Outrora ponto militar estratégico (tendo servido ainda de palácio real), hoje o Castelo de Leiria, sito no cume do centro histórico da cidade de Leiria, é um símbolo incontornável da cidade, recebendo anualmente milhares de turistas que o visitam não só pela sua riqueza histórica e arquitetónica, mas também pelos diversos eventos sociais que são realizados no seu interior, como o Festival Gótico Entremuralhas (este ano, por o Castelo estar em obras, o festival será realizado fora do Castelo e chamar-se-á Festival Gótico Extramuralhas). O Castelo de Leira está igualmente presente, e bem destacado, no emblema do clube mais representativo da cidade que vai ser candidata a Capital Europeia da Cultura em 2027, a União Desportiva de Leiria. Fundado em 06 de junho de 1966 por via de uma fusão entre o Sporting Clube Leiriense e o Colipolense, o clube tem como eternos rivais o Sport Clube Leiria e Marrazes, que, na época 2012/2013, defrontou e venceu por esclarecedores 4-0, numa partida a contar para a Taça Distrital de Leiria, e ainda a Associação Académica de Coimbra, com a qual “disputa” o título de “capital do centro”.
Ao longo da sua existência, este histórico do futebol português obteve os melhores resultados desportivos durante o período em que foi presidido por João Bartolomeu, contando com muitas participações no 1.º escalão do futebol português, onde a melhor classificação de sempre corresponde a um 5.º lugar, obtido por duas vezes, a primeira na época 2000/2001 sob o comando técnico do histórico Manuel José, a segunda na época 2002/2003 em que era comandado por Manuel Cajuda, uma presença na final da Taça de Portugal, edição 2002/2003, que acabou por perder contra o Futebol Clube do Porto por 0-1, e algumas participações em competições europeias, tendo sido a primeira equipa portuguesa a alcançar a final da antiga Taça Intertoto, a qual acabou por perder no prolongamento contra os franceses do Lille.
Durante 11 épocas consecutivas na 1.ª Liga Portuguesa, a União Desportiva de Leiria acabou por descer à 2.ª Liga Portuguesa na época 2007/2008, tendo, contudo, regressado na época seguinte ao principal escalão do futebol português, temporada que fica eternamente marcada na memória de todos os adeptos leirienses pela incrível segunda volta do campeonato realizada pelos pupilos de Manuel Fernandes.
Mais tarde, em 2011/2012, o clube vive, talvez, a sua pior época desportiva de sempre, a qual ficou marcada como a última participação do clube na 1.ª Liga Portuguesa, por ordenados em atraso e pela entrada em campo com 8 jogadores no jogo contra o Feirense.

Pela União Desportiva de Leiria passaram grandes nomes do futebol nacional e mundial, que foram verdadeiros guardiões do Castelo, como os treinadores José Mourinho, Jorge Jesus, Manuel José, Domingos Paciência, Manuel Cajuda, Victor Oliveira ou Manuel Fernandes, e como os jogadores Helton, Silas, Maciel, Dinda, Derlei, Fernando Prass, Gottardi, Costinha, Douala, João Paulo, Bilro, Nuno Valente, Paulo Duarte, João Manuel, Emílio Peixe, Tiago, Petar Krpan, André Santos, André Almeida, Hugo Almeida ou Oblak.
Num passado mais recente, e depois de um ano na 1.ª Divisão Distrital de Leiria, a União Desportiva de Leiria esteve, por várias vezes, perto de garantir a subida de divisão. Para isso, foi decisiva a entrada de um novo investidor, a DS Investment LLP, representada por Alexander Tolstikov (antigo responsável pela academia do FC Krasnodar), a qual, a partir de 03 de julho de 2015, passou a deter sessenta por cento da recém constituída SAD da União Desportiva de Leiria. No entanto, e após sucessivas tentativas falhadas de subida de divisão, inclusive, a época passada ficou marcada de forma polémica (relembro que esteve em causa a suspeita de o Carapinheirense “facilitar” na partida com o Operário Lagoa, que terminou com o triunfo dos açorianos por 7-1 e seu consequente apuramento para a fase de subida em detrimento da qualificação da União Desportiva de Leiria) por a União Desportiva de Leiria ter falhado o apuramento para a fase de subida por ter marcado menos golos que o Operário Lagoa, esta época a União Desportiva de Leiria voltou a fazer um grande investimento.
Neste sentido, e tendo em vista a subida de divisão, a União Desportiva de Leiria formou um plantel bastante equilibrado, que era constituído por um misto de jogadores experientes, alguns com experiência de futebol internacional, e por jovens de muita qualidade. Da época passada transitaram peças chave do plantel, como Wilson Soares, Brigues, Tony, Kaká, Pepo, Anilton e Hernâni, aos quais se juntaram elementos como João Vieira (formado no clube), Diaby, Nailson (regresso ao clube que já tinha representado em 2015/2016), Leandro Souza e Castanheira, e, mais tarde, Leonel Olímpio e Mika (também formado no clube).
Assim, o objetivo passava claramente pela tão desejada subida de divisão e consequente regresso às competições profissionais do futebol português, o qual esteve muito próximo de ser alcançado. Depois de se ter qualificado para os play-off e de, nos quartos de final, ter eliminado o Lusitano, no passado domingo, dia 27 de maio, a União Desportiva de Leiria recebeu o Clube Desportivo de Mafra, a contar para a segunda mão das meias finais do play-off do Campeonato de Portugal, partida que foi assistida por cerca de 15 mil adeptos, que descolaram-se ao Estádio Magalhães Pessoa para assistir a uma autêntica final, afinal, neste jogo, estava em causa a subida de divisão de uma das duas equipas. O jogo terminou empatado a uma bola, acabando a sorte por sorrir à equipa visitante, que regressou aos campeonatos profissionais.

No entanto, foram vários os aspetos positivos da presente temporada, entre eles, o facto de os adeptos estarem cada vez mais próximos do clube, o que foi possível de verificar pelas assistências registadas nos últimos jogos em casa e pelo forte acompanhamento da equipa nas deslocações fora do seu estádio, a criação de uma relação muito próxima entre os jogadores, que foram e continuarão a ser verdadeiros Guardiões do Castelo, e os adeptos leirienses.
Para a época 2018/2019, a União Desportiva de Leiria apresentou como treinador Luís Pinto, um jovem de 29 anos de idade e que, durante a época passada, foi treinador adjunto do anterior treinador Rui Amorim, que assinou pelo Futebol Clube Vizela. Considerada uma decisão algo controversa por alguns adeptos leirienses, estou convicto que este é o treinador que vai devolver a União Desportiva de Leira aos campeonatos profissionais, afinal a competência não se mede pela idade.
Pelo supra descrito, a União Desportiva de Leiria está viva, bem guardada pelos seus Guardiões do Castelo e recomenda-se, estando agendado para breve o seu regresso às competições profissionais do futebol português!
“Vamos União, bandeira na mão, todos a cantar Leiria, todos juntos de alegria, só queremos ganhar, Leiria, Leiria”
Visão do leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui): Sérgio Ferreira Carmo


4 Comentários
Eder26
É muita bonita a conversa dos históricos serem os que mais merecem estar na 1ª liga mas isso impede o desenvolvimento das ligas. As equipas, eventualmente, irão descer e, outras sem tradição de 1ª liga, irão subir, pois só assim, cada clube constroi a sua caminhada. Se forem sempre os mesmos lá em cima, não tem piada.
RomeuPaulo
Com muito respeito pela UD Leiria e pelos seus adeptos, não os consigo considerar um histórico português, nem sequer um histórico do distrito de Leiria.
É um clube que ainda vive muito do facto de ter estado na 1° Liga num passado recente, que com isso conseguiu cativar alguns dos melhores jogadores da região, e agora com orçamento megalómano tem conseguido criar equipas muito competitivas, mas também muito caras.
Temos outro exemplo no distrito, a EAS Marinha Grande, tem conseguido alcançar excelentes resultados, conseguindo cativar muitos bons jogadores, mas não é por isso que são um histórico.
Para mim, os clubes mais históricos do distrito de Leiria são os quatro fundadores da AFLeiria, SCE Bombarralense, Caldas SC, AC Marinhense e GD Os Nazarenos, alguns destes clubes atravessam dificuldades, outros mudaram parcialmente o seu rumo, mas a maior parte promete ser falada nos próximos tempos (o Marinhense tem novo investidor e novo projeto com uma ligação ao Valência, os Nazarenos anunciaram recentemente o Edmilson como coordenador técnico, e o Caldas, após a campanha na Taça de Portugal, tem alguns investidores à porta).
umatiaz
Grande Post, obrigado ao Sérgio!
De facto estamos a lutar pela subida, e penso que é esse o caminho. Apesar de sentir um maior apoio dos adeptos, há muitos a voltar que já tinha “desistido”, neste jogo do mafra foi uma excepção. A verdade é que o portugues gosta de ganhar, ora não escolhessem sempre os mesmos clubes, e aqui foi igual. Numa final, onde iria decidir muita coisa as pessoas gostam de ir e dizer que “eu estive lá”.
Infelizmente é assim, mas pelo menos pode ser que alguns desses que foram decidam voltar a apoiar a equipa da cidade, que bem merece!
Quanto ao treinador, estou ansioso para ver os seus metodos. O mister amorim, apesar de ser bom treinador, não arriscava no seu futebol, e isso pagou-se caro. Com uma equipa destas a subida é quase obrigatória.
Joao D
Bom post. Mas historicamente quem compete com Coimbra para ser a Capital do Centro é Aveiro ;)
De resto, é um clube e uma cidade que simpatizo bastante. Gostava de os ver de volta aos campeonatos profissionais.