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Craques do Futuro VIII: O médio que tem todo o manancial e que não para de quebrar etapas (11.º)

Esta rubrica destina-se a jogadores nascidos em 1999. Os parâmetros de selecção são os feitos dos jogadores até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro.

Desde a viragem do século até 2018, o Benfica reergueu-se, transformou-se novamente no “alvo a abater” no panorama nacional e, acima de tudo, conseguiu criar uma Academia tão perfeita que é, hoje, exemplo a seguir pela esmagadora maioria dos emblemas mundiais. Só num punhado de anos, figuras como Rúben Dias, João Cancelo, Renato Sanches, Bernardo Silva e Gonçalo Guedes saltaram para o futebol sénior desde a Caixa Futebol Campus, prometendo ser o futuro de Portugal nas respectivas posições.

Ora, desses nomes apenas um (Rúben Dias) se mantém na Luz, mas tal não significa que o emblema da Luz tenha ficado órfão de atletas formados internamente. Praticamente todos os anos se destacam novos craques, queimando etapas e exigindo um lugar no plantel principal, acabando, regra geral, por cumprir e fica junto aos mais velhos. Gedson Fernandes, que aos 17 anos já jogava regularmente na equipa B das águias, e aos 19, naquela que na teoria devida ser a sua primeira época de sénior, assumiu-se como titular na equipa de Rui Vitória e até já tem internacionalizações pelos AA de Portugal, é o mais recente produto desta linha de produção que parece não ter fim.

Quando o jovem médio completou os primeiros minutos ao serviço do conjunto de Rui Vitória, na vitória por 1-0 na recepção ao Fenerbahçe, rapidamente se compreendeu estarmos na presença de um talento único. Gedson não era, de todo, um desconhecido para os mais atentos – já havia sido figura de proa na conquista do Europeu de sub-17, em 2016, e na temporada passada realizou exibições de primeiro nível, quer pelos “B” (31 jogos, 5 golos apontados), na Segunda Liga (demonstrou possuir nível para alinhar entre os “mais crescidos”, sendo frequentemente o mais lúcido médio encarnado), quer pelos juniores (jogou novamente na Youth League), mas mesmo assim surpreendeu o à-vontade evidenciado e a rapidíssima adaptação a um tipo de futebol naturalmente mais exigente.

Depois de uma pré-época em cheio, cumpriu na estreia a titular e, nas partidas seguintes, não largaria o lugar, demonstrando jogo sim, jogo sim o porquê de merecer a confiança do seu treinador. Assumindo um papel em falta no Benfica desde a saída de Renato Sanches (o de box to box), conseguiu distinguir-se dos demais pelas suas características: dinamismo, alto potencial técnico (uma velocidade e capacidade para sprints fora do normal), facilidade em surgir em zonas de finalização, tremenda capacidade de recuperação e reacção à perda – enfim, todo um manancial de atributos contidos no corpo de um “menino” de 19 anos, que pela maneira de jogar parece bem mais velho.

No fundo, olhando para Gedson é difícil não colocar a fasquia elevada. O médio conjuga aquele estilo de “futebol de rua” com uma boa abordagem táctica (parece mais evoluído que Renato Sanches neste aspecto, comparando com o período em que o agora jogador do Bayern de Munique alinhou na Luz), justificando em pleno a titularidade no Benfica. Há arestas a limar, obviamente, mas essas são, sobretudo, relativas à experiência – algo que, a este ritmo, o camisa 83 não terá problemas em assimilar. O potencial, em bruto, está lá, assim como o tempo de jogo, crucial para a boa formação de um atleta; falta esperar que evolua tranquilamente, para se tornar em mais uma boa opção para a selecção nacional.

António Hess

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António Hess
Author: António Hess

11 Comentários

  • Flavio Trindade
    Posted Novembro 13, 2018 at 6:53 pm

    Concordo com a leitura, não concordo contudo com a parte do queimar etapas.

    Na realidade, Gedson já devia ter jogado na equipa A na época passada, quando faltava claramente um jogador para segurar o meio campo antes da equipa mudar o sistema, e mesmo depois para dar capacidade de romper linhas em posse e em progressão.

    Aliás, essa continua a ser a diferença entre Portugal e outros países de características formadoras, se na Holanda, na Bélgica ou na Croácia, ver um jogador chegar aos séniores com 17/18 anos é normalissimo desde que tenha qualidade, em Portugal continua a achar-se que é cedo e que os jovens têm que rodar…

    Verdade seja dita, o Benfica principalmente depois da chegada de Rui Vitória começa aos poucos a mudar esse paradigma, mas ainda é curto, porque para mim não seria de todo um escândalo (muito pelo contrário) que Ferro, Florentino e João Filipe já fizessem parte do plantel principal, já que o central não é em nada inferior a Lema (e neste momento também não é inferior a Conti), Fejsa não tem concorrência para a posição 6 há já algum tempo (mitigado pela chegada de Alfa) já que Samaris nunca foi um 6 puro, e Jota que mostrou todo o seu potencial por Portugal recentemente, exceptuando Zivkovic, não tem nenhum extremo com a sua capacidade técnica e com o seu tipo de movimentações (todos os extremos do Benfica são extremos à antiga, muito verticais, e isso acaba por ter impacto mesmo no jogo da equipa quando adopta este 4-3-3).

    Gedson é um talento que tem que ser aproveitado e bem gerido poderá dar um caso sério.
    A idade é só um dado estatístico…

    • Fernando neves _36
      Posted Novembro 13, 2018 at 8:53 pm

      Como (quase) sempre de acordo, Flávio.

    • Estigarribia
      Posted Novembro 13, 2018 at 7:38 pm

      Excelente comentário, Flavio. Permite-me só acrescentar mais algumas coisas: em Portugal, os treinadores parece que têm “receio” de lançar os jovens talentos, logo com 17/18 anos, depois andam a rodar em vários clubes, ás vezes sem calçarem num único jogo, e contrata-se estrangeiros de qualidade muito duvidosa só para os dirigentes e agentes ganharem comissões.

      No Sporting, espero que o Marcel Keizer mude também esse paradigma na equipa principal e que não tenha “receio” de lançar jovens talentos em campo, mas que não sejam lançados á toa. Ainda hoje li num outro site que o Euclides Cabral participou no primeiro treino de Keizer em Alcochete. Vamos ver se convence o holandês a dar-lhe alguma oportunidade.

      Saudações Leoninas

  • Fernando neves _36
    Posted Novembro 13, 2018 at 6:50 pm

    Alguns dizem que só sabe jogar para o lado.
    Eu digo que este menino é craque e vai muito longe.
    Grande texto, só é pena que agora va para o banco para jogar a dupla maravilha, Pizzi e Gabriel.

  • Pedro Leal
    Posted Novembro 13, 2018 at 5:59 pm

    O Gedson tem muito talento e ainda é muito novo, portanto é pena que ele tenha perdido algum destaque que estava a ter no inicio da época com a entrada do Gabriel na equipa, mas mesmo assim acredito que ele irá voltar a recuperar o lugar em definitivo (por enquanto não vi o Gabriel a fazer nenhuma exibição nada de especial) e com esta paragem de seleções espero que lhe dê a titularidade em uns 2 ou 3 jogos seguidos.~
    Também vi aqui alguns comentários a sugerirem que o Benfica passe para o 4-4-2 o que seria um ideia interessante, pois o Pizzi nem rende mal na direita, talvez o Gedson renda mais num meio campo a dois como essas pessoas disseram e assim também se poderia usar dois pontas de lança estando o Jonas nas costas do Ferreyra/Castillo/Seferovic. Também penso que assim o Ferreyra iria render mais numa dupla com o Jonas.

  • Francisco Rocha
    Posted Novembro 13, 2018 at 5:54 pm

    É uma das esperanças portuguesas para o futuro do meio campo da seleção.
    É relativamente forte, é rápido, tem boa capacidade de recuperação e também de chegada à área adversária e parece-me que tem a cabeça no lugar, o que pode ser o aspecto mais importante para o seu sucesso no futuro.
    Se jogássemos em 4x4x2 seria o motor do meio campo, jogando na posição onde pode render mais, a 8.
    Neste 4x3x3 tem aparecido em locais do terreno de jogo mais adiantados o que não o favorece. Isto acontece porque a construção/saída de bola é péssima, o Pizzi recua demasiado para suprimir a falta de qualidade técnica dos centrais, do Almeida e do Fejsa. Isto resultaria melhor caso jogadores como o Corchia, Conti e até o Alfa jogassem, visto que têm mais apetências técnicas.
    Num 4x4x2 com Pizzi ou Krovi como médio interior, um extremo (Zivkovic ou Rafa) e com o Gedson a 8 penso que poderia mostrar toda a sua qualidade. Também seria uma boa forma de poder conjugar o Jonas e o Ferreyra.

  • TheHunter
    Posted Novembro 13, 2018 at 5:23 pm

    Sou do scp mas este miúdo possui um potencial tremendo. Ele juntamente com joão félix possuem muito futebol e se forem apostas e evoluírem bem tem tudo para ser 2 casos sérios no panorama mundial. Toda a sorte do mundo para eles.

  • Estigarribia
    Posted Novembro 13, 2018 at 4:41 pm

    Gedson Fernandes tem tudo para ser um dos jogadores mais influentes no meio-campo do Benfica, tal como aconteceu com Renato Sanches, à três anos. Ainda assim, penso que o miúdo não é jogador para jogar num meio-campo a três, mas, sim, com dois médios, tal como no tempo de Renato Sanches.

    Agora é preciso é que o Gedson tenha cabeça e que não se deixe iludir pelas capas dos jornais que gostam muito de colocar os jovens jogadores da formação dos três grandes em pedestais e depois quando falham na carreira esses mesmos jornais são incapazes de fazer mea culpa.

    Saudações Leoninas

  • Tiago Silva
    Posted Novembro 13, 2018 at 4:41 pm

    É o miúdo que eu gosto mais vindo do Seixal. Mostrou qualidade para entrar na equipa principal mais cedo, é um craque de cabeça aos pés.

    Penso que precisa de ter um maior raio de acção e que encaixaria melhor num meio-campo a 2 ao lado do Fejsa que também parece ser melhor neste esquema. Por mim o Benfica jogaria para a Liga num 4-4-2 com ele e o Fejsa no meio-campo e o Jonas nas costas do Castillo/Ferreyra passando o Pizzi para a direita.

    Não poderia faltar neste top este miúdo!

  • Pulga
    Posted Novembro 13, 2018 at 4:30 pm

    Acredito que o Gedson com o tempo evolua mais para Kanté do que para Renato Sanches, ao nivel de estilo de jogo.

    Infelizmente o RV está a colocá-lo numa posição em que as suas limitações são mais evidentes.

    O jogador perfeito para um meio campo a 2.

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