
Bélgica 3-2 Japão (Vertonghen 69′, Fellaini 74′ e Chadli 90’+4; Haraguchi 48′ e Inui 52′)
Jogaço! A Bélgica esteve com um pé fora do Mundial mas conseguiu dar a volta e marcou encontro com o Brasil nos quartos-de-final. Num duelo que podia ter caído para qualquer lado, foi o Japão a adiantar-se no marcador e até a chegar a uma vantagem de 2 golos, no entanto os Diabos Vermelhos reagiram, e na última jogada do encontro conseguiram o apuramento. Mérito de Roberto Martínez, que lançou os responsáveis pela reviravolta, Fellaini e Chadli, mas a Bélgica, apesar de ser favorita, só se superiorizou realmente quando transformou o jogo num duelo aéreo; Já os nipónicos saem da Rússia de maneira inglória, ainda por cima, depois do 2-2, deram a ideia de estar melhor, mas um canto a favor acabou por deitar tudo a perder.
Quanto à partida, no 1.º tempo houve não oportunidades de golo, com um ligeiro domínio belga mas os nipónicos a dar uma boa resposta. A 2.ª parte foi totalmente diferente, recheada de golos e emoção. Assim, aos 48’ Shibasaki solicita Haraguchi com um grande passe e este bate Courtois com um remate cruzado. Quatro minutos depois, foi Inui, num grande tiro de longe, a aumentar para 2-0 a vantagem dos asiáticos. Os belgas fizeram sair Fellaini e Chadli do banco e os suplentes agitaram com o jogo, impondo a equipa europeia o seu domínio no jogo aéreo. Aos 69’ Vertonghen, num cabeceamento que parecia mais ser um passe para o interior da área que um remate, reduziu, e aos 74’ Fellaini, também de cabeça, fez o empate. Até final Honda teve a melhor possibilidade para marcar, mas aos 94’ veio a dolorosa derrota para o Japão: Courtois agarra um canto e lança Kevin de Bruyne para um contra-ataque, com o jogador do City a solicitar Meunier e este a servir Chadli para o 3-2 final.
Destaques:
Bélgica – Enorme susto, confirmação das fragilidades que se adivinhavam mas objectivo cumprido. Pela terceira grande competição consecutiva a Bélgica está entre as 8 melhores equipas, o que confirma o salto competitivo que esta geração já deu (os diabos vermelhos nem se quer vinham estando nos Europeus e Mundiais), faltando agora mostrar que este grupo de jogadores pode bater os melhores (e vem aí um duelo com o Brasil na qual haverá uma oportunidade para o fazer). Na primeira hora de jogo a equipa de Martínez teve dificuldades (só num período do 1.º tempo encostou os japonês à sua baliza), com uma posse algo lenta e previsível e dificuldades em ligar o jogo e activar os criativos no último terço, juntando-se a isso dificuldades defensivas que já haviam sido visíveis, sobretudo no controlo do espaço entre os centrais e os alas (particularmente do lado esquerdo entre Vertonghen e Carrasco). Mas após o 2-0 houve mérito em não baixar os braços e ir em busca do resultado, percebendo a Bélgica a faceta do jogo em que teria muita vantagem (o jogo aéreo) e apostando todas as fichas nessa mesma faceta (daí a entrada de Witsel) e tendo a aposta êxito, com a ajuda da pontinha de sorte que sempre faz falta. Individualmente, Vertonghen fica muito mal na fotografia do 1-0 e voltou a ter problemas na coordenação com Carrasco, que cada vez mais parece uma aposta falhada como ala esquerdo (tem muito má leitura defensiva e tão longe da baliza rival perde impacto no ataque). De Bruyne teve um jogo difícil, já que durante largos minutos foi muito vigiado pelos nipónicos e teve pouca bola em condições favoráveis, mas acabou por ser decisivo conduzindo o contra-ataque aos 94′ como um verdadeiro craque. Mertens esteve pouco em jogo e sem surpresa foi substituído, ao contrário de Hazard, que nunca se escondeu e foi quem mais problemas criou ao Japão por acções individuais. Lukaku batalhou muito mas perdeu a maior parte dos lances com Yoshida, não estando certeiro quando teve oportunidade para finalizar, e do banco veio grande parte da vitória: Chadli deu muita qualidade ao flanco esquerdo, conseguindo driblar e canalizar jogo de qualidade e Fellaini assumiu o papel que tão bem lhe conhecemos, voltando a dominar na área rival quando a sua equipa está apertada.
Japão – Inglório. Os nipónicos estiveram perto de fazer história e saem do Mundial com um sabor de boca muito amargo, não só por terem estado a vencer por 2-0 mas por terem permitido o 3-2 num contra-ataque na sequência de um canto, numa jogada que corresponde a todos as fragilidades históricas ligadas à “inocência” competitiva das equipas daquela zona do globo mas quem também reflete uma atitude nobre de um conjunto que sempre quis atacar e tratou bem a bola. O Japão voltou a revelar critério na posse e muita técnica, destacando-se a facilidade para colocar passes interiores para que Osako, exímio em jogar de costas para a baliza, colocasse os criativos de frente para o jogo. A “força aérea” dos belgas acabou por pesar, mas o que é certo é que o Japão provou neste Mundial que tem competência futebolística para melhorar os resultados relativamente ao passado recente. Individualmente, Yoshida fez um jogo formidável, fartando-se de “limpar lances” e de ganhar duelos a Lukaku, bem como de “dobrar” o companheiro no centro da defesa Shoji, que no momento com bola também revelou bem mais dificuldades. No meio-campo o capitão Hasebe foi de novo o cérebro da equipa, dando muita tranquilidade e equilibrando sempre o conjunto sem bola, ao passo que Shibasaki (grande Mundial) voltou a exibir-se em grande no passe, fazendo uma assistência fenomenal para o 1-0. Haraguchi não esteve muito em jogo mas apareceu bem para inaugurar o marcador, enquanto Inui espalhou técnica (as suas recepções são deliciosas) e apontou um golaço. Kagawa fez o seu melhor jogo na competição, sendo fundamental a segurar a bola e a dar serenidade à posse do Japão (equipa com muita facilidade para fazer combinações curtas em zonas adiantadas do terreno, vendo-se mais à vontade em trocas de bola do que muitos conjuntos teoricamente mais fortes) e Osako, mesmo voltando a fazer um jogo “sem baliza”, foi enorme a funcionar como referência frontal, aguentando muito bem a bola e esperando pelos seus companheiros.
XI da Bélgica: Courtois; Alderweireld, Kompany, Vertonghen; Meunier, Witsel, De Bruyne, Carrasco; Mertens, Lukaku, Hazard
XI do Japão: Kawashima; Sakai, Yoshida, Shoji, Nagatomo; Hasebe, Shibasaki; Haraguchi, Kagawa, Inui; Osako


56 Comentários
Xyeh
Que final inglório para o Tsubasa e amigos, faltou um pouco mais de experiência quando estavam a ganhar 2-0, mais ratice e tinham pelo menos garantido o prolongamento.
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E faltou o Benji também…
Manchester Is Red
Kawashima deve ser o pior GR deste Mundial.
Oferece o 1º à Bélgica e tem um tempo de reacção ridículo no 2º.
Depois, acho incrível como é que o Japão ataca um canto no último minuto com tanta gente e expõe-se a um contra-ataque desta forma.
Saem do Mundial e saem com toda a justiça.
Oldasity
Só para recordar que Caballero esteve neste mundial.
Sombras
E o segundo pior, é o Armani, não?
Rui Pedro
Eles foram lá para jogar futebol. Com bola. Uma bela equipa muito organizada. Repara que mesmo após o 2-0 não procuram deixar de atacar. Fantásticos. Fez falta mais seleções assim.
Dca
Totalmente de acordo.
Tiago Peixoto
Tem culpa no 1º golo efetivamente, mas no 2º golo nenhum GR no planeta defende aquilo (um cabeceamento em cima da pequena área é indefensável). Para além disso fez inúmeras defesas que foram adiando a vitória belga
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Concordo em absoluto. Que guarda-redes ridículo para uma selecção nacional…
castigador.da.parvoice
Provavelmente o treinador sentiu (e provavelmente com razão) que não iam aguentar os gigantoes mais 30m e arriscou tudo para não levar o jogo para prolongamento. Arriscou e perdeu, muitos têm havido que não arriscam nadinha de nada e perden na mesma…
Dca
Que pena. Kagawa a espalhar técnica, fantástico. Bélgica a defender pessimamente em largura.
Em relação ao Japão, mereciam mais, mas as individualidades fizeram a diferença. Excelente plano de jogo (ao nível da transição) onde saíam com um critério sublime e com jogadores rápidos e tecnicamente dotados. Defensivamente, a estatura fez a diferença. Mas viu-se uma equipa com prazer, confiante e corajosa. Espetáculo.
Rui Pedro
Que ridiculo. Uma pena o Japão não saber como não jogar á bola como o Uruguai ou a Rússia. A Bélgica a fazer um jogo á Fifa…
Com uma equipa tão boa, raramente conseguiram fazer algo em lance corrido, tirando o ultimo golo e a bola ao poste do Hazard. Parabéns aos nipónicos , fizeram um grande grande jogo e mereciam claramente a passagem aos quartos, foram mais perigosos, mais criativos, faltou-lhes o físico.
Joao Silvino
Japão… Aquele último lance era um canto curto e perder tempo para ir a prolongamento… Que pena perder assim!
Dca
Eles não querem ser assim. Querem atacar. Querem marcar golos. Se fosse para isso, estavam desde o 2 – 0 a fazê-lo, a perder tempo atrás de perder tempo. “Lesões”, etc.
R. T-Bag
Não esquecer que este mesmo Japão no ultimo jogo do grupo defendeu durante 10 minutos uma derrota por 1-0.. Por isso dizer que eles não queriam ser assim parece-me errado. É o meu ponto de vista, embora hoje não se tenham colocado da mesma forma
Looper
Japao cai de pé. Fez o que podia com o que tem, têm que sair de consciencia tranquila.
A belgica tem tudo, talvez falte um LE melhor, mas é pena ser uma anarquia. De qql momento gostava que seguissem em frente para as meias, apesar de partirem como outsiders.
Gigante 2a parte das 2 equipas.
Osvaldo Trace
Que pena pelo que deram em campo mereciam muito e mas o futebol é assim que grande jogo de futebol…. se a Bélgica passar diante do Brasil temos aqui um forte concorrente para a conquista do mundial
vfcquiterio
Incrível! O Japão merecia o prolongamento, ainda assim passou a melhor selecção!
Esta Bélgica defensivamente com o Brasil…. devia ter apostado 6/6… lol
Natan265
Que parvoíce, canto a 30 segundos do fim e levar um golo. Foi pena
Estigarribia
Dos mais emotivos, até ao momento, dos oitavos-de-final do Mundial de 2018. Que injustiça para o Japão, que merecia passar aos quartos-de-final da Copa. A Bélgica a uma determinada altura, na segunda parte, limitou-se a despejar bolas para a grande área da turma japonesa, onde os centímetros de Lukaku, Fellaini, Kompany, etc, eram uma ameaça constante. Mas, como no futebol o que conta são as bolas que entram, os belgas marcaram três golos e estão assim na próxima fase do Mundial. Duvido que consigam passar pelo Brasil se continuarem a falhar golos cantados como falharam neste jogo (um senhor chamado Lukaku então fartou-se de falhar golos atrás de golos).
Já sobre a seleção japonesa, a turma nipónica merecia passar aos oitavos-de-final, mas, mais uma vez, a inexperiência de alguns jogadores nestas andanças pesou e de que maneira para aguentarem o 0-2 ou, pelo menos, o 2-2 onde poderiam levar o jogo a prolongamento ou até às grandes penalidades. Shinji Kagawa e Takashi Inui foram os samurais que quase mandaram a Bélgica de volta para casa.
Arigato, Akira Nishino.
Duplo T
Grande jogo. O lance final penso que e inexperiencia do Japão. Num canto a 40s do fim tentam ganhar o jogo acabando por num contra ataque sofrerem o terceiro golo. Penso que ha alturas que nao se deve arriscar claro que falar e fácil
TheRevolution
Seleccionador do Japão já tinha demonstrada com a Polónia que é muito ingénuo. A forma como trocou toda a equipa achar que no mínimo empatava ia dando para o torto. Hoje voltou a demonstrar que precisa de um estágio na América do Sul.
Dca
Tira esse estágio daí. Precisa é de continuar com esta mentalidade.
100Clubismo
Muito, mas muito injusto para o Japão. Grande equipa, coesa e bem organizada. Foram 11 Tsubasas em campo, autênticos samurais. Tanto foi assim que o Inui (jogador fantástico) mandou o remate colocado do Tsubasa, este que aprendeu com o Roberto Maravilha. Mas como ao contrário de Oliver e Benji, o jogo não acaba quando o Japão/equipa do Oliver marca o golo da vitória.
A Bélgica teve uma sorte descomunal. Como é que uma equipa com inúmeros jogadores de classe mundial pratica um futebol tão insípido? Esta Bélgica vai sofrer tanto com o Brasil. Tanto é assim que apoiei o Japão o jogo todo, e fiquei descontente com a derrota, porque eles mereciam. Parabéns pelo esforço.
MiguelF
Só tive oportunidade de ver a 2a parte e valeu a pena. Que jogo!
O Japão troca muito bem a bola, algo que a Bélgica não estava a conseguir fazer em condições. Valeu o jogo aéreo para os belgas, com um golo caído do céu do Vertonghen e uma cabeçada muito boa do Fellaini.
Kagawa fez um jogão e nota para o golo da vitoria da Bélgica, num contra ataque rapidíssimo. Lukaku que esteve perdulario o jogo inteiro fez uma excelente simulação para o Chadli encostar a 10 segundos do fim do jogo.
Não faltou emoção neste jogo…
JoaoMiguel96
Que tristeza. Estava tão feliz pela exibição japonesa e isto acontece. Nem sequer foram ao prolongamento. Estou mesmo triste.
Exibição excelente dos nipónicos. Defenderam muito bem, tiveram imenso critério com bola e foram letais na hora de finalizar. Mostraram grande qualidade técnica e que são a melhor seleção asiática, já minha opinião.
Enormes jogos de Yoshida (um muro autêntico), Sakai e Nagatomo (muito critério nas subidas) e Shibasaki (o farol da equipa quando era preciso ter bola e lançar o ataque). Inui marcou um golaço e desequilibrou muito, Osako esteve muito bem nos apoios e Kagawa mostrou estar num patamar acima de todos os outros. Tenho imensa pena que as coisas não tenham resultado no United e que estes últimos anos no Dortmund não estejam a ser bons. Que saia (de preferência que fique na Bundesliga) e que mostre toda a sua qualidade.
Quanto às Belgica, são duas equipas em campo. Uma ataca e a outra defende. Contra o Brasil nem vão cheirar se jogarem assim. Lukaku foi um estorvo para a defesa japonesa com a sua força e técnica, Hazard tentou sempre assumir as rédeas do jogo e Vertoghen esteve no melhor e no pior ao marcar o 1° da Bélgica e ao errar no 1° do Japão.
Gostava de saber porque é que não se explora tanto o mercado japonês de futebol. Na Alemanha tem resultado muito bem.
ACT7
Grande jogo.
O Japão merecia mais, mas os duelos aéreos contra uma equipa como a Bélgica são complicados. A transição ofensiva da Bélgica é muito boa, mas a transição defensiva é muito má, ainda para mais querem continuar a jogar com o Luisão, até nas bolas paradas é como o Benfica, levantar para o Luisão.
Desta vez o Japão arriscou e não queimou tempo no canto final que daria o contra ataque para a eliminação e correu mal.
Bélgica dois golos de cabeça, sendo que um deles até foi sem querer.
Courtois muito bem, boas defesas sendo e no final têm o mérito de procurar o KDB que era o homem certo para conduzir a bola, depois o jogador mais importante da jogada foi aquele que não tocou na bola, Lukaku. ´
Brasil-Bélgica, a Bélgica precisa de melhorar defensivamente e rezar por uma lesão do Luisão, senão é menino para ficar sem rins.
Pedro Barata
https://twitter.com/pbarata95/status/1013876386233245698
Bio
Concordo totalmente Pedro. Criticam-se as equipas por ter um jogo entediante ou por serem demasiado ingénuas quando atacam (como o Japão). Pessoalmente prefiro mil vezes o futebol de equipas como o Japão ao de Equipas que se fecham na defesa. Faltou acima de tudo um guarda-redes razoável.
Luis La Liga
Grande Belgica, apesar de que so com Witsel mais recuado nunca na vida serao campeoes mundiais. E como ja se percebeu pela Alemanha, Portugal, Argentina, defesas lentos sao caminho certo para uma ida para casa (Kompany foi patetico neste jogo)
Por amor de Deus, nunca mais ponham este comentador da rtp. Ora Hazard tava na ponta, ora estava no meio, ora estava na ponta. Ora Meunier é um jogador banalizissimo e o Carrasco devia ir para defesa, ora Meinier afinal ta melhor integrado e ja deve jogar. Um jogo todo neste ziguezague de comentarios
Bernas
O Carlos Daniel foi o melhor comentador que a RTP pôs até agora. Deixem falar alguém com dom de palavra e que percebe de futebol, por favor.
R. T-Bag
Concordo, acho que o Carlos Daniel podia dar um bom treinador! Simpatizo com ele e acho-o muito assertivo nas análises que faz várias vezes às formas de jogar das equipas. Se calhar na hora H podia ser um fail como treinador, mas gostava de ver eheh
TheRevolution
Foi demasiada ingénua esta selecção do Japão. Um futebol muito bonito, jogadas com princípio, meio e fim, mas tanta ingenuidade na forma de abordar o último lance. Guarda-redes é fraco também.
Bernardo Guerreiro
Seleção mentalmente fraca e com espírito competitivo bastante baixo, nem se estivessem a ganhar por 10 ao intervalo, ganhariam no final do jogo
Mastodon
Muita atenção a esta Bélgica, seleção muito forte no mundial do hype. Só lhes faltava ter o Neymar e eram a maior seleção de sempre.
ACT7
Agora chamam ingénuos aos nipónicos, quando no jogo anterior todos criticaram por passaram ao ter menos 2 cartões e a trocar bola na defesa durante 10 min. Razão tinha el professor, num jogo Camarões-Brasil…
Mantorras
Grande observacao.
O Fernandes
Excelente ACT7. Muitos dos que agoram criticam o jogo do Japão fizeram o mesmo na semana passada.
Não quer dizer que um ou outro sejam mais inteligentes, até porque ontem foram mesmo muito ingénuos.
Um abraço
Flavio Trindade
Que diferença de qualidade nos jogos de hoje para os outros!!
O Brasil teve que usar o plano A para eliminar o México que fez uma primeira parte notável e à semelhança do que já tinham feito neste mundial.
Pressão altissima, tremendos em transição, processos simples tudo em alta rotação.
Mas as pilhas acabaram e o Brasil na segunda matou o jogo com Willian em destaque e Neymar a aparecer finalmente.
Se este for o Brasil até ao fim é o candidato número 1.
Mas este Bélgica vs Japão foi talvez o melhor jogo desta competição.
Golos, muitos e bons, equipas de ataque, boas jogadas, reviravoltas, muita emoção e um final inglório para os japoneses.
O Japão que foi passando pelos pingos da chuva, fez hoje uma super exibição.
Colectivamente aquele tridente de meio campo com Shibasaki, Kagawa e Inui foram fantásticos.
Do lado da Belgica, muita qualidade, mas muita dependência dos rasgos individuais de Hazard, De Bruyne e Mertens e da força de Lukaku, porque em processos colectivos esta equipa é uma desgraça!
Uma espécie de Portugal colectivamente mas com mais gente a fazer a diferença individualmente.
E tal como em muitas outras equipas neste Mundial a Bélgica regressou ao jogo numa chouriçada incrível (para o narrador da Sptv foi um grande golo…), numa altura em que os japoneses venciam por 2-0, estavam confortáveis e na sua zona (em 10 jogos o Japão em 9 não perdia esta vantagem).
Mas a chave deste jogo acabaram por ser as críticas ferozes que os japoneses tiveram aquando do seu apuramento. Foram criticados injustamente por apenas terem jogado com as regras e apelidados de anti éticos…
Hoje os senhores do anti ético não podem lamentar o destino do Japão…
Aos 90m bastava gerir a posse e meter gelo e reagrupar para o prolongamento porque o Japão como equipa continuava melhor.
Desta feita para gáudio de alguns foram éticos…e a Bélgica num lance perfeito de transição (a jogada é deliciosa) com uma arrancada brutal de De Bruyne, um passe de Meunier de primeira para a zona de golo, simulação de Lukaku e golo de Chadli.
A Bélgica foi letal, talvez não merecesse, mas o Japão foi anjinho…apesar de ter sido ético…
Ainda assim e apesar de todo o talento ofensivo, o processo defensivo é medonho.
O novo Witsel da China não segura o miolo e aquele último terço vai ser um festim para Neymar, Coutinho, Willian e Gabriel Jesus.
Joaquim O
segunda parte completamente louca. A Belgica mostrou personalidade para ganhar o jogo mas ainda não estou convencido, apesar das incriveis estrelas da equipa. Penso que sofre demasiado nos processos defensivos. Os quartos de final contra o Brasil vão ser divertidos.
masterDC
O Japão de teórica seleção a ser afastada na fase de grupos a uma possível ida aos quartos-de-final. Faltou experiência a esta equipa, fosse isto um Uruguai ou uma Rússia e teriam provavelmente segurado o resultado. Estiveram a segundos de irem a prolongamento foi pena.
Se a Bélgica jogar como hoje contra o Brasil vão passar por muitas dificuldades.
Pereira
Jogo muito estranho…
A certa altura parecia que estava a ver a Alemanha jogar, tal era a forma concentrada,concertada e objectiva como o Japão estava a jogar.Então o Kagawa parecia uma espécie de mistura entre o Xavi e o Bergkamp tal era a facilidade com que organizava o jogo e desconcertava os defesas belgas com um, dois toques de classe…
A questão é que esta Bélgica colectivamente é (quase) um fiasco, tanta qualidade junta a jogar há tanto tempo e não há forma de arranjar um plano que não sejam rasgos individuais, despejo aéreo de bolas para o Lukaku ou lances de transição como o último (grande passe de De Bruyne).
Uma espécie de versão europeia da Argentina de 2014.
Depois, não percebi porque é que o Carlos Daniel da RTP esta constantemente a depreciar o Meunier tecnicamente, quando este, embora hoje não tenha estado feliz, já demonstrou várias vezes ser capazes de lances brilhantes e de grandes gestos técnicos, além de oferecer sempre muita capacidade ofensiva (hoje este infeliz em algumas decisões).
Não passa a melhor equipa, mas passa o melhor conjunto de jogadores e se o Japão hoje foi ingénuo e infeliz a abordar aquele canto, não nos esqueçamos dos lamentáveis minutos finais do Japão frente à Polónia…
Pereira
está*,capaz*,esteve*
(…)
Já agora, guarda redes do Japão horrÍvel, Kompany lento,lento,lento, Shibasaki e Inui muito bem.De facto não é de estranhar que o comportamento em campo dos jogadores japoneses lembre um pouco a Alemanha visto que 5 dos 6 jogadores que actuaram de início do meio-campo para a frente joguem ou tenham jogado na Alemanha por algum tempo, sendo que as equipas espanholas de meio da tabela onde actuam o Inui e o Shibasaki também privilegiam muito este tipo jogo criterioso, envolvente e tecnicista.
Fake Plastic Fans
Vai ser muito interessante ver esta Bélgica contra o Brasil.
A transição ofensiva é a melhor do mundial, jogando o Brasil sem Casemiro (pior ainda SE JOGAR o Marcelo, porque o “melhor defesa esquerdo do mundo” pra trás é devagarinho), com o Neymar a perder 10 posses de bola por jogo, arrisco-me a dizer que o resultado pode vir a ser MUITO surpreendente.
Vitoria SC
Horrível o esquema tático desta Bélgica com 3 centrais e suas apostas absurdas na ala como Meunier e carrasco.
Não funciona melhor um meio campo com fellaini witsel com de Bruyne á frente e um ataque a 3 com Hazard Lukaku e Mertens a caírem nas alas de fora para dentro ?
Tiago Silva
Um jogo muito agradável de se assistir. Gostei muito do Japão os jogadores estiveram concentrados, organizados e têm imensa qualidade técnica. Os 2 golos mostraram isso e também mostraram o quão frágil é a transição defensiva belga que irá sofrer imenso com o Brasil. Faltou ao Japão um guarda-redes e capacidade no jogo aéreo e para ganhar em duelos individuais. Não mereciam a eliminação a meu ver.
Joga_Bonito
O Japão só pode ser surpresa para quem anda desatento ao futebol.
Desde o Mundial da Coreia que foi claro que as equipas asiáticas evoluíram muito tecnicamente, tendo trazido muitos jogadores brasileiros nos anos 80, 90 e 2000 para o seu futebol. A ideia era dar crescente técnica aos jovens e os brasileiros, com a sua ginga, seriam a face dessa mudança. A própria ida de Ricardinho para o Japão insere-se nessa mesma lógica. Ao contrário das compras absurdas da Liga chinesa, que parece querer criar uma superliga, imaginando que a partir daí brotarão jogadores nacionais de qualidade quase que espontaneamente, a política nipónica foi apostar no perfil de um jogador técnico, com jogo de rua (os brasileiros pois claro), para passar esse legado aos nipónicos.
É conhecido por todos que o espírito nipónico, aliás todo o espírito asiático, é de grande sacrifício e empenho.
Isso ilude a pensar que se trataria de uma Alemanha à antiga, aquela dos jogadores banais tecnicamente mas com uma grande força de trabalho e com um espírito inabalável.
O Japão, assim como a Coreia do Sul, aliam a técnica à tática e à disciplina, sendo uma crescente mistura do melhor do espirito nipónico de sacrifício, com a técnica. Mostram bem como foi acertadíssima a aposta nipónica na colocação de brasileiros e latinos na sua liga. Não eram grandes jogadores (salvos raros casos) mas tinham aquela ginga, aquela atitude que faz um miúdo querer jogar. Muitos brasileiros foram contratos para treinadores da formação, algo que se revelou acertadíssimo. Ainda hoje me recordo da impressão positiva que me deixou o Japão já em 2002, aliado a uma Coreia do Sul (infelizmente para nosso infortúnio). Nunca me esquecerei do golo do jogador coreano que nos eliminou, em que ele faz um belo gesto técnico. Infelizmente alguns idiotas preferirem fazer acusações absurdas de doping contra a Coreia e Japão, devido ao ginseng (ainda me estou a rir desta) do que ver a realidade.
A realidade crua é esta. Enquanto países tradicionais do futebol bonito, como Portugal e o Brasil se vão suicidando com a adesão ao canto das sereias do futebol feio e sujo (vendido como pragmatismo pelos “peritos”), da robotização dos jovens em academias todas xpto, novos países emergem a defender um conceito bonito de futebol. E até antigos baluartes do jogo feio. Para se ver o cerne da questão, tomem-se os casos alemão e italiano como exemplos.
A Alemanha perdeu connosco no Euro2000, com uns expressivos 3-0, com Portugal a apresentar as suas reservas e a Alemanha na máxima força. No final do jogo, a imprensa alemã dividiu-se em duas linhas explicativas para a humilhação histórica: uma foi fazer a usual demagogia explicativa, em que se atiram clichés, meias verdades e verdadeiros absurdos. A Alemanha havia perdido porque tinha muitas vedetas velhas e ricas. Não se esforçavam, blá,blá,blá, blá. Outra linha, a que via com olhos de ver, apontou o óbvio: que a Alemanha estava completamente ultrapassada. O jogador típico alemão jogava quase como se jogava no século XIX. Tinham ganhos títulos até então e pensavam que iam ganhar sempre. Não eram capazes de ver que a Alemanha se diferenciara essencialmente porque tinha um pragmatismo e uma cultura de trabalho que resultava quando as equipas eram quase todas líricas (salvo o caso soviético e italiano) e que isso desaparecia quando todas as equipas ganhassem competência defensiva e melhor atitude. Isto sem desmerecer de atributos como raça, crença, disciplina que fizeram da Alemanha um grande, atributos que sim, são importantes numa equipa, mas não podem ser dissociados de atributos como técnica, criatividade. Se não, se para ganhar bastasse correr muito, bastava ter 11 Carlos Lopes em campo para ganhar, não?
Este segundo grupo levou a uma rebelião no futebol alemão a partir de 2000. Começaram a querer mudar o paradigma do jogador alemão, dando-lhe mais técnica e fantasia, tentando manter as boas qualidades germânicas (que eu não desprezo). Foram inicialmente gozados. O Mundial de 2006 foi o prelúdio da grande Alemanha de 2014, que só surpreendeu quem não acompanha o futebol com olhos de ver.
Outro caso é a Itália. Mourinho chegou a Itália e atreveu-se a dizer que o catenaccio estava ultrapassado. Toda a gente lhe caiu em cima. A humilhação de 2010 provou a verdade de Mourinho. A Itália que ganhou os títulos mundiais, ganhou-os porque se diferenciava pelo cinismo num futebol de líricos. A continuar por essa senda tornar-se-ia uma equipa banal. A humilhação perante a Nova Zelândia, onde (ironia das ironias) a Itália sofreu um golo em contra-ataque, tendo apenas marcado 1 em 26 remates, mostrou à Itália que o veneno que usou durante anos, se aplicaria a ela também. Não é muito difícil dar uma boa condição física, disciplina tática e passar 90 minutos à espera do erro do adversário. Isso qualquer um faz. E a Itália percebeu que dentro em breve, quando dezenas de equipas de novos países fizessem uma melhoria tática no seu futebol, a Itália se tornaria banal.
Entrou em cena Andrea Pirlo, um jogador que eu muito admiro, que disse frontalmente “ temos de equacionar o modelo tradicional da Itália. Estamos ultrapassados e temos de criar um novo jogo ofensivo na Itália”. A Itália quis mudar e apresentou um belo futebol no Euro2012 com Prandeli no comando. Não venceu logo, mas ali e na sua formação nota-se uma tentativa de mudar o paradigma. Como sempre, há os velhos do Restelo que choram a cada derrota pedindo novo o catenaccio, mas a Itália está a tentar mudar o seu paradigma, inclusive na sua formação. Como sempre, a verdade e as boas políticas demorarão tempo. É preciso desconstruir o catenaccio, é preciso recriar no jovem italiano a beleza do jogo de rua. E isso demorará tempo. Mas se a Itália não se deixar atemorizar pelas pressões dos vendedores de banha de cobra do “futebol utilitário”, irá no caminho certo.
O que tudo isto quer dizer? Quer dizer que a Itália e Alemanha, que nunca simbolizaram o jogo bonito, estão a querer recriar ou criar um futebol bonito. Nesses países têm-se feito excelentes reflexões sobre o estado actual do futebol. O catenaccio já não é tabu e aponta-se que o declínio italiano não se deveu à questão dos estrangeiros em excesso (um velho mito sempre usado quando convém desviar questões incómodas) mas ao modelo que Itália adoptou durante décadas.
Os belos jogos feitos por Peru, Marrocos, Japão, a novas tendências que emanam de Itália e da Alemanha, mostram para mim que se está a processar uma mudança em dois âmbitos no futebol: a mudança nas equipas grandes, com a Europa e América Latina a perderem influência; a mudança nos países emblemáticos do futebol bonito.
É verdade que o declínio da Europa é primeiro que tudo apenas um mero ascender de potências latinas secundárias, como o Perú, Colômbia, México (outro país com um excelente trabalho na formação, que tal como o Japão visou a adopção de um modelo tecnicista, ao invés de espartilhos táticos). A Europa pode ter o mesmo poder de antes, mas os outros estão mais fortes. Assim, há mais um fortalecimento dos pequenos, do que um declínio europeu propriamente dito.
Contudo, é notório que Portugal está a perder qualidade técnica e isso deve-se aos paradigmas que adoptou. O mesmo em relação ao Brasil, cujo declínio técnico é evidente (ocultado pela magia de Neymar). Eu ainda sou do tempo em que o Brasil tinha no mínimo 5 candidatos a Bola de Ouro (ou pelo menos aspirantes a um dia puderem ser), e mais cerca de 20 craques para cada posição. E uma infinidade de bons jogadores e de potenciais craques. Jogadores como o Quaresma surgiam todos os anos quase 100 no Brasil. Desde então, a saída massiva de brasileiros em idade jovem para a Europa, que aos 21 jogam pelos novos países (algo que configura um autêntico roubo) e as tendências academizantes, estão a destruir o grande Brasil. Quem quiser dizer que esta equipa se compara ao Brasil de 2006 (a nível individual) ou sequer ao Brasil de 82, só se está a iludir ou nunca viu esses jogadores antigos a jogarem.
Compare-se a atitude lúcida dos italianos e dos alemães em entenderem a raiz do problema e a negação em que estamos em Portugal. E note-se que na Itália e Alemanha, tal significou abdicar do apego emocional a sistemas que haviam dado títulos, razão essa pelo qual não eram questionados. Em Portugal é críticas ao árbitro, é insultos aos jogadores, é teorias descabidas de conspiração contra nós. Tudo menos o óbvio: a falta de qualidade crescente de Portugal.
Alguns clubes têm tentado reverter isto, mas são poucos casos. Para um país reverter isto, têm de ser todos a voltar ao futebol de rua, temos de ter milhares de jovens a praticar o belo futebol na sua essência. Se não, não surgirão grandes jogadores em grande número.
cards
Nenhuma equipa se pode equiparar ao Brasil 82 excepto o Brasil 70.
Estas duas equipas são as melhores da história dos desportos coletivos.
Joao D
Belíssimo texto.
Concordo a 100%. É pena ver o jogador português a perder aquele toque de mágica que o caracterizava ao ponto de sermos apelidados como os brasileiros da Europa…
Precisávamos de mais Nanis, Quaresmas, Manuel Fernandes, Ronaldos, etc quando despontaram.
Continuamos a ter aquele talento tipicamente português mas estamos cada vez menos virtuosos.
Pereira
Esse tipo de análises retrospectivas em grande escala não são muito fiáveis, cada um pode adaptar os factos de forma a construir uma narrativa aparentemente convincente mas é muito difícil decretar um diagnóstico preciso.
Veja-se que em 2014 muitos acusaram o Brasil de ser uma selecção muito voluntarista, lírica se quisermos até, mas pouco organizada e tacticamente evoluída em comparação com as selecções europeias como a Alemanha (o que ajudaria a explicar o 7-1).Diga-se que uma selecção tacticamente evoluída não é , de todo, a antítese do “joga bonito” nem da qualidade técnica, mas um conjunto com um plano de jogo, uma coordenação predefinida entre os jogadores, uma aprendizagem no que toca ao posicionamento, às movimentações, à gestão do ritmo da posse em função dos vários momentos do jogo,… logo obviamente que uma equipa tecnicamente rudimentar estará condicionada na escolha da estratégia de jogo pois só poderá jogar de uma forma que não ponha em evidência essas limitações técnicas que o adversário possa explorar.
O futebol de rua desenvolve o talento espontâneo, a imediaticidade, o voluntarismo e própria criatividade, mas de uma forma muito primitiva e não profissional, quase analfabeta.O jogador para se destacar consistentemente também necessita de sofisticação, e isso implica conjugar e sintetizar os aspectos mais técnicos do jogo com aqueles que são adquiridos por assimilação mental e isso só pode ser garantido pelas escolas de formação que imprimem a concentração, a inteligência táctica no jogador.E isso não se trata de mecanizar o futebol mas de o profissionalizar pois um jogador tacticamente inteligente é o contrário de um jogador mecânico, que apenas cumpre um papel específico sem se preocupar em compreender o jogo, enquanto o tacticamente evoluído participa do jogo, reage a ele conforme o que o jogo requer, é um maestro e um instrumentista em simultâneo….
Já agora, embora o Brasil “assustasse” em 2006 pela qualidade individual (contava com Kaká, Ronaldinho,Fenómeno,Adriano,Roberto Carlos, um prometedor Robinho),
muitos desses jogadores viviam do estatuto e pouco mais ( em 2006 Fenómeno já não estava no topo do mundo), e tinham (essencialmente os avançados) um período em que despontavam e maravilhavam mas numa idade precoce caíam a pique( Kaká,Ronaldo,Ronaldinho e Adriano a partir dos 28/29 anos parece que desaprenderam de jogar) algo que contraria a tendência actual, veja-se que Willian, não estando ao nível dos anteriormente referidos , já tem (quase) 30 anos e vem fazendo uma carreira em crescendo, o mesmo se poderia dizer de Douglas Costa, de Philippe Coutinho (este só com 26) que vêm gradualmente aumentando o nível, mostrando-se muito regulares,… O próprio Neymar parece-me que pode fazer uma carreira em crescendo sem que caia precocemente.E isto, esta constância, se deve à maior profissionalização e adaptação dos jogadores ao ritmo competitivo da Europa.
Mas este Brasil continua a assustar,… e eu enquanto espectador tenho gostado bastante de os ver jogar, sendo para mim os principais favoritos à vitória.
(…)Quanto a Portugal, não há nenhuma queda de qualidade crescente, e para isso basta ver os jogos das selecções mais jovens para o perceber, aliás esta geração que parece vir a suceder a Ronaldo é muito mais competente do que aquela que o acompanhou com Carlos Queiroz, Paulo Bento e até Fernando Santos,
Não é pelo FS, com algum êxito e legitimidade, implantou um futebol pragmático e excessivamente resultadista que uma geração inteira fica queimada.
Joga_Bonito
O futebol de rua dá todas as bases que um jogador precisa. Claro que é preciso entender que o jogo é colectivo, mas inteligência tática não é dada pelas academias. Ainda estou para ver que academia ensinou o grande Sócrates e o grande Zico a fazer aqueles passes magníficos que encantaram as pessoas.
Quando se passa para um patamar adulto e se deixa a infância, deixando de se jogar em baldios e ruas, para jogar 11, num relvado com linhas a demarcar e duas balizas, é óbvio que o futebol de rua, anárquico, tem se ser redirecionado para uma vertente colectiva.
Agora isso não é dizer que os jogadores de rua são analfabetos, porque aposto como os grandes craques do futebol de rua ganhavam a brincar num duelo aos pseudo-craques actuais das academias.
As academias actuais, como estão a ser concebidas estão a castrar o futebol. Só que não se usam essas palavras, usam-se eufemismos e uma fraseologia enganadora. Um jogador que recebe a bola, muitas vezes mal e só de forma banal, e que só sabe passar para o lado e para trás, que não pensa por si, que não tem um rasgo, nem uma linha de passe que invente, não é um jogador inteligente. É banal. Tu e eu também jogaríamos a 10 se por passar se entendesse passar para o lado e para atrás, à espera do erro. Se quando recebo a bola, já está pré-estabelecido que tenho de passar para o que está a meu lado, onde é que eu interpreto seja o que for? Assim qualquer um é um 10, é como querer resolver uma charada com uma resposta pré-estabelecida.
Passar e ler o jogo é Ronaldinho ter a bola nos pés a 60 metros e do nada, gira, com uma finta de corpo, olhando para o lado contrário, coloca a bola num passe magnífico, com conta, peso e medida, a desmarcar Giuly e todos se perguntam: onde é que ele viu esta linha de passe? É Cruyff a meter a bola no buraco da agulha para um passe cuja linha apenas ele viu. O que as academias estão a fazer é castrar o jogador, limitando o jogo a passar para quem está ao teu lado. Assim até eu vou jogar a 10.
Por academia eu refiro-me a estas tretas de “escolas” e o tempo dar-me-á razão.
Mas algumas formações tentam recriar o futebol de rua e até se fala de experiências em criar campos que simulam os baldios, os lamaçais e as ruas de paralelepípedos que criaram os Garrinchas. Só que o que as academias estão a fazer é pegar em miúdos de 8 anos, que deviam estar a brincar na rua e pô-los com um equipamento a jogarem a grande treta do “passa para o lado” e “futebol a três toques”. Que vai sair daqui? Um Garrincha? É preciso aos 8 anos saber as regras do jogo? Os Maradonas chegavam aos 15 anos como brincas na areia e nem por isso deixavam de explodir na altura certa. É essa obsessão de impor algo contra-natura a uma criança (entender o jogo como cruyff entendia é impossível a uma criança ou adolescente) que está a gerar jogadores banais.
O tempo dar-me-á razão.
Quanto à selecção de 2006, eu não quis dizer que eram superiores em estado de forma e favoritismo. Eram já jogadores em decadência. Eu quis-me referir ao seu valor individual intrínseco como modo de comparação. Hoje só Neymar é jogador para a Bola de Ouro. Em 2006 eram vários, mais o talentosíssimo Robinho, que foi um enorme desperdício de talento.
Há uma decadência sim do futebol português. Acredito que o Benfica actualmente tente evitar essa situação, como se vê com o caso de João Félix, mas a geração de 96 foi muito fraca e está a milhas da geração de R. Costa, Figo, JVP, etc.
O Sporting também está a tentar inverter a situação, mas muitos não se apercebem do aspecto crucial: que nada adianta agora se querer, nesta geração de 99, dar mais liberdade, se os rudimentos básicos do futebol de rua não foram adquiridos. Quem jogou sempre numa relva bem cortada NUNCA terá a técnica de Garrinha, nem a intimidade e criatividade de quem joga na rua, em calçadas irregulares, sem limites, tendo de fazer coisas extravagantes.
Sem isso, serão apenas acima da média, mas nunca magos como Maradona.
A solução pode ser aquilo que alguns já apontam na Alemanha: a recriação do futebol de rua nas camadas jovens. Fala-se de criar campos de lama, espaços verdes, com relva irregular, pedras e vários obstáculos e sessões dedicadas aos jovens se limitarem a “brincar” sem regras. Curioso que os frios alemães se estejam a tornar os mais abertos na matéria da inovação e os mais dispostos a abdicar da disciplina na fase inicial dos jovens. E os portugueses do futebol bonito a iludirem-se com a vitória no Euro2016 e com aquela vaca e futebol feio.
O tempo dar-me-á razão.
Rodrigo Ferreira
Coutinho está nesse nível da elite brasileira parece-me.
Pereira
Sim, eu percebo isso da castração e imposição excessivas.
Mas também tens de ver que se calhar boa parte dos miúdos que lá andam nessas academias não têm grandes perspectivas de se tornarem “Maradonas” e preferem desenvolver outras competências, veja-se o caso do Moutinho, não é muito criativo nem forte no drible nem sequer compensa com uma estrutura física acima da média mas não deixa de ser um jogador muito interessante e com um percurso a que ninguém pode tirar valor.A que se deve isso? Penso que não só ao seu próprio esforço mas também à boa formação académica que teve. Percebo que há jogadores que devem fugir do padrão estabelecido por serem naturalmente criativos e tecnicistas, sendo que até deviam ter treinos diferenciados, mas não se pode reduzir o futebol aos nrºs 10 e aos extremos malabaristas, há que saber reconhecer diferentes talentos…
Kanté nunca faria de Maradona nem de Zidane mas é um jogador brutal, à sua maneira é talentoso! Não me digam que é só velocidade e físico porque nesse caso até o Djaló estava no Chelsea.
E também acho que há muitas variantes de futebol bonito, por exemplo a França frente à Argentina deu um show do meio campo para a frente, apostou num jogo muito físico e tacticamente disciplinado mas houve rasgos de génio, passes de ruptura, explosões…. Nada a ver com o Brasil de 82 ou com o “joga bonito” a que te referes mas mesmo assim deram um grande espectáculo.
Acho sinceramente que embora a qualidade ou falta dela das academias contribua e muito para o nível do nosso futebol não é por elas mudarem que irão chover Maradonas, quanto muito podem não os estragar, mas aparecerem Maradonas está muito mais do lado da disposição inata/genética dos indivíduos do que de qualquer estrutura de futebol seja ela como for.Agora em relação à qualidade média de uma geração (que não se mede só pelos malabaristas) é outra conversa, aí a estrutura tem responsabilidades.
Joga_Bonito
Mas eu não gosto apenas de extremos ou 10. Tão pouco desprezo a tática.
Acho que a inteligência (esse deve ser sempre o foco da tática) é algo crucial.
Admiro e tenho como ídolos Steven Gerrard, Carles Puyol, F. Lampard. E adoro para sempre o grande Gigi Buffon, um dos meus ídolos.
A questão é que o próprio futebol de rua dá aos jogadores muitas armas que lhes permitem diferenciar e ser esses tais jogadores táticos.
Aos jogares na rua, ganhas valências como força, rapidez, inteligência, que podem curiosamente tornar um jogador menos dotado de magia num grande defesa.
Veja-se o exemplo de Carles Puyol, que começou a jogar na formação no meio-campo e até aos 17-18 era meio-campista.
Depois, começou na defesa por necessidade e alguém percebeu que ia ser uma lenda.
Tinha uma grande técnica para defesa, sabia jogar com os dois pés, jogava nos dois laterais e no centro. Tinha uma raça fenomenal, uma grande velocidade. A sua técnica (evidente na ambidextria que exibia) adveio de ter começado a jogar mais à frente.
Ou seja, em última análise, na formação devemos deixar os jogadores desenvolverem-se, “brincar” e perceber quais as características que a genética aponta. Depois ver qual a melhor posição. Os anos passados no meio campo deram a Puyol uma dinâmica tática e técnica fantástica.
Ele foi o defesa que foi porque pode primeiro criar valências, perceber os pontos fracos e fortes. Depois, quase aos 18 é que percebeu aonde é que poderia ser uma lenda.
A história de Puyol mostra que querer impor posições e moldagens aos miúdos numa idade precoce é um erro. Foi isso que quis dizer e nunca desmerecer grandes defesas. O Puyol é um dos meus ídolos.
Quanto à genética concordo com o que disse.
Sykander
Aconselho a ver o documentario do kusturica ao maradona, em que o proprio diz que a magia do futebol esta no futebol de rua, em que jogar quase as escuras a sentir a bola no pe sem a ver quase dotava os jogadores de um toque de bola mais refinado
Nome sem Caracteres Ilegais
Um dos melhores jogos que vi neste Mundial, em quase todos os sentidos. Tantos grandes golos…*.*