Até à paragem forçada pela pandemia que se abate sobre o mundo inteiro, o Campeonato Nacional de Juniores (sub-19) estava a ser, provavelmente, o mais competitivo (a respeito da média de qualidade das equipas) dos últimos 10 anos. Apuraram-se para a Fase de Apuramento de Campeão 8 equipas, 4 da zona sul (SL Benfica, Sporting CP, GD Estoril e FC Alverca) e 4 da zona norte (FC Porto, SC Braga, FC Famalicão e Rio Ave FC), já tendo sido jogadas quatro jornadas até à data. Nota para o facto de boas equipas (com alguns jogadores de seleção) como Vitória SC ou Belenenses terem ficado pelo caminho, o que só prova a qualidade dos plantéis (subiu muito o nível de qualidade na formação dos clubes extra “grandes”) nesta edição da competição.
Os principais destaques no FC Porto, Rio Ave, Estoril e Famalicão:
O FC Porto tem feito uma época paupérrima (em 22 jogos apenas ganhou 10 na fase regular e nesta fase final ainda só conseguiu 1 ponto), o que não é propriamente uma surpresa (a geração 2002 portista já tinha falhado a fase final de sub-15), e este ano contrataram jovens estrangeiros de qualidade duvidosa. Por outro lado, também é verdade que Fábio Silva e Tomás Esteves (ambos de 2002) já estão em patamares superiores e o médio Rodrigo Valente assumiu-se na equipa B. Como tal, a qualidade é curta e o maior destaque da equipa tem sido o extremo talentoso e desequilibrador Gonçalo Borges (há poucos como ele no drible em Portugal), sendo que o irrequieto canhoto Francisco Conceição (filho de Sérgio), o lateral direito acutilante Rodrigo Pinheiro e o médio cerebral e técnico Rafa Pereira são nomes a reter para o futuro.
Nas restantes equipas, o Rio Ave vem dando seguimento ao forte investimento dos últimos anos (construção de uma academia e, frequentemente, equipas competentes na formação), realizando até ao momento uma temporada muito interessante. Os extremos André Ramalho, melhor marcador da fase regular da zona norte (mais uma revelação, na época passada atuava no modesto Marinhas) e Fábio Ronaldo têm sido os principais desequilibradores da equipa. O Famalicão, que cada vez mais se afirma no futebol nacional (grande aposta na formação e até no futebol feminino), apresenta-se com uma equipa recheada de bons valores como o avançado Jorge Ferreira, os extremos Rogério Varela e Jota Lopes ou os criativos Ryan Teague (canhoto australiano que já atuou na Liga principal do seu país), Rúben Costa (ex- Sporting, Benfica e Génova) ou João Neto (juvenil brasileiro que foi contratado ao Braga e que Miguel Ribeiro, CEO do clube, o classificou como “destinado a vencer uma Bola de Ouro”). Já na equipa do Estoril ressaltam à vista nomes como Duarte Carvalho (médio de classe ex-Sporting chamado frequentemente à seleção), Miguel Veríssimo (ex-Benfica) ou Rodrigo Herrero. Na equipa surpresa desta fase final, o Alverca, o destaque vai para o enorme contingente brasileiro (são 16 jogadores ao todo), mas que, no entanto, deverá ser insuficiente para fugir ao último lugar desta fase.
Comparativamente com anos anteriores, nesta temporada, o Nacional de sub-19 está claramente nivelado por cima com várias equipas a terem elencos com melhores jogadores, a conseguirem jogar um futebol mais intenso e atrativo, com cada vez mais e melhores ideias de jogo. Talento nas equipas chamadas de “grandes” sempre houve em abundância, mas esta época parece estar a alastrar-se o talento a mais equipas, o que é bastante positivo e promissor para o futuro da formação em Portugal, que já é das melhores a nível mundial.
VM Scouting: Hugo Moura


1 Comentário
Nuno_Machado
É verdade que a qualidade nesta geração do Porto não abunda, mas a época tem sido paupérrima principalmente por causa do treinador Tulipa à imagem de Rui Barros na equipa B. Por todos os escalões que tem passado tem sido demasiado mau onde nenhum jogador consegue evoluir mas que por incrível que parece tem tido sempre a sorte de todas as épocas subir de escalão, não me admiram nada que este “fantástico trabalho” seja compensado na próxima época com a promoção à equipa B.