Desde que em 2014-15 voltou o sistema de 34 jornadas que o campeão fez sempre mais de 80 pontos, o que demonstra a falta de equilíbrio na nossa Liga. O recorde de pontuação pertence ao FC Porto de Sérgio Conceição, que na época transata realizou 91 pontos. No máximo deste sistema, uma equipa pode fazer 102, o que significa que os “dragões” conquistaram cerca de 89,21% deste valor.
Na verdade por seis vezes a barreira dos 85 pontos foi igualada ou ultrapassada pelo vencedor. Se nos focarmos nos 80, por outras seis ocasiões, o segundo classificado suplantou tal pontuação (em 2015/16 chegou até aos 86 pontos). O que se pode retirar destes números é que certas equipas (neste caso os “três grandes”), se destacam com imensa facilidade. Não é normal um clube conseguir uma percentagem de pontos realizados tão próxima dos 100%, muito menos quando um outro candidato ao título alcança valores elevados. Ao fazermos uma comparação com a Bundesliga, que tem as mesmas 34 jornadas, no mesmo período temporal, o FC Bayern somente atingiu a casa das oito dezenas por quatro vezes, nunca com os valores do FC Porto de 2021/22 e o segundo classificado jamais chegou a tal marca.
O desequilíbrio no futebol português produz este resultado, não estando prevista qualquer manobra para o inverter, a curto prazo. Os orçamentos apresentados pelos candidatos ao título são cada vez mais superiores, a rechearem as equipas com internacionais e atletas valiosos. Estes futebolistas, como Trincão ou Enzo Fernández, elevam o nível do nosso campeonato, mas vão aumentando a distância entre Sporting CP, FC Porto e SL Benfica e os demais. A capacidade financeira mais elevada leva a que os bons ativos das restantes instituições, sejam abordados e adquiridos pelos “pesos pesados”. Há inúmeros casos: Nuno Santos, Taremi, Zaidu, Morita, David Carmo, Musa, Chiquinho… A quantidade de jogadores que saem de um “bom projeto”, leva a que este não possa ter continuidade e que a equipa X não conseguia retirar pontos aos “grandes” nos anos seguintes à perda dos seus craques (isto na teoria e que se tem vindo a confirmar na prática). Ao explorarmos o nosso passado futebolístico, vemos que somente o SC Braga tem alguma consistência em reformular o plantel e a conseguir “dificultar a vida” aos previsíveis três primeiros classificados, ainda que tenha perdido elementos para os mesmos (Rafa, Paulinho, Carmo…). A substituição das peças tem sido realizada com relativa qualidade, apesar de ser cada vez mais complexa a tarefa de chegar ao pódio (que tem uma pontuação cada vez mais elevada). Todos os outros não conseguem atingir a continuidade e crescimento. Um exemplo do passado: Rio Ave FC de 2020/21. Perdeu Taremi, Nuno Santos, Matheus Reis (em Janeiro, somente atuou em 2 jogos pela equipa dos Arcos até ao mercado de Inverno) e Carlos Carvalhal, acabando por descer de divisão depois de uma qualificação para a Europa League. A espiral negativa que entraram e a escolha errada de certos elementos levou ao triste final. A equipa de Vila do Conde em 2019/20 venceu e empatou com o Sporting CP e dividiu pontos com o FC Porto, em pleno Estádio do Dragão. São cada vez menos as equipas que atingem estes resultados, o que leva ao aumento de vitórias dos primeiros classificados (e não só).
Passou a existir uma certa “estratificação” no futebol português. Sporting CP, FC Porto e SL Benfica no pódio (mesmo que algum deles esteja a passar por uma certa dificuldade), com dois destes anualmente a conseguir uma “barbaridade” de pontos, SC Braga como favorito para o quarto lugar e em seguida os “restantes” (com todo o respeito pelas instituições). Mesmo o Vitória SC, desde 2014/15 conseguiu ficar por três épocas em quinto lugar ou melhor (quarto lugar com Pedro Martins, 62 em 2016/2017). A facilidade com que se consegue passar a fasquia dos 80 pontos vem dos jogos com os tais “restantes”. A diferença de qualidade tornou-se tão drástica que as vitórias são realizadas sem o mínimo de dificuldade, na maioria das vezes. Cada vez há mais goleadas (SL Benfica de 2018/19 marcou 103 golos) e um campeão com um “score” muito positivo (Sporting CP de 2020/21 foi o que somou menos golos, 65, porém a equipa de Amorim não era conhecida pela sua avalanche ofensiva), o que traduz a simplicidade que existe. Os próprios adeptos dos candidatos ao título cada vez mais assumem que o plantel é “para ganhar 90% dos jogos”. Infelizmente até mesmo as deslocações que anteriormente eram mais complexas estão a tornar-se cada vez menos exigentes, mesmo que historicamente sejam respeitadas.
A solução que é defendida por certas personalidades do Mundo do Futebol Português é a redução do número de equipas. É certo que diminuiria o número de pontos de quem vencesse a Liga Portugal. Mas ultrapassaríamos esta desigualdade? A barreira continuaria a ser um valor muito alto, em comparação com o número total de pontos que se podem atingir. É inevitável uma melhoria orçamental por parte dos clubes para reduzir tal desequilíbrio. Daí a ansia pela centralização dos direitos televisivos, expectada para 2028/29.
Mesmo que certos clubes pratiquem um futebol positivo, ganhar aos protagonistas da Liga Portugal é muito complexo, o que se adensa a cada ano que passa. Com cerca de 40% das equipas a lutarem por objetivos humildes (leia-se, a manutenção), e com os “grandes” a montarem plantéis assustadores (para a nossa realidade), a barreira dos 80 pontos passou a ser básica. Se continuarmos a este ritmo, até mesmo a dos 85 será encarada com alguma facilidade, por parte do campeão.
Visão do Leitor: Ricardo Lopes


36 Comentários
Pormenor Tatico
A tendência é os grandes fazerem cada vez mais pontos, mesmo que possam ter plantéis mais fracos, isto parece confuso, mas não é, os pequenos têm cada vez mais dificuldades em contratar bem, mesmo tendo mais receitas que anteriormente e quando o fazem, são logo obrigados a vender e têm que revolucionar todo o plantel.
Já disse que não acredito que 85 pontos sejam suficientes, o ano de covid foi uma exceção, a bitola vai andar nos 90 ou perto disso, até pode passar como na época passada.
Até Bragas, Guimarães estão muito mais fracos, vejo pouquíssimas equipas a fazer frente aos grandes.
Acredito
Pormenor Tatico
*Acredito que o Sporting seja campeão, pois têm um plantel claramente melhor esta época, com mais qualidade em todas as posições, para além de ser o 3º ano de Amorim, mantendo a base, a equipa acaba sempre por se consolidar, como aconteceu na época anterior.
Só tenho pena que a gestão financeira e desportiva não seja melhor, mas acredito numa consolidação do Sporting a partir de agora, já não podemos falar num plantel em construção, há capacidade para ser campeão todas as épocas.
Neville Longbottom
Alguns users deste blog deviam por os olhos neste comentário em vez de começarem a generalizar sobre nós.
Para depois não sermos obrigados a ler que temos medo de nos assumirmos como candidatos.
Manel Ferreira
Muito gira esta conversa da competitividade, mas aposto que se os grandes desatassem a perder pontos, ninguém falaria do aumento de qualidade dos pequenos, mas sim de como os grandes estão fraquissimos e por aí fora.
Ou seja, iamos dar às mesmas conclusões, que já estão decididas à partida nas mentes catastrofistas e “é tudo horrível” que pululam pelos blogs.
Eu cá vejo clubes pequenos/médios cada vez mais ben geridos, com bons projectos, onde se trabalha muito melhor e com mais capacidade para atrair talento de boas formações e a fazerem cada vez melhores vendas. Mas sei que estou sozinho aqui…
MM
Com a centralizacao dos direitos televisivos ha o risco de nivelamento por baixo, ou seja, maior imprevisibilidade de resultados, mas tb piores prestacoes dos grandes na europa.
Por isso os 3 grandes tentam fugir da centralizacao, porque a curto prazo provavelmente recebem menos, e com isso terão mais dificuldades em competir na europa.
De resto, o campeonato como está nao entusiasma pela previsibilidade de resultados, pelos horarios dos jogos, pela falta de tempo util, etc etc.
Acho qie tem de haver uma analise alargada ao futebol portugues e nao pegar especificamente nos pontos que o campeao faz..
Pedro Geraldo
Pedem competitividade mas cai o Carmo e a Trindade sempre que um dos três grandes não ganha um jogo. Então aquela expressão “perdeu pontos” como se fosse um direito adquirido…
FiliGon
Se o Amorim ficasse 2 ou 3 anos no Braga acredito que seria campeão e isso seria importante e revolucionário em Portugal. Em relação ao grandes vou falar do que me interessa que é o Benfica e devo lançar o alerta que é a falta de banco. O 11 titular tem algumas lacunas sim, mas a falta de banco é ainda mais preocupante e pode custar alguns pontos nas fases mais adiantadas da época. Já agora é preocupante também o facto de ninguém ter feito nada em relação às arbitragem. Vamos mandar 0 árbitros ao mundial e os responsáveis por esta área preferem fingir que está tudo e que quem escolheu os árbitros está errado.
Resta-me só desejar muito sucesso desportivo e financeiro (para quem apostar)!!!
poborsky7
Mais preocupante que isso é que tanto o Porto como o Benfica têm planteis bastante inferiores a outrora… O Porto de Hulks, Falcões etc, o Benfica de Gaitan, de Di Maria, de Cardozo etc, na minha opinião só o Sporting tem nos últimos tempos planteis melhores do que há uns anos atrás, mas inferior por exemplo ao Sporting de João Pinto, Jardel e Niculae.
A conclusão que tiro é que os chamados “pequenos” ainda estão piores a cada ano que passa, e é realmente frustrante saber quase de antemão que um clube grande em casa contra um clube do 6º lugar para baixo tem praticamente certa a vitória, e se perdem pontos é quase por azar..porque é uma raridade um clube pequeno se superiorizar a um clube grande.
Ser campeão com quase 100% de vitórias extra grandes faz do nosso campeonato um campeonato com muito pouco interesse, talvez por isso e pelo futebol jogado fora das 4 linhas é que eu acompanho cada vez menos o nosso campeonato.
lipe
Na generalidade está tudo pior, dos grandes aos clubes que lutam pela manutenção. É uma tendência muito difícil de inverter para campeonatos periféricos como o português. Mantendo-se o padrão que se vem verificando, os únicos campeonatos que vão continuar a melhorar serão os principais campeonatos europeus, secando os que existem à sua volta.
Quando o Porto jogava com Hulks e o Benfica com Di Marias, os grandes portugueses tinham capacidade para ir à América do Sul comprar bons jogadores a preços relativamente baixos. Hoje em dia um Real Madrid vai ao Brasil buscar um Vinicius Junior por 50 milhões de euros. O mercado mudou, a verdade é essa.
Boneco21
Desculpa, mas não concordo nada com isto, e sei que é uma verdade quase unânime hoje em dia, mas eu teimo em discordar…
O Porto comprou o Hulk a uma equipa japonesa, onde ele nem sequer tinha lugar e estava emprestado a uma equipa do fundo da tabela. O James Rodriguez jogava no Banfield… É certo que jogadores como o Lucho e o Falcao já tinham estatuto e jogavam no River. Mas o Porto que os foi buscar, é o mesmo que recentemente comprou o Luis Diaz, o Pepê, o Verón, o Otávio ou o Evanilson. O Benfica que foi buscar o Di Maria ao 12º classificado da Argentina, o Cardozo ao 14º da Argentina, o Gaitán ao 16º (sim, o Boca foi 16º na última época do Gaitán lá), e também o Ramires, o Maxi Pereira, o Rodriguez, etc., é o mesmo que agora compra titulares da seleção brasileira (Everton), Enzo Fernandez, Lucas Veríssimo, João Victor, Pedrinho, etc.
A narrativa que se passa hoje em dia é que o Porto e o Benfica nessa altura iam comprar os maiores craques da América do Sul e hoje em dias os tubarões europeus não deixam, o que não é verdade. Saviola, Cambiasso, Adriano (imperador), Fernando Gago, Riquelme, Marcelo, Aguero, Kaká, Alexandre Pato, Robinho, Higuain, Neymar, tudo diretamente da América do Sul para grandes clubes europeus. Estes é que eram os craques lá, o Porto e o Benfica iam buscar os melhores dos clubes do meio da tabela.
Eu não vejo grande diferença, muito sinceramente…
Big Lebowski
Não me parece. Não vejo as equipas pequenas mais fortes para que isso aconteça. Seria preciso termos 4/5 equipas como o Gil Vicente do ano passado, pelo menos, e, à data de hoje, (mais) nenhuma aparenta ter essa força.
Mesmo os grandes, embora possam estar mais fracos “entre eles”, não deixaram diminuir a diferença para os outros,
Aliás, cheira-me que o campeão vai ter de fazer, pelo menos, 85 pontos.
Kafka
Ainda assim e apesar de achar q será preciso entre 88 a 92 pontos para ser campeão, acredito que este ano andarão os 3 juntinhos pelo menos até ao início da 2a volta… Algo que já não acontece há bastantes anos, por norma no início da 2a volta já só restam 2 candidatos
A falta de competitividade geral, fará com que os 3 ganhem os jogos quase todos e isso acaba por tornar competitiva a luta na frente,
Kafka
Fora de questão, o fosso não pára de aumentar dos 3 grandes para os restantes, portanto para ser campeão será preciso entre 88 a 92 pontos
Antonio Clismo
O Visão de Mercado deveria era fazer uma notícia sobre a vergonha de 2/3 dos atletas a comepetirem na Primeira Liga portuguesa serem estrangeiros. Isto nunca aconteceu, aliás, tem vindo a piorar lentamente de ano para ano…
Diogo Moura
Ora aí está uma boa altura para entrares no “Visão do Leitor”. Escreve tu um artigo, se for bom, o VM publica. Força nisso Clismo!
Francisco Ramos
Se olharmos para as estatísticas, para se atingirem, no mínimo, 80 pontos por jogo, significa que se conquistam em média 2,35 pontos/jogo. A última vez que a média foi inferior a isto foi na longíqua época de 2008/2009, há 14 épocas atrás! Inclusive o 2º classificado, neste mesmo período conseguiu uma média superior a isto em 8 das 14 épocas, quase 2/3 do mesmo.
Isto diz-me que a probabilidade de acontecer uma pontuação abaixo disto é muito pequena, tenha sido campeão o Benfica, o Porto ou o Sporting. E com a diferença entre as equipas ditas grandes e as restantes é cada vez maior, também não vejo que possa existir muitas equipas a tirar pontos a estes 3!
Neville Longbottom
A resposta à pergunta do post é muito simples: Não. E sou capaz de apostar as chaves do meu carro nisso.
As minhas previsões para o top 5 da Liga:
1 – FC Porto (entre 85 e 90 pontos)
2 – SL Benfica (entre 82-87 pontos)
3 – Sporting CP (entre 76-81 pontos);
4 – Sp. Braga (entre 62 e 67 pontos);
5 – Rio Ave (entre 46 e 51 pontos).
No cenário mais otimista, 3 equipas ultrapassam os 80 pontos, mas garantidamente 2 delas ultrapassarão, com margem e facilidade até.
Percebo a questão da centralização dos direitos, acho que poderá dar outro tipo de armas a clubes médios do nosso futebol e seria muito interessante que assim fosse. Todos conhecemos bem a estrutura de um clube de topo, mas talvez fosse interessante uma associação entre a Liga e algumas consultoras (big4) para que fosse dada formação efetiva de gestão estratégica a pessoas em cargos de relevo (diretores desportivos por exemplo). Acho que as equipas portuguesas tinham muito a ganhar com isso.
SL
Jeco Baleiro
O campeão até podia fazer os 102 (utópico) se fosse absolutamente justo e inequívoco. Agora fazer 91 em que grande parte deles frutos dos serviços dos artures desta vida é que está mal. Recorde pifio.
A facilidade em amealhar grandes somas de pontos mostra-nos um problema de competitividade. A forma trapaceira e ilegal como são obtidos muitas vezes mostram-nos problemas sistémicos e de desrespeito pela competição.
Estigarribia
Este campeonato vai ser dos mais disputados este ano. Senão vejamos:
– o FC perdeu Vitinha, Fábio Vieira e Chancel Mbemba (este a custo zero), mas manteve grande parte dos jogadores da época passada, como, por exemplo, Taremi, Evanilson, Uribe, Otávio e, sobretudo, Pepe. A juntar a esses nomes, ainda contratou jogadores como Gabriel Veron que podem ter impacto cá no nosso Tugão. E mantém o treinador mais uma época desde 2017-2018;
– o Sporting perdeu Palhinha para o Fulham por uma boa quantia de 20M€, mas garantiu reforços muito bons como St.Juste, Morita ou Francisco Trincão, por exemplo. A juntar a isso Pote voltou, pelo que se viu na pré-época, a acertar com a baliza – agora é fazer o mesmo ou melhor que 2020-2021. E, tal como o FC Porto, os leões mantém o técnico e uma ideia de jogo mais consolidada;
– o Benfica iniciou uma autêntica revolução alemã e com um treinador, Roger Schmidt, que aposta num futebol de alta pressão, que pode resultar, ou não, no nosso campeonato. Além disso, jogadores como Enzo Fernandez, David Neres, Florentino, Gonçalo Ramos ou Henrique Araújo, por exemplo, irão ter impacto no futebol português e encaixam na filosofia de jogo do técnico germânico.
Posto isto, este campeonato não acredito se chegue aos 85 pontos ou mais e poderá ficar muito perto daquele campeonato de 2004-2005 onde se discutiu o título até às últimas duas jornadas, se não estou em erro.
Saudações Leoninas
Diogo Moura
Epa, esse campeonato é que não! Celebrei efusivamente, porque sou adpeto do Benfica quando começou o Vietname e aquele título soube a picanha. Mas desde que vejo futebol, foi possivelmente o mais pobrezinho que tenho memória. É que ninguém jogava NADA! Nem o Benfica, nem o Porto, nem o Sporting. Venceu o que jogou menos mal.
Uma luta acesa, sim. A jogar um futebol deplorável.. Não obrigado.
Fireball
Bem, a Premier League atualmente anda parecida, mas acho que é mais mérito de Liverpool e Man City que demérito dos “pequenos”, já que os outros clubes grandes, Chelsea, Man Utd, etc, também gastam balúrdios e não conseguem essas percentagens de pontos.
Mr. Mojo Risin'
Confesso que seria giro, voltarmos a ver um campeonato como 2004/2005. Obviamente que iríamos estar todos aqui a bater na falta de nível dos grandes que andavam a escorregar todos os jogos e a jogar perto de zero, mas seria interessante essa imprevisibilidade que de há anos para cá desapareceu. Em termos de top 4, já sabemos que pelo menos dois grandes vão voltar a rondar os 85 pontos para cima, o outro grande estará isolado no 3º e o Braga em similar ilha no 4º é o desfecho mais provável.
Recordo que em 04/05, os grandes venceram 19, 17 e 18 jogos das 34 jornadas. Pouco mais de metade. Impensável nos dias atuais.
Neville Longbottom
Ninguem mandou o Peseiro largar pontos ridículos com o Penafiel ou sermos goleados pelo Marítimo numa exibição patética na Madeira. Melhor ainda em 12 pontos contra Nacional e Marítimo fizemos…zero.
Por acaso bem fixe esse ano. Mamar um golo aos 86 que nos tira o campeonato…
Footfan
Verdade, mas por acaso penso que uma boa métrica para contrariar essa falta de nível dos grandes poderia ser a prestação europeia.
Por exemplo, a perderem imensos pontos e chegarem quase todos aos 4os da champions ou bastante longe na LE, será que assim seriam assim tão fracos?
Abraço
Mr. Mojo Risin'
Se esse cenário hipotético se colocasse atualmente, não vejo como seria plausível os grandes terem dificuldades contra os Aroucas e Vizelas jornada após jornada e depois baterem-se com o nível atual que há atualmente na Europa. Até jogando contra clubes de ligas periféricas. Apanhar uma equipa austríaca hoje não é o mesmo que em 2005. Nem vou aos colossos.
Podem haver exceções, Sporting de Sá Pinto ou o Benfica de Koeman atestam a isso, mas não me parece que era possível haver grandes prestações europeias atualmente num cenário hipotético em que os grandes ganhariam pouco mais de 50% dos jogos na liga.
Jeco Baleiro
Mas esse campeonato também foi uma ilha, completamente anormal o campeão fazer 65 pontos. Mas foi emotivo claro.
O normal sempre foi o campeão fazer entre 75 e 80 pontos (convertendo a vitória a 3 pontos), tendo entre 22 e 25 vitórias (com excepções aqui e ali). Na última década é que se começou a passar recorrentemente a barreira dos 85 pontos e das 26/27 vitórias.
MuchoG
Acho que todos gostaríamos de um campeonato mais competitivo, onde uma deslocação de um dos grandes a Guimarães, por exemplo, acarretasse um real risco de perder pontos. Como benfiquista, lembro-me de ter mais medo desse jogo em especifico do que tenho agora, parece que o Benfica ganha lá sempre.
E a subida do Sporting a uma real ameaça tornou as coisas melhores, um campeonato a 3 é melhor que um a 2. Temos ligas de topo onde só há 2 ou até um real candidato.
Claro que o nível médio dessas ligas é muito superior ao ponto que se pode desfrutar de um jogo de meia tabela, o mesmo não se pode dizer de Portugal. A divisão de 80/85/90% dos adeptos pelos 3 grandes também é um problema, o Benfica vai a Moreira de Cónegos e está a jogar em casa. Isso não se vê em locais como os Países Baixos, Escócia, França, etc.
O problema dos adeptos não sei como pode ser resolvido, o nível médio teria de melhorar com os outros clubes a terem mais recursos, se a centralização dos direitos televisivos o permitirá, teremos de esperar para ver.
O maior problema do campeonato português continua a ser o ambiente geral que se vive em torno do futebol, acho que todos percebem do que estou a falar. E como benfiquista, não vou fingir que o meu clube não tem telhados de vidro, mas já manifestei a minha opinião mais que uma vez neste espaço, que o maior culpado é um certo clube.
O ambiente que criaram em torno dos árbitros, o clima de medo que vai deste o presidente, ao treinador, às claques (aparecer num estágio com todos os árbitros presentes, nada aconteceu), aos jogadores. Esta última edição do campeonato foi uma vergonha e prova do quão tóxico o futebol português.
E não é o Porto o único culpado, a cultura geral do adepto português também é um fator e isso é algo muito difícil de mudar. Se isso foi um resultado de certas pessoas/clubes ou se é intrínseco aos portugueses, não consigo responder. Teria que ser um esforço coletivo de todos nós, mas há muitas entidades que preferem deixar as coisas como estão.
Também não confio na liderança da Liga para resolver o quer que seja quando somos presentados com vergonha após vergonha e não se tomam medidas. Também são culpados pelo clima que se vive no nosso futebol pela sua falta de ação.
Rezo que a centralização dos direitos televisivos pelo menos torne as equipas abaixo um bocadinho mais competitivas, mas não tenho esperança para a resolução do resto dos problemas. E até 28/29 ainda falta muito tempo, até aí prevejo que teremos os campeões quase todos perto dos 90 pontos.
Dario Nunes
A nossa liga é competitiva numa maneira própria: Embora os três grandes( e em certa medida o Braga) estejam bastante acima dos outros clubes, é dos poucos campeonatos na Europa em que se possa dizer que existam 3 candidatos ao título. É também muito competitiva na luta pela manutenção e na luta pelas competições Europeias. Na minha opinião é uma liga que é competitiva dentro dos principais grupos de objetivos( manutenção, Europa e Campeonato) mas que depois peca por ser muito difícil que um clube dê o salto de um grupo para o outro, pois tirando o Braga, os outros clubes ditos pequenos têm muita dificuldade em manterem-se no nível médio( o das competições Europeias) durante muito tempo, sendo que essas vagas são frequentes ocupadas por clubes diferentes. É também assim muito difícil ao Braga conseguir “dar o salto” e passar de um clube que vai com frequência às Europa para um que dispute o campeonato.
Ainda assim, acho que temos um campeonato interessante, na minha opinião dos mais interessantes da Europa.
lipe
O nosso campeonato é interessante da mesma forma que um descarrilamento de um comboio é interessante.
Escreves que o nosso campeonato é competitivo na decisão do campeão: onde só houve 5 campeões em quase 100 anos de futebol – nos últimos 20 anos só havia 2, até o Sporting ter rompido a tendência; escreves que é competitivo na luta pela Europa: quando o pódio está decidido à partida e o 4º lugar também tem Braga escrito na testa. Na parte da manutenção acabo por concordar.
Espanha também tem 3 candidatos ao título, e vários “Bragas”. Itália tem 2, 3 ou até 4 candidatos ao título, dependendo da época. Inglaterra tem 2 super clubes, é um facto, mas isto é um fenómeno recente, existindo à volta de 6 clubes que realisticamente poderiam almejar lutar pelo título. França sim, tem um candidato, mas também é um fenómeno recente visto que antes da injeção de petró-dólares no PSG era claramente o campeonato mais imprevisível da Europa (de 2007 a 2013 houve 6 clubes campeões diferentes, por exemplo). Na Alemanha sim, há um único candidato (e mesmo assim, no século XXI já 5 clubes diferentes foram campeões alemães, tanto como em toda a história do futebol português).
Alemanha já teve 29 clubes campeões, Itália já teve 16, Espanha já teve 9, França teve 29 e Inglaterra teve 24 (7 na era Premier League, isto é, desde 1992).
Não há sequer comparação. O campeonato português é interessante para os portugueses porque é o nosso e jogam lá os nossos clubes; de resto a verdade é que quase ninguém de fora se senta para ver esta porcaria.
E tudo isto é só falando em relação ao futebol jogado, nem referi todo o espetáculo degradante que acontece nos bastidores e os dezenas de estádios que passam a época toda às moscas.
Dario Nunes
Concordo em muitas coisas, mas não acho que o facto de historicamente só termos tido 5 campeões seja relevante para averiguar a competitividade do campeonato: na Alemanha já houve mais de 10 vencedores e no entanto atualmente só há um candidato ao título.
Discordo também da ideia de que em Itália “existem 3 ou 4” candidatos ao título: A Juventus ganhou 9 seguidos e atualmente parece-me que só há 2 candidatos, pois penso que o doMilan o ano passado foi consequência de uma conjetura que muito dificilmente se repetirá. Em Espanha há 3 concordo e em Inglaterra há 2, também concordo. Depois não percebo porque é que não se pode considerar que haja uma grande luta pela Europa em Portugal: nos últimos 5 anos ficaram em posições de ida à Europa(pelo menos aos play-offs): Vitória de Guimarães, Santa Clara, Paços de Ferreira, Gil Vicente, Rio Ave, Chaves, Moreirense e Famalicão. Ou seja, 8 equipas diferentes ficaram nos quintos e sextos lugares neste período.
Por fim concordo com o parágrafo final referente à qualidade de jogo.
cmche1111
Se o tugão mantiver a vergonha que se passou no ano passado, o Porto até chega é aos 100 pontos, contra tudo e contra todos.
Sportitatic23
E é mau? Dá para um gajo encher os bolsos. Quem nao aproveita muito burro tem de ser, ano passado fartei me de fazer dinheiro com eles
GoldenFCP
Como português gostava que a nossa liga tivesse mais competitividade. Para isso acontecer os grandes iam ter de deixar aparecer equipas mais pequenas e portanto não iria haver pontuações como a dos últimos anos. A
Agora como pessoa que gosta de meter umas notas de vez em quando no Benfica Porto e Sporting quem me dera que eles ganhem sempre. A liga portuguesa, tenha os defeitos que tiver, deve ser o paraíso para apostadores estrangeiros. Há alguma outra liga na europa que o campeão faz 91 pontos e o segundo classificado 85?
Sportitatic23
Na inglesa ambos passaram os 90 pontos penso eu. De resto concordo com tudo, um gajo tem de aproveitar para ganhar dinheiro pq a competitividade nunca vai existir.
Onde é que vai existir competitividade numa liga em que há equipas que gastam 100M por ano e outras que tem de ir buscar jogadores á 3a liga e á Serie D brasileira?
Boneco21
Ambos passaram os 90 pontos, mas o campeonato deles tem mais 12 pontos em disputa… O Porto fez 89,21% dos pontos, enquanto o City fez 81,58% dos pontos possíveis no seu campeonato, não é bem a mesma coisa…
Neville Longbottom
Passaram os 90 pontos mas havia mais 12 em disputa…
A Juventus com o Conte chegou aos 102 pontos se não estou em erro.