economia dos paises pode de facto ter “algo de comum”. Se juntarem a isso a livre circulacao de pessoas (bens nao tenho tanta certeza) entre as diversas unioes, ate poderia eventualmente resultar. Uma uniao “mais e maior” acho que estaria condenada a ser fantochada e falhar.
MiguelCosta
O texto está muito bom. No entanto, há uma coisa que eu ainda não percebi. Esta BeNeLiga é para todas as equipas da 1º divisão belga e holandesa? Suponho que não, porque senão eram imensas equipas. Posto isto, o que acontece, por exemplo, a equipas do meio da tabela? Vão criar uma liga com as equipas de “topo” e vão deixar as menos fortes a competir na liga “antiga”? Se for isso, é uma estupidez, na minha opinião.
Se por acaso a BeNeLiga tiver as 18 equipas da Bélgica e as 18 equipas da Holanda, até acho engraçado. Como tenho imensas dúvidas que se juntem 36 equipas (a não ser que se faça como no desporto americano, onde se divide em 2 grupos por localização), não gosto. Se for para pegar nas melhores equipas e juntá-las numa liga e esquecer as outras, então é só mais um passo na direção da SuperLiga Europeia e espero sinceramente que mais nenhum país se lembre disto (começou se a falar do México-EUA, mas pelo que li os americanos não acham piada).
Posto isto, espero sinceramente que a BeNeLiga englobe todas as equipas e não apenas as principais. Assim sim faria sentido e com certeza eu passaria a ver mais jogos.
Ricardo Lopes
O projeto somente foi aprovado pelos clubes belgas. Foram vinte e cinco que disseram sim a esta medida. Falta os holandeses aceitarem. Acredito que seja uma liga de 18 clubes, com 9 de cada país, porém a ideia de se fazer um campeonato estilo americano parece bastante inovadora e poderia ser testada!
MiguelCosta
Bem, para os clubes belgas já terem aprovado então é porque com certeza lhes devem ter garantido algum tipo de vantagens/benefícios, incluindo às equipas menos fortes, mas mesmo assim continuo sem achar muita piada em remeterem para uma 2º divisão equipas que estão numa 1º. Pode ser uma coisa que custe a habituar mas pronto não acho muita piada. Se fosse um campeonato estilo americano, aí sim ia gostar de ver.
Kafka
As equipas de meio da tabela iriam para uma 2a divisão, 3a divisão e assim sucessivamente…. Não vejo problema nenhum nenhum nisso…. Reformulava-se e juntava-se todas as divisões dos 2 países
MiguelCosta
Certo. Já tinha pensado nessa hipótese mas nem me lembrei na altura que escrevi o comentário.
No entanto, continuo a não achar grande piada em haverem equipas que estão na 1º divisão passarem para uma 2º divisão. Bem sei que todas as equipas belgas aceitaram, e por isso deve haver alguma coisa melhor com esta liga do que como está atualmente, mas enquanto adepto ainda não estou muito otimista. Se calhar daqui a 5 anos já deixei de estranhar, veremos.
Eu não fui confirmar nada, vou só “falar” assim de cabeça, mas suponho que algumas deslocações dentro da BeNeLiga sejam relativamente grandes e isso é capaz de vir a reduzir um bocado as assistências das equipas que jogam fora. Confesso que não fui ver o que diziam os adeptos belgas sobre isto, mas é uma coisa que complica para quem gosta dos jogos fora.
SCP99
A BeNeLiga vai apertar forte e feio a liga portuguesa, acho mesmo que vamos baixar um lugar no ranking em definitivo. Quanto à possibilidade disto acontecer com uma liga báltica, não existe! Esses países estão numa espécie de cessar fogo por questões económicas e políticas. Aquilo é tudo menos paz, não se podem ver uns à frente dos outros. Podia ser engraçado talvez com a República Checa e a Áustria, o nível do futebol austríaco é um pouco superior mas acredito que desse para ultrapassar isso. A Escócia com a Irlanda e o País de Gales (deixando só a Inglaterra de fora) não seria de descartar, seria preciso convencer o Swansea mas agora que já não estão na Premier deve ser mais fácil. Portugal não tem com quem fazer este tipo de parcerias visto que a nossa única fronteira é com Espanha e a diferença de nível inviabiliza logo. A La Liga ganha 0 com a nossa entrada e nós passaríamos a ser clubes de meio da tabela, sendo que a maioria até seria despromovido.
Jan the Man
Creio que estás a confundir os países do Báltico com os países dos Balcãs. Estónia, Letónia e Lituânia têm culturas bastante semelhantes e após o desmantelamento da antiga URSS têm vários acordos assinados com o intuito de se desenvolverem e cortarem o máximo de influência russa nos seus estados (razão pela qual também conseguiram integrar a União Europeia).
SCP99
Sim erro meu, estava a pensar nas Balcãs. Os nomes são parecidos e às vezes confundo.
M'difh
No Basket existe a Liga do Adriático, com quase todos os países do antigo bloco jugoslavo. Essa história das guerras balcânicas já foi à muito ultrapassada noutros desportos, por isso seria totalmente exequível no futebol.
Goncalo Silva
Se eventualmente se criasse uma Beneliga, esta muito facilmente ultrapassaria a liga portuguesa nos próximos 10 anos. Outra ideia interessante e que de facto está a ser estudada é juntar a MLS com a liga MX (México). Já existem algumas equipas do Canadá na MLS mas seria fantástico juntar clubes como o Tigres, América, Guadalajara, Monterrey ou Pachuca. No entanto aqui acho mais difícil devido às diferenças muito grandes nos formatos de ambos os campeonatos.
Jan the Man
Excelente artigo, os meus parabéns. Assim que comecei a ler dei por mim a imaginar um projecto destes em Portugal ou noutras partes da Europa, e concordo inteiramente com análise. Para além de uma Liga Báltica, talvez uma liga Escandinava pudesse ser possível, se bem que estes países têm uma dimensão totalmente diferente.
Quanto à BeNeLiga, tem realmente tudo para ser um projecto aliciante do ponto de vista financeiro e contribuir para o desenvolvimento do futebol nesta zona, no entanto não acredito que isso se traduza numa evolução tão notável do ponto de vista desportivo (pelo menos a curto/médio prazo) , a ponto de ombrear com as melhores ligas europeias.
Mesmo vendo a competitividade interna a aumentar, prevejo que a liga continue a ser dominada por Ajax e PSV, com maior ou menor dificuldade – as equipas grandes belgas são notoriamente inferiores.
Talvez a nível europeu poderemos ver equipas do meio da tabela a pontuar de forma mais regular, fazendo com que a liga se possa intrometer na luta entre a liga portuguesa e a francesa.
Kacal
O Club Brugge bem precisa disto porque tem vencido fácil a Liga Belga e juntando Ajax e PSV seria uma luta interessante pelo titulo. Além disso haveria mais clubes de qualidade a disputar o titulo juntando os melhores holandeses com os belgas.
BrunoAlves16
Nos ultimos 6 anos venceram três vezes e sempre de forma intercalada (Gent, Genk e Anderlecht também venceram) e antes disso não venciam desde 2005, não há um dominio dessa. Agora claramente que na actualidade são a melhor equipa , sem dúvida.
Kacal
Tens a tua razão Bruno, mas eu não referi que era uma hegemonia, mas sim que têm vencido fácil. Na época passada foram campeões com 15 pontos de vantagem e nesta estão em 1º já com 16 pontos de vantagem. Isto parece-me um domínio ao vencer fácil. Mesmo nos últimos 6 anos venceram 4 em 6 portanto diria que são a melhor equipa e têm dominado.
BrunoAlves16
Eu compreendi, quis salientar no entanto que não se trata de um domínio como o do Salzburg na Áustria por exemplo ou como foram os do Olympiacos ou Rosenborg noutros tempos. Agora duas épocas seguidas com vantagens de 15 pontos para cima indiciam uma clara superioridade, numa liga que até costuma ter competitividade interna.
Kacal
Sim nisso estamos totalmente de acordo. Mas o Club Brugge terá outra concorrência com Ajax e PSV, seria interessante de ver.
AndreCruz
E se Portugal se juntasse à BeNeLiga? Uma PoBeNeLiga? 18 equipas na Primeira Liga – 6 de cada país. São países de um mesmo nível de futebol, onde os grandes portugueses conseguiriam continuar a lutar por títulos, com todas as vantagens escritas acima pelo Ricardo Lopes.
Peter S
Junções deste tipo seriam benéficas em muitos sítios, mas acho que só a BeNeLiga (talvez na Escandinávia também dê) tem condições para avançar. Holanda e Bélgica são países de gente pragmática e não têm feridas de conflitos anteriores por sarar (como Rússia e Ucrânia ou os integrantes da antiga Jugoslávia). Quem dera a Portugal ter ao lado um país de dimensão futebolística semelhante.
A Liga Ibérica seria irrelevante para os clubes espanhóis em relação aos seus actuais “homólogos” em Portugal, o que significa que quem luta pelo título em PT deixaria de lá chegar (só uma vez de vez em quando) e quem luta para não descer estaria condenado. É por isso que não me parece que avance.
DYI
A BeNeLiga é terrível para a liga Portuguesa. Com uma população combinada de 30 milhões de habitantes e formações que produzem jogadores de qualidade creio que não teriam problema nenhum em assumir pelo menos o quinto lugar do Ranking. A liga Francesa sempre esteve algo distante das outras 4 estando inclusive mais perto de ser ultrapassada por Portugal do que de chegar à quarta posição.
As equipas desta nova liga teriam um poderio financeiro muito superior ao atual e certamente superior aos 3 grandes portugueses. Creio que com a criação desta liga, mais tarde ou mais cedo Portugal voltaria à sétima posição do ranking prejudicando ainda mais a nossa Liga.
Quanto a uma liga Ibérica. O Benfica sobretudo seria quem mais iria beneficiar. Com um dos maiores Estádios na península Ibérica e uma das maiores massas adeptas não teria problemas em competir com qualquer equipa da La Liga fora os gigantes. O Sporting e o Porto que também têm uma dimensão grande a comparar com a maior parte dos clubes da La Liga demorariam mais tempo a adaptar se. Já o Braga e o Vitória é difícil prever. Creio que o Vitória tem todas as condições e obrigação de ser muito melhor do que é. Nenhuma outra equipa em Portugal, fora os 3 grandes, tem uma massa adepta tão vasta e tão apaixonada pelo clube. Uma liga Ibérica seria assumir que no máximo 5/6 equipas portuguesas estariam de início na primeira divisão e muito dificilmente veríamos uma a ser campeã.
Penso eu que por azar da nossa geografia (entre outros fatores) a liga Portuguesa e as equipas portuguesas nunca mais terão potencial para serem verdadeiras potências europeias.
Santander
Parabéns pelo artigo, bem escrito e claro e que traz um bom tópico para discussão!
A minha posição sobre isto é clara, sou contra.. Não se pode ser a favor disto e depois ser contra uma Superliga Europeia… Um dos problemas da globalização tem sido a continua perda de identidade dos povos.. Cada país é um país e tem a sua própria identidade.. Não faz sentido andarmos a criar junções porque isso só viria desvirtuar ainda mais o futebol que neste momento já chegou a um cúmulo de negócio nunca antes visto.. Concordo com a parte de que é difícil para os clubes manterem os seus jogadores.. mas isso também o é para muitas equipas desses campeonatos.. É a lei da vida onde os mais fortes serão sempre mais apelativos..
No caso português, e como já tive oportunidade de expor noutro post, penso que existe muito caminho a ser feito em nome de um campeonato mais forte e que não passa necessariamente por juntar duas ligas.. Há trabalho a ser feito pela liga, mas também há trabalho, e muito, a ser feito pelos clubes mais pequenos… Já para não falar das diferenças económicas existentes em diferentes países que muitas vezes podem conferir vantagens difíceis de contornar.. Percebo a ideia mas sinceramente não a vejo como solução e penso que mesmo esta junção não irá sequer aproximar esta suposta liga da ligue1 quanto mais das restantes ligas europeias.. Mas lá está é uma mera opinião
AntMac
Concordo com muitas coisas que foram escritas, mas, com todo respeito, permite-me partilhar um pouco do outro lado da moeda.
Primeiro, não falta apenas a aprovação dos holandeses. Depois é preciso convencer a UEFA que foi relutante a ligas transfronteiriças no passado (ex.: Superliga Europeia e Liga Atlântica). Em 2010, o Platini já disse que aceitaria uma liga dos Balcãs, mas depois o presidente da liga do Montenegro desistiu porque percebeu que não iria realmente ver luz verde. Mais tarde, em 2013, um conselheiro do presidente da UEFA admitiu que poderiam ser autorizadas ligas transfronteiriças em casos onde esta fosse essencial para garantir a sobrevivência dos clubes. Ora o que eles consideram “sobrevivência dos clubes” é que não é claro. Verdade é que uma BeNeLiga já existiu no futebol feminino mas só durou 3 anos.
Economicamente, uma união não seria imperativamente “muito positiva para todos”. Até seria provavelmente positiva apenas para os maiores clubes. Os campeonatos nacionais (supondo que passariam a segundas divisões) perderiam visibilidade e todos os clubes que não passassem à BeNeLiga perderiam com isso.
Mesmo para os maiores clubes seria preciso confirmar o impacto económico positivo. Aumentar a competitividade também significa ter menor probabilidade de conquistar títulos e para certos clubes isso pode ser prejudicial. Por exemplo, o PSV, em vez de lutar pelo título, poderia passar a lutar pelo acesso à Champions League. Isso pode ter consequências negativas para o clube em termos de atratividade para os adeptos e patrocínios (pequeno aparte: essa é, para mim, a principal razão pela qual desconfio que um dia seja possível emergir uma Superliga Europeia).
Finalmente, em relação a “novos clássicos e rivalidades”, é preciso não esquecer que se perderiam velhos clássicos e rivalidades porque nem todas as equipas passariam para a BeNeLiga. Não estou a par das rivalidades desses países, mas certamente terão um Porto VS Boavista.
Kafka
Mas essa filosofia de “talvez não seja bom para os pequenos” é estar sempre a querer nivelar as coisas por baixo
O PSV só teria a ganhar em estar numa liga mais competitiva e com mais receitas, tanto o PSV como qualquer outro clube
Porque é que temos sempre de nivelar por baixo em vez de nivelarmos por cima?
AntMac
Não é questão de nivelar por baixo. Eu dei nuance a um texto em que concordo com muita coisa.
Primeiro, disse que a BeNeLiga não será imperativamente muito positiva para todos. E é verdade.
Depois, falei no cenário em que estaria a gerir um clube e teria que decidir o que é melhor para o meu clube. Não o que é melhor para a liga e, muito menos, o futebol em geral. Os clubes são empresas e é preciso ter consciência disso. Portanto, o PSV (é só um exemplo) pode encontrar razões económicas para não aderir a uma BeNeLiga.
Acrescento (apesar de desviar um pouco do assunto) que se for para nivelar por cima como dizes, a divisão da liga não deveria ser metade belgas e metade holandeses. Seriam os melhores e acabou. Nesse cenário, queria ver se tantos clubes belgas aceitavam. Sentiriam a mesma comichão que um português sentiria se lhe dissessem que seria criada uma liga ibérica só com com 4 ou 5 clubes de Portugal.
BrunoAlves16
Parece-me uma boa medida para as ligas dos países em causa. Ligas que hoje em dia estão numa segunda linha europeia mas com clubes históricos e até titulados no velho continente (Ajax, Feyenoord, PSV Andelecht e Brugges). Conseguiriam sem dúvida outros proveitos e também quase de certeza desportivos, como já foi referido iria ultrapassar a Liga portuguesa provavelmente.
Quanto a ser replicado noutras regiões, vejo como mais provável a Escandinávia e o Reino Unido com excepção da Inglaterra, pela dimensão social e futebolística similar dos países que a compõe. No caso dos paises da ex-Jugoslvia e ex URSS acho bastante improvável por questões acima de tudo étnico/políticas.
Quanto ao caso português acho muito complicado. Geograficamente só seria possível uma eventual liga ibérica e a Liga espanhola é em todos os aspectos muito superior à nossa. Conseguiriamos no máximo colocar 3/4 clubes à semelhança do que aconteceu com o campeonato alemão aquando da unificação alemã em que no campeonato reunificado ficaram 16 clubes da Alemanha Ocidental e apenas 2 da Alemanha oriental, pois a discrepância (desportiva e claro sócio-econômica) era imensa.
M'difh
No Basket existe a Liga do Adriático, com quase todos os países do antigo bloco jugoslavo. Essa história das guerras balcânicas já foi à muito ultrapassada noutros desportos, por isso seria totalmente exequível no futebol.
isac
Acho que seria excelente haver uma liga Ibérica para as equipas portuguesas, iamos estar integrados numa liga com muito mais dinheiro e as equipas grandes iam finalmente ter capacidade de se tornar grandes na europa.
Vejo umas 5/6 equipas portuguesas na 1ª liga, com os 3 grandes a lutar pelas competições europeias e com o tempo o Benfica e o Porto a lutar pelo título.
Mesmo algumas equipas como um Marítimo ou um Paços de Ferreira eram capazes de fazer mais dinheiro e ser mais sustentáveis numa 2ª liga ibérica.
Marcio Ricardo
A Bélgica e a Holanda são países homogêneos. O Luxemburgo por ter futebol amador, tbm teria a ganhar em se juntar a uma liga destas.
Já Portugal e Espanha a coisa fica diferente. Há muita discrepância. Se estão dispostos a ver o vosso clube, falo dos adeptos dos 3 grandes, a deixar de ganhar títulos, vão em frente. Se alguém acha que Porto e Benfica podem bater de frente com Barça e Real, bom, vcs são muito inocentes… Vão bater de frente com Atléticos e Sevilhas… Achei piada tbm a quem disse que outros clubes portugueses além dos 3 grandes iriam lutar para ir às competições europeias ahahah A noção passa longe. Imagina um campeonato assim;
1 Barça
2 Real
3 Atlético
4 Benfica
5 Paços de Ferreira
6 Porto
7 Sevilha
8 Valência
9 Sporting
10 Villareal
11 Braga
…
É preciso ser muito alienado mesmo.
isac
Porque é que o Benfica não poderia lutar título em Espanha? O que é que por exemplo um Atlético de Madrid tem que o Benfica não teria numa liga ibérica?
Flavio Trindade
O texto é óptimo e pertinente, mas no entanto a ideia por si só é aberrante.
Se por um lado até é giro imaginar as fusões para ver jogo A ou jogo B, por outro só há um critério para isto acontecer ou sequer idealizar-se semelhante.
O critério económico.
Que diga-se em bom da verdade, tem estragado por completo o jogo nos últimos 20 anos.
E nessa perspectiva lógico que é tentador para belgas e holandeses.
Melhores jogos, mais dinheiro, logo melhores jogadores.
Mas tal como o Santander disse acima e o qual subscrevo inteiramente, é impossível defender uma Beneliga ou uma Liga Ibérica e estar contra a Superliga Europeia porque o principio base é o mesmo.
Apenas e só dinheiro.
No nosso caso em particular, penso que os grandes e até o Braga iriam adorar a ideia não porque fossem ganhar alguma coisa em titulos mas porque ficariam salvaguardadas as contas bancárias dos clubes tugas e as negociatas dos nossos dirigentes para a posteridade, com a inserção num mercado maior.