Há imensos casos de jovens que foram craques até aos 16-17 anos, e depois quando se começou a aproximar o futebol profissional desapareceram.
No dia em que o centro de estágio do Benfica assinala o 15.º aniversário, Ferro e Gonçalo Ramos, em entrevista à BTV, foram desafiados a nomear um jogador das suas gerações que prometia e não conseguiu corresponder às expetativas, sendo que o central nomeou Fábio Novo, avançado que agora joga na Ovarense [distritais da AF Aveiro]. «Na minha geração, em iniciados, só falavam dele: o Fábio Novo. Fomos campeões nacionais e não havia Rúben Dias, Renato Sanches, Ferro, Diogo Gonçalves. Quer dizer, havia, mas só falavam do Fábio, que ia ser um grande ponta-de-lança. Por uma razão ou por outra, dois anos depois começou a cair. Ainda mantenho contacto com ele e, neste momento, joga na distrital, seguiu outro rumo, porque as coisas não deram certo», recordou. Já Ramos indicou Iuri Tavares [agora no Vitória SC]. «Na minha geração era o Iuri Tavares. Até aos iniciados e primeiro ano de juvenis, só se falava dele. Ganhava os torneios praticamente sozinho. Pegava na bola, fintava todos e pronto, eram golos ou assistências. Por várias razões, tinha muitas lesões, estava várias vezes doente, acabou por cair um pouco. Mas ainda joga, está no V. Guimarães», salientou.


13 Comentários
Joga_Bonito
Esta é uma questão muito interessante. Até aos 15 anos sensivelmente, que marcam o fim da infância e início da adolescência há muitos miúdos que são máquinas. Mas com a adolescência vêm mudanças físicas enormes, além da personalidade que desponta. A mudança é muito grande, muitos não acompanham essa mudança que pode impactar o jogo, por exemplo um jogador que nãao bote muito corpo terá de saber ajustar o seu jogo a um físico mais frágil e conseguir sobressair mais pelo talento. Ao passo que um miúdo que na infância era mais forte e rápido que os outros e que na adolescência perca essa vantagem física pode perder o comboio porque só se destacava pelo físico.
Depois entre os 15-17 é uma idade complexa, é a tal adaptação à adolescência e é aí que se começa a ver quem tem ou não o que é preciso. O problema é que muitos pensam que porque brilharam até aos 15 anos vão brilhar sempre e depois a queda na realidade é grande.
Pipi Romagnoli
Sou de 92 e ainda me lembro de jogar contra o Sporting nos juvenis e dizerem que o Alexis Quintulen ia ser uma máquina, a verdade é que desapareceu por completo, também nessa época contra o Benfica, toda a gente falava no Toni Sá e depois também teve uma carreira muito modesta, apesar de na altura ter saído ainda nas camadas jovens para o Liverpool ou Chelsea se não estou em erro. Sl
Bjouras
Também sou de 92 e num torneio na altura da páscoa joguei contra o benfica, apanhei o Sancidino que ainda era iniciado, julgo que nesse ano até marcou o golo do título contra o sporting, parecia um fora de série.
Mantorras
Ha muitos factores. Ser profissional ou ter atitude de profissional na adolescencia nao e para todos.
Abbas
Joguei com um dos melhores jogadores de uma das boas equipas da nossa liga e tínhamos um rapaz que ainda era melhor que ele que nem em jogador da distrital deu, embora tenha andado na formação de um dos grandes. Soube também de um indivíduo que fazia dupla de ataque com o Pogba na formação do Man Utd e depois fez carreira nas distritais do Norte também. São coisas.
Farinheira
Joguei contra esta equipa de que o Ferro fala. De facto, o Fábio Novo era incrível, talvez o melhor jogador dessa equipa com Rúben Dias, Renato, Ferro, Yuri, João Carvalho etc. Marcava golos atrás de golos, muito técnico e gostava de jogar a avançado solto, a lembrar um pouco o estilo de Saviola.
Essa geração do Benfica era quase imbatível, e já nem sabia onde estava o Fábio Novo, fico triste por saber que anda na distrital, não que seja vergonha alguma (também jogo na distrital de Coimbra), mas porque criam-se expectativas e projectos que não são cumpridos.
Creio que o Fábio Novo e o Renato foram os primeiros dessa geração a assinar contrato profissional.
Miguel Lopes
O Fábio Novo está no Ovarense da distrital de Aveiro Norte.
Eu sei, porque jogo no REALFEVR e tenho-o na minha equipa.
Nedved.5
Por curiosidade onde jogas??
Ainda joguei nos moinhos até ao ano passado ou dois anos, já nem sei.
offtopicguy93
Ui tantos, eu joguei contra Rui Silva, arlene, betinho, airosa, e tantos outros de benfica e sporting que hoje em dia nem jogadores de futebol são e na altura eram as últimas bolachas do pacote!
O talento não pode estar só nos pés, tem de estar na cabeça também!
Abbas
As vezes são lesões ou não ter interesse pelo jogo.
Manel Ferreira
E às vezes os jogadores não são tão bons quanto se julgava que eram e pronto. Jogar contra homens a sério é outra coisa. Existe um bocado a ideia de “saber fazer umas fintas = bom jogador”, e como é óbvio vai muito para lá disso.
Há vários motivos para um jogador não singrar, o JogaBonito e o Kacal já falaram deles. A falta de cabeça não pode ser explicação para tudo, até porque não faltam jogadores com falta de cabeça e que, mesmo assim, conseguiram fazer alguma coisa na carreira (os Balotellis, Imperadores e por aí).
Nós também temos esta ideia do “se eu vi este jogador com 15/16 anos e disse logo que ia ser craque e isso não se confirmou, óbvio que a culpa só pode ser da falta de cabeça”. Nós nunca nos enganamos, claro….
Kacal
Crescimento físico (trabalho nesse sentido adaptando-se a maiores exigências) e mentalidade (seja no empenho, capacidade de trabalho, estilo de vida e ambição) é o que faltará para juntar ao talento. Quando há muito talento até é suficiente para destacar-se nas camadas jovens, mas quando chegam aos seniores é preciso mais o tal “plus” e estes aspectos que referi são esse “plus” e muitos jovens chegam aos seniores e não os têm nem constroem, enquanto outros com um pouco menos de talento até acabam por dar o litro evoluindo esses aspectos e fazem grandes carreiras. Não ter lesões e fazer boas escolhas de carreira (ser bem acompanhados!) também ajuda, claro. Um pouco de sorte é sempre necessário, mas caso trabalhem no duro no aspectos que referi e estejam bem acompanhados de pessoas de bem e inteligentes fazendo boas escolhas de carreira, acredito que em 10, 9 deles triunfam. Mas geralmente os mais talentosos tendem a desleixar-se nos outros aspectos ou até porque veem o futebol como 2º plano. É o que é, mas nem sempre o mais talentoso vai mais longe e isso até traz uma certa espectacularidade e imprevisibilidade à coisa.
Marcio Ricardo
Saná, João Teixeira, José Gomes, André Carvalhas e tantos outros…