Com início no próximo dia 11 e estendendo-se até dia 29, está de regresso o Campeonato do Mundo de Andebol IHF, que se irá realizar na Suécia e na Polónia, pela segunda vez com a presença de 32 seleções. A Dinamarca irá defender o seu Bicampeonato (2019 e 2021), ao passo que a Seleção Nacional irá marcar presença pela segunda vez consecutiva, quinta no total depois das presenças em 1997, 2001, 2003 (em casa) e 2021.
O formato desta prova consiste, contrariamente de torneios análogos de outras modalidades, numa primeira fase de grupos (ronda preliminar) de 4 equipas, em que são apuradas as 3 primeiras de cada grupo, dando acesso à segunda fase de grupos (ronda principal), em que se juntam as 3 apuradas de 2 grupos emparelhados, e onde, para além de cada seleção defrontar as 3 equipas apuradas do grupo emparelhado, os resultados que fez com as 2 com quem passou do seu grupo já são contabilizados para a classificação final da segunda fase de grupos, onde as 2 primeiras desse supergrupo de 6 se apuram para os quartos de final. A partir daí, as 8 melhores jogarão sempre até ao último dia, com jogos de consolação para os derrotados quer dos quartos de final, quer o já habitual jogo do terceiro e quarto lugares entre os derrotados das meias finais.
A Seleção Nacional portuguesa está inserida no grupo D, com sede na Suécia (Kristianstad), juntamente com Hungria (treinada pelo treinador do SL Benfica Chema Rodríguez), Islândia e Coreia do Sul (cujo timoneiro é Rolando Freitas, antigo selecionador nacional). Os Heróis do Mar, que contam com uma excelente geração, com um misto de experiência – Pedro Portela, Antónia Areia, Fábio Magalhães – e juventude – irmãos Costa, Diogo Silva, Gustavo Capdeville, Luís Frade – , onde a baliza eventualmente será a maior pecha, principalmente após o falecimento do malogrado Quintana, irão tentar superar o melhor resultado de sempre em Mundiais (10.º lugar, em 2021), dando continuidade à fantástica evolução recente do andebol nacional nos últimos 5-6 anos, com resultados já demonstrados – campanha da seleção no Euro 2020 (6.º lugar), prestações do FC Porto, Sporting e Benfica nas provas europeias, nomeadamente EHF Champions League e conquista da EHF European League por parte dos encarnados e o recente vice-campeonato europeu de sub-20 (em Portugal).
Figura: André Gomes (Lateral-esquerdo, 25 anos, MT Melsungen, Alemanha) – O antigo jogador do FC Porto, que conseguiu uma transferência para a melhor liga do mundo da modalidade, é dono de uma capacidade de remate e de elevação tremendos, sendo baste agressivo nos duelos e uma autêntica dor de cabeça quando está endiabrado.
Jogadores em destaque: Rui Silva (Central, 29 anos, FC Porto) – O capitão da seleção nacional chega a este Mundial em boa forma, no auge da sua carreira, sendo um excelente distribuidor e rematador de primeira linha; Miguel Martins (Central, 25 anos, Pick Szeged, Hungria) – Dotado de uma vasta gama de recursos técnicos, o central formado nos dragões, atualmente na Hungria, pode “inventar” um remate ou passe praticamente de qualquer zona da primeira linha, podendo também atuar a lateral; Victor Iturriza (Pivô, 32 anos, FC Porto) – O luso-cubano tem estado em destaque no FC Porto nas últimas épocas, dono de uma estampa física impressionante, é sinónimo de golos e muito trabalho defensivo na posição de pivô; Alexis Borges (Pivô, 31 anos, SL Benfica) – O pivô dos encarnados teve um grande impacto na primeira época ao serviço do clube da Luz, foi determinante para o elevar de nível do Benfica, tendo sido figura na conquista de EHF European League. Um dos indispensáveis para Paulo Pereira.
Jovem a seguir: Francisco Costa (Lateral-direito, 17 anos, Sporting CP) – ‘Kiko’ não engana, tem tudo para ser um caso sério no andebol nacional e mundial, correndo o “risco” de nos próximos torneios ir subindo a “escadinha” dos parágrafos anteriores. Um prolífico goleador, serpenteia de forma incrível pelas defesas contrárias, assumindo o jogo como se já tivesse 25 anos, mostrando uma calma e classe tremendas na marcação de livres de 7 metros.
Portugal quererá consolidar-se como uma seleção habitué em grandes competições e como uma das seleções “de segunda linha” logo a seguir aos candidatos, que pode contestar o jogo com qualquer seleção. Para isso obviamente terá de haver uma maturação ao nível da cultura de vitória, uma vez que até há bem pouco tempo tínhamos pouca tradição internacional na modalidade, ainda há um caminho a percorrer até haver uma confiança de vitória “estilo seleção de futsal”, e também ter vários recursos táticos e estratégicos mediante adversários e jogadores que estão em quadra (não depender tanto do 7×6).
Convocados de Paulo Jorge Pereira: Guarda-redes: Gustavo Capdeville (Benfica), Manuel Gaspar (HBC Nantes, França) e Miguel Espinha (Rennes, França); Centrais: Miguel Martins (Pick Szeged, Hungria) e Rui Silva (FC Porto); Laterais: André Gomes (MT Melsungen, Alemanha), Alexandre Cavalcanti (HBC Nantes, França), Fábio Magalhães (FC Porto), Martim Costa (Sporting), Diogo Silva (PAUC Handball, França) e Francisco Costa (Sporting); Pontas: Diogo Branquinho (FC Porto), Leonel Fernandes (FC Porto), António Areia (FC Porto) e Pedro Portela (HBC Nantes, França); Pivôs: Alexis Borges (Benfica), Luís Frade (FC Barcelona, Espanha) e Victor Iturriza (FC Porto).
Principais candidatos:
Dinamarca – Os nórdicos são bi-campeões em título, tendo perdido a final olímpica em Tóquio frente à França, tentarão fazer o tri, que seria também o terceiro na sua história, aos quais se juntam dois Europeus e um Ouro Olímpico. Com jogadores de alta craveira como Mikkel Hansen, Niklas Landin (guarda-redes que já foi eleito melhor jogador do Mundo), Møllgaard e o jovem Gidsel, serão os principais favoritos à (re)conquista do título.
Figura: Mikkel Hansen (Lateral-esquerdo, 34 anos, Aalborg, Dinamarca)
França – Os Franceses são a seleção mais titulada da história do Andebol (6 Mundiais, 3 Europeus e 3 Ouros Olímpicos, entre os quais o mais recente, em Tóquio) e contam com um elenco de luxo – o esquerdino Dika Mem, o pivô Ludovic Fabregas e o lateral Melvin Richardson (todos do Barça), os veteranos irmãos Karabatic (PSG), entre outros, sendo cronicamente candidatos ao título.
Figura: Dika Mem (Lateral-direito, 24 anos, FC Barcelona, Espanha)
Espanha – Os espanhóis, como é apanágio no desporto do país vizinho, são sempre altamente competitivos nos principais desportos e no andebol não são exceção, contanto com um elenco experiente e de qualidade – Pérez de Vargas, guarda-redes e capitão do Barcelona, foi eleito o melhor keeper da Champions transata, sendo soberbo entre os postes, os irmãos Alex e Daniel Dujshebayev (filhos da antiga lenda Talant, de origem quirguiz) prometem muitos golos, a que se juntam os experientes Cañellas, Guardiola e Maqueda, sendo que são um sério candidato a conseguirem o seu terceiro Mundial, que foge desde 2013.
Figura: Gonzalo Pérez de Vargas (Guarda-redes, 32 anos, FC Barcelona, Espanha)
Suécia – Campeões europeus em título e co-anfitriões deste certame, os suecos serão um sério candidato a recuperar um título que foge desde 1999, contando nas suas fileiras com o extraordinário guarda-redes Andreas Palicka, figura do último europeu, e com nomes como Hampus Wanne, Gottfridsson, Peterson e Ekberg, tendo o coletivo tipicamente nórdico e possante como argumento para vencer o seu quinto Mundial.
Figura: Hampus Wanne (Ponta-esquerda, 29 anos, FC Barcelona, Espanha)
Noruega – Talvez o candidato menos favorito, mas sempre para ser tido em conta, os Noruegueses apostam num jogo tipicamente nórdico, muito forte nos duelos, jogo muito rápido e intenso contando como figura com uma autêntica fábrica de golos, Sandor Sagosen – aos 27 anos, o jogador do Kiel já leva uns impressionantes 702 (!) golos na seleção, sendo dono de um potentíssimo remate, prometendo tentar levar os vikings, coadjuvado por O’Sullivan ou Bjørnsen, ao primeiro título da história do país.
Figura: Sandor Sagosen (Central, 27 anos, Kiel, Alemanha)
Grupos:
A: Espanha, Montenegro, Chile, Irão
B: Polónia (co-anfitirião), França, Arábia Saudita, Eslovénia
C: Suécia (co-anfitrião), Brasil, Cabo Verde, Uruguai
D: Portugal, Islândia, Hungria, Coreia do Sul
E: Alemanha, Qatar, Sérvia, Argélia
F: Noruega, Macedónia do Norte, Argentina, Países Baixos
G: Egito, Croácia, Marrocos, Estados Unidos da América
H: Dinamarca, Bélgica, Barém, Tunísia
Visão do Leitor: Rúben Meireles


2 Comentários
Dario Nunes
Obrigado pelo texto, gostei bastante de ler. Não é uma modalidade que conheça muito, embora de vez em quando quando passa na TV assista e me entretenha, pois é uma modalidade interessante.
Richrad
Para que possamos validar as esperanças de ultrapassar o melhor resultado do último mundial, teremos que obrigatoriamente fazer o pleno frente a Hungria e a Coreia do Sul.
É uma modalidade que em Portugal, para além da realidade atual, tem uma potencialidade em paralelo ao objetivo de coorganizarmos uma competição de elite com a Espanha. E essa potencialidade tem que ser mais explorada e mais vigorada nas escolas, na focalização da disciplina da modalidade em zonas específicas no pais.
Existem torneios de andebol pelo país fora que tornam o futebol como desporto secundário em que centenas de atletas respiram e praticam uma modalidade sem trazer consigo as tais polémicas que normalmente habituamo-nos em discutir sobre o desporto rei. E isso tem que ser de alguma forma alavancado para uma sociedade que com tantas condições para a prática de várias modalidades ( temos um rácio de instalações desportivas paradas e com utilização limitada estúpida) mas que apenas se focam na venda de sonhos para futuros bolas de ouro.
Toda a sorte do mundo para os herois do mar. O grupo atual como o Rúben frisa e muito bem, é estupendo com jovens a níveis muito alto – jogadores no seu auge e outros que dispensam apresentações. Estamos bem liderados, não tenho dúvidas que poderão nos dar mais uma boa alegria e habituarem-nos a ver a nossa seleção nestas andanças.
Saudações Desportivas