O português nunca pareceu ir “à bola” com os Reds, talvez devido aos embates no tempo de Rafa Benítez.
Em 2014 o Liverpool estava com tudo para vencer a Premier League, mas esse sonho foi estragado pelo Chelsea de Mourinho, que, de maneira algo inesperada (até pelo 11 alternativo que apresentou), bateu os Reds em Anfield, no famoso jogo da escorregadela de Gerrard. Mark Schwarzer, antigo guardião dos Blues, que foi titular, recordou à BBC, a estratégia aplicada pelo treinador português nesse duelo. “Não podemos esquecer que três dias depois daquele jogo [com o Liverpool] tínhamos uma partida para as meias-finais da Liga dos Campeões com o Altético de Madrid. Nunca pensei jogar esses dois jogos, mas o Cech lesionou-se. Mourinho não queria que o Liverpool ganhasse. Nem ele, nem a nossa equipa técnica. Ele nem estava bem nessa semana, porque estava doente e a conferência de imprensa durou sete ou oito minutos. Deixou alguns jogadores importantes em Londres porque estávamos numa vaga de lesões. Ivanovic jogou a central e Kalas estreou-se na Premier League”, começou por contar o australiano, prosseguindo. “Mourinho disse-nos que o segredo era deixá-los frustrados. Disse que tínhamos de irritá-los e que essa estratégia ia funcionar porque, dessa forma, eles iam abrir espaços e teríamos as nossas oportunidades. Disse-me para perder tempo quando tivesse a bola, desde o primeiro minuto. Para caminhar e nunca correr. Os adeptos e os jogadores [do Liverpool] ficaram doidos. Nunca tinha visto Anfield assim. Estragámos a festa deles”, rematou Schwarzer. Recorde-se que esse resultado permitiu ao Man City passar para a frente e arrebatar o campeonato inglês.


13 Comentários
Fallen Angels
O pior desse jogo do ponto de vista do Liverpool é que o empate tinha chegado, mas conseguiram arranjar forma de perder o jogo contra uma equipa que nem estava a tentar ganhar.
coach407
Não é por ser o Liverpool. É por ser o Mourinho. Acham que queria ser o bombo da festa?
Claro que tinha muitas lesões e um jogo importante da Champions portanto até rodou a equipa dentro do possível, mas o objetivo era ganhar. Estando o Liverpool com alta pressão era fácil enervar o adversário.
Daniel Alves
Percebo a frustração do Mourinho com eles, eliminado 2x na Champions por eles, 2005 e 2007; e deve ter sido o grande inglês com quem ele se deu pior.
Mantorras
Tudo normal, tanto o “defender/fazer anti jogo/provocar” como estrategia, como “ter contas a ajustar com o Liverpool” ja que as eliminacoes do Chelsea na champions deve ter deixado mossa…
T. Pinto13
Revi a escorregadela do Gerrard e acho que a receção da bola deficitária levou a isso.
Quando ao jogo em si Mourinho usou todas as armas ao seu dispor e conseguiu um resultado histórico.
Agora é normal que para os adeptos do Liverpool tenha sido frustrante ver um anti jogo tão grande
Daniel Alves
Histórico porque impediu o Liverpool de terminar o jejum, certo? Tirando isso, foi só uma vitória como muitas que ele teve.
T. Pinto13
Exato. Histórico dentro daquele contexto específico. À bocado falhou-me a palavra contexto e não escrevi esta frase ?
Kacal
O Liverpool era um clube pressionado a vencer, um colosso destes não ser campeão inglês à tanto tempo é complicado. Esta estratégia foi boa e ou os Reds davam uma demonstração de força vencendo o jogo ou cediam e demonstravam não ter estaleca de campeão, assim foi. Claro que a escorregadela de Gerrard foi um momento de azar, mas o Chelsea aproveitou bem e venceu-os mentalmente naquele jogo.
Kacal
*há tanto tempo
Que erro nem reparei, eheh
André Dias
Resumindo, o segredo foi recorrer ao anti-jogo desde o apito inicial.
Há uns anos também houve um jogo entre Benfica e Olhanense (de Sérgio Conceição, se não estou em erro) que me deixou frustrado e irritado.
Pessoalmente não aprecio a postura mas compreendo, é uma estratégia tão válida como qualquer outra e cada um utiliza as armas que tem à disposição. Não se pode culpar quem recorre ao anti-jogo se as regras o permitem.
Filipe Ferreira
Não é assim tão válida se quebra as leis do jogo, mas isso já é trabalho do árbitro
golias
A questão é mesmo essa, as regras permitem e o anti-jogo é uma estratégia válida enquanto não for severamente punida. Estou certo que há maneiras de penalizar o anti-jogo. Imagina que no futebol não haviam expulsões, então diriamos da mesma forma “não gosto de equipas que partam as pernas aos nossos jogadores até ficarem 11 contra 0, mas é uma estratégia válida como as outras”…
Fields
Claro, depois o árbitro tem é que agir em conformidade. É sempre complicado dar amarelos por simular lesões e assim, porque nunca se pode ter a certeza e um dia vai surgir o caso em que era a sério, mas pelo menos se for preciso dar 15 minutos de descontos, que se dê.