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Intensidade, Paixão e Pressing

Das lembranças que tenho do Barcelona de Pep, fica-me o incrível tiki-taka, o distinto toque de bola e rendilhado técnico colectivo, como também a forma intensa como pressionavam o adversário, algo que Tito nunca conseguiu trazer para a equipa. O pressing zonal catalão, marcado pela preocupação em dominar o espaço onde se encontrava a bola, pedia índices altíssimos de resistência física e uma capacidade de sacrifício notável. Mourinho sabia disso e pressionou o controlo anti-doping para supervisionar mais de perto o clube da Catalunha, que não encontrou nada. Provavelmente o que encontraram foram os pilares psicológicos daquela capacidade de pressionar o adversário. Pessoalmente acredito que o pressing deriva de dois traços psicológicos que se encontram entre a personalidade do jogador e a capacidade mobilizadora do treinador, a Vontade e a Paixão, que aliadas a uma excelente resistência física resultam na Intensidade. Mourinho que tinha “estacionado o AirBus” em Camp Now, perdeu meses depois de uma forma copiosa em Barcelona tentando pressionar alto e jogar aberto. Depois de várias tentativas e possivelmente muitas análises, em 2012 apresentou várias nuances no seu modo de efectuar o pressing. Pressionava os centrais, o guarda-redes e os laterais, mas se a bola entrasse para o meio campo, a equipa baixava rapidamente para junto da defesa. A natureza do pressing tornou-se mais dinâmica e ajustável. Com isso também se iniciou o sucesso nos embates com o Barça. As duas equipas que foram finalistas da Champions também possuem muita vontade, paixão e muita resistência física. Dos 10 jogadores com mais Quilómetros percorridos na competição, 9 pertencem a estas 2 equipas, sendo que Marco Reus e Thomas Muller encontram-se no top juntamente com Schmelzer. Entrando em aspectos mais específicos, Marco Reus possui quase a mesma média de tackles por jogo do que Maxi Pereira. Mario Gotze possui quase a mesma média mas na Bundesliga. Como é óbvio o número médio de tackles é apenas um indicador e não deve ser tomado como uma verdade absoluta mas revela a capacidade dos jogadores destas equipas trabalharem defensivamente. Colectivamente o Bayern é a equipa que menos remates permite aos adversários na Europa e para este resultado, salienta-se a incrível contribuição de Ribery, Robben, Kroos, Muller e Mandzukic. Jurgen Kloop denomina de GegenPressing como uma forma de pressionar os adversários continuamente, recuperar rapidamente a bola, jogando com uma linha defensiva alta, mas de uma forma completamente integrada e colectiva, que ultrapassa a pressão zonal tradicional mais estanque, mas tentando antecipar as possíveis situações de resolução das dificuldades por parte do adversário, adaptando-se durante o próprio período de pressing, reduzindo-lhes o tempo para pensar, o espaço para jogar e muitas vezes reduzindo a própria capacidade de pressing do adversário. O Bayern fruto das suas competências e do seu trabalho colectivo abraçou esta perspectiva, tornando-se uma máquina que possui capacidade individual técnica, capacidade física e capacidade de ajustamento táctico (fundamentalmente durante o período de pressing, pois em alguns casos, chegam a simulá-lo para beneficiarem posteriormente da perda de posição do adversário). Pode-se considerar o pressing como um factor decisivo no Futebol actual? Como deve ser integrado na preparação física e nos sistemas tácticos das equipas?


Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Pedro Santos

15 Comentários

  • João Marques
    Posted Junho 11, 2013 at 2:27 pm

    Sem ler o artigo e a ver só a fotografia, posso dizer que a parte de cima da fotografia reflecte o estado de espírito do Klopp ao saber que o seu adversário é o Guardiola e a parte de baixo é ao saber que o adversário é o Heinkens.

    Agora vou ler o artigo que pelo que vi nos comentários parece tar bom.

    João Marques

  • Bruno da Silva
    Posted Junho 11, 2013 at 1:41 am

    Em primeiro gostaria de felicitar o redactor. Grande artigo.

    De facto esta capacidade de pressing e disponibilidade física é de grande importância no futebol moderno. No entanto, como disse, estes têm que andar sempre ligados pois o seu sucesso depende da intensidade com que é feito e da capacidade de leitura de jogo e de posicionamento de todos os jogadores em todo o processo.

    No entanto, o caso do Barcelona de Guardiola é um caso fora de série precisamente por aliar este tipo de pressing a uma capacidade espectacular de manter a posse de bola. Uma equipa capaz de descansar com a bola e fazer o adversário correr. Isto permite que o desgaste físico seja menor e, por outro lado, que o adversário esteja em constante aflição: ou por que está com uma pressão sufocante em cima, ou porque está a correr atrás da bola. Isto sem contar com o excelente leque de possibilidades que tinha no banco.
    Isto é uma combinação explosiva que permite que grandes exibições sem grandes altos e baixos na forma e no cansaço acumulado dos jogadores mantendo uma equipa competitiva ao logo da época.

    Tanto o Bayern como o Dortmund são duas equipas muito bem trabalhadas neste sentido. No entanto penso que no capítulo de ter a bola podem ainda ser mais letais se conseguirem manter mais a bola, baixando o ritmo de jogo. Espero bem que não o façam pois o a irreverência com que atacam e o que fazem quando têm a bola torna o futebol muito mais atractivo de ver.

    Estou curioso em ver o que o Pep fará com esta equipa de Munique.

  • Rui Amaral
    Posted Junho 10, 2013 at 6:35 pm

    mais um artigo exceelnte ! sempre a aprender :)

    curiosa seria ua analise da forma como o Fergursson montava sempre a equipa que muitas das vezes era tecnicamente inferior ao adversario mas a nivel tactico/psicologico saia sempre na frente …

    qual era o truque?

    • Anónimo
      Posted Junho 10, 2013 at 7:07 pm

      Esta época, das poucas vezes que vi o Man Utd pareceu-me que eles continuam com os princípios de sempre, mas têm pequenas micro-tácticas muito em função dos jogadores que entraram e das suas características (talvez conversa para um post). Mas sinceramente não me parece que seja o aspecto táctico que torna o Utd tão forte. Sempre me pareceu que é a personalidade do Ferguson que transborda para as paredes do clube, para os jogadores, para os adeptos. Alguém que se reforma com esta idade, numa área tão competitiva e exigente e com os resultados obtidos, no mínimo é um monstro em termos psicológicos. Desde atirar a bota ao Beckham, até gostar de competir com o José Mourinho parecem ser provas de que temos ali um gigante em termos de mentalidade.E já agora um excelente cardiologista a acompanhá-lo!
      É dos poucos que gosta de competir com o Mourinho. Os outros não aguentam a "guerra psicológica". Acho que é isso que vaticina o "Fergie Time".

      Pedro Vinagre Santos

  • pedro santos
    Posted Junho 10, 2013 at 6:05 pm

    Boas pessoal:
    Agradeço o feedback sobre o artigo. Vou continuando a escrever coisas, até porque é das coisas que me dá mais prazer como Hobbie. Sempre que puder tentarei trazer assuntos, mesmo que não hajam muitos comentários, já que eu não sou jornalista, nem treinador, então estou descansado quanto ao impacto.

    Cumprimentos.

    Pedro Vinagre Santos

  • Anónimo
    Posted Junho 9, 2013 at 11:57 pm

    Grande artigo! Já há muito tempo que leio todos os vossos posts mas muitas vezes não comentava. Vou tentar comentar mais vezes.
    Acho fundamental a forma do pressing nas equipas. Muitas vezes as campeãs são as que melhor o fazem.

    Gabriel esteves

  • Anónimo
    Posted Junho 9, 2013 at 10:00 pm

    Bom artigo, mesmo.

    O meu Porto muito trabalha no pressing, especialmente o Moutinho.

    João Martins

    • Hugo Silva
      Posted Junho 9, 2013 at 11:48 pm

      A pressão que o Lucho faz ao central que não tem a bola é o básico do futebol, o Moutinho fa-lo mais na selecção. Quando se joga com 3 avançados para 4 defesas e não se quer permitir que a equipa saia a jogar, o médio mais avançado cai no central que não tem a bola (no da bola é trabalho do avançado), o segundo médio no trinco e por aí a diante…é uma forma de proporcionar o erros do adversário mais facilmente, a equipa não tem espaço para jogar nem consegue criar linhas de passe seguras, mas quando a equipa consegue sair desta primeira pressão normalmente encontra a outra e equipa completamente descompensada…
      Parabéns pelo excelente texto, está fantástico!

    • Fábio Teixeira
      Posted Junho 9, 2013 at 10:25 pm

      Creio que é mais o Lucho. Ele é o primeiro homem a subir para pressionar seja o central ou o médio defensivo. Isso passa despercebido a muita gente.

  • Rodrigo
    Posted Junho 9, 2013 at 9:19 pm

    Mais um grande post, a altura deste grande blog e que demonstra o QI futebolistico dos produtores e dos leitores do mesmo.

    Relativamente ao pressing, parece-me de facto componente importante no futebol moderno, ja que quem ambiciona dominar o jogo precisa de recuperar a bola rapidamente e por isso o pressing e fundamental. O Barcelona do Guardiola era o lider neste processo, mas outras equipas como o Bayern, o Dortmund ou o proprio Benfica em Portugal sao outros exemplos de pressao eficaz no futebol internacional.

    Ainda assim, o pressing e algo que desgasta bastante, pelo que necessita de uma grande preparaçao fisica dos jogadores e precisa de ser efectuada em bloco e nao com pressoes individuais que em nada ajudam a equipa e que so desgastam e favorecem o adversario.

  • Fábio Teixeira
    Posted Junho 9, 2013 at 7:52 pm

    Quando descobri este blog, pu-lo logo na barra dos favoritos. Simplesmente fantástico. Comentadores com um QI desportivo bastante superior a qualquer um dos jornais ou sites desportivos (quer dizer, futebolísticos), onde a maioria é só putos que nada trazem de novo ao saber do desporto.

    Parabéns VM.

  • João Lains
    Posted Junho 9, 2013 at 7:39 pm

    Acho que o pressing do Dortmund é mais eficaz e mais declarado que o do Bayern, que é uma equipa mais consistente em termos defensivos e também se sente confortável a jogar um pouco mais recuado. A principal diferença é que o Dortmund que faz isto em todos os jogos, tem 14 jogadores para todos os jogos. O Bayern tem soluções do mesmo nível para quase todas as posições do campo. Por isso é que vimos o Dortmund fraquejar daquela maneira na segunda parte da final da champions, é um cansaço acumulado. O Bayern foi campeão no inicio de abril (e já estava garantido na pause de inverno) o Dortmund só bem perto do final é que garantiu a segunda posição.

  • Anónimo
    Posted Junho 9, 2013 at 7:21 pm

    Grande artigo.

    Uma das razões porque que venho a este blog e que o também distingue dos outros é o facto de se aprender tanto sobre o desporto, neste caso o futebol, a um nível já relativamente profundo para o simples adepto. É muito interessante perceber todos os processos que uma equipa de futebol incorpora, porque parece tão simples mas tem tanto que se lhe diga. Aplaudo quer o redactor do artigo quer o VM por o ter publicado e gostaria de ver mais deste género.

    Gonçalo

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