Para repetir esta proeza nos próximos anos? Já tinha demonstrado que pode ser figura em provas de uma semana, e o seu perfil (forte nas montanhas e bom finalizador) também dá boas perspectivas para o que poderá fazer nas Clássicas (não é por acaso que já venceu a Liège em sub-23), mas com apenas 22 anos, e na sua primeira grande Volta, conseguir logo este feito, ainda por cima tendo andado 15 dias de rosa, o que o fortaleceu ao nível da colocação do pelotão e até em termos psicológicos, alimenta muito a esperança para o futuro. Já a vitória de Geoghegan Hart, não deixa de ser também um grande feito. O britânico já vinha a ser preparado para assumir papel de destaque na INEOS, e, à semelhança de Almeida, esperava-se que ficasse no Top 12, mas não era favorito e consegue logo este triunfo depois de um arranque péssimo e em que parecia arredado da luta (na 4.ª etapa já estava a mais de 2 minutos de praticamente todos os favoritos). Veremos que papel terá em 2021 numa INEOS, que perdeu Thomas a abrir e acabou por ter uma das melhores prestações da sua história, com a vitória na Geral e ainda mais 7 etapas.
Tao Geoghegan Hart conquistou o Giro de Itália ao fazer melhor que Jay Hindley no CR final. É a primeira vez que o britânico, de 25 anos, da INEOS, vence uma Grande Volta. Dia em grande também para João Almeida, que fez 4.º na etapa (só foi superado pelos especialistas Ganna, que venceu a 4.ª etapa nesta Volta, Campenaerts e Rohan Dennis) finalizou no 4.º na geral, o que é a melhor posição de um português no Giro. O jovem, de 22 anos da Deceuninck – Quick Step, só ficou atrás de Hart, Hindley e Kelderman, tendo feito melhor que Bilbao, Fuglsang e Nibali.


18 Comentários
Joao Ferreira
Fabuloso João! E que bela dor de cabeça para a Quick Step! Uma equipa formatada para clássicas com dois potenciais líderes de grandes voltas! Almeida e Evenpoel podem obrigar a Quick Step a uma alteração de estratégia nos próximos anos.
Antonio Clismo
Ora neste momento Portugal tem 7 ciclistas em equipas do World Tour, penso que nunca na história uma coisa destas aconteceu. Vão ter de ser escolhidos apenas 3 para representar Portugal nos próximos jogos Olímpicos no Japão no próximo ano. Eu levava Rui Costa, Nélson Oliveira e João Almeida.
Rui Costa (34 anos) – UAE – Team Emirates
João Almeida (22 anos) – Deceunick – Quick Step
Rúben Guerreiro (26 anos) – EF Pro Cycling
Nélson Oliveira (31 anos) – Movistar
Rui Oliveira (24 anos) – UAE – Team Emirates
Ivo Oliveira (24 anos) – UAE – Team Emirates
André Carvalho (22 anos) – passou agora da Axeon para a Cofidis
Há ainda o Pedro Andrade (20 anos) na Axeon a evoluir para entrar no World Tour a curto prazo.
Cossery
Que feito extraordinário do João e do Rúben! Ainda sonhei com a Rosa mas era muito difícil, tudo se jogou numa etapa e mesmo essa podia ter sido diferente.
Temos com quem vibrar.na próxima década do ciclismo nacional!!
porra33
Um Giro digno de Hollywood, com abandonos, emoção, uma fábula, traições e um final de cortar a respiração!
Á partida apontava-se para 3 ou 4 homens na disputa: Thomas, Yates e numa segunda linha Miguel Angel Lopez, Nibali e Kruijswick seguidos de uma terceira linha com Vlasov, Kelderman, Fulgsang, Majka, Bilbao, Zakarin ou Pozzovivo.
Desde cedo o Giro foi marcado por peripécias como quedas inesperadas de Lopez e Thomas bem como os abandonos decorrentes dos testes à Covid-19. É neste contexto que após um bom contrarrelógio inicial de um tal de João Almeida se começa a desenhar a mais bonita fábula desta prova. Resistindo no Etna ao ataque do homem das alturas, o equatoriano Caicedo o jovem português vestiu a Maglia Rosa. Perante ainda um pelotão forte e já com algumas distâncias começou-se a contar quantos dias iria o jovem português andar de rosa e foram 15, os mais belos 15 dias para o ciclismo português da década, não retirando mérito aos grandes feitos dos outros ciclistas esta década obviamente. E o tal estreante cerrou os dentes e terminou no melhor lugar que um português fez num Giro com todo o mérito, e mais importante, com todas as glórias que nos faz sonhar! Épico!!!
Para complementar isto ainda houve um Super Pato que também resolveu entrar para a história do ciclismo nacional levando a camisola da montanha! Que bem fica a azul ao Rúben Guerreiro!!
Continuando com o enredo chegamos ao climax do filme: o Stelvio. Nele o tal João Almeida cede a rosa ao Kelderman que se tinha tornado a principal ameaça, mas quando tudo parecia encaminhado para um filme cor de laranja, Dennis rebenta com todos menos o colega Tao Geoghegan Hart e com Hindley, habitual escudeiro do holandês, que qual plot twit do Scorcese, dá uma facada no holandês que passava pior e segue com os homens da INEOS. Esta traição provou-se fatal à Sunweb que teria mais possibilidades de ter levado o Giro para casa se o traidor Hindley tivesse ajudado o holandês. Ou não, nunca saberemos… Mas o resultado final não correu de acordo com as expectativas da Sunweb, uma vez que em momento algum o australiano conseguiu despachar o inglês como julgaria. A INEOS leva uma grande volta com todo o mérito e neste momento é uma casa de egos, o que deverá proporcionar bastante interesse para a próxima época.
Analisando os mais e os menos deste Giro:
-Demare: super sprinter a não dar hipotese. Foi demasiado incontestável o domínio do francês.
-Pippo Ganna: uma mota que levou 4 etapas e por si só já tornaria a prestação da INEOS positiva.
-Rohan Dennis: o gregário de luxo que ao longo dos anos tem aparecido sempre na INEOS.
-Tao Geoghegan Hart: Vencedor e melhor trepador a preencher as expectativas que há uns anos se puseram sobre ele mas que nos anos recentes se tornaram mais duvidas do que certezas (um pouco como Marc Soler). Ainda leva a juventude para casa!
-João “Duro” Almeida: o potencial voltista que tem faltado a Portugal, a demonstração de raça e querer e capacidade que, NA ESTREIA, fez um país sonhar e descobrir o que é a Maglia Rosa. Ainda fez terceiro nos pontos e nunca ter ficado abaixo do 28º lugar mostra a sua postura de campeão ao nunca se esconder e a dar o peito às balas!
-Rúben “Super Pato” Guerreiro: ao fazer com que o equipamento mítico da Education First ficasse associado a um título com todo o mérito. Depois da excelente Vuelta do ano passado o Rúben volta a deixar a sua marca.
-Kelderman: a certa altura apontado como o potencial vencedor, abandonado de forma inglória pela equipa faz um honroso terceiro lugar e foi competente dentro do possível.
-Hindley: o jovem australiano a mostrar ambição e capacidade nas montanhas talvez se torne no sucessor de Porte como o próximo voltista australiano.
-A segurança que houve principalmente nas etapas de montanha, onde a organização foi competente.
Pela negativa:
-Fulgsang, Nibali, Majka, Pozzovivo e Zakarin a mostrarem que os seus tempos áureos já passaram, neste momento parece que a nova geração está pôr categoricamente os veteranos num papel mais secundário do que antigamente.
-CCC, Movistar e Astana muito abaixo do que deviam poder fazer.
-Equipas italianas, costumavam fazer uma gracinha no Giro mas este ano foi uma desgraça neste aspecto.
-Todo o pelotão: a recusa que levou ao encurtamento da etapa da etapa 19 é vergonhoso e incompreensível. Já toda a gente sabia ao que ia quando o Giro foi anunciado pelo que esta postura é inaceitável ainda para mais tendo em conta todo o esforço que a organização fez para que a prova se realizasse.
Por fim poder-se-á argumentar que terá sido o Giro mais fraco em termos de pelotão dos últimos anos, e ninguém sabe como teria sido se tivesse um Dumolin, Carapaz, Quintana, Pogacar, Bernal, Uran mas a verdade é que não estão e os que estiveram proporcionaram um Giro muito interessante e espectacular, e daqui a 20 anos ir-nos-emos lembrar deste Giro e do mítico quarto lugar do João Almeida e não de quem não esteve. Mas de momento não é de esperar que o João Almeida lute sistematicamente pelo top 5 de uma grande volta. É de esperar que frequentemente apareça na luta pelo top 10 e que de vez em quando possa fazer uma gracinha como esta. O João é muito completo e também estará na luta pela vitória noutro tipos de provas e a Quickstep é uma equipa cujas três semanas para já não são uma prioridade, pelo que também poderemos ver o João a tentar ganhar provas de um dia ou uma semana. Com calma e caldos de galinha o João irá certamente enriquecer o seu palmarés e marcar-se como um dos grandes do ciclismo português!
Rush
Grande comentário. Só não concordo muito com a comparação entre o Tao e o Marc Soler. O Tao tem vindo a melhorar de ano para ano, quanto que o Soler prometendo muito em 2017 e 2017 com grandes resultado na Volta à Catalunha e no Paris-Nice mas teve um 2019 discreto e 2020, até à Volta a Espanha, semelhante.
porra33
Obrigado pelo feedback!
A comparação vem no sentido de serem dois nomes apontados como futuros grandes ciclistas mas após um primeiro ano de bons resultados terem tido um desempenho abaixo do primeiro ano. No entanto Tao com esta vitória preenche as expectativas que se puseram sobre ele no primeiro ano ao contrário de Soler que ainda tarda em provar que é um ciclista de top (e na minha opinião não me parece que dê mais que essas provas de uma semana, mas é discutível).
Miguel Lopes
Ao Guerreiro mas principalmente ao João, o meu muito obrigado por me fazerem emocionar durante esta volta à Itália, 2 verdadeiros campeões que colocaram os portugueses com uma atenção ao ciclismo que já não existia há anos.
Tiago Silva
Obrigado João! Conseguiste prender todos os portugueses à televisão, a ver ciclismo, muitos deles começaram a ver pela primeira vez para te acompanhar, todo o país vibrou contigo! Fazer logo a melhor colocação de um português num grande Giro e logo à primeira, é de louvar e é a prova que o futuro é ainda mais risonho! Parabéns João Almeida, agora mereces o teu descanso e aproveita a festa na tua terra!
Andrezinho14
Grande João novamente! Com grandes valores como Pogaçar, Tao, Bernal e Evenepoel e outros que já demonstram valor como Mas, Higuita, Sivakov e outros, não podemos assumir que o João ganhará uma grande volta, mas tem condições para tal e esperemos que o consiga.
Palavra para o Ruben que na ‘sombra’ conquista um feito inédito.
NR7
Giro d’Itália 2020 terminado e resta agradecer a brilhante e histórica prestação dos 2 portugueses em prova! O João Almeida com o melhor resultado português de sempre na geral do Giro, com o seu 4.º lugar, e o Rúben Guerreiro com a primeira camisola da montanha portuguesa de sempre numa Grande Volta.
Esperemos que a Vuelta possa ser também uma excelente corrida e que os 5 portugueses presentes sejam igualmente importantes. Hoje o Rui Costa fez 3.º e parece realmente “picado” – no sentido positivo – com aquilo que o João fez em Itália.
Por fim, a INEOS teve um dos dias mais incríveis de sempre como equipa e estamos a falar daquela que foi a Sky dominante do incrível Chris Froome…conseguiram não só a liderança da Vuelta, com o Carapaz, como antes disso chegam à camisola rosa do Giro no último dia através do excelente Tao Hart, vencem mais uma etapa no total de 7 etapas (3 delas pelo campeão do mundo em CR, de seu nome Filippo Ganna) e ainda levam a camisola da Juventude e a classificação por Equipas.
Pactum Santorum
O Ganna ganhou 4 etapas, todas as de CR + uma em linha.
NR7
Correto. Eu queria ter escrito a frase de outra forma, ou seja, 3 delas em CR pelo campeão do mundo de CR. Mas obrigado pela correção.
Mantorras
Obrigado!!
P. Pereira
Grande João e Grande Rúben! Ninguém à partida para este Giro pensava ser possível ter um português a fazer top 4 nem a ganhar a camisola da montanha, que tal como o próprio Rúben admitiu só se tornou um objetivo após a vitória na etapa e consequentemente a liderança da camisola azul. Quanto ao João foi extraordinário durante toda a prova, acabando em beleza ao ficar em 4º na etapa e ao passar de 5º para 4º na última etapa, e agora com a confirmação de que não era inicialmente planeado a vinda dele ao Giro (a mãe confirmou isso mesmo durante a emissão da Eurosport) ainda mais é de enaltecer o trabalho e o esforço deste grande ciclista que aparenta ter condições para ser um grande ciclista no futuro tendo já feito algo histórico.
RuiMagas
Isso de o João não vir ao Giro não é bem assim, pois ele estava ser preparado todo o ano para vir ao Giro em apoio ao Remco, basta ver o calendário dele que andou sempre em prova com ele até a lesão do belga. Agora se depois da lesão Do Remco a perspetiva era não o trazer ao Giro já não sei mas não tem muito sentido.
Rush
Não é bem assim. No início da época não estava sequer previsto o João ir a qualquer grande volta. Só depois do covid é que surgiu essa possibilidade e a ideia era ele ir à Vuelta. A lesão do Remco e do Cattaneo é que alterou os planos da equipa e fez com que ele acabasse por ir ao Giro.
Hirok "The Truth"
Tanto o João como o Ruben merecem ser condecorados à chegada a Portugal, incrível a prestação de ambos, os melhores de sempre no Giro tanto na geral como na montanha, eu que nunca liguei a ciclismo fiquei colado a ver as ultimas 5/6 etapas e foi emocionante, também uma palavra de apreço aos comentadores da Eurosport que são fantásticos..
Parabéns ao João e ao Ruben, orgulho nacional
MM
Fantástico joao, a lutar ate ao fim, conseguiu ganhar o 4o lugar ao campeao de contra relogio de espanha!
De tirar o chapeu. Ficamos a aguardar por mais provas de futuro