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Cristiano Ronaldo: A Seleção Como Refém do Mito

O título, mais uma vez, é o grito de guerra dos invejosos e a verdade inegável dos pragmáticos: aos quarenta anos, a carreira do Capitão transformou-se numa gigantesca operação de stat padding, a acumulação histérica de golos em terrenos onde a competição tem a densidade de um pântano em Agosto. É fácil ficar-se grande a marcar pénaltis todos os jogos e a defrontar guarda-redes que mais parecem funcionários da câmara municipal em dia de folga. O campeonato saudita não é futebol de elite; é um circo dourado, um museu a céu aberto onde a peça principal é bem paga para continuar a exibir-se, protegida da voragem e do escrutínio do futebol europeu a sério. Não é o auge da carreira, é a reforma antecipada, mas glorificada pela ausência de bom senso dos acólitos.

A semana passada, a da expulsão e da consequente ausência no Dragão, foi o ato supremo de gestão da marca. Que ninguém se iluda com o castigo ou a sanção: o Capitão escolheu a luz. A mística da equipa, a necessidade de incutir respeito e moral no balneário, tudo isso vale menos do que a fotografia ao lado do magnata de cabelo laranja em Mar-a-Lago. O Cristiano Ronaldo não foi à Casa Branca ver um jogo de futebol; ele foi gerir a sua empresa bilionária. E a sua empresa exige que ele esteja onde a luz é mais forte, onde os flashes são mais caros e onde o retorno mediático supera em dez vezes o valor de um golo ou de um abraço aos colegas. Assistimos, com deleite, à histeria pateta da turba de moralistas que se indignou com a foto de Donald Trump e não se indigna com o dinheiro que patrocina os seus próprios clubes e as suas telenovelas. A hipocrisia é o único desporto verdadeiramente nacional: tolera-se a escravidão, a censura, a tortura, desde que venha de um regime que se alinhe com a nossa cartilha ideológica. Mas apertar a mão a um Trump – o demónio da direita, o gajo sem verniz – isso é que é o pecado capital. Que cinismo delicioso! O Ronaldo não se importa, e ao não se importar, ele esfregou na cara destes chorões de café a sua absoluta indiferença à sua moralidade seletiva.
Chegamos ao ponto nevrálgico, ao paradoxo tático que nos atira para a beira de um ataque de nervos. Sim, devemos-lhe tudo, e quem o nega é um ingrato. O seu legado é inquestionável. Mas o futebol moderno, caro leitor, é implacável e biológico. O problema não é a qualidade; é a função e a velocidade do corpo aos quarenta anos.

A Seleção, com Ronaldo titular, transforma-se num corpo que funciona em torno de um sistema solar onde o Sol já não gera tanta energia. Ele é o finalizador, o autoritário, mas é também o vigia no ataque.

O que se perde? Perde-se a fase de recuperação pós-perda no último terço. O avançado moderno é o primeiro defensor, a primeira linha de pressão que tem de fazer o sprint de 30 metros para sufocar o central adversário. Ronaldo não faz isso. Não pode fazer. E ao não o fazer, cria um vazio tático que tem de ser compensado. A linha defensiva afunda: Se o avançado não pressiona, os centrais adversários têm tempo para pensar e lançar. Isto obriga a nossa dupla de centrais (Rúben Dias e o seu parceiro) a recuar três ou quatro metros para anular a profundidade, encurtando o campo e dando espaço precioso ao adversário no meio-campo. Jogadores como Bruno Fernandes e Bernardo Silva não podem receber a bola a 30 metros da baliza; têm de recuar 10 ou 15 metros, recebendo a bola na zona de construção e não na zona de criação. São forçados a fazer corridas de compensação defensivas, gastando a energia que precisariam para o ataque. O jogo torna-se lento, previsível, horizontalizado, dependente da inspiração individual de quem tem de fintar no meio do campo e não na área adversária. A Seleção, em vez de fluir, engasga-se.
Na sua ausência, a Seleção respira. E não é por falta de génio, é por liberdade de movimento. Com um Gonçalo Ramos ou qualquer avançado móvel (“um “gajo que corra”), a equipa joga no ritmo europeu. O ponta-de-lança é um pistão: pressiona, corre na diagonal, abre alas, é o primeiro defensor. A equipa sobe o bloco defensivo para a linha de meio-campo. Recuperamos a bola mais à frente, no último terço, e a jogada de ataque começa imediatamente a seguir à perda da bola, antes que o adversário se organize.

Sobram assim espaços para os criativos: Bernardo, Bruno, e os extremos (Leão, Félix) recebem a bola em zonas de criação, perto da área, já em movimento vertical, sem terem de gastar energia a defender. O jogo torna-se vertical, rápido, imprevisível.

O treinador, Martínez, está a gerir um sarcófago de ouro. O ideal tático (Ronaldo como reserva de luxo para os últimos 30 minutos, onde a defesa adversária está cansada e o seu instinto finalizador é letal) é impedido pelo orgulho e pelo medo da explosão mediática. A Seleção é refém do mito. O preço da História é a perda de fluidez no presente. E é por esta escolha, entre a eficiência tática e o pânico político de o sentar no banco, que este país de invejosos continua a ter matéria-prima para chorar e criticar. A tragédia não é o declínio de um génio; é a sua insistência em ser titular quando o seu corpo já só lhe permite ser a melhor arma de recurso do mundo.

Visão de Leitor: Valter Batista

28 Comentários

  • Diogo Oliveira
    Posted Novembro 21, 2025 at 3:00 pm

    O problema do Ronaldo vai muito para além da vertente desportiva, pelo que falar deste tema sem trazer outras vertentes, é quase como querer falar português em Inglaterra, não dá.
    O Ronaldo sempre foi isto, sempre foi assim, a diferença é que antes trazia rendimento desportivo e, agora, traz, mas, apenas, contra as seleções pequenas.
    Teoricamente, ter o Ronaldo na seleção, ainda, podia ser válido, se ele aceitasse ter um papel mais secundário ou de arma secreta, porque o instinto de golo que ele tem, está lá.
    Agora, o Ronaldo manda na federação e faz o que bem lhe apetece. Pelos vistos, já temos um particular marcado com os EUA, alguém duvida que não foi o Ronaldo que intermediou isso ou, pelo menos, teve alguma intervenção?
    O Ronaldo já não é, apenas, um jogador da bola conhecido, é muito mais do que isso.
    Desportivamente, na minha opinião, ficamos sempre a perder porque ele já não nos oferece aquilo que há 10/15 anos oferecia, a idade passa por todos.
    Pena que a cabeça dele não pense assim.

  • Mantorras
    Posted Novembro 21, 2025 at 10:32 am

    Quanto a analise tatica do texto, é a analise que se faz ao futebol da seleccao ha anos, e que levou FS a sentar Ronaldo no mundial. Nada de novo. Continua-se a perpetuar o Ronaldo baseado em estatuto, como titular indiscutivel e um dos melhores PLs da actualidade quando esta longe de ser o jogador que foi outrora, mas os 1000 golos estao ao virar da esquina. Ja faltou mais.

  • Mantorras
    Posted Novembro 21, 2025 at 10:30 am

    As criticas a bajulacao ridicula ao Trump nao sao tao diferentes das que recebeu (e recebe) quando se tornou bandeira do regime saudita numa campanha de sportswashing. Sao as mesmas, e nao me parecem hipocritas nem invejosas. Sao quase banais de tao obvias.

  • Chopper
    Posted Novembro 21, 2025 at 7:38 am

    Alguém sabe como se muda a foto de perfil?

  • DNowitzki
    Posted Novembro 20, 2025 at 10:38 pm

    Então o homem foi para a Arábia Saudita promover um regime inqualificável, mas o problema é o Trump, que, com todos os seus defeitos, preside a um regime democrático?
    Ninguém que é adepto da Premier League ou de clubes como o Real, entre muitos outros, tem grandes sobressaltos com quem os financia, mas agora está chateado com o Trump?
    O Cristiano vive para si, não para os portugueses, e faz bem. Estes últimos é até são uns saloios na sua idolatria e fanatismo.
    O homem dá uma entrevista ao Morgan e, dias depois, janta com o Trump. Tudo muito preparado para o salto final. Brilhante! Só o posso aplaudir, porque mais uma vez fez dos tontos o que são: tontos .

  • BP
    Posted Novembro 20, 2025 at 9:42 pm

    Bom texto, embora imho peque por defeito. 30 minutos na segunda parte? A carreira dele acabou na Juventus, devia estar fora da selecção desde essa altura…se ele tivesse uma personalidade saudável e um ego sólido, tinha acabado aí a carreira, no topo do futebol europeu, o seu habitat natural em toda a carreira. Mas como tem uma personalidade patológica (narcissistic personality disorder, NPD) e um ego extremamente frágil, anda a marcar golos a contabilistas e bancários, num campeonato ridículo de um regime abjecto, a todos os níveis.

    Acho que sem ele, temos a melhor geração desde, pelo menos, a do Euro 1984, e seríamos dos principais favoritos a limpar o Mundial. Ainda no último jogo se viu o que joga a equipa na sua ausência, como já se tinha visto em todos os jogos em que tivemos a sorte de ele não estar. Sem ele, somos uma verdadeira equipa, os talentos superlativos soltam-se e é um chocolate que dá gosto ver, jogamos dez vezes mais do que o normal; com ele, jogam todos condicionados e castrados pelas necessidades patológicas do ego doente dele, o jogo da selecção passa de chocolate delicioso a uma penosa aula prática de Psiquiatria, área das perturbações de personalidade…

    Se ele realmente lá estiver em Junho, a minha primeira equipa no Mundial passa a ser Cabo Verde!

  • Stromp1906
    Posted Novembro 20, 2025 at 9:29 pm

    Ronaldo já é há alguns anos, mais problema que solução, sobre isso não há qualquer dúvida. Mas depois tem um problema acrescido, tudo o que faz é extrapolado ao limite. Agora até na vertente política. Foi visitar Trump, e? Se num Mundial nos tocar a Venezuela, não jogamos? Teve uma atitude lamentável no jogo com a Irlanda, em vez de se desculpar, quiseram desculpá-lo, tudo errado no que se refere aos conceitos de liderança, mas foi o único? Vi 2 vice capitães com uma atitude bem pior, e apenas o “suposto irresponsável” Félix a ter uma atitude digna, comentários? Muito poucos. A FPR enriqueceu por conta do Marketing de Ronaldo, e agora tem que equilibrar as contas até ele querer, algo absolutamente impensável numa Instituição para a qual grande parte dos comentadores deste espaço também contribuem.
    A FPR é a imagem do País, um espaço onde os de sempre comem tudo, e que por conta disso, fazem muito pouco.
    PS – Muitos parabéns pelo revigorado site, impecável!

  • beterrabapragmatica
    Posted Novembro 20, 2025 at 7:12 pm

    Um texto que toca nas verdades, mas que dispara ao lado inúmeras vezes. Dois pontos principais a comentar:
    1. Podemos condenar atos e ser indeferentes a outros (senão passavamos todas as horas a apontar o dedo, tal é a bagunça em que se vive hoje em dia). Apertar a mão e estar todo feliz ao lado de Trump, que está a tentar transformar a nação mais poderosa do mundo num gerime totalitário e é responsável pela ruína, morte e desgraça de milhões de pessoas não só na América como no Mundo, é claramente reprovável. Ainda mais quando és um milionário que não preciso disso para nada.
    2. Dizer que o sonho tático é que ele entre a 30 minutos do fim é anedótico. Primeiro porque o seu ego não lhe permite ser figura secundária e ia estar com uma cara de mal amado a puxar mais para baixo do que para cima. Viu-se o quanto se importa com a equipa quando, como capitão, falta ao jogo decisivo e vai de seguida à Casa Branca. A unica solução é ser afastado por completo e ir beijar os pés de magnatas à vontade, mas isso nunca vai acontecer. Segundo porque nem a 30 do fim nem na segunda parte do prolongamento. Não tem qualquer andamemto e qualidade para futebol de elite aos dias de hoje, muito menos numa das melhores seleções do mundo.

  • Paulo Roberto Falcao
    Posted Novembro 20, 2025 at 6:48 pm

    O inominável e inqualificável capitão da seleção mostrou nas duas últimas semanas que simplesmente ele não pode ir à seleção, uma vez que ele não é UM problema, como o texto sugere, ele é O problema. Precisamos de ser goleados por alguém para acordar, e pode ser que no Mundial isso aconteça. Para varrer toda a porcaria que abunda na Federação, e para começar de novo, com os excelentes jogadores que temos, os jogadores incríveis que aí vêm e com aqueles que ainda são promessas e já brilham. Não precisamos do inominável para absolutamente nada, e sinceramente não lhe devemos nada. Fomos campeões da Europa sem ele, e seremos campeões do mundo sem ele.

    • Bruno Cunha
      Posted Novembro 21, 2025 at 2:27 pm

      Honestamente Paulo uma goleada não resolveria nada, porque o argumento seria fácil e previsível – “Ele é defesa para impedir os golos?”.

      Foi colocado no banco 1 vez, na maior competição do mundo, dezenas de cameras a fotografa lo no banco de costas para os verdadeiros interpretes.
      Substituído por um miúdo de 20 anos, com uma pressão gigante em cima, e o que é que este faz? 3 golos – o único jogador a fazer 3 golos numa fase a eliminar desde Eusébio.

      Passaram 4 anos e ainda hoje ouvimos “Suplente para entrar quem? O Ramos, o suplente do PSG?”.

      Isto é cegueira, não há acontecimento no mundo que fizesse os cegos mudar de opinião.

      • Paulo Roberto Falcao
        Posted Novembro 21, 2025 at 2:57 pm

        Sim desse ponto de vista é verdade, mas sei lá talvez haver uma humilhação final para se fazer o que tem de ser feito. Um 7-1 como a Alemanha meteu no Brasil para acordarmos de vez.

  • MuchoG
    Posted Novembro 20, 2025 at 6:00 pm

    O culpado desta situação é 100% o Ronaldo.

    Já se percebeu que será sempre convocado pelo fator marketing, mas a maneira como todos no círculo da seleção (treinador, jogadores, dirigentes) agem é resultado de um ego do tamanho da lua que não tolera que o contrariem em absolutamente nada. Tem de ser sempre titular, tem de marcar todos os penaltis e livres, reclama quando sai sem marcar. A primeira pessoa que finalmente teve coragem para ir contra a vontade do rei foi despedido logo a seguir.

    Ainda podia muito bem ser suplente (até porque pontas de lança portugueses não abundam) e ao mesmo tempo um farol de liderança, um capitão, mas decide não o ser. Não que o Ronaldo não queria desesperadamente ganhar coletivamente, eu acho é que ele acredita piamente que ainda é um jogador de topo e que tem de ser o destaque em todos os momentos. E claro que ninguém nunca o desafiou, basta ver como colegas e selecionador falam dele, ainda têm a lata de dizer que é o melhor jogador do mundo.

    Portanto o caminho está traçado, até decidir sair pelo próprio pé, será assim que as coisas vão ser. E para ser um bocadinho simpático, é uma pena que o Ronaldo tenha passado os seus melhores anos em seleções medíocres e só no fim de carreira é que apanha um grupo de topo, mas foi assim que os dados caíram.

    • BP
      Posted Novembro 20, 2025 at 10:01 pm

      “Um ego do tamanho da lua”. Só à primeira vista e aparentemente, meu caro: na verdade, o ego dele está exactamente no pólo oposto. Ele tem uma personalidade patológica, de acordo com a evidência científica e a DSM-5 (narcissistic personality disorder, NPD), precisamente porque o ego dele é patologicamente frágil e inseguro!…é por o ego dele ser tão frágil e inseguro que ele tem tanta necessidade de constantemente se afirmar e se auto-elogiar!…olha à tua volta e repara: quem tem verdadeiramente um ego saudável, não tem essa necessidade de recorrer ao auto-elogio, essa necessidade de afirmação constante do ego…

      • BP
        Posted Novembro 21, 2025 at 3:58 pm

        Faltou-me partilhar uma imagem que explica ainda melhor a NPD: o amor próprio dos doentes de NPD é um poço sem fundo. Eles têm que estar sempre a tentar preencher o poço, mas nunca chega porque não fica nada, sai tudo por baixo…

        Curiosamente, o CR7 é um caso de livro, mas há um outro doente de NPD que ainda é mais um caso de livro: o actual presidente dos EUA tem nove em nove critérios de diagnóstico, quando a DSM-5 só exige cinco critérios para estabelecer o diagnóstico!

        Por isso, para mim aquele encontro na Casa Branca foi uma aula prática de Psiquiatria! :-D

    • beterrabapragmatica
      Posted Novembro 20, 2025 at 8:51 pm

      Essa das seleções medíocres também tem de acabar. Ricardo Carvalho, Pepe, Quaresma, Moutinho, Nani, Deco, Simão, Bosingwa, Maniche, Coentrão… para não falar que nessa altura pouco se importava ele com a seleção. Não estamos a falar de um Zlatan que jogou a carreira toda com taberneiros.

      • MuchoG
        Posted Novembro 21, 2025 at 9:11 am

        Se esse foi o melhor grupo que conseguiste encontrar então está tudo dito. Vai ver o 11 do Euro 2008, Mundial 2010, Euro 2012 e Mundial 2014 e compara com as seleções de topo da altura. Mesmo na vitória em 2016, o nível já tinha subido mas nem é comparável com o que temos agora.

        Basicamente foi a partir do início desta década que este grupo de topo se começou a formar e aí o Ronaldo já estava longe dos seus melhores dias. Merece todas as críticas que tem recebido mas neste aspeto para mim é factual.

        • filipe19
          Posted Novembro 21, 2025 at 2:49 pm

          A equipa de 2008 ainda hoje considero uma das melhores que alguma vez tivemos. Houve alguém, eu acho que foi um funcionário da UEFA, que disse que o melhor jogo que viu do Euro foi Portugal A contra Portugal B numa sessão de treinos.
          Tinhas com o Bosingwa e o Paulo Ferreira dos melhores laterais do mundo, Pepe e Carvalho a centrais, a meio o jovem Moutinho juntando ao experiente Petit. No banco como alternativa para essa posição ainda o Meireles, que mais tarde se vinha mudar para o Liverpool e depois para o Chelsea, e o Meira, capitão do Estugarda, que um ano antes tinha sido campeão alemão. Depois à frente tinhas o jovem Cristiano, nesse ano vence o seu primeiro ballon d´Or, o jovem Nani, Simão e o Quaresma nas alas. No centro o génio Deco atrás do Nuno Gomes.
          Eu ainda hoje estou convencido que o golo que sofremos contra a Alemanha, pelo Ballack, foi falta e assim lá fomos de vela logo no primeiro jogo a eliminar. Teríamos passado esse jogo, tínhamos via verde até à final e quem sabe….eu sei, muitos “se”s mas 2008 de certeza absoluta não tínhamos uma equipa fraca. Depois, sim. 2010 a equipa já era muito mais fraca, em 2012 o Paulo Bento por um triz não nos leva à final. Foi um torneio espetacular, para depois seguir o desastre de 2014. Talvez a pior equipa dos últimos anos. Depois, quando já ninguém acreditava vem 2016, e desde aí o talento da equipa vem cada vez a aumentar mais.

        • beterrabapragmatica
          Posted Novembro 21, 2025 at 11:05 am

          “O melhor que conseguiste arranjar” uma das melhores duplas de centrais deste século, e titulares de colossos da Europa. Fora outros bons jogadores que não mencionei. Tens estrelas mundiais que jogaram com completos desconhecidos na seleção a carreira toda. Não digo que éramos uma potência, mas não éramos uns desgraçados também. Às vezes parece que fomos uma Lituânia desta vida. A meu ver está mais ao nível de uma Croàcia recente, pequeno grupo de jogadores acima da média (alguns de classe mundial) e vários elementos competentes.

  • Flacko
    Posted Novembro 20, 2025 at 5:55 pm

    Concordo com a análise, mas a parte política podia ter sido deixada de lado – não porque não é acertada, mas porque não tem relevância desportiva.

    Ronaldo é o que é, e por mais que queiramos não vai mudar. A culpa é dele, mas não é só dele. A federação ser conivente com este triste espetáculo demonstra os interesses podres que rodeiam algo que devia ser definido pela lei da meritocracia e não por antologia ou interesses económicos difusos.

    Olhar para o que Ronaldo era e perceber aquilo em que se tornou é triste. Aquele ídolo de miúdo passou a ódio de estimação, e não sei se fui eu que mudei ou se foi Ronaldo. Terá sido Ronaldo sempre esta figura e a imaturidade tipica da idade ou admiração por uma história de superação de um conterrâneo não permitia ver quem Ronaldo verdadeiramente é?

    Dizem que nunca se deve conhecer os ídolos.. com este nem foi preciso.

    • Kacal
      Posted Novembro 20, 2025 at 8:01 pm

      Mas tu idolatravas o Ronaldo por aquilo que ele era e dizia? Eu cá idolatrava pelo futebol dele, pelos golos, pelos recordes, pela ética de trabalho, a determinação, a ambição de querer sempre mais. A carreira que obteve vindo do zero. O ser um exemplo para os mais novo como atleta, jogador e profissional. E tudo isso mantenho como ídolo. Agora o resto que ele diz e faz fora do campo e na sua vida não concordo com a maioria nem preciso. É lá com ele. Só na Selecção é que interfere connosco e aí acho que devia haver mudanças, mas aguentem mais um pouco que ele já disse que o Mundial 2026 será o seu último e portanto deve sair da Selecção após a competição, está quase. Com todo o respeito, mas se admiravas o Ronaldo pela pessoa que era e é, pelo que diz e faz, então foste inocente. Ele é Humano como todos e vai errar como todos e nem sempre esses ídolos vão ser alguém com quem nos identificamos. Eu também não me identifico com muita coisa que aconteceu com Maradona por exemplo, mas tenho a certeza que muitos também não mas o idolatravam (eu não vi jogar) e era pelo jogador que foi e a magia que tinha, não o resto.

      • Mantorras
        Posted Novembro 21, 2025 at 1:23 pm

        Eu nunca fui fa da personalidade do Ronaldo. Ele sempre foi egocentrico, imaturo e demasiado individualista, daqueles que se preocupa muito mais com ele proprio do que com a equipa. Desse ponto de vista, e ha aqui coisas que passam para o atleta Ronaldo – as birras, a necessidade de ser o foco de tudo, de se colocar acima do colectivo, etc – nao era exemplo para ninguem.
        Obviamente, nada apaga que fosse um grandissimo jogador, e acho importante o que dizes, separar o atleta da pessoa fora de campo, caso contrario muito idolo morre a nascenca. No entanto, tambem sempre me pareceu que muitos dos que defendiam as suas atitudes, ou faziam de conta que nao viam e as desculpavam com narrativas sem sentido, o faziam porque nao conseguiam admirar “so o atleta”, e desculpavam tudo porque “jogava muito e resolvia”, e com o tempo, as pessoas foram perdendo a paciencia, e tenho para mim que é muito por isso que na Europa ninguem de topo o quis, porque enquanto ele fazia tanto a diferenca ainda olhavam para o lado, mas com o declinio… ja nao vale o fardo.

        • Quinhas
          Posted Novembro 22, 2025 at 12:28 am

          Em primeiro lugar quero dar os parabéns a Visão de Mercado pelo a nova vestimenta, está espectacular!!!
          Mantorras,pura verdade o que dizes em relação aos fans do Tronco,a maioria nunca separa o jogador ,da pessoa,99,99 defende toda a parvoíce que ele diga,por isso chamo de SEITA FUNDAMENTALISTA.

        • Kacal
          Posted Novembro 21, 2025 at 8:15 pm

          Acho que é unânime que ele é um dos melhores atletas de sempre no desporto e eu referia-me meramente a isso, o quanto trabalhou para chegar a tal e continua em grande forma fisica aos 40 anos. Não me referia propriamente ao lado pessoa do atleta. Acho que a nível de trabalho fisico e patamar que atingiu no prime, longevidade, como ainda está hoje e a forma como se alimenta e trata do corpo e estilo de vida (saudável) é um exemplo para os mais novos. Foi nesse sentido que quis falar do atleta.

          De resto sim, ele foi mostrando mais algumas facetas menos positivas com o tempo, mas eu cá sempre idolatrei o jogador em si, o atleta (fisico, estilo de vida saudavel e por aí) e o profissional (ética de trabalho, dedicação e rendimento) dele, os golos, os recordes. E não a personalidade e muito menos a pessoa. Daí que saiba distinguir as coisas e devíamos todos faze-lo senão é normal que não consigamos ter esses ídolos do futebol.

      • beterrabapragmatica
        Posted Novembro 21, 2025 at 10:58 am

        Ele fez um post gigante a dizer que o mundial de 2022 era um sonho e o último. Não foi o último e já nem é um sonho. E se ser um obcecado, narcisista e que não dá espaço aos outros e passa por cima de todos é um exemplo aos mais novos… a sua mentalidade não é exemplo para ninguém e uma vida equilibrada é mais importante que qualquer sucesso desportivo/económico. E saber lidar com o fracasso e dar a cara nas horas más, mais ainda.

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