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João Alves, o 6.º treinador em 365 dias

Numa altura em que a Académica atravessa um dos períodos mais negativos da sua História, exigia-se alguém que conferisse alguma estabilidade a um clube que, após 15 anos no escalão principal, se viu novamente confrontado com o pesadelo da descida de divisão. A cumprir a sua terceira época na II Liga, a verdade é que o cenário não se revela mais animador. Bem pelo contrário.

No espaço de um ano, a Académica vai conhecer o seu sexto treinador principal, um cenário nunca antes visto em toda a sua História em tão curto período de tempo. Quem assume as rédeas desta vez, porém, é um rosto já conhecido da casa, que regressa ao ativo para renovar a alma de uma instituição pela qual nutre um sentimento especial: João Alves. O último técnico a alcançar a subida de divisão, em 2001/02, e que agora se vê confrontado com um registo histórico que merece destaque.

Frente ao Penafiel, o seu primeiro desafio oficial da temporada, João Alves converter-se-á no treinador mais velho de sempre (65 anos) a orientar a Académica, superando assim uma marca já com 60 anos pertencente a Cândido de Oliveira, que abandonou o leme do clube em 1957/58, depois de cumprir 61 anos de idade. Entre os treinadores que comandaram a Briosa no presente século, Artur Jorge era até agora o mais velho (57 anos), ele que foi o treinador que operou o milagre de manter a Académica na I Liga, precisamente na época em que João Alves rescindiu com o clube [2002/03].

Por falar em treinadores da Académica no séc. XXI… há números que convêm ser analisados a frio e que são um espelho da situação desportiva em que o clube se encontra nos dias de hoje. Desde 2001, a Académica já conheceu 24 treinadores diferentes, entre os quais dois treinadores interinos [Zé Nando e Vítor Vinha], situação a que acresce a particularidade de João Alves assumir novamente o cargo 16 anos depois. Traduzindo isto por números, a Académica contrata um treinador novo, em média, a cada 28 jogos oficiais – curiosamente o mesmo número de partidas que ainda restam no calendário da Académica até Maio de 2019 –, já para não mencionar a mais que óbvia média superior a um treinador por temporada.

No próximo dia 29 de Outubro, em Penafiel, João Alves tornar-se-á no primeiro treinador a orientar a Académica em quatro épocas distintas, depois de Vítor Manuel [8 épocas] em 1998/99. Contudo, para encontrar o último homem a permanecer no comando técnico da Briosa durante três épocas consecutivas, do início ao fim, é necessário recuar 40 anos, até 1978/79, quando Juca cumpriu a sua sexta e última temporada em Coimbra [3ª consecutiva], abandonando a cidade depois de relegar os estudantes para a II Liga. Neste século, atente-se bem, ainda não houve um único treinador a manter-se na Académica durante duas temporadas inteiras consecutivas.

Muito mais do que uma crise de treinadores, a Académica encontra-se mergulhada numa crise de identidade que vai para além do que se passa dentro das quatro linhas. E enquanto não se encarar esse problema, de nada valerá tornar o Estádio Cidade de Coimbra num centro de emprego para treinadores desvinculados ou sem um projecto a longo prazo para o clube.

Diogo Carvalho

VM
Author: VM

7 Comentários

  • masterDC
    Posted Outubro 16, 2018 at 2:48 pm

    Os problemas financeiros da Briosa e a falta de ligação da cidade ao futebol da Académica é preocupante. Em relação a muitos clubes a Académica até tem números de assistências razoáveis para o nível que se aplica em Portugal mas se analisarmos por outro prisma, a cidade de Coimbra para o número de habitantes e o elevado número de estudantes que tem é incapaz de ter assistências que condigam com o número de população.

    A elevada troca de treinadores, um futebol pobre com vários jogadores de valor duvidoso, que é incapaz de apostar na formação que outrora era tão característico no clube. Infelizmente parece-me que esta situação vai continuar por muito tempo.

    • Pinga31
      Posted Outubro 16, 2018 at 4:07 pm

      Tal e qual o que disse abaixo…o problema é que malta jovem com vontade que até queira pensar num projeto não tem hipóteses com 10M de dívidas e não sendo “rico” para apresentar garantias bancárias para empréstimos!

  • RodolfoTrindade
    Posted Outubro 16, 2018 at 2:41 pm

    Estranhei sinceramente a escolha do João Alves, mas espero que tenha sucesso.

    Mas os problemas da Académica são bem mais graves.

  • Daervar
    Posted Outubro 16, 2018 at 1:47 pm

    O problema é outro. O problema é o legado de um bandido… ;)

    • Pinga31
      Posted Outubro 16, 2018 at 2:14 pm

      Não nos podemos esconder sempre atrás disso…Bandidos (e o JES foi muito) é uma coisa…deixar o barco remar até ao fundo é outra!

  • Pinga31
    Posted Outubro 16, 2018 at 1:45 pm

    O problema da AAC, para além dos graves problemas financeiros é um problema estrutural grave de desaproveitamento, desconexão com a cidade e de todos os proveitos que daí poderia retirar! Eu bem sei que falar é fácil mas porque é que a Académica desligou o futsal, deixando-o autónomo quando numa cidade de estudantes a matéria prima vem ter anualmente à cidade? (Veja-se o exemplo de sucesso do Braga/AAUM). Como se explica que numa cidade de estudantes não se consiga agarrar os estudantes ao clube? Mesmo que não se façam sócios, médias de 2000 pessoas para mim é lamentável numa cidade como Coimbra! E, infelizmente, o clube teima em ser cada vez mais um espelho da Cidade em si, ou seja, desinteresse, abandono, esquecimento… Urge uma direcção que tenha planos e ideias a longo prazo 10-20 anos e não uma dança de cadeiras quer a nível de treinadores, presidentes, jogadores, etc.

  • Visão de Mercado
    Posted Outubro 16, 2018 at 12:19 pm

    Link para quem pretende enviar textos – https://blogvisaodemercado.pt/2018/09/visao-d-leitor/

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