San Antonio Spurs e Memphis Grizzlies encontram-se na final da Conferência Oeste, num duelo tanto de inesperado como de desfecho improvável. Os Spurs ultrapassaram com naturalidade os rápidos Golden State Warriors, e agora defrontam um estilo completamente oposto nos Grizzlies, que passaram Oklahoma em quatro partidas. Memphis é uma das raras equipas montadas de dentro para fora; a sua força está na dupla de interiores e os jogadores exteriores são os complementos. Essa filosofia foi ainda mais vincada na troca de Rudy Gay por Prince, algo que foi visto como uma jogada económica (e que colocaria em risco qualquer ambição de Memphis), mas que afinal se revelou inteligente do ponto de vista desportivo. Memphis não só se manteve no topo do Oeste, como passou por dois dos candidatos ao título, Clippers (4-2, depois de estar a perder 2-0) e Thunder (4-1, com 4 vitórias seguidas). Quanto ao embate, promete ser um ode ao revivalismo: duas equipas que assentam o jogo na execução eficiente do ataque, com muita bola em zona interiores, e numa defesa agressiva. Quem sente a falta daquele estilo de jogo com os postes a terem bola, muitos cortes para o cesto, bola a rodar entre o interior e o perímetro, em detrimento do 1×1 e das entradas para o cesto, faça o favor de sintonizar esta eliminatória. A favor dos Spurs, a experiência (muitos jogadores com anéis e imensos jogos em playoff), a qualidade individual dos seus atletas (Parker, Duncan e Ginobili à cabeça), muitos e diferentes elementos competentes (em SA parece que todos sabem a jogar, e homens como Green e Corey Joseh parecem render acima do que teoricamente poderiam), diversas opções de ataque (entradas para o cesto, pick and roll, triplos, jogo low-post, é só escolher), e acima de tudo uma capacidade de ajustamento quase única, muito por culpa do grande Popovich. Pelos Grizzlies, uma defesa de betão (Gasol foi o defensor do ano, Allen foi escolhido para 1st Team, e Prince ainda é um defensor competente) que bem se viu frente a Durant, uma dupla de postes fortíssima tanto no ataque como na tabela defensiva, um base em crescimento (Conley foi dos jogadores que mais viram subir a sua cotação este ano), e um estilo de jogo muito físico. O maior desfasamento pode estar nos bancos, enquanto Memphis usa uma rotação de 8 homens (com Bayless e Pondexter à cabeça), enquanto que pelos Spurs saltam Manu, Bonner, entre outros. Alguns duelos a ter em conta: Parker/Allen, no qual veremos se o expert defensivo consegue parar o francês; Duncan e Splitter vs Gasol e Randolph, num embate em que os homens de Memphis vão puxar muito pelo cabedal dos postes adversários. Os wild cards a ter em conta; Leonard (excelente defensor, e muito forte nas entradas) e Prince (desvalorizado no ataque, mas ainda capaz de meter um triplo quando solto). Tendo em conta todos os factores, é difícil escolher um favorito claro. Defesas ganham campeonatos, é o que se diz, e aí Memphis faz parte da elite. Complementa isso com um ataque bem estruturado e com executantes de qualidade. Mas do outro lado está uma equipa cuja janela de oportunidade pode estar a fechar, e que na realidade tem opções mais variadas, bem como jogadores de talento inegável. Apenas por isso, inclinamo-nos um pouco para os lados dos texanos, mas com a certeza de que vai ser uma série equilibrada, dura e com basquete de qualidade. Quem vai levar a melhor? Que jogadores podem desequilibrar a série? Os Grizzlies vão conseguir pela 1ª vez chegar à final da NBA? Ou os Spurs (que no passado não se tem dado bem contra as torres de Memphis) não vão perder esta oportunidade (quem sabe a última do trio Duncan, Parker e Ginobili) de lutar por mais um anel?
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Nuno Ranito



5 Comentários
Luis
Excelente desempenho ontem de SA. Veremos como memphis reage no jogo 2
joao
Não tenho a certeza de como esta vai acabar. Há 5 dias achava que ia para memphis mas agora não tenho a certeza
Paulopes
A final que eu desejo é Memphis – Indiana…mas o negócio da NBA prefere Miami – San Antonio…bons jogos em perpectiva que no Oeste que em Este…pena a Sporttv ter o direito de transmissão e não podermos assistir estes jogos na NBA TV em direto…
João
Vitória dos Memphis por 4-2
O Splitter não tem hipóteses com o Gasol e nas noutras posições há algum equilibrio
Simoes
tirando o duelo gasol/splitter ou splitter/randolph, na realidade memphis n tem vantagem em lado absolutamente nenhum