Esta rubrica destina-se a jogadores nascidos em 1997. Os parâmetros de selecção são os feitos dos jogadores até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro. Mesmo considerando que são seniores de 1.º ano já é possível mencionar elementos que nesta fase apresentam algumas destas características.
Entre as muitas caraterísticas que tornam o futebol um desporto tão apaixonante, a sua globalidade é certamente uma das mais importantes. Quer em Portugal, quer em Singapura, o futebol é praticado e os seus mais importantes intérpretes vistos como heróis para milhares – independentemente da riqueza, ideais e culturas. Quando a figura é nacional, então, o apoio, a paixão, é insuperável. Num contexto desportivo, pode-se dizer que a Jamaica tem razões para sorrir. Afinal, têm velocistas da categoria de Usain Bolt e o cricket em boa conta, mas falta claramente uma figura, no futebol, para os aproximar mais do desporto rei. Leon Bailey, embora jovem, apresenta já sinais de poder, num futuro próximo, vir a ser uma referência – não só da sua nação, como também a nível mundial.
Depois de ter deambulado por vários países europeus nas camadas jovens (Áustria, Holanda…), Bailey assinou pelo Genk, vindo dos eslovacos do Trencin, em 2015. O preço despendido na sua contratação foi, desde logo, contestado (1,4 M€), algo natural quando um emblema “modesto” investe tanto dinheiro num jovem de 18 anos. Porém, rapidamente justificou a maquia investida na sua aquisição e, neste momento, até podemos referir que foi uma “pechincha”. Depois de saltar do anonimato para o olhar do scouting dos “tubarões” europeus em 2015/16 (passo a passo foi conquistando o seu lugar no onze do Genk, contribuindo decididamente, principalmente na fase do playoff, para um decente 4º lugar na Liga – 6 golos e 9 assistências – tendo sido eleito melhor jovem jogador da Eerste Klasse), esta está a ser a época de afirmação – e que afirmação. Apesar do seu desempenho no campeonato belga não ter vindo a ser o mais positivo (acompanhando o contexto coletivo desfavorável – nesta fase o Genk está em 9º), na Liga Europa, palco naturalmente apetecível, tem “partido a loiça toda”. Após ter levado a equipa às costas nas fases preliminares da antiga Taça UEFA (3 tentos e 3 assistências em 6 partidas), mantém a toada na fase de grupos somando, até agora, 4 golos em 4 jogos, sendo decisivivo para a liderança dos belgas no respetivo grupo (ainda que com mesmo número de pontos do Athletic).
O estilo de jogo de Bailey é simultaneamente particular e emocionante. Com uma capacidade de drible incrível (chega a exagerar, por vezes, mas normalmente tira “coelhos da cartola”, ultrapassando um ou dois adversários com um só movimento), Leon é um extremo “à antiga”, que gosta de ir até à linha de fundo para, então, cruzar para a área. E fá-lo com eficácia, como bem demonstra o número brutal de assistências para golo: 18, em época e meia. Contudo, tal não significa que seja imune aos golos – bem pelo contrário. Detentor de um bom sentido de baliza, não é raro vê-lo a procurar zonas mais interiores (principalmente quando joga pela direita), fazendo bom uso do seu magistral pé esquerdo para irromper pelas defensivas contrárias e, embora tenha que melhorar no capítulo da finalização, os seus registos de golos começam a ser impressionantes, marcando em qualquer situação: quer vindo da esquerda (posição onde renderá mais), quer da direita, quer através de remates de longa distância (aspeto em que é fortíssimo, como ficou patente na partida ante o Rapid de Viena).
Num mundo futebolístico em que ter força mental é tão ou mais importante que a técnica que o atleta possui, Bailey parece, também aqui, destacar-se dos demais. No início da temporada, afirmou que havia, um ano antes, recusado sondagens de emblemas de topo como Chelsea e Liverpool para rumar ao Genk, pois enquanto na Bélgica teria oportunidades para brilhar (e teve-as, aproveitando-as da melhor maneira), nesses “gigantes” ver-se-ia sempre remetido a empréstimos sucessivos a clubes menores, até “desaparecer”. Uma perspetiva muito interessante, acertada, e que deveria ser seguida por outros jovens em busca de reconhecimento. Quanto ao futuro, sempre complicado de prever, tem tudo para ser risonho para o jovem jamaicano. Provada está a sua inteligência (embora haja contratos que mudem o pensamento dos atletas, ainda para mais de tão tenra idade), resta esperar que continue a saber eleger os próximos destinos, pois talento não lhe falta para singrar no futebol de alto nível.
António Hess


6 Comentários
El Pistolero
Belo artigo. O clube que o conseguir tem aqui um diamante em bruto que consegue fazer mais 10 ou 11 épocas ao mais alto nível. Só espero que não se perca.
João-Pedro Cordeiro
A armada ofensiva que a Jamaica poderia ter se grande parte dos jogadores não acabassem internacionais por Inglaterra. Já falei um pouco sobre isso há uns tempos num artigo chamado “Rum, Ska e muito futebol”.
Tiago Silva
Este menino é um craque dos pés à cabeça. Com apenas 19 anos é talvez o melhor jogador da liga belga. Tem uma capacidade física fora do normal, muita técnica, cruza bem, remata bem… tem tudo para ser uma referência da equipa onde joga.
A Jamaica tem tido alguns bons talentos (apesar da maioria já jogar por outros países) como o Morgan, o Sterling (sim é jamaicano de nascença), o Gray ou o Aarons. Um facto interessante é que todos jogam em Inglaterra e eu penso que vai ser este o destino de Bailey. As suas qualidadesfavorecem-no nesta liga e penso que já conseguiria ser a referência de clubes como o Sunderland ou o Burnley.
Este menino tem tudo para brilhar e ser uma referência no futebol internacional!
fpmz
O Bolt é velocista, não fundista.
Wonderkid
Promete muito este miúdo!
FGomes
Excelente artigo e perspectiva sobre um craque em potencial.
Ao lê-lo veio-me logo um nome à cabeça, ou dois, para ser mais preciso: Klopp + Liverpool.
Nem sequer sou particular fã do Liverpool, mas sou do Klopp e muito, e imaginar este menino “no meio” daquele ataque vertiginoso que o Klopp imprime nas suas equipas…. :)