Terminaram os Jogos Olímpicos’2016 e o balanço final não podia ser mais expressivo. Os EUA foram de longe a nação que amealhou mais medalhas, tendo conseguido 121 no total, 46 delas de ouro. Os norte-americanos que há 4 anos tinham arrecado 103, bateram por larga margem o Reino Unido, que conseguiu um excelente 2.º lugar devido aos 27 ouros e 23 pratas, e a China. Já Portugal não foi além de uma medalha de bronze, a de Telma Monteiro no Judo, ocupando assim o 78.º e último lugar entre os países medalhados. Destaque semi-negativo também para o Brasil que, apesar do factor casa (e de ter conseguido mais ouros), não foi além das 19 medalhas, enquanto que há 4 anos tinha conseguido 17.


21 Comentários
Nuno R
Terminou.
Foi uma festa bonita, embora marcada por problema de organização (atrasos, algas) e por bancadas demasiado despidas. O comportamento do público deixou algo a desejar, em alguns momentos.
Em termos de resultados, Portugal fez o que normalmente faz. Uma medalha, a média. Podiam ter sido mais, podiam ter sido menos. Individualmente haverá quem se tenha excedido, haverá quem tenha desiludido, mas globalmente a participação está em linha com o expectável, e com o posicionamento do país no contexto da alta competição mundial.
Os EUA alcançam um número brutal de medalhas, só superado por 1904 (em que participavam meia dúzia de países) e 1984 (em que o Bloco de Leste ficou de fora). Os States ganham medalhas em tudo quanto é desporto, mas claro que têm fortes bases na natação e no atletismo, onde se disputam mais. A China, depois de uma “vitória” em Pequim e de ficar a 15 medalhas no total em Londres, volta a cair e ficar longe. Algumas desilusões, na natação, ginástica. Reino Unido, o melhor europeu, Brasil fica aquém do esperado. Mais uma vez a Hungria fica no top 15, a Espanha também faz umas boas olímpiadas, o Quenia muito abaixo, longe do domínio no fundo e meio-fundo.
Destaque para a estreia do Kosovo, e (esperado) das Fiji.
Nota-se partilha de medalhas, muitos países a ganhar, ainda mais com o desmembramento de potências como URSS ou Jugoslávia. Mesmo assim, menos de metade das comitivas ganham medalhas.
Kafka
A nota de maior destaque é mesmo a “queda” da China, uma vez que em 2008 parecia estar cada vez mais próxima dos Estados Unidos, no entanto 8 Anos depois pode-se constatar que foi mais o efeito do factor casa do que uma aproximação real, pois em 2012 já ficam a 15 medalhas e agora em 2016 ficam a 51 medalhas dos Estados Unidos
Nota pela positiva para a Gra Bretanha que fruto do grande investimento no projecto olimpico que fizeram no inicio deste Século, estão a obter os resultados e confirmam-se pela 3ª edição consecutiva como a maior potência Europeia dos Jogos
Diga-se que no Espaço de 12 anos a Gra Bretanha mais do que duplica o numero de medalhas, passando de 30 medalhas em 2004 para 67 em 2016
Quanto à equipa da casa acaba por não aproveitar o factor casa (costuma sempre levar a um acrescento de medalhas) no entanto no caso do Brasil apenas passou de 17 para 19 medalhas, portanto nada de significativo
Nota ainda para a Austrália que tem vindo cada vez a perder mais força tendo vindo a baixar gradualmente o seu medalheiro nas últimas edições, principalmente na natação foi um pouco uma desilusão
Por fim, a Holanda com apenas 16 Milhões de Habitantes consegue ser 11ª classificada no medalheiro dos Jogos, e a Hungria com 9 Milhões habitantes consegue ser 12º classificada e são a prova que desde que haja um projecto olimpico como deve de ser, é possivel alcançar varias medalhas mesmo havendo uma “escassa” base de recrutamento
Quanto a Portugal, tinha previsto aqui que não ganhariamos medalha nenhuma, portanto uma vez que ganhamos uma, foi excelente e acima das minhas expectativas
E pronto acabou os jogos, e acabaram também as modalidades em Portugal, agora só daqui a 4 Anos voltarão a existir modalidades em Portugal,
Que venha Tokyo 2020
ganso16
Reino Unido 1936-2004: 73 medalhas de ouro.
Reino Unido 2008-2016 75 medalhas de ouro. Quando se investe…
Luis Ferrerra
Como foi referido só se dá atenção ás modalidades de 4 em 4 anos, excepto quando ganhamos algum titulo internacional em que a comunicação social, muito a contragosto,lá tem de noticiar o sucedido perdendo precioso tempo que seria dedicado ás pseudoaquisições dos 3 grandes, a discutir arbitragens do jogo do dia anterior ou a dar tempo de antena a figuras,figurinhas e figurões do meio futebolístico que iriam dissertar com imensa sapiência sobre os mais variados assuntos do quotidiano.
Agora mais a sério, a nossa participação no meu entender teve uma nota de Bom (como diria o nosso Presidente ex comentador). Temos de ver que o povo só liga a medalhas mas desconhece a dificuldade que é para um pais pequeno como o nosso em apenas conseguir a vaga para a presença, pois todas as modalidades têm quotas de participação bastante exigentes e muito restritivas,pelo que só facto de lá estar já é uma vitória. Tivemos bons resultados em várias modalidades(Canoagem,Ciclismo,Ténis de Mesa,Hipismo,Judo,Tiro,Atletismo,Natação). Uma menção honrosa para o rapaz da canoagem em aguas bravas que chegou á final,não havendo uma pista no país para praticar a modalidade. Este feito é decerto mais difícil em termos de esforço pessoal,financeiro e motivação do que a medalha da Telma,sem desprimor e pela qual todos ficámos felizes.
Para o nosso nível desportivo talvez só em Atlanta tivéssemos feito melhor(daquilo que me lembro) mas não tão ecléticos com agora e muito a boleia do Ouro da Fernanda Ribeiro.
Isto leva a pensar se houvesse um projeto desportivo sério como há em todos os países organizados o que poderíamos fazer? Não iríamos ser os melhores do Mundo mas acredito que em 2 ou 3 edições teríamos mais medalhas do que em toda a história.
Claro que isto é utópico,nada vai acontecer,amanha a malta quer é ver se o João Mário vai ou fica, se o Benfica contrata mais alguém e se Porto chegou bem e Roma e viu ou não o Papa.
Então até daqui a 4 anos……….
Ze
Acabou. Voltamos com um bronze e algumas menções honrosas, mas acho que há ilações a tirar destes JO. Enquanto as entidades públicas não disserem claramente se querem poupar dinheiro ou ganhar medalhas vamos andar neste limbo estúpido de ilusão/realidade.
enquanto os atletas andarem em low-cost e pagaram a preparação do próprio bolso não vai haver medalhas como desejamos. É tão simples quanto isto. Por cada judoca, canoista, BMX, o que quer que seja, que nós temos, há sempre um outro país onde alguém tem melhores condições de treino e de vida e que, portanto, parte em vantagem….
Investimento equivale a medalhas.
Continuar assim, equivale a um bronze de 4 em 4 anos.
JSC101
Este período olímpico foi o que se gastou mais dinheiro de sempre. Basta veres a capa de hoje.
Ze
17M€ em 4 anos. WOW
Pyros
Acabando mais uns JO e com um resultado visível (medalhas) de Portugal fraco, volta a questão da “falta de apoios”, “necessidade de investir”. Enfim, o costume – somos ricos (de intenções).
Em primeiro lugar, há falta de apoios? Não faço ideia, mas o certo é que a nossa delegação aos JO é grande – aliás, temos a maior delegação dos JO em comparação com o nº de medalhas (se excluirmos os que nenhuma ganharam). E até aventuro que essa extensa presença até é paga pelo OE.
Se calhar deveríamos levar menos, mas que fossem para ganhar. Isto se ligarem a medalhas.
Apesar de me alegrar imenso com as medalhas portuguesas, não acho que seja desígnio nacional, nem que os atletas devam ser funcionários públicos encapotados (viver do OE).
JSC101
Em Portugal há pouco sacrifício pessoal, este período olímpico teve o maior investimento de sempre, a maior delegação de sempre, os resultados de sempre…. pouco mais há a dizer. Tirando um outro caso que surpreenderam (Luciana Diniz, Ana Cabecinha, Futebol) o resto foi o expectável ou abaixo (Rui Bragança, Pimenta, Equipa de ténis de Mesa).
Kafka
JSC
E ter o mais investimento é obrigação de medalhas?
O Benfica/Porto/Sporting estão neste momento com os maiores orçamento de sempre, significa que são obrigados a vencer a Champions?
Se tu fazes o teu maior investimento de sempre, com 17 Milhões e eu invisto 50 Milhões, tu és obrigado a ganhar-me só porque é o teu maior investimento de sempre?
O que estas a fazer, é desvirtuar os números dizendo só a parte de Portugal que foi o mais investimento de sempre, ignorando o investimento dos adversários
Kafka
Já agora, é engraçado que para ti o futebol tenha surpreendido, quando não trouxe medalha e tem muito mais “investimento” e condições que qualquer das restantes modalidades que Portugal levou aos jogos
Mas no futebol já desculpam tudo….
JSC101
Eu penso assim:
Dão me 1000€ para ganhar uma medalha, não ganho.
Dão-me 2000€ para ganhar uma medalha, não ganho.
Dão-me 3000€ para ganhar uma medalha, não ganho.
O que ganhou a medalha recebe 20000€.
Dizei-me que não me dão mais de 5000€. Portanto a única solução é desistir. Quer para quem me paga quer para mim próprio.
Se fosse tudo uma questão de números era fácil.
Como eu disse mais que dinheiro, é falta de empenho e sacrifício pessoal.
No dia em que alguém cumprir o.regime de treino Phelps, talvez tenha mais hipóteses.de.ganhar digo eu.
Kafka
JSC
Então por esse prisma dos mais de 10 mil atletas que participaram nos jogos, mais de 9000 desistiam porque não ganharam medalhas
Ou o futebol por exemplo que desde 1930 (1º mundial) até 2016 nunca ganhou nada, foram 86 sem vitórias, já deviam ter desistido pela tua ordem de ideias?
Pelo teu prisma, só os vencedores é que deviam existir, e o resto desistia?
Kafka
Quanto à questão de não haver espirito de sacritfico para cumprirem um regime de treino como o Phelps, isso não é tão linear assim na minha opinião
Pois o Phelps esta rodeado dos melhores treinadores do mundo, dos prepradores fisicos e nutricionistas e das melhores instalações do Mundo para poder estar a 110% focado apenas e somente na natação, algo que os atletas portugueses não têm acesso
O João Pereira por exemplo, a dias atrás disse que o Centro de Alto Rendimento do Jamor nem banhos de gelo tinha para recuperação….achas que os centros de alto rendimento dos Estados Unidos não têm a tecnologia mais avançada para os seus atletas?
JSC101
O João Pereira também surpreendeu.
A expetativa do futebol era não passar o grupo, portanto surpreendeu-me a ti não?
JSC101
Se é uma questão de números, achas que a Mongólia investiu mais que Portugal?
Achas que a Coreia do Norte investiu mais que nos? Geórgia? Vietname? Burundi? Grenada?
Kafka
Quanto a essa questão, isso teria de ver os números em concreto do investimento de cada País
Mas não podemos ignorar que a Coreia do Norte por exemplo é uma ditadura e por vezes nas ditaduras há tendência a fazerem apostas no desporto de forma a elevar o nome do País etc etc…
E depois não me admirava nada que o orçamento da Coreia Norte para a Ginástica e halterofilismo (foi onde ganharam medalhas) seja superior ao orçamento de Portugal para a ginástica e halterofilismo…
Mas lá esta, não sei numeros, não tenho portanto conhecimento para contra-argumentar a tua afirmação, e portanto admito que tenhas razão
JSC101
A minha argumentação era no sentido que vai haver sempre alguém a dar mais dinheiro do que podemos dar, por exemplo o Bahrain que compra até os.atletas. Portanto não podemos competir pedindo mais dinheiro, essa não é sem dúvida a solução para a normalidade que se passou. Se um atleta.que recebe mais e melhores condições, por cada hora.que ele treina.tem de se.treinar 2 essa é a.mina prespectiva e única soluçao
JSC101
Para mim, o resultado mais surpreendente foi a Rússia, mesmo sem vários atletas de muita qualidade (Isinbayeva, as dos saltos por exemplo que são quase uma medalha garantida) teve uma boa prestação.
Flavio Trindade
Tenho uma visão ligeiramente diferente da maioria.
Facto: Os resultados de Portugal foram maus. Quem disser o contrário está iludido.
Outro facto: Condições ou falta delas à parte, Portugal tem apenas meia dúzia de atetas de top. E isso nada tem a ver com a política desportiva ou com a falta de apoios.
Outro facto: Desses atletas de top, apenas Telma Monteiro teve direito a medalha. Mas convenhamos que se existissem JO daqui a 6 meses novamente, Rui Costa, Fernando Pimenta, Emanuel Silva, Nelson Évora ou a grande revelação do últimos tempos, Patrícia Mamona poderiam ganhar com estilo. Não se pode ganhar sempre e Bolts e Phelps são excepcões não regras.
Facto: Não há apoios que resistam à falta de atitude de alguns atletas. Se Marcos Freitas (outro dos nossos atletas de top) depois de ser eliminado por um dos melhores do Mundo afirmou o seu desagrado dizendo que era curto porque não foi para lá para competir mas sim para ganhar, a grande maioria dos atletas contentam-se em bater recordes nacionais e recordes pessoais pouco importando se ficam no último lugar… E isso faz-me confusão.
Esses atletas desculparem-se com falta de apoios é ridículo porque para esses objectivos (serem os melhores da sua freguesia) não necessitam nem de muito nem de irem aos Jogos Olímpicos.
Último facto: A política de apoio ao desporto nunca irá mudar em Portugal. Esqueçam o desporto escolar e outros lirismos do género.
Agora a forma como o investimento e o programa olímpico é gerido pode e deve mudar.
Em vez de gastar dinheiro só porque há budget, as federações devem preocupar-se apenas em identificar precocemente os atletas que podem vir a ser de top. E nalguns desportos caso seja factual que o atleta não poderá evoluir mais em Portugal mas que quer (isto é importantíssimo) e que tem qualidade, porque não custear integralmente bolsas de estudo em Universidades americanas ou em centros de alto rendimento? Se em cada 10 apostas do género 1 ou 2 se tornarem atletas de top já valerá a pena.
Nuno R
Discordo de alguns pontos: a ida aos JO nao dependem de serem os melhores da freguesia. Dependem de estarem entre os melhores do mundo. Os mínimos são cada vez mais difíceis de obter, e algumas modalidades são muito restritivas. Por exemplo, nos trampolins foram 16 atletas. 16! Para estar entre esses 16 não basta ser o maioral da terrinha.
A identificação e aposta em meia dúzia de atletas de top é a receita ideal para se ganhar uma medalha de cada vez. É preciso apostar na quantidade, para lá da qualidade. Nem todos serão Bolts, mas em cada 10 pode haver 1. E é essencial haver competitividade interna, de modo a que todos possam evoluir. Colocar os ovos todos no mesmo cesto não costuma resultar.