Esta rubrica destina-se a jogadores nascidos em 1997. Os parâmetros de selecção são os feitos dos jogadores até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro. Mesmo considerando que são seniores de 1.º ano já é possível mencionar elementos que nesta fase apresentam algumas destas características.

Há bons motivos para Thiago Maia ser um dos jogadores mais acarinhados pelos brasileiros. A sua história de vida (viu a sua mãe combater um cancro e teve que se esforçar afincadamente para atingir a equipa principal do Santos), associado a um perfil comum no Brasil (é devoto a Deus, provém de um meio modesto e joga no clube “do coração”) tornam-no numa das “coqueluches” do renovado futebol canarinho e uma referência para milhares de pessoas.
A 25 de outubro de 2014 Thiago Maia estreou-se pela equipa principal do Santos, em partidas oficiais, tendo sido lançado no decurso da visita ao reduto do Chapecoense. Não obstante o resultado final insuficiente (1-1), os primeiros momentos de Maia com a camisa branca deixaram os adeptos do “Peixe” em gáudio, vendo naquele jovem uma pérola em estado bruto. Dois anos depois, os números falam por si: 84 jogos ao serviço do emblema da Vila Belmiro e 2 golos, tendo sido um dos 18 atletas a conquistarem, finalmente, a medalha de ouro olímpica para o Brasil (alinhou em 3 embates na prova). Seguir-se-á, a seu tempo, a estreia pela seleção “A” do “escrete”, algo que, a julgar pelas exibições deste centrocampista, não estará distante de suceder.
Médio defensivo, canhoto, sul americano e enorme qualidade técnica. Na presença destas caraterísticas facilmente nos recordaríamos de Fernando Redondo – e com justiça, não fora o argentino um dos melhores da história na sua posição. Acontece que Maia partilha os atributos mencionados, destacando-se precisamente no capítulo técnico. Com uma envergadura que lhe não permite ser um “trinco” à moda antiga (além dos 179 cm, é algo frágil fisicamente), usa o pé esquerdo para se diferenciar, começando, normalmente, por ele a criação ofensiva da equipa (recua regularmente até junto dos centrais para fazer circular a bola). Além do mais, e mesmo não sendo um prodígio no que concerne à velocidade, a sua rapidez de movimento e de pensamento torna-o num jogador imprevisível, capaz, até, de galgar vários metros com a “redondinha” colada ao seu pé, atingindo zonas de finalização com surpreendente facilidade.
Depois de Chelsea e PSG terem abordado o Santos no mercado de Verão com vista à contratação de Thiago Maia, aguarda-se novo “ataque”, já em janeiro, na reabertura da janela de transferências europeia (as publicações ingleses apontam para ofertas próximas dos 20 Milhões de Euros). Porém, mudanças tão cedo para a Europa nem sempre são positivas, muito menos para emblemas que raramente sabem potencializar talento jovem (os “blues” são especialistas nisso mesmo, embora Maia pudesse encaixar, a médio prazo, no elenco de Antonio Conte). Simultaneamente, na Vila Belmiro Thiago tem a confiança do treinador (foi Dorival Júnior o responsável pela fixação do camisola 29 no XI santista), que o protege com um sistema tático no qual tem liberdade quase total para deambular por regiões inauditas (Renato é o médio mais posicional), algo diferente do que encontrará na Europa. Seja como for, o Brasileirão começa a ser curto para tão grande talento, esperando-se que, tarde ou cedo, venha a perfumar os relvados do “Velho Continente” com o seu futebol pleno de classe.
António Hess


12 Comentários
Marcelo Salas
Não seria o Sevilha e o Sampaoli uma boa escolha para o jogador em causa? Por acaso só vi o jogo da Supertaça deste novo Sevilha, mas na selecção chilena os dois médios mais recuados até eram de baixa estatura se não estou em erro (Marcelo Díaz e Aranguíz).
RodolfoTrindade
A seguir ao particular com o Benfica, lembro-me de ter dito que gostava de ver jogar este miúdo cada vez mais.
Tem tido uma excelente evolução! Espero que a vinda para a europa não seja para um clube que lhe tape a progressão.
Francisco A
Off-Topic:
Não sei se sou o único. Quando abro um link de uma notícia do VM não aparece nenhum comentário, quando, na homepage faz referência aos já X comentários realizados.
Dca
Se não fizeres o login isso vai te acontecer sempre!
João Lains
Eu também tenho tido esse problema, mas quando isso vos acontecer reparem se têm o login feito. Muitas vezes, não basta fazê-lo na página inicial, é também necessário fazê-lo na notícia que estão a ler. Só assim vos aparecerá todos os comentários.
Bio
Penso que o número de comentários que vês seja os que já foram escritos, mas demorem algum tempo a passar pela “moderação” até aparecerem.
Kafka
Também tenho esse problema Francisco
Kacal
Nunca o vi jogar mas leio (e ouço) falar muito bem dele. Parece ser dotado de um pé esquerdo fantástico e ter um enorme potencial. 1.79 m não é assim tão baixo, caso ele trabalhe a impulsão e ganhe corpo e força para o choque poderá ser um excelente médio, com jogos nas pernas fará o resto. Não há muito mais que possa aprender no Brasil e em breve deverá rumar à Europa mas que escolha um clube estável e com um treinador que aposte e potencie jovens.
João D
Estas histórias de vida como esta, a do Cancelo, a do Éder, etc não deixam ninguém indiferente…
Uma lição de vida de como ter sucesso num mar de adversidades.
Tiago Silva
Este menino é de topo! O melhor jogador a jogar no Brasil a par do Gabriel Jesus. Tem muita técnica, controla muito bem a bola, tem qualidade no passe e no desarme e um grande pulmão. Não tenho dúvidas que vá ser um dos melhores na sua posição!
Piloto
Poderá já estar fora de alcance, mas podia ser um bom 8 para o Benfica?
António Hess
Fora do alcance já estará (se bem que depois de Imbula a ideia é que tudo é possível…), mas seria uma enorme adição ao plantel encarnado (não obstante a subida de forma de Pizzi).
Pessoalmente até penso que Thiago Maia renderia mais a “8”, onde poderia capitalizar melhor os seus predicados (capacidade de progressão com bola, “pulmão” imenso, bom 1×1 e finta curta) e compensar algumas falhas (principalmente posicionais, algo que no Santos é camuflado por Renato, por exemplo, como referi no texto). Claro que a “6” continua a ser um craque (recupera bastantes bolas), mas no sistema europeu não há muitas equipas que beneficiam um médio defensivo deste género.