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Craques do Futuro XII: Na linha de Davids, Seedorf ou Rijkaard (10.º)

Esta rubrica tem como objectivo destacar os jogadores mais promissores nascidos em 2002. Os parâmetros de selecção são os feitos até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro.

São vários os futebolistas neerlandeses com raízes no Suriname que se têm destacado no futebol europeu nas últimas décadas. Edgar Davids, Seedorf, Patrick Kluivert ou Virgil van Dijk são nomes que nos surgem imediatamente na memória, mas também Wijnaldum, Promes, Melchiot, Reiziger, Ryan Babel, Bergwijn, Jimmy Floyd Hasselbaink, Malen ou, em tempos mais longínquos, os históricos Winter, Frank Rijkaard ou Ruud Gullit. Neste sentido, um novo pupilo com ascendência na antiga colónia neerlandesa tem despontado em Amesterdão e promete agitar a Europa nos anos que se seguem. Ryan Gravenberch tem 19 anos, soma já mais de 80 jogos no Ajax, após ter sido o mais novo de sempre a estrear-se na equipa principal (16 anos e 130 dias), ultrapassando Seedorf numa Supertaça frente ao PSV Eindhoven, e está a afirmar-se como o patrão do meio-campo na turma de Erik ten Hag.

Nascido na capital neerlandesa, o centrocampista de 1m90 cumpriu quase toda a formação nos Godenzonen (chegou do modesto Zeeburgia em 2010), até se afirmar como um titular em 2020/21. Oriundo de uma família de futebolistas (os pais jogaram de forma amadora e o irmão Danzell milita atualmente no De Graafschap), há muito que o seu potencial era reconhecido, de tal forma que foi sempre presença assídua nas camadas jovens da seleção e eleito o melhor jogador da Academia, em 2018, ano em que venceu o Euro sub-17 ao lado de nomes como Timber, Ihattaren ou Bryan Brobbey, mas com a entrada no escalão senior o seu talento foi colocado verdadeiramente à prova e Gravenberch está a corresponder. Trata-se de um médio muito alto e possante, que alia uma boa capacidade física a uma elegância e técnica apurada, tornando-o num protótipo muito aproximado do médio total. Define-se como uma «cobra que passa pelos defesas», o que nos leva também para a sua qualidade no drible, outro fator onde se distingue por comparação com outros médios centro.

Contudo, não é ainda um produto absolutamente finalizado e tem pontos onde pode melhorar para chegar ao patamar que se augura. Por vezes, devido à sua forte relação com o esférico e qualidade no transporte (tem ‘coisas’ de Paul Pogba), demora demasiado a soltar e arrisca em zonas recuadas, o que numa liga mais competitiva pode ser um risco. Ainda lhe falta também uma maior capacidade em zonas de finalização e juntar números de outra dimensão às suas performances, mas a intenção de aparecer na área contrária está lá, a presença e a qualidade no remate também. Estamos, por isso, na presença de um médio inteligente, que, apesar de ser preferencialmente um ‘8’, pode surgir tanto na posição mais recuada do meio-campo como na mais avançada e que consegue ditar ritmos e marcar diferenças. Sem bola tem igualmente fatores a melhorar, até porque, por vezes, os seus índices de agressividade e de rigor na reação à perda de bola não são constantes durante a partida.

Por outro lado, em março deste ano, Gravenberch chegou à equipa principal da Laranja Mecânica e soma já 10 internacionalizações AA, onde marcou um golo num amigável com a Geórgia. Ainda só foi titular uma vez, curiosamente no Euro’2020, mas tudo indica que, apesar da boa concorrência de Frenkie de Jong, De Roon, Wijnaldum, Koopmeiners ou Klaassen, tem tudo para se afirmar no elenco de Van Gaal e ser mais um produto bem-sucedido das escolas do Ajax. Com contrato apenas até 2023 e a boa campanha do clube na Liga dos Campeões, é perfeitamente possível que venha a ser alvo de assédio dos maiores tubarões nas próximas janelas de transferências, sendo que, em face do fulgor financeiro que o Ajax atravessa nesta fase e do seu empresário (Mino Raiola), quem quiser arrancar Gravenberch da Johan Cruijff Arena terá de abrir os cordões à bolsa.

2 Comentários

  • BENFICA36
    Posted Dezembro 16, 2021 at 10:22 pm

    O melhor médio centro jovem a jogar fora das big-5 .

    Um craque , faz lembrar Renato Sanches quando apareceu no Benfica. O Benfica podia apostar em Ronaldo Camará, Paulo Bernardo, Rafael Brito, Filipe Cruz, Henrique Araújo, Umbalo da mesma forma que o Ajax aposta nos seus jovens e neste sentido eu comparo os clubes e o que falta ao Benfica é a mentalidade do Ajax e a coragem de apostar nos seus jogadores.

    Com Jorge Jesus é impossível.

    Gravenberch no Benfica não conseguiria ser titular pois não teria treinador para apostar nele .

  • Gonssalo
    Posted Dezembro 16, 2021 at 9:06 pm

    Um autêntico craque. Para mim já impossível de comprar no Sorare…

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