O ex-Sporting é tratado injustamente em Inglaterra? Ganhou má fama por refilar com os árbitros e algumas simulações.
Rio Ferdinand saiu em defesa de Bruno Fernandes, no último episódio do seu Podcast ‘Rio Ferdinand Presents FIVE’, argumentando que o português tem sido o jogador mais criativo da Premier League e não merece o criticismo que lhe é dirigido. «Tenho estado aqui, boquiaberto, a pensar ‘Como é que esta gente ousa falar assim?’. Foi o jogador mais criativo do campeonato na época passada e tem-no sido também este ano. Foi o primeiro jogador a criar dez oportunidades de golo para os companheiros de equipa. Desde que chegou ao clube, superou todos os seus companheiros em termos de chances criadas, golos e assistências.», disparou o ex-internacional inglês. «Jogadores como o Bruno Fernandes vão se destacar mais do que os outros no campo por uma razão, porque tomam riscos. Quando corre bem, destaca-se, mas, quando não corre bem, há um grande ‘hurrah’, porque ele é que tem os tomates grandes para o fazer… Sabem quão assustados estão alguns jogadores de arriscar? Sabem o caráter que é preciso para o fazer?», finalizou.


14 Comentários
Dr. Esgaio
Grande comentário do Ferdinand, não diria melhor!
Diogo Leal
Concordo em absoluto com o comentário do Ferdinand. Ainda há uns dias o Kevin De Bruyne elegeu o Bruno Fernandes como o jogador mais criativo da liga (ao canal do clube, penso eu) e teceu-lhe rasgados elogios.
Parece-me que algumas pessoas o diminuem, de certa forma, por ser um “Maestro” com um perfil mais “raçudo” do que o normal para os jogadores da posição dele. Aliás, ele é daqueles jogadores que não saberia jogar mal, fosse a 10, a 8 ou a 6. É uma máquina.
Veridis Quo
Gosto muito do Bruno, defendo-o com regularidade, mas essa do não sabe jogar mal não faz sentido. Para toda a qualidade que tem, o que não faltam são os exemplos dele jogar mal e ter jogos inteiros cheios de maus passes e receções, remates disparatados e decisões erradas. Até pelo estilo de jogo (sempre a arriscar), não é um Modric ou um Xavi. O Bruno tem tendência a de vez em quando ter um jogo em que sai tudo mal, não é, de todo, o tipo de médio que “não sabe jogar mal”. Quando sai mal, inclusive, é bastante feio.
E isto não é obviamente um retrato da qualidade ou impacto dele. Isso é inegável.
henry14
Acho que aquilo que está aqui em questão não é o BF ser mau ou bom jogador mas sim se é um bom capitão. Apesar do VM não referir, estas declarações do Ferdinand são uma resposta às críticas de Micah Richards à liderança de BF.
Tiago Silva
Penso que o Bruno Fernandes é como um Otávio da Premier League, claro que não há dimensão do que era o Otávio por cá porque não é tão protegido. É um craque, mas tem certas atitudes que os adeptos não gostam, principalmente dos adeptos rivais. O Bruno tem que melhorar claramente o seu comportamento, não pode estar a refilar por tudo e por nada isso é muito mal aceite em Inglaterra.
henry14
Talvez ousem falar assim de Bruno Fernandes porque já viram como ele fala para colegas de profissão como Lindelof ou Antony, ou como ele grita com os colegas menos mediáticos quando eles rematam à baliza em vez de passarem a bola ao Exmo. Bruno Fernandes. Deve ter aprendido com o seu ídolo (ou o ex-ídolo) nº1 CR7.
Micah tem razão em tudo o que disse, o que não invalida que Bruno Fernandes continue a ser um grandíssimo jogador. Simplesmente não é o melhor colega que se possa ter. Capitão, então… Vai depender dos resultados, a ganhar talvez se safe mas nas derrotas é que ele vai ser realmente posto À prova.
Veridis Quo
O Bruno tem uma liderança própria. É tóxica? Talvez nesta geração seja e a postura dele não se adeque, mas o que não faltou previamente fora líderes deste tipo um pouco por todo o desporto. O próprio United teve o Roy Keane que não raras vezes gritava e bem com os colegas de equipa por erros em campo. E a grande maioria dos que jogaram com ele referem-se a ele com o melhor capitão que tiveram e um dos jogadores que mais inspiravam a equipa. Talvez seja a geração errada para este tipo de liderança (até os treinadores se adaptam), talvez seja a postura do Bruno que (ao contrário do Keane) parece mais de crítica frustrada do que propriamente de impor padrões.
Em equipas disfuncionais refém de líderes ou personalidades fortes (ou até jogadores piores que ele), acredito que seja capaz de inspirar coisas (como se viu no Sporting em 18/19), mas num balneário com outros de 100M e jogadores que já fizeram tanto ou mais que ele… fica complicado.
Não sou o maior fã dessa postura dele e acho que rapidamente fica tóxica, especialmente num patamar como o do United e numa liga como a Premier League. Especialmente nos dias de hoje. Talvez há 20 anos passasse mais facilmente, não sei.
henry14
Bom comentário Veridis.
Como é habitual.
João
Sem dúvida. Mas sinceramente acho que o problema está mais nos tempos em que vivemos no que propriamente a postura do Bruno. Eu não acompanho o clube e até posso estar a ser injusto mas há muita menina ofendida neste Mundo especialmente no futebol
Mantorras
Nem mais. So malta muito criativa para criticar o rapaz, principalmente da forma que o fazem la… E que usam palavras como patetico, absurdo, inaceitavel… enfim.
Da tudo em campo. E um jogador de equipa. Coloca o colectivo a frente dele proprio, e no entanto, consegue ser de muito longe o melhor jogador do United, seja na performance em campo, seja nos numeros.
rmatos24
O Bruno é aquele jogador da raça, da mística, do dar tudo e chegar ao final do jogo com a camisola ensopada de suor e rasgada dos duelos com os adversários. Nos anos 90, teria o perfil ideal para capitanear qualquer equipa, sobretudo estas inglesas que tanto valorizam o “dar tudo”. Nos tempos que correm, acho que o Bruno continua a ter caraterísticas interessantes para capitanear qualquer equipa, mas se antes um grito era visto como um incentivo, atualmente é visto como uma ofensa. Os jovens jogadores de hoje em dia já não toleram que se fale para eles à base do grito e do murro na mesa, poucos são os que aceitam. Se é correto ou não, não sei, mas é o que é. Os meninos das redes sociais e videojogos são cada vez mais autocentrados e ficam muito ofendidos com algumas abordagens (volto a dizer, alguns até podem ter razão em se sentirem assim, depende da abordagem e do objetivo da coisa). Daí que o capitão também terá que ser alguém que saiba lidar com esta malta, que os “saiba levar”. Acho que o Bruno tem essa capacidade, mas terá também ele que se adaptar e fazer um esforço para não ser tão explosivo em determinados momentos. É a minha perspetiva enquanto líder.
Enquanto jogador nada a dizer, é daqueles que acho que qualquer treinador quer ter. Assume, não tem receio, arrisca, marca, assiste, defende, ataca. Do mais completo que há atualmente no futebol mundial.
João
Sem duvida
Francisco Parrinha Guerreiro
Gosto do jogador Bruno Fernandes (da pessoa Bruno Fernandes não sei, que não o conheço de lado nenhum, mas a mim nenhum me colega me falava como ele fala aos dele sem se arriscar a levar, no mínimo, um berro nos queixos). Não acho que ele seja tão criativo como se diz (mas obviamente o Rio Ferdinand e o De Bruyne sabem mais de futebol que eu), e não acho que ele seja um jogador em quem se depositem as esperanças de carregar sozinho uma equipa aos títulos, mas não deixa de ser um excelente jogador.
Agora, há duas coisas nesta conversa do Ferdinand que eu nunca esperei ouvir um ex-jogador, principalmente da categoria que ele teve, a dizer. A primeira, que ser melhor que os seus colegas do United seja um cartão de visita por aí além, actualmente. A segunda, que um bom jogador é o que “arrisca”. Um bom jogador não é o que “arrisca”, um bom jogador é o que executa. Não “arrisca”. Se “arrisca” é porque não sabe o que está a fazer. O Florentino “arrisca” um passe de 30 metros para a lateral. O Taarabt “arriscava” uma jogada individual no meio-campo. Mas o Pirlo não “arriscava” passes de 30 metros: executava-os. E o Messi não “arrisca” jogadas individuais: executa-as.
Isso de valorizar um jogador que “arrisca” é só estúpido. Se o jogador tem que “arriscar” é porque não sabe executar. Mas lá está: há jogadores da bola e há jogadores de futebol, e há adeptos que gostam de ver jogar à bola e há outros que preferem ver jogar futebol. E eu acho que uma equipa está sempre muito mais perto de ganhar quando joga futebol do que quando joga à bola.
SENSEI
O Bruno Fernandes é alguém que sente muito o jogo e, pelo menos no Sporting, assumiu a posição de capitão mesmo sendo o Nani a usar a braçadeira. Conquistou esse lugar na hierarquia através da sua personalidade e liderança. Fez o mesmo no United.
Quando temos um líder que “manda um berro”, haverá que averiguar qual é o intuito do mesmo.
Num balneário como o do United, bem precisam de alguém que dê uns berros para acordarem. Pode-se discutir o tipo de lideranças, pois existem vários, com vantagens e desvantagens, mas o certo é que o Bruno Fernandes assumiu esse papel de líder logo no início da sua passagem pelo Sporting e pelo United. E se o assumiu foi com conivência do plantel e das equipas técnicas.
Quanto à questão do risco e da execução, tenho de discordar por completo.
O risco está mais associado à personalidade e inteligência do jogador, enquanto que a execução está sempre mais associada à capacidade técnica, materializada na eficácia, pelo que são conceitos completamente diferentes.
Um jogador que não arrisque mas execute tudo bem é o chamado jogador “certinho”. No máximo pode almejar a ser bom jogador.
Um jogador que arrisque muito mas que execute maioritariamente mal será rotulado como tendo pouca maturidade, pelo que tmb neste caso poderá almejar, no máximo, a ser bom jogador.
Agora, um jogador que arrisque e execute bem será um excelente jogador, tal como era o Pirlo, tal como é o Messi, o De Bruyne… e o Bruno Fernandes.
Dos outros opostos foram referidos dois bons exemplos do risco e da execução sem risco, pelo que os referidos jogadores serão tidos como bons jogadores, mas talvez já não como excelentes.