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Guia do Euro’2020: Fazer mais com menos

Cerca de uma década depois da melhor geração da sua história, a Espanha procura reerguer-se e regressar às grandes conquistas internacionais. Após um período em que La Roja dominava os escalões de formação e o futebol sénior, com as conquistas dos Europeus de 2008 e 2012, que se juntaram ao triunfo em 1964 (país com mais vitórias, a par da Alemanha), bem como do Mundial 2010, a lei do tempo ditou que os principais rostos dessas conquistas se fossem retirando a pouco e pouco, deixando um vazio nos corações espanhóis. É certo que a qualidade continua a existir, mas baixou significativamente e os resultados pioraram de forma drástica. Na verdade, a Espanha vem de presenças muito pobres nestas fases finais (não ultrapassa os oitavos desde 2012) e quererá dar agora uma resposta com um elenco renovado e onde apenas 7 dos jogadores convocados experienciaram este tipo de torneios. Sergio Busquets é o campeão do mundo que resta, a quem se junta Jordi Alba na conquista de 2012, mas Luis Enrique sabe que não há outro caminho a não ser fazer mais com menos. E este princípio poderá mesmo ser encarado de forma literal, uma vez que o selecionador abdicou de chamar 26 elementos para levar somente 24, tendo em vista uma melhor gestão dos treinos e do grupo em si, já que terá de deixar apenas um jogador na bancada em cada desafio e que, previsivelmente, será um terceiro guarda-redes. Estratégia perfeitamente compreensível e que poucos contestariam, não fosse o caso de a convocatória de Luis Enrique ter sido a mais impactante de todas. Na verdade, o antigo médio cometeu a proeza de não chamar qualquer jogador do Real Madrid e deixou vários elementos em destaque na La Liga, como Iago Aspas, Jesús Navas e Sergio Canales, de fora. Existe, por isso, uma pressão acrescida sobre os ombros do selecionador, a quem dificilmente será tolerado um fracasso, sendo que, após uma qualificação relativamente confortável, existe algum otimismo para encarar o Grupo E, frente a Polónia, Suécia, que foi adversária na fase de apuramento, e Eslováquia.

A Estrela: Thiago Alcântara (Médio, 30 anos, Liverpool) – Um dos mais experientes do elenco e um jogador com uma inteligência e técnica sublimes. A época de estreia em Inglaterra não lhe correu de feição, mas tem tudo para ser o patrão de La Roja no Europeu, encaixando como uma luva no padrão de jogo espanhol. Numa equipa sem grandes vedetas, o centrocampista do Liverpool poderá ser o mais próximo a assumir esse papel.
Jogadores em Destaque: Jordi Alba (Lateral Esquerdo, 32 anos, Barcelona) – Depois de uma temporada algo aquém em 2019/20, Alba apareceu com tudo este ano e foi uma das principais figuras dos Blaugrana, contribuindo com 5 golos e 15 assistências. Lateral que faz o flanco com facilidade, muito rápido e que combina bem com os médios, dando sempre uma solução de passe em largura ou em profundidade. Um dos melhores da posição. Dani Olmo (Médio Ofensivo, 23 anos, RB Leipzig) – Realizou uma grande temporada na Alemanha, contribuindo com 7 golos e 12 assistências, e parece pronto para explodir neste tipo de torneios. Um criativo muito competente no passe e remate, inteligente na tomada de decisão e com mobilidade para ser opção em várias posições no terreno de jogo. Marcos Llorente (Lateral/Médio, 26 anos, Atlético Madrid) – Foi chamado no lote de defesas e deverá partir do flanco direito, mas tem valências para ser utilizado em quase todas as posições. De resto, foi uma das figuras do título espanhol dos Colchoneros, tendo sido chave a forma como se foi adaptando às várias necessidades da equipa e às missões que lhe confiava Simeone. Tem muita capacidade física, qualidade na decisão e muita facilidade de remate (13 golos na época).
XI Base: Unai Simón; Marcos Llorente, Eric García, Laporte, Jordi Alba; Busquets, Koke, Thiago; Ferrán Torres, Dani Olmo, Morata.
Jovem a Seguir: Pedri González (Médio Ofensivo, 18 anos, Barcelona) – Apesar da juventude, foi utilizado em 46 jogos pelo Barça e mostrou capacidade para ser peça chave do clube nos próximos anos. Um centrocampista criativo e de técnica apurada, que também pode partir do flanco esquerdo. Seja a titular ou no XI, terá certamente oportunidades de mostrar o seu talento no certame europeu.
Principal Ausência: Sergio Ramos (Central, 35 anos, Real Madrid) – Possivelmente, a maior baixa do torneio. 180 internacionalizações, inúmeros títulos nos Merengues e na seleção, capitão e uma figura que marca uma era no futebol espanhol e europeu. Tornará, forçosamente, o eixo defensivo de La Roja menos experiente. Um nome que dispensa apresentações.
Convocatória: Guarda-redes: Unai Simón (Athletic Bilbau), David De Gea (Manchester United) e Robert Sánchez (Brighton). Defesas: César Azpilicueta (Chelsea), Marcos Llorente (Atlético de Madrid), Eric García (Manchester City), Aymeric Laporte (Manchester City), Pau Torres (Villarreal), Diego Llorente (Leeds United), Jordi Alba (FC Barcelona) e José Gayá (Valência). Médios: Rodri Hernández (Manchester City), Sergio Busquets (FC Barcelona), Pedri González (FC Barcelona), Thiago Alcántara (Liverpool), Koke Resurrección (Atlético de Madrid) e Fabián Ruiz (Nápoles). Avançados: Dani Olmo (Leipzig), Mikel Oyarzábal (Real Sociedad), Álvaro Morata (Juventus), Gerard Moreno (Villarreal), Ferrán Torres (Manchester City), Adama Traoré (Wolverhampton) e Pablo Sarabia (Paris Saint-Germain).
Selecionador: Luis Enrique

Prognóstico VM: Quartos-de-Final

Rodrigo Ferreira

5 Comentários

  • coach407
    Posted Maio 26, 2021 at 11:44 am

    Claro que NENHUMA seleção da atualidade está perto do nível da seleção espanhola do reinado de 2008-2012. E isto incluí, obviamente, a própria seleção espanhola.

    E quando falo em “seleção espanhola 2008-2012” na realidade falo de “Barcelona”. Uma das melhores equipas de sempre que gera uma das melhores seleções de sempre, não só pela qualidade individual, mas sobretudo pela qualidade coletiva desta base fortíssima de uma equipa inacreditável. O selecionador espanhol era o Guardiola quase. Como é difícil as seleções terem grande qualidade coletiva então aquela seleção espanhola era quase batota com praticamente 100% dos jogadores a jogarem na La Liga no Barcelona, Real Madrid, Valencia e Bilbao.

    Tudo isso leva a uma seleção que é simplesmente utópica. Não existe nenhum Barcelona daquele nível atualmente. Consequentemente não existe nenhuma Espanha daquele nível.

    Posto isto, a seleção espanhola continua a ser claramente uma candidata ao título, como é evidente, porque para ser melhor que os outros não precisa de ser melhor que a Espanha de 2008-2012 porque essa seleção já não joga.

    É uma equipa individualmente muito forte, os jogadores encaixam lindamente, novamente com muita base da La Liga/Manchester City nas posições chave pelo que têm potencial para serem muito fortes coletivamente.

    O que me deixa um bocadinho de pé atrás com a seleção espanhola é que falta alguma liderança e sem Sergio Ramos torna-se demasiado evidente. Tem jogadores com carreiras absurdas, jogadores de enorme qualidade, mas falta alguma personalidade como aquela Espanha tinha em jogadores como Iker, Valdés, Arbeloa, Sergio Ramos, Piqué, Puyol, Xavi, David Silva, Fábregas, Villa, etc.

    Portugal nisso está num patamar superior com um quarteto de jogadores que têm uma presença quase mítica (Rúben Dias, Pepe, Bruno Fernandes e Cristiano Ronaldo). Vencedores natos, jogadores que inspiram os outros todos e obcecados por ganhar. Além do Fernando Santos ser um grande líder. É normal os jogadores de futebol terem tiques de vedeta, mas todos têm um respeito descomunal pelo Fernando Santos. Com o Fernando Santos todos os jogadores sentem a obrigação de serem mais adultos. Até o Eduardo Quaresma chega à seleção e sente logo “fogo tenho de focar que está ali o Fernando Santos”. Claro que é uma “aura” que também se deve à idade, mas também a sua própria postura, é muito respeitador com todos os jogadores, preocupa-se mesmo com eles, sabe tudo sobre as famílias deles, tem um enorme respeito dos líderes do balneário e todos que chegam sentem logo isso imediatamente. É mesmo mesmo fantástico nesse aspeto.

    Este quinteto de líderes (Rúben Dias, Pepe, Bruno Fernandes, Cristiano Ronaldo e Fernando Santos) é talvez o conjunto de líderes mais forte da competição. São muitos, têm um back-up de jogadores também exemplares como José Fonte, Moutinho, Bernardo Silva ou Diogo Jota e portanto Portugal tem homens de barba rija nesta competição.

    Espanha médio. Espanha tecnicamente é brutal, taticamente dá um baile à seleção portuguesa fácil, mas faltam os “Sergio Ramos” desta equipa e o Luis Enrique vai tentar contornar isso com Koke e Llorente que trazem esse carisma e eram jogadores que praticamente não contavam há pouco tempo. A solução do Llorente a lateral direito é mesmo genial, na minha opinião, não apenas pelo lado desportivo (facilmente candidato a melhor LD do Mundo se jogar sempre nessa posição), mas também pelo carisma e atitude que vai levar para dentro de campo com aquele ADN à Atletico Madrid que falta um pouco a esta equipa.

    Por fim, vamos ver se o Luis Enrique aposta mesmo no Eric Garcia. Seria titular com a saída do Sergio Ramos e do Inigo Martínez, mas com a entrada do Laporte não sei se o Luis Enrique vai abdicar do Pau Torres.

    PS: Colocar o Jordi Alba como destaque e dizer que “apareceu com tudo” esta época e foi “uma das figuras” do Barcelona é perigoso. A mim disseram-me que não estávamos em 2016 e que o Guerreiro é melhor……

  • BrunoAlves16
    Posted Maio 25, 2021 at 11:17 pm

    Não têm a qualidade de outros tempos, mas tendo em conta o domínio que tiveram naquela era, difícil era manter sempre a bitola tão elevada.
    Desde a conquista do Euro 2012 que têm coleccionado fiascos, Luis Enrique tem aqui uma oportunidade de inverter essa tendência. Acredito que ultrapassem a fase de grupos sem grandes sobressaltos e depois encarem a fase a eliminar com confiança acrescida. Quartos-de-final será o mínimo exigido, mas acredito que possam chegar aos 4 semi-finalistas. E quem chega às meias…

  • Amigos e bola
    Posted Maio 25, 2021 at 10:17 pm

    Não é aquele elenco de luxo de 2010 e 2012, e creio que isso é consensual. Aliás, há aqui N jogadores que são suplentes nos seus clubes.

    Mas têm um dos dois melhores treinadores da competição (o outro é o Low) e o nome da Espanha, em si, impõe sempre respeito.

    Subscrevo o prognóstico do VM. Creio que ficarão pelos quartos de final.

  • Goncalo Silva
    Posted Maio 25, 2021 at 10:11 pm

    Ainda assim a Espanha tem uma seleção super poderosa com qualidade e alternativas em todas as posições. Um plantel destes dá perfeitamente para ganhar o Europeu sem milagres, estão a meu ver no segundo lote de favoritos. Para além disso num torneio com jogos a uma mão basta estarem num belo momento de forma e cheios de confiança para ganharem o Europeu, e é isso que torna está competição espetacular (bem mais que a Copa América que não tem tantos favoritos à vitória final).
    O meu 11 seria: Unai Simon, Marcos Llorente, Pau Torres, Laporte, Jordi Alba, Rodri, Thiago, Fabian Ruiz, Ferran Torres, Dani Olmo, Moreno

    • Amigos e bola
      Posted Maio 25, 2021 at 10:30 pm

      A diferença de qualidade (e de prestígio) de um Europeu para uma Copa América é abismal.
      E concordo contigo, há sempre surpresas e desilusões.

      Basta ver a França no Euro 2004. Tinham uma geração tão ou melhor que a atual e foram eliminados pela…Grécia.

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