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César Peixoto e os treinadores da moda

César Peixoto é o rosto da hecatombe da última eliminatória da Taça de Portugal, em que seis equipas da 1.ª Liga foram abatidas por adversários do terceiro escalão, com muitos jogadores semi-amadores a humilhar os profissionais, como não há registo na história do futebol nacional.

A carreira do ex-treinador do Paços de Ferreira é um currículo de oportunidades perdidas em número superior ao que seria normal, com apenas 21 vitórias em 72 jogos, menos de 30 por cento de sucesso. E diz muito sobre os métodos de recrutamento de técnicos, que circulam entre os clubes por razões que a razão desconhece, numa bolsa de privilégio, com entradas e saídas ditadas pela preferência circunstancial do poder instalado. Pelo meio, alguns como César Peixoto alargam o raio de influência aos ecrãs de televisão, onde se mantém visíveis como “comentadores”, no período de nojo subsequente a cada fracasso no banco de touche – porque os editores de hoje são como os amigos, para as ocasiões, aplicando aos painéis especializados a lógica de recrutamento dos ”reality shows” dos “famosos”.

Este vaivém entre fracassos sucessivos é um circuito cristalino e escrutinável, feito à frente de todos, relatado pelos media e, no entanto, muito difícil de entender. Em particular pelos que, distantes desta zona de proteção, se esfalfam no dia a dia à espreita de uma oportunidade que nunca aparece, apenas por questões de imagem ou carisma e sem relação direta com as competências demonstradas e provas vencidas. O que obriga os dirigentes a recrutarem treinadores que acumulam derrotas? Qual é o racional deste processo?

Quando tento entender a carreira dos César Peixoto da nossa desilusão, lembro-me de Jaime Pacheco, Toni, Manuel José, Manuel Cajuda, João Alves, Augusto Inácio, Vítor Manuel e de tantas outras reformas antecipadas de treinadores históricos, figuras eternas de um verdadeiro “Hall of Fame” do futebol nacional, que apenas ficaram fora de moda.

João Querido Manha

11 Comentários

  • tiagoagm
    Posted Outubro 18, 2022 at 12:56 pm

    Dos piores treinadores de sempre da primeira liga e junto a este o Vasco seabra que é outro que percebo 0 disto.

  • Antonio Clismo
    Posted Outubro 17, 2022 at 3:03 pm

    O José Mota no final dos treinos fazia churrascos com muita cerveja e ai daquele jogador que se recusasse a ir. Faz parte de uma época de treinadores que privilegiavam o grupo em detrimento da condição física de topo e treino tecnico-táctico.

    Hoje em dia para conseguir ter sucesso como treinador é preciso dominar 5 vertentes do jogo:

    -Treino Técnico
    -Treino Táctico
    – Treino Cognitivo/ Motivação
    – Gestão de Recursos Humanos
    – Comunicação

    Já la vai o tempo em que bastava ser bom em 1 ou 2 destes pontos para conseguir ter algum sucesso na Primeira Liga Portuguesa.
    Hoje em dia é preciso ser bom nos 5 pontos e mesmo assim não é garantia de nada.

    O pior é mesmo um treinador ter que esperar uns 15 anos desde o momento em que começa a tirar os cursos até chegar ao nível UEFA Pro (4º nível) o que é ridículo.

    Por exemplo, um jogador inteligentíssimo como o Tarantini, com uma vida inteira ligada ao futebol e já com um ano de experiência como treinador adjunto nem sequer pode assumir equipas da liga3 neste momento… Por este andar só quando tiver 50 anos é que poderá chegar à Primeira Liga sem levantar ondas ou crispações com as entidades dos treinadores que em vez de ajudar só atrapalham…

  • Hugo
    Posted Outubro 17, 2022 at 3:03 pm

    este e o costinha so tiveram tantas oportunidades porque foram jogadores de clubes grandes, o toni nao deve ser incluido nesse lote de treinadores porque ele so treinou o Benfica e nunca teve um projecto em portugal fora do Benfica foi um erro pra carreira dele pq sempre tive a curiosidade de o ver em outros clubes

  • Xyeh
    Posted Outubro 17, 2022 at 1:43 pm

    21 Vitórias em 72 jogos mas quantos empates? Acho que o número de derrotas vs número de jogos conta mais para equipas pequenas do que o número de vitórias, se tiverem poucas derrotas e muitos empates por norma conseguem safar-se e manter-se na 1ª liga.

    • João Ribeiro
      Posted Outubro 17, 2022 at 2:25 pm

      Muito bem lembrado. E nesse capítulo acredito que o número de derrotas seja até inferior aos 50% em relação ao número de jogos. Por exemplo, o Vasco Seabra deve ter uma percentagem de derrotas bem superior.

      • Xyeh
        Posted Outubro 17, 2022 at 5:44 pm

        Tendo em conta que as equipas por onde o César Peixoto passou jogam para não descer acho que a taxa de derrotas/empates acaba por ser mais importante que a de vitórias, com isto não estou a desculpar o César Peixoto, não acho que vá dar grande treinador.

  • lipe
    Posted Outubro 17, 2022 at 12:58 pm

    Portugal é português, e o futebol que por cá se pratica é do mais português que há. O amigo bem colocado pode ser mais importante que o mérito.

    No entanto, sendo um pouco advogado do diabo, o César Peixoto tem 21 vitórias em 72 jogos mas a verdade é que andou a treinar o Varzim, Académica, Chaves, Moreirense e Paços de Ferreira (a época passada em Paços até correu +/- bem, com 7 vitórias em 20 jogos). Se tivesse uma média muito melhor já teria pegado noutros clubes certamente.

  • Vermelhudo
    Posted Outubro 17, 2022 at 12:35 pm

    Falta aí galera como o José Mota.
    Aqueles Paços de Ferreira dele eram muito aguerridos.

    Pois o texto está muito giro, de facto há razões que a razão desconhece e isso pode deixar maltinha algo confusa.
    Mas já me dizia o Lord Ares, Deus da guerra grego, que nestas coisas do combate e da estratégia as coisas não são feitas ao acaso, os verdadeiros objetivos é que poderão estar encondidos do chamado povão.

    E é mesmo assim e é assim mesmo, resta ao pessoal estar de olhinho bem aberto e pedir satisfações aos dirigentes.

    Gostei também da menção ao Inácio, ele próprio vítima de uma modinha segundo a qual o senhor é um grande nabo. E não é, pois tem no CV muita coisa bem boa e legal.

    Mas a vida continua e o futebol para mim só é motivo de gargalhada. A propósito de risada e diversão da boa, perguntei ao Lord Ares se ia dar uma perninha no God of War Ragnarok, que sai em Novembro.
    Pois ele fechou-se em copas e fez cara de pau, mas acho que vamos ter ali um participação especial ou uma ida do Kratos à Grécia buscar uma arma, pois o gordinho Thor aparentemente vai partir tudo.

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