César Peixoto é o rosto da hecatombe da última eliminatória da Taça de Portugal, em que seis equipas da 1.ª Liga foram abatidas por adversários do terceiro escalão, com muitos jogadores semi-amadores a humilhar os profissionais, como não há registo na história do futebol nacional.
A carreira do ex-treinador do Paços de Ferreira é um currículo de oportunidades perdidas em número superior ao que seria normal, com apenas 21 vitórias em 72 jogos, menos de 30 por cento de sucesso. E diz muito sobre os métodos de recrutamento de técnicos, que circulam entre os clubes por razões que a razão desconhece, numa bolsa de privilégio, com entradas e saídas ditadas pela preferência circunstancial do poder instalado. Pelo meio, alguns como César Peixoto alargam o raio de influência aos ecrãs de televisão, onde se mantém visíveis como “comentadores”, no período de nojo subsequente a cada fracasso no banco de touche – porque os editores de hoje são como os amigos, para as ocasiões, aplicando aos painéis especializados a lógica de recrutamento dos ”reality shows” dos “famosos”.
Este vaivém entre fracassos sucessivos é um circuito cristalino e escrutinável, feito à frente de todos, relatado pelos media e, no entanto, muito difícil de entender. Em particular pelos que, distantes desta zona de proteção, se esfalfam no dia a dia à espreita de uma oportunidade que nunca aparece, apenas por questões de imagem ou carisma e sem relação direta com as competências demonstradas e provas vencidas. O que obriga os dirigentes a recrutarem treinadores que acumulam derrotas? Qual é o racional deste processo?
Quando tento entender a carreira dos César Peixoto da nossa desilusão, lembro-me de Jaime Pacheco, Toni, Manuel José, Manuel Cajuda, João Alves, Augusto Inácio, Vítor Manuel e de tantas outras reformas antecipadas de treinadores históricos, figuras eternas de um verdadeiro “Hall of Fame” do futebol nacional, que apenas ficaram fora de moda.
João Querido Manha


11 Comentários
Vermelhudo
Falta aí galera como o José Mota.
Aqueles Paços de Ferreira dele eram muito aguerridos.
Pois o texto está muito giro, de facto há razões que a razão desconhece e isso pode deixar maltinha algo confusa.
Mas já me dizia o Lord Ares, Deus da guerra grego, que nestas coisas do combate e da estratégia as coisas não são feitas ao acaso, os verdadeiros objetivos é que poderão estar encondidos do chamado povão.
E é mesmo assim e é assim mesmo, resta ao pessoal estar de olhinho bem aberto e pedir satisfações aos dirigentes.
Gostei também da menção ao Inácio, ele próprio vítima de uma modinha segundo a qual o senhor é um grande nabo. E não é, pois tem no CV muita coisa bem boa e legal.
Mas a vida continua e o futebol para mim só é motivo de gargalhada. A propósito de risada e diversão da boa, perguntei ao Lord Ares se ia dar uma perninha no God of War Ragnarok, que sai em Novembro.
Pois ele fechou-se em copas e fez cara de pau, mas acho que vamos ter ali um participação especial ou uma ida do Kratos à Grécia buscar uma arma, pois o gordinho Thor aparentemente vai partir tudo.
2DedosDeTesta_
Boa tio, ri a bom rir (no bom sentido!) com a mençao do Ares hehehe.
Tchim-tchim!
Vermelhudo
Tchim-tchim!
lipe
Portugal é português, e o futebol que por cá se pratica é do mais português que há. O amigo bem colocado pode ser mais importante que o mérito.
No entanto, sendo um pouco advogado do diabo, o César Peixoto tem 21 vitórias em 72 jogos mas a verdade é que andou a treinar o Varzim, Académica, Chaves, Moreirense e Paços de Ferreira (a época passada em Paços até correu +/- bem, com 7 vitórias em 20 jogos). Se tivesse uma média muito melhor já teria pegado noutros clubes certamente.
Xyeh
21 Vitórias em 72 jogos mas quantos empates? Acho que o número de derrotas vs número de jogos conta mais para equipas pequenas do que o número de vitórias, se tiverem poucas derrotas e muitos empates por norma conseguem safar-se e manter-se na 1ª liga.
João Ribeiro
Muito bem lembrado. E nesse capítulo acredito que o número de derrotas seja até inferior aos 50% em relação ao número de jogos. Por exemplo, o Vasco Seabra deve ter uma percentagem de derrotas bem superior.
Xyeh
Tendo em conta que as equipas por onde o César Peixoto passou jogam para não descer acho que a taxa de derrotas/empates acaba por ser mais importante que a de vitórias, com isto não estou a desculpar o César Peixoto, não acho que vá dar grande treinador.
Hugo
este e o costinha so tiveram tantas oportunidades porque foram jogadores de clubes grandes, o toni nao deve ser incluido nesse lote de treinadores porque ele so treinou o Benfica e nunca teve um projecto em portugal fora do Benfica foi um erro pra carreira dele pq sempre tive a curiosidade de o ver em outros clubes
Citizen_Erased
O Toni nos anos 90 treinou o Bordéus. Apanhou o Zidane antes deste sair para a Juve
Antonio Clismo
O José Mota no final dos treinos fazia churrascos com muita cerveja e ai daquele jogador que se recusasse a ir. Faz parte de uma época de treinadores que privilegiavam o grupo em detrimento da condição física de topo e treino tecnico-táctico.
Hoje em dia para conseguir ter sucesso como treinador é preciso dominar 5 vertentes do jogo:
-Treino Técnico
-Treino Táctico
– Treino Cognitivo/ Motivação
– Gestão de Recursos Humanos
– Comunicação
Já la vai o tempo em que bastava ser bom em 1 ou 2 destes pontos para conseguir ter algum sucesso na Primeira Liga Portuguesa.
Hoje em dia é preciso ser bom nos 5 pontos e mesmo assim não é garantia de nada.
O pior é mesmo um treinador ter que esperar uns 15 anos desde o momento em que começa a tirar os cursos até chegar ao nível UEFA Pro (4º nível) o que é ridículo.
Por exemplo, um jogador inteligentíssimo como o Tarantini, com uma vida inteira ligada ao futebol e já com um ano de experiência como treinador adjunto nem sequer pode assumir equipas da liga3 neste momento… Por este andar só quando tiver 50 anos é que poderá chegar à Primeira Liga sem levantar ondas ou crispações com as entidades dos treinadores que em vez de ajudar só atrapalham…
tiagoagm
Dos piores treinadores de sempre da primeira liga e junto a este o Vasco seabra que é outro que percebo 0 disto.