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Como é que um jogador que tem uma relação tão má com a bola pode estar entre os melhores de sempre?

Sei que vão falar nos tempos do Man Utd, mas aí era muito mais velocidade do que outra coisa. Quem viu esse futebol com olhos de ver também se lembra das dificuldades técnicas, na receção, no passe, no drible, etc. Mesmo no Euro’2004, que o catapultou, foi sofrível vê-lo ficar no bolso do Fyssas. No Real Madrid, chegou a ter menos dribles do que o ter Stegen, ex-guarda-redes do Barcelona. Na Juventus, acabou humilhado pelo Manafá.

Mesmo assim, apesar de tecnicamente ser um desastre e de nunca se dar verdadeiramente ao jogo — quando baixa, faz aquelas lambretas e depois passa para o lado ou para trás que até causam feridas nos olhos —, muitos continuam a colocar Cristiano Ronaldo entre os melhores de sempre.

Entendo que se valorize o número de golos, embora também falhe oportunidades flagrantes em praticamente todos os jogos. Ainda por cima, tendo tantos penáltis, livres e golos de encostar, é normal que consiga números impressionantes. O que não entendo é como essa produção pode apagar tudo o resto. Um jogador com uma relação tão limitada com a bola não pode ser colocado no mesmo patamar de quem domina o jogo através do toque, do passe, da finta, da decisão e da capacidade para controlar a posse. Top 10 de sempre já é difícil de justificar; colocá-lo no pódio parece uma distorção completa daquilo que é o futebol.

E a idade não serve de desculpa. Messi demonstrou aos 39 anos, no maior palco do Mundo, aquilo que diferencia os predestinados dos outros: pode receber, conduzir, pausar, acelerar, combinar e manter a equipa ligada ao jogo durante largos períodos. Continua a ser o único, como Jesus dizia há uns bons anos, a conseguir ter a bola durante minutos. Já Ronaldo nos apenas 3 segundos que tem a bola ainda consegue ser um desastre tecnicamente.

Visão do Leitor: João Martins

2 Comentários

  • MuchoG
    Posted Setembro 25, 2026 at 10:47 am

    Ok agora já estamos a ir demasiado na direção contrária.

    Essa “revisão” da carreira do Ronaldo no United e Real Madrid é tão desonesta que nem sei por pode começar. Quem esteve lá, viu e acredito que o João Martins tenha estado, a não ser que tenha menos de 20 anos. Este artigo é puramente baseado no desgosto pela pessoa e por estes últimos anos da sua carreira. É recency bias.

    Sim, perdeu muita capacidade de drible na segunda metade da sua estadia em Madrid, mas também se transformou numa máquina de fazer golos. E sim, os golos importam quando são 50 por época e nos maiores palcos, ou ser o melhor marcador de sempre da Champions não conta para nada?

    Como seria de esperar, este final de carreira deprimente só o está a prejudicar, ao ponto que ainda nem acabou e já temos pessoa a reduzir o que fez no passado. Não, Ronaldo não é Messi, mas é inquestionavelmente um dos melhores de sempre.

  • Paulo Roberto Falcao
    Posted Setembro 25, 2026 at 10:57 am

    Sinceramente percebendo o ponto, não estou de acordo, e sim considero-o um dos melhores jogadores de sempre. Vou tentar explicar o meu ponto de vista.

    É certo que ele nunca foi tecnicamente o Messi ou o Modric, mas até digamos há dez anos compensava isso com uma potência e velocidade que o tornavam um avançado letal. Deu uma dimensão física ao jogo que nunca existiu antes dele, e que fez com que um jogador tecnicamente inferior a outros, tivesse tido outras qualidades que o tornariam num goleador incrível. Ora isso tem mérito, e torna-o num jogador original na história do jogo, que forçou todas as outras equipas a repensar a forma como trabalhavam.

    Não o coloco no patamar máximo, porque para mim há um tipo de genialidade à qual ele nunca pode aspirar, mas coloco-o claramente no Top 10 dos melhores jogadores de sempre, e quase diria que há argumentos para metê-lo no Top 5, atrás de Pelé, Maradona e Messi claro, e do Zidane, que foi tecnicamente o jogador mais elegante que vi com umas botas( costumo comparar o Zidane aquilo que foi o Federer no tenis), mas enfim naquele nível dos ronaldos brasileiros. Devemos valorizar o que ele fez com os recursos de origem que tinha, e nesse ponto de vista ele foi mesmo o GOAT, foi o jogador que mais longe chegou tendo muito menos talento que outros, até da sua geração em Portugal como Ricardo Quaresma por exemplo. Isso tem que ter valor.

    Claro que depois vemos o meme Ronaldo dos últimos anos, e ficamos com a sensação que o sobrevalorizamos, coisa que parece estar implícita no teu texto. Devemos ter memória, este Ronaldo é ridículo, e sinceramente acho asqueroso que ainda jogue por decreto na Seleção Nacional, o que nos torna alvo da chacota do mundo do futebol, porque sim eles também vêm que a sua presença nos enfraquece. Mas devemos ter memória, e o outro Ronaldo também falhava, mas estava fisicamente a galáxias deste, e depois de falhar voltava a tentar, a tentar e a tentar, até que a bola entrava. Agora vê-se que ele quer fazer o mesmo, simplesmente já não tem a capacidade para o fazer. Chama-se envelhecimento, a biologia explica a natureza do fenómeno, e não, ele não é o peter pan, como no seu delírio ele o diz, já não mencionando o exército de tontinhos que o repete. Ele faz anos todos os anos, como eu e como tu. Quer mas já não pode, é simples.

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