
A época desportiva de clubes aproxima-se do seu epílogo. Uma temporada com acontecimentos épicos e muita emoção. Em Portugal, o Sporting venceu novamente o campeonato, apenas dois anos após a sua última conquista. Vimos um Leverkusen vencer uma Bundesliga pela primeira vez e invicto. Vimos equipas surpreendentes conseguirem um bilhete para a próxima edição da Liga dos Campeões: Bolonha, Girona, Aston Villa, Brest e Stuttgart. Vimos um Reus a chegar a uma final de Champions, na época da sua despedida ao clube de uma vida. Vimos fins de ciclos marcantes, como o de Pinto da Costa, Klopp, Mbappé ou Kroos. Vimos ainda a coroação merecida de heróis sem capa, como Gasperini e do seu trabalho de autor na Atalanta. Estes são apenas alguns dos acontecimentos marcantes que proporcionou a época de 2023/2024. Após uma época, particularmente intensa, podíamos estar perante o momento em que: atletas, staff e adeptos partissem para um período de calmaria e descompressão. Mas quis o destino, que fosse um momento de transição para novas expectativas, novos sonhos e novas emoções. 2024 traz consigo competições continentais, aquelas raras que só se jogam de 4 em 4 anos e que qualquer adepto apaixonado segue religiosamente. Teremos praças cheias por toda a Europa, para num espírito de comunhão de um povo, celebrarmos ou chorarmos em conjunto. Todos querem ganhar e todos olham para sua seleção com esperança e expectativa, seja da confirmação de uma certeza, seja no testemunho de uma surpresa. As listas já começaram a sair e consigo trouxeram o sempre típico debate sobre a qualidade e/ou justiça que as escolhas trazem a cada um.
Porventura, cada pessoa terá a sua receita para o sucesso. Aquilo que acredita estar na base de uma possível conquista. Contudo, existem (no meu entender) dois fatores que se destacam de todos os outros. Analisando os Euros e Campeonatos do Mundo desde de 2000, podemos retirar duas ilações. Um dos ingredientes passível de predizer o sucesso de uma seleção é quando existe uma base forte de um clube apenas, como foi o caso da Espanha de 2008-2012, ou da Alemanha em 2014, mesmo Portugal conseguiu o seu melhor período entre 2004 e 2006, quando existia uma base clara do F.C. Porto, campeão europeu. Ora, olhando rapidamente para as seleções que são apontadas como favoritas, vemos que no seu 11 base, não existe propriamente uma predominância de 5/6 jogadores de um só clube. Assim, o vencedor da próxima edição do campeonato da Europa, deverá passar pela seleção que conseguir formar o grupo mais unido, sem divisões internas e mais abnegado. Numa prova de curta duração, com pouco tempo de treino e numa fase da época em que o desgaste é alto, este parece ser o ingrediente chave para a consagração do próximo campeão europeu. Foi assim em 2016 e foi assim em 2021. Será interessante compreender de que forma conseguirá Martínez gerir um balneário com tantos egos e tantas personalidades difíceis e com tantos atletas que estão habituados a ser figuras nos seus clubes e que poderão ter um protagonismo menor. Conseguirá sentar Cancelo, caso Dalot esteja melhor? Conseguirá sentar Pepe se algum dos outros centrais estiver em melhor momento? Conseguirá sentar Bruno Fernandes caso entenda que para o seu modelo seria mais benéfico conjugar Bernardo Silva e Vitinha ao meio? Conseguirá sentar Ronaldo, caso não esteja a render, sem todo o burburinho que aconteceu no último campeonato do mundo?
A receita do sucesso, ou insucesso, da seleção variará com certeza de pessoa para pessoa, de adepto para adepto, mas naquilo que é a minha visão parece-me que a gestão do grupo, das individualidades e do espírito de família e união será o grande desafio de Martínez e muito daquilo que poderá ser uma conquista passará pela criação do espírito familiar que sentimos em 2016. Tem a palavra o Selecionador Nacional.
Visão do Leitor: Santander


23 Comentários
Neville Longbottom
A receita do sucesso é despedir imediatamente o treinador enquanto é tempo e perceber se há maneira de alterar a convocatória para retirar jogadores acabados ou que jogam em campeonatos periféricos (e não, não quero meter lá ninguém do Sporting).
CABONG
Podemos dizer que quer os planteis de 2000, 2004 e 2006 eram mais equilibrados que o actual( e até mesmo.mais equilibrado que 2016).
Haviam mais jogadores com perfis diferenciados.
Hoje em dia temos excesso de jogadores para a zona central e falta de jogadores para as alas.
Quando havia Figo, CRonaldo, Simão, Nani, Quaresma para as alas havia Deco, Moutinho, Miguel Veloso, Maniche, Costinha para o meio.
Hoje pela dinâmicas coletivas e tendência do futebol atual joga se com Bernardo Silva na ala( que na prática não é ) Félix na outra ala( que já disse que não é a sua posição e na ala faz o que pode) e verdadeiros alas estamos reduzidos a Rafael Leão, Neto, F.Conceição e Jota( na Arabia).
Poderemos ganhar claro que podemos mas vejo outras seleções com planteis mais diversos e equilibrados que terão no papel melhores condições para ganhar
Jasomp
Bem, o Mourinho não tem a mesma opinião que tu.
Art Vandelay
A receita do sucesso de 2016 foi o milagre Islandês que sem necessidade nenhuma mandou Portugal para a parte fácil do quadro
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A Islândia merecia uma estátua no museu da Selecção, o título de 2016 é grande mérito deles
Valentes Transmontanos
8 anos depois ainda estás aziado com essa vitória só por causa de um jogador. Isso é doentio.
Art Vandelay
Aziado? Eu estou é agradecido aos islandeses ao contrário da maioria dos portugueses que são ingratos e raramente vejo estarem agradecidos aos islandeses por aquilo que a Islândia fez por Portugal sem necessidade absolutamente nenhuma e até se prejudicando por isso
filipe19
Dás tanto valor a uma cena para menosprezar aquilo que foi só a maior conquista do futebol português.
Então o que dizer do poste que evitou o golo do Ronaldo contra a Austria? Também tem um espaço no museu? Sabias que Portugal na fase de grupos foi atrás da Alemanha a equipa mais rematadora do torneio. Por consequência também foram a equipa que mais oportunidades desperdiçaram. Isso foi azar ou sorte? Qual é a teoria por trás disto?
Que tal colocar também no museu um agradecimento à equipa croata que cilindrou a Espanha por 3:0 e tornou-se assim o nosso adversário “mais fácil” nos oitavos. Uma equipa que dois anos mais tarde vinha a ser vice-campeã mundial. Ou ao Pais de Gales que sem saber ler e escrever eliminou a Bélgica e abriu-nos a passadeira nas meias. Épa, sinceramente aquilo foi uma conjugação de sorte, todos os deuses estiveram conosco. Mas mesmo assim isso não te deixa satisfeito, continuas a viver uma tremenda azia ou mania de perseguição. Tenho pena.
Jasomp
Que resultado é esse da Croácia e da Espanha?
filipe19
Foi um 2:1. Errei, não sei aonde foi buscar esse 3:0 mas pensei que a Croácia tinha ganho de uma forma expressiva. Mas se o resultado não o foi, ao menos foi um jogo. Lembro-me da Croácia nesse dia ser claramente superior e assim terem garantido o primeiro lugar que tirou a Espanha do nosso caminho.
BrunoV
Infelizmente, a seleção vai ter… azar.
O selecionador é fraco e não tem pedalada para estas andanças, como se viu quando esteve na Bélgica.
filipe19
aha…pois, um terceiro lugar num mundial, feito que Portugal só alcançou por duas vezes na sua história e a última vez já a quase vinte anos, e a eliminação de Portugal nos oitavos do último Euro, mas claro, ele foi horrível na Bélgica.
jimmyvicente
Dizer que a “melhor fase da seleção ” não é a que conquistamos o campeonato da Europa e a liga das nações é obra…
Claro que em 2004 e 2006 a seleção esteve muito bem
Mas a melhor é, para mim sem qualquer sombra de dúvida, a única que ganhou títulos na história do nosso país
A de Fernandos Santos williams carvalhos nanis quaresmas Ronaldo no seu prime e Patricio na baliza, Pepe a patra defensivo e muitos mais que ja foram tantas vezes criticados neste blog
Doa a quem doer, esta é a verdadeira e única geração de ouro em Portugal até ao momento
Esperemos esta seja a segunda geração, ainda com a ajuda dos 3 tão importantes obreiros do euro 2016 que lá permanecem
Neville Longbottom
Doa a quem doer. Para mim não é. E não é nem a segunda nem a terceira, nem a quarta.
Doi-me imenso.
AndreChaves9
Totalmente errado. Ou a Grécia era melhor que nós em 2004?
Ganhamos em 2016 ótimo. Mas éramos mais fracos que em 2000,2004,2006 e 2024. Não há qualquer dúvida sobre isso. Só ganha um em cada torneio e não é por não se ganhar que são maus
Valentes Transmontanos
Exacto.
Art Vandelay
A competição mais importante que é o Mundial foi em 2006 que foi alcançado o maior feito deste século
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Europeu é giro mas não tem o mínimo de comparação possível com a importância do Mundial
Jasomp
O Mundial é claramente a competição mais importante do futebol mas um Europeu não fica assim tão atrás em termos de envergadura de torneio.
Mike-UK
Claro que fica.
A conversa de “um Euro é o mundial sem Brasil e Argentina” já não faz sentido. E para Portugal muito menos pois nos últimos 3 mundiais foi contra seleções não europeias (e não foi preciso vir o Brasil nem a Argentina) que comprometeu as suas performances.
Mike-UK
No teu entender, Modric não trocava as medalhas de prata e bronze da Rússia e do Qatar pela de ouro de um Euro?
Atenção que a pergunta é genuína, e acho a discussão muito interessante. Eu próprio não sei responder a isto.
Art Vandelay
Isso dá azo para todo o tipo de respostas…os puristas do Excel vão dizer que um título é um título… E que então ser campeão europeu é mais importante que ser vice-campeao Mundial… Eu tenho algumas dúvidas quanto a isso
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Porque nem todos os títulos são iguais, senão o Santa Clara, Benfica, Braga e Sporting fizeram uma época igual esta época, pois os 4 têm 1 Troféu ganho esta época… Mas todos sabemos que não é assim e o Sporting é de LONGE a equipa com a melhor época em Portugal, porque ganhou o título mais importante de todos…
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Para mim nada se compara ao Mundial, é o top tier das competições… O Europeu está num 2° nível… Agora um título europeu vale mais que 1 quarto lugar no Mundial? Eventualmente vale, em termos práticos para os adeptos é um título que se festeja e o 4° lugar do Mundial não se festeja…
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Sinceramente não tenho uma resposta 100% exacta para essa questão do Modric entre o título europeu ou vice-campeonato do Mundo
Mike-UK
Não acho que seja tema de purismos de Excel. É uma questão de prestígio e palmarés.
O que é facto é que os Países Baixos quase não valorizam o Euro que tem e vivem no lamento dos 3 mundiais que não venceram e quando fiz a pergunta acerca do Modric pensei nos Neerlandeses. Creio que poderiam vencer os próximos 4 euros que continuariam a chorar os mundiais de 2014, 1974 e 1978.
É uma discussão interessantíssima.
Art Vandelay
Sem dúvida, a Holanda é um excelente exemplo dessa “desconsideração” do Europeu face ao Mundial
rmatos24
Vou apenas pegar nas perguntas que fazes quase no final do texto e vou responder todas da mesma maneira: NÃO. Martinez não terá a capacidade de sentar Cancelo se Dalot ou outro qualquer estiver melhor, não vai conseguir sentar Pepe se este estiver em condições, não vai retirar Bruno Fernandes e muito menos abdicar de Ronaldo mesmo que ele esteja a prejudicar a dinâmica da equipa. Isto só acontecerá no terceiro jogo do apuramento contra a Geórgia e no caso de Portugal já estar apurado. Atenção que ele até pode não ter necessidade e as primeiras opções se revelarem as melhores e esta conversa deixa de fazer sentido.
Martinez consegue ter um futebol mais positivo que o Engenheiro, disso não há grandes dúvidas, mas em termos de gestão de grupo não há grandes diferenças. E nisso concordo com a intenção do texto, de reforçar que a união será fundamental. A minha convicção é que Portugal chegará relativamente longe (quartos ou talvez meias) fruto da sua qualidade individual. Mais que isso irá depender da tal união que tenho algumas reservas que se consiga (talvez com vitórias nos primeiros jogos se consiga, no entanto, basta sentir dificuldades em algum dos jogos que virão ao de cima esses possíveis problemas que identificas e não estou a ver Martinez com capacidade para dar o murro na mesa). Basta fazer um paralelismo com o Euro 2004. Primeiro jogo, perdemos com a Grécia e Scolari opera uma mini revolução para o segundo jogo. Martinez faria o mesmo? Duvido.