Não é a mais glamorosa competição do mundo do futebol, nem tampouco a que chama mais a atenção dos adeptos casuais, mas o Championship é um dos poucos campeonatos que, mesmo após severas mudanças ao longo dos anos neste desporto, consegue manter viva uma aura muito própria, cimentada a cada edição que passa. Isto porque a Segunda Liga Inglesa, à falta dos nomes de cartaz que abundam na Primeira (e os grandes destaques da derradeira prova conseguiram a promoção), responde com uma paixão e um comprometimento únicos, por todos os elementos do jogo (de fãs a jogadores, passando naturalmente pelas equipas técnicas) que a tornam numa das mais entusiasmantes provas anuais do desporto-rei.
Para esta época, que começa esta noite, a expectativa é, portanto, elevada. Após sucessivos anos de emoções ao rubro, que marcaram regressos há muito aguardados de históricos do futebol britânico ao escalão principal, nesta temporada 24 emblemas, cada um há sua maneira (e com as armas há disposição), procurarão seguir o exemplo de Wolverhampton, Fulham e Cardiff, os três “sortudos” que entraram na Premier League esta temporada. Será uma campanha longa (dura até finais de maio), árdua, competitiva, plena de altos e baixos mas que, no fim, trará a devida compensação aos audazes.
Olhando para os conjuntos que a partir de hoje entrarão em acção, notam-se óbvias disparidades – é que apesar das surpresas serem o prato do dia, milagres são francamente raros -. Assim, podemos esperar que clubes como o recém relegado Stoke City (embora tenha perdido bons talentos – sobretudo Shaqiri – mantém um elenco claramente acima da média do Championship, onde despontam as aquisições Ashley Williams, Etebo, McClean e Tom Ince, não esquecendo Afellay, Joe Allen, Fletcher e Choupo-Moting), Nottingham Forest (grande aposta para este ano, tendo mesmo em João Carvalho a maior contratação do Championship), Middlesbrough (o Boro, que no ano passado só caiu no playoff, conta com a importante experiência de Tony Pulis no banco e com atletas ambientados a este nível), Derby County (a chegada de Frank Lampard como treinador principal e a boa qualidade do futebol apresentado na pré-época fazem sonhar os adeptos de uma equipa que mescla na perfeição veterania com juventude, tendo em Harry Wilson e Mason Mount, com 21 e 19 anos, respectivamente, nomes em foco), Swansea (há uma descrença generalizada na capacidade da turma galesa, mas um plantel que conta com Naughton, Fede Fernández, Leroy Fer, Tom Carroll, Jordan Ayew, Narsingh e Bony tem de estar entre os candidatos), West Brom. (a frente de ataque, com Oliver Burke, Rondón, Chadli e Jay Rodriguez é das mais fortes da Liga), Leeds United (a contratação de Marcelo Bielsa como técnico dá esperança aos fãs do Leeds, embora nem sempre a vinda do lendário argentino seja sinónimo de bons resultados) e Aston Villa (os villages perderam contra o Fulham na final do playoff, sendo que deixaram sair Snodgrass, um dos atletas mais decisivos na última época, mas seguraram Jack Grealish e, caso jogadores como Kodjia e McCormack regressam ao nível que já apresentaram, Steve Bruce terá boas condições para recolocar este histórico na Premier League) estejam até ao final, no mínimo, na luta por um lugar no playoff.
Na perspectiva portuguesa, será também interessante acompanhar o que a armada lusitana será capaz, este ano, de fazer no Championship. Depois da tremenda preponderância de Ivan Cavaleiro, Hélder Costa, Diogo Jota e Rúben Neves no trajecto triunfante do Wolves em 2017-18, o Nottingham Forest esperará que Tobias Figueiredo, João Carvalho, Diogo Gonçalves e Gil Dias possam igualmente guiar as suas cores à Premier League, sendo, de resto, provável que com as respectivas qualidades (Tobias adapta-se bem ao futebol inglês, assim como os extremos rápidos que são Gil e Diogo; João Carvalho poderá ter maiores dificuldades em se impor, perante o estilo especulativo de Aitor Karanka, mas o seu nível técnico poderá ser uma arma notável) consigam mostrar valor. Além destes, André Moreira (emprestado ao Aston Villa) tentará agarrar, de vez, a titularidade num clube, ao passo que Marco Matias e Lucas João (no Sheffield Wednesday), Tiago Ilori (no Reading) e Ivo Pinto e Nélson Oliveira (no Norwich) esforçar-se-ão por ajudar as suas equipas a cumprir os objectivos e, quem sabe, dar o salto – é que como Neves e Jota evidenciaram no passado, o Championship é um terreno profícuo para ganhar nome e avançar, prontamente, para o gigantesco palco da Premier League -.
António Hess


12 Comentários
Estigarribia
Espero que este ano, o meu Leeds United consiga, finalmente, chegar à Premier League. Com um técnico muito experiente, embora problemático, como é Marcelo Bielsa (mesmo assim é dos meus treinadores preferidos), os Peacocks têm este ano um plantel bom para conseguir lutar pela subida de divisão, à exceção da saída de Ronaldo Vieira (Jamal Blackman, Pontus Jansson, Samuel Sáiz, Pablo Hernández, Vurnon Anita, Lewis Baker, Stuart Dallas, Yosuke Ideguchi, Ezgjan Alioski, Patrick Bamford ou Caleb Ekuban, por exemplo).
Espero que, finalmente, se acabem com as contratações de jogadores de qualidade duvidosa e de treinadores fracos e que o Leeds United recupere a grandeza que teve em tempos. Elland Road voltará a receber jogos da Premier League dentro em breve. É esse o meu feeling.
P.S.: Já que o Ronaldo Vieira foi transferido para a Sampdoria, será que é pedir muito ao Bielsa para que aposte no seu irmão – Romário Vieira – que também é um jogador jovem, com potencial e com margem de progressão?
GO GO LEEDS…
Kacal
Excelente post, António Hess! O costume
É um campeonato super competitivo, duro, longo e pautado pelo equilíbrio. Por isto, pela espectacularidade e atmosfera típica do futebol inglês e pelo facto de ter vários talentos portugueses a jogar lá, acho que é um “must-see” para todos nós. Eu próprio tenciono acabar um outro jogo esta época. Mas para ficar a par de tudo, nada melhor que um post destes. Excelente. Obrigado!
Bernardo Guerreiro
Campeão: Stoke
Segundo classificado: Derby
Promoção por playoff: Nottingham Forest
Jogador português em destaque: Diogo Gonçalves
Natan265
Confio mais no Gil Dias! É um craquezão e tem partido a loiça toda na pré época.
Pedro Barata
Enormíssimas expectativas depositadas em João Carvalho. Todos os focos estão nele, e todos esperam que seja o elemento que leve o Forest de volta à Premier League. Veremos se o jovem conseguirá lidar com essa pressão.
Alvaromoreira
Campeão: stoke
Vice campeão:West brom
Playoffs: Swansea,Forest,derby e boro
Despromoção:rotherham,bolton e wigan
Possíveis outsiders: Sheffield United, ipswich,brentford
Melhor marcador:Marriott
Vencedor da vaga por playoff: Swansea
Estigarribia
Alguém conhece algum site onde se possa ver os jogos do Championship?
Alvaromoreira
First row, stream hunter, stream watch, Sport lemon, veetle.
Pedro Miguel S.M. Rodrigues
Eis uma liga que bem poderia estar na Sportv tv e ter um bom nível de audiências, especialmente tendo em conta que há uma boa legião de portugueses para ver…
Vespas
Dado a recente popularidade devido aos Wolves acho estranho ninguém em Portugal adquirir os direitos.
Aposto nos Villans como campeões, Stoke e WBA completam o pódio.
Henrique05Silva
Vai começar a liga mais disputada do mundo.
Campeão: STOKE
Vice: West Brom
Vencedor dos playoff: Nottingham Forest ( estou a torcer pelo projeto )
Melhor Jogador:Etebo
Melhor português:Gil dias
Flop português: Andre Moreira
Tiago Silva
Campeão: Stoke
Vice-campeão: Leeds
Playoffs: Notthingham.