O Campeonato da Europa deste ano não foi, por nenhum prisma, bem sucedido para a seleção turca. Orientados pelo experientíssimo Fatih Terim, a Turquia levava para França um conjunto de jogadores de qualidade, integrantes de algumas das melhores equipas do Velho Continente mas, e embora o esquema do Euro fosse benéfico (possibilidade de ultrapassarem a fase de grupos 3 equipas), a nação cuja capital é Ancara caiu, com estrondo, na primeira fase. Arda Turan e Çalhanoglu, as principais referências, não deram azo à magia que todos lhe reconhecem, eclipsando-se quando era necessário brilhar. No meio de tal obscuridade, um jovem de 18 anos, chamado Emre Mor, distinguiu-se dos demais, aliando uma incrível capacidade técnica a um comprometimento coletivo não menos impressionante. No pouco tempo de jogo que teve (90 minutos, distribuídos por duas partidas), desequilibrou as defensivas contrárias, criou situações de perigo e fez por merecer uma transferência na ordem dos 16 Milhões de Euros para o Borussia de Dortmund.
Ainda que possamos ver o “Messi turco” no Westfalenstadion envergando o dorsal “9”, tal não traduz, de todo, a sua posição no terreno de jogo. A sua envergadura, de resto, não lhe permitiria ser um ponta de lança de elite (168 cm) mas, em contrapartida, torna-o num extremo ágil, imprevisível e portentoso. Protótipo do “jogador de rua” que todos nós apreciamos, Mor é talento em estado puro, um driblador por excelência capaz de ultrapassar as situações mais adversas com uma simplicidade assinalável. Dono de um pé esquerdo delicioso, contudo, alinha preferencialmente a partir da ala direita, realizando frequentemente movimentos para o centro – sempre com a bola colada ao pé. Simultaneamente, e embora o estilo franzino cause outras interpretações, não vira a cara à luta, encarnando na perfeição aquilo que Messi fez na fase inicial da carreira.
Após uma temporada de adaptação ao futebol sénior nos dinamarqueses do Nordsjaelland (onde foi formado), 2016/17 estará a ultrapassar as melhores expetativas da pérola nascida em Brønshøj. Chegados a dezembro, conta já com 10 jogos na equipa principal do Dortmund, número fantástico, mesmo que tenha beneficiado da lesão de companheiros para o atingir (no ano transato, por exemplo, não foi além das 13 partidas em toda a temporada ao serviço do 9º classificado do campeonato dinamarquês). Na seleção turca, vai vendo a sua escolha ser recompensada (nasceu na Dinamarca e alinhou por estas cores até aos sub-19), assumindo cada vez maior preponderância na manobra do conjunto de Fatih Terim (foi titular em três dos últimos quatro jogos de qualificação para o Mundial 2018), perfilando-se, a par de Çalhanoglu e Ozan Tufan, como uma das maiores esperanças para os próximos anos da antiga Ásia Menor.
Emre Mor tem, aos 19 anos, um futuro risonho à sua frente. Tem atributos técnicos mais que suficientes para singrar ao mais alto nível, actua num emblema acostumado a fazer crescer os seus craques, parece ter uma mentalidade talhada para o sucesso e, mais importante que tudo, tem tempo, muito tempo, para melhorar os seus predicados e corrigir eventuais debilidades. Mas no passado já muitos ganharam o rótulo de “novo Messi” e até agora ninguém chegou perto do nível do craque do Barcelona. É esperar e ver.
António Hess


9 Comentários
RodolfoTrindade
Excelente projecto!!!
Tpcouto97
Apesar de terem estilos semelhantes(e tenho a certeza que é isto que o autor do texto quer transmitir e todas estas comparações deste tipo) a verdade é que o Emre Mor está a anos luz do Messi com a mesma idade dele…No outro dia fui ver á pagina do zerozero do Messi para ver os stats dele desta época e vi o ano que ele nasceu(1987) e simplesmente atingiu-me como um raio que a primeira época regular de sénior do Messi época foi 2006\2007,ou seja o Messi foi considerado 2º melhor jogador do Mundo pela Fifa(atrás do Kaka) e 3º pelo Ballon d’Or(atrás Kaka e do Ronaldo) pelo que ele fez no seu 1º ano de Sénior e em 2005 sendo o Messi Júnior de 1º ano foi campeão do mundo de sub 20 e melhor jogador do torneio com 6 golos em 7 jogos numa competição de séniores de 1º ano…Realmente é qualquer coisa de extraordinário! nestes últimos anos não temos tido ningúem que tenha sequer chegado perto.
João Lains
Atenção porque não foi o Fatih Terim que orientou a Turquia no Mundial 2002, mas o Senol Gunes, o actual treinador do Besiktas. O Imperador esteve sim no Euro 2008, onde a Turquia voltou a ter uma grande participação. Na altura, foi afastada nas meias-finais pela Alemanha, que chegou ao 3-2 final em cima do minuto 90, depois de a Turquia ter anulado a desvantagem no marcador por duas vezes. Mas aquilo que mais recordo dessa partida foi o número de baixas com que a Turquia se apresentou, depois de um duelo também ele épico com a Croácia que, de resto, só seria resolvido nos penaltis. O Demirel Volkan, o Sanli Tuncay, o Turan Arda e o Asik Emre estavam suspensos. O Nihat e o Gungor Emre abandonaram a comitiva por lesão após o jogo com a Croácia. O Metin Tumer, o Cetin Servet e o Belozoglu Emre estavam em dúvida. Ou seja, a Turquia tinha apenas 13 jogadores de campo, depois de um duelo de 120 minutos. E mesmo remendada, a Turquia até fez mais por merecer a vitória. Do Mundial 2002, apenas me lembro do Rustu e da cara pintada para desconcentrar os seus adversários.
João Lains
É óbvio que não me recordava de todas estas baixas, mas sabia que eram muitas.
Pedro Leal
Tem potencial para ser um jogador top mundial agora como disseram temos de esperar para ver pois existem milhares de jovens promessas nas história do futebol que acabaram por não serem aquilo que se esperava por exemplo: Diego Capel depois do mundial sub 20 ou 21 toda a gente achava que ele seria um extremo muito bom, mas no fim das contas acabou por ser um jogador banal pois fazia sempre as mesmas coisas.
O Dortmund foi o clube certo para evoluir pois é um grande clube e aposta muito nos jovens logo ele teria bastantes minutos como esta a ter, mas se ele fosse para um clube como Real, Barcelona, Bayern, PSG… acho que teria tomado uma decisão muito erra pois teria muita pressão e não jogaria com tanta regularidade.
Kacal
Ele não é o “novo Messi”, é o novo Emre Mor. No entanto, como o Tiago disse abaixo e eu concordo, do que vi, ele tem realmente qualidades e características do Messi, onde vai chegar é dificil de prever e depende de vários factores mas está num clube onde terá direito a oportunidades e há tempo para evoluir, está no sitio certo para potenciar o seu futebol e com o treinador certo também, se há alguém desses “novo Messi” que é mais parecido com o original, é este jovem turco. Espero que ganhe o seu espaço em Dortmund, consiga afirmar-se e “expluda” com todo o seu talento.
PS: nesta foto a cara dele a olhar para o CR, diz tudo… imagino que seja o seu ídolo como o Messi também deverá ser.
Dca
Sinceramente, nunca vai ser um Messi. Chega dessas comparações.
JoaoMiguel96
Nunca ninguém vai ser Messi. Irá existir melhor ou não mas a verdade é que ninguém nunca vai conseguir “imitar” aquilo que Messi dá em campo.
Tiago Silva
Nunca é bom apelidar os jogadores quando são tão novos. Mas o Mor tem mesmo algo que o Messi tem, quando o vemos jogar lembramo-nos dos tempos em que o Messi tinha aquela idade. Tem toque de bola dele, qualidade de drible e de ziguezaguear pelo meio dos adversários como o Messi faz. Espero que ele evolua como deve ser no Dortmund e confirme todo o seu potencial senão estamos prestes a ver mais um fenómeno.