Esta rubrica destina-se a jogadores nascidos em 1999. Os parâmetros de selecção são os feitos dos jogadores até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro.
Após largos anos afastadas de conquistas importantes, as seleções jovens de Inglaterra vêm-se impondo com notável regularidade no panorama mundial. Só nos derradeiros 4 anos, venceram o Mundial de sub-20, um Europeu de sub-19 (em 2017, numa final contra Portugal) e outro de sub-17 (em 2014, tendo no ano passado perdido na final contra a Espanha), conjugando os triunfos com um futebol vistoso, a prometer um futuro vitorioso (a excelente prestação no Campeonato do Mundo da Rússia é um bom prenúncio).
Ora, entre os vários craques jovens que se têm destacado, é altura de referenciar Mason Mount, que depois de ter dado nas vistas na época transata, ao serviço do Vitesse, onde inclusivamente foi considerado o jogador do ano da equipa, conquistou o seu lugar no competitivo Championship, estando a ser a grande figura do Derby County. Cedido pelo Chelsea, que apesar de estar longe de ser uma exemplo no que ao aproveitamento de produtos da formação diz respeito acredita no potencial de Mount, poucas dúvidas há, em terras de Sua Majestade, de que o médio ofensivo se tornará num nome crucial para o sucesso da selecção dos Três Leões nas próximas competições.
Nos blues desde tenra idade (Mason era adepto do Portsmouth, terra natal, e teve de fazer um esforço suplementar para se adaptar ao Chelsea, mas o emblema londrino oferecia condições únicas), a estrela do Derby tem sido, sistematicamente, o “jogador mais” das equipas que representa. Nos escalões de formação, mesmo perante uma concorrência assinalável (o emblema de Stamford Bridge investe imenso nesse aspecto, não surpreendendo que, por vezes, tenha dois ou três futebolistas acima da média para a mesma posição), conseguiu evidenciar-se sempre, jogando mesmo em escalões acima da sua idade (com 17 anos já representava os sub-23). Consequência direta de uma maturidade incomum (Mount é daqueles que aproveita os dias de folga para aperfeiçoar o seu jogo), que lhe permitiu adaptar-se rapidamente ao Chelsea, ainda que tivesse chegado em idade pré-adolescente, e, mais tarde, ao ofensivo campeonato holandês e ao intenso Championship.
No Vitesse, conjunto satélite dos blues, não precisou de muito tempo para mostrar ao que vinha, fechando a temporada com um registo impressionante de 14 golos e 10 assistências em 38 jogos (29 a titular). Os holandeses ficaram, naturalmente, positivamente admirados com o nível do britânico (como referido, foi eleito “player of the year”), e recebê-lo-iam com agrado para mais uma temporada, mas o Chelsea, para 2018-19, tinha outros planos: deixar Mason rodar em solo inglês, de modo a ambientá-lo e a prepará-lo para ingressar, dentro de pouco tempo, na equipa principal. Emprestado ao Derby County de Frank Lampard, o que o camisa 8 tem feito é, no mínimo, incrível, levando já 5 golos apontados em 18 partidas, tendo brilhado a alto nível, por exemplo, em Old Trafford, num jogo que ditou o afastamento do Man. United da Taça da Liga. As suas exibições, de resto, não têm passado desapercebidas: Southgate já o convocou para a selecção principal da Inglaterra (ficou no banco no duplo confronto com Croácia e Espanha) e terá, agora, nova ocasião de mostrar o seu valor, quando o Derby se deslocar ao campo do Chelsea, em desafio a contar para a Taça da Liga.
É certo que Inglaterra é o país do “hype”, das considerações exacerbadas sobre jogadores medianos, mas Mason Mount é um caso à parte. Um playmaker puro, capaz de alinhar também a segundo médio (esta época partiu dessa posição em alguns momentos, não tendo por isso ficado mal na fotografia) e que se sente bem partindo de trás (não se cinge ao último terço do terreno), o craque de 19 anos destaca-se dos demais pelo nível técnico superlativo. Com um drible curto poderoso, que o torna difícil de desarmar, e um excelente timing de passe (ainda erra um pouco nesta categoria, mas tal deve-se sobretudo ao seu estilo, sendo um atleta que gosta de arriscar – o que, por sua vez, dá origem a assistências deliciosas), Mount alinha sempre em intensidade máxima. Acrescentando a isso uma interessante apetência pelo remate (tem uma boa relação com a baliza, em resultado de procurar com frequência o remate – tem uma média de 3 por partida, este ano, a maioria de fora da grande área), não é arriscado dizer que o futebolista nascido em Portsmouth tem condições mais que suficientes para marcar uma era em Stamford Bridge – e, para tal, não há dúvidas de que quanto mais cedo encontrar Maurizio Sarri, melhor.
António Hess


3 Comentários
Rodrigo Ferreira
Este não engana também. Para quem segue as camadas jovens o nome de Mason Mount é consensual numa lista deste género. Já tem conquistas no currículo, já foi chamado à selecção principal inglesa e tem um futuro risonho à sua frente. Há muito que o futebol inglês não produz um médio ofensivo com estas características (os actuais como Barkley, Alli, ou Lingard têm um perfil diferente) e acredito que daqui a 2 anos deve estar pronto para jogar no Chelsea. Penso que na próxima ainda deveria rodar porque somar minutos é muito importante nesta fase, sobretudo em Inglaterra. Com elementos ainda jovens mas já a alto nível como Stones, Maguire, Sterling, Dier, Alli, Kane, Pickford, Barkley, outros bastante jovens como Joe Gómez, Alexander-Arnold, Rashford, Maddison, Cook, Tom Davies, Lookman, Chilwell, Calvert-Lewin, Abraham, Solanke, Bissaka, Patrick Roberts ou Maitland-Niles o futuro está garantido. A estes juntar-se-á esta nova geração com Sancho, Foden, Mount, Sessegnon, Reiss Nelson, Gibbs-White, Nmecha ou Tymon que promete bastante.
SuperEsteves
Será que com Sarri o Chelsea apostará um pouco mais nos jovens?
Como segunda opção para algumas posições não seria mal jogado.
RodolfoTrindade
Para o ano é bem capaz de ficar mesmo no plantel do Chelsea.