Preocupante? Esta época tivemos vários jogos com apenas 1 ou 2 portugueses.
Segundo o mais recente estudo do Observatório do Futebol (CIES), a I Liga é a 3.ª no Mundo com mais minutos somados por jogadores expatriados (72,9%). O campeonato português é apenas superado pelo cipriota (78,8%) e pelo turco (76,2%). Destaque ainda para a Premier League, que aparece na 5.ª posição, à frente da Serie A.


39 Comentários
Neville Longbottom
Não é preocupante pelo facto em si. É preocupante pelas bases em que assenta o futebol português, isto é, uma liga que recruta barato e que é pouco atrativa. Os modelos que os clubes profissionais seguem passam pela sobrevivência no curto prazo (como se pode ver em inúmeros casos de equipas que dependem das receitas da liga em que estão inseridas para competir, assim que descem, “desaparecem”). E para atingir essa sobrevivência é mais fácil vender a sociedade desportiva ou contratar em mercados periféricos. O desaparecimento de históricos do panorama nacional também ajuda muito porque as ligas profissionais têm vários clubes com pouca expressão na sociedade, ao passo que clubes como a Académica, o Belenenses, o Vitória FC, etc estão afastados da primeira liga há muito tempo.
Isto está de tal modo instalado no mercado português que é literalmente impossível para um clube como o Arouca (por exemplo), fazer o reset e apostar no mercado português (ou na formação). Arriscariam de imediato a permanência na 1º liga e, uma vez na segunda, perderiam o suporte orçamental para competir. É evidente que, no longo prazo, é possível que os frutos sejam abundantes, mas quem é que arrisca a sua posição quando o curto prazo é o que interessa?
Concluindo, há modelos de gestão desportiva de sucesso que não se baseiam em desenvolver ou contratar jogadores locais (Gil Vicente, o próprio Arouca, o Estoril, etc) obtiveram sucesso de outra forma. Por isso, o problema não é a ausência de portugueses, isso é o sintoma de algo muito mais profundo: o facto da maioria das equipas profissionais estar com a corda na garganta a maioria do tempo, com fluxos muito irregulares de tesouraria e ultra dependentes das receitas televisivas.
Art Vandelay
Até por essa constante necessidade de tesouraria fica mais barato formar e vender (contabilisticamente a venda entra quase toda como lucro) do que comprar fora e depois vender (só entra como lucro a diferença entre compra e venda)
Agora óbvio que como dizes se for só 1 a fazer individualmente corre o risco de cair de divisão, mas por isso é que a FPF tem de implementar regras que obriguem a todos e é super fácil de contornar as leis de fantochada da UE, como a própria UEFA por exemplo já faz, onde obriga a mínimo de jogadores formados no País….
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Claro que esta regra não garante a 100% que todos os jogadores formados sejam nativos, mas garantidamente a grande maioria acabará por ser nativos
manel-ferreira
No teu primeiro parágrafo podes substituir o verbo “formar” por “adquirir a custo zero” e o sentido é exatamente o mesmo. Ou seja, para mim, muito mais importante do que formação é a prospecção. Aliás, eu vejo a formação como um subgrupo da prospecção, por assim dizer.
Mesmo obrigando os clubes todos a ter jogadores da formação, vai sempre haver clubes que vão ter melhores formações do que outros (por variadas razões desde dinheiro a prestigio a localização) portanto esses vão sempre ter sempre vantagem natural.
Já a prospecção, esta sim, pode ser feita por TODOS e aí vai contar mais o “know how” e a competência do que a sorte/azar de estar na Zona X ou de não ter vários clubes maiores num raio de 30 km (como acontece com alguns clubes, o que influencia logo a qualidade da formação).
Isto para dizer que não desvalorizo a formação, mas também não a vejo como esse fim em si mesmo (“bom porque sim”), que é visto por estes lados. A formação nunca vai ser a solução para todos os clubes (nem nos principais campeonatos isto acontece). Quando muito, um acrescento.
Já a boa prospecção, essa sim, pode ser feita por todos. E tem sido feita, cada vez melhor, em Portugal. Basta comparar o que os clubes pequenos/médios vendem hoje com o que vendiam há dez anos, são mundos de diferença (sim, o mercado também cresceu, no global, mas isso não explica tudo, houve países que ficaram para trás).
Um Jasomp
Ninguém está a dizer que os clubes são obrigados a viver só da formação. Isso não existe.
O problema é nem sequer tentarem que isso seja um acrescento.
Ver casos como o Rio Ave, o Estrela da Amadora, o Arouca, etc, são exemplos disso mesmo.
São clubes que venderam a sua identidade para serem uma autêntica placa giratória, que fazem das importações de jogadores autêntico gado a céu aberto.
Achas isso bem?
Antonio Clismo II
Portugal já perdeu o sector da banca para os Espanhóis… Já tinha perdido o retalho de textil antes…
Pouco a pouco vai perdendo o retalho de consumo (efeito Mercadona), o sector da energia está cada vez mais espanholizado; o imobiliário, o turismo e a hotelaria; a agricultura (metade do alentejo já exploração espanhola…; na logística e no transporte também…
Agora pouco a pouco vão entrando no futebol, compram clubes, metem cá jogadores e treinadores… não descansam enquanto não têm 100% do bolo em todos os sectores.
E por cá, ainda batem palmas… chamam-lhe EFEITO DE ESCALA… eu chamo-lhe GESTÃO DE LIQUIDAÇÃO que é um tipo de gestão que os portuguess preguiçosos, burros e sem visão gostam muito de fazer, porque enquanto os outros se preocupam com o seu património para este geração e para as próximas, os tugas pensam apenas onde é que vai ser a festa na próxima sexta-feira à noite..
Neville Longbottom
Eu não tenho de achar ou deixar de achar. O clube não é meu, não sou sócio. O rumo que o clube leva deve ser o que os sócios desse clube querem que leve.
Antonio Clismo II
Prospeção, Formação e Captação andam de mãos dadas.
Antonio Clismo II
Sou contra quotas as isto tem que partir do próprio DNA de gestão dos clubes, porque estas coisas da aposta na formação não são imediatas. Não é carregar agora num botão e aparecem logo 5 jogadores da formação no plantel principal. É um trabalho contínuo que se for bem feito, talvez os frutos apareçam daqui a 5 ou 6 anos… Um clube não tem que ser obrigado a jogar com X ou Y, mas devia fazê-lo por convicção, e porque está a competir na LIGA PORTUGUESA e talvez (só talvez) porque são CLUBES PORTUGUESES… fico pasmado quando vejo clubes na primeira liga com mais espanhóis do que portugueses, mas isto é de doidos??
Portanto os frutos que temos hoje são fruto da gestão que foi feita logo após a pandemia Covid19, e se essa fase em que os clubes ficaram sem rede de suporte e levaram uma chapada de realidade de um modelo que era tudo menos sustentável quando se viram sem receitas e foram as suas respetivas comunidades que os ajudaram nesses momentos difíceis… ora se os clubes não aprenderam nada nessa altura e começaram a cometer-se muitos atropelos às leis e regulamentos desde então, então aí a história é outra…
Neville Longbottom
Nota de reparo: se estamos a falar de contabilidade, o que acontece é que um jogador da formação (isto é, um ativo internamente gertado, tem valor contabilístico zero, logo é reconehcida a mais valia pelo valor integral. Não é quase toda, é mesmo toda. Mas o meu tema é tesouraria (liquidez) e isso não tem nada a ver com contabilidade. Cash é uma coisa, book é outra. Se eu vender um jogaor comprado por 90 milhões ou um formado por 90 milhões, são 90 milhões que entram ponto. Agora, é evidente que o investimento que o clube tem com um jogador da formação é muito inferior ao investimento externo.
Mas o ponto aqui era mesmo uma espécie de teoria dos jogos: se os meus adversários optam por um modelo que lhe garante resultados imediatos, eu não tenho qualquer interesse em reformar o clube dando-lhe uma estratégia de longo prazo., porque daqui a 2 anos ou 3 posso já cá nem estar. Do mesmo modo que um partido político com assento parlamentar por 4 anos dificilmente implementar reformas com excedentes tardios porque daqui até lá salta fora. Eu até posso dar o exemplo do meu clube: o Varandas adora falar do projeto do Sporting (e é verdade que nesta fase corre tudo bem e o projeto é uma realidade), mas o que lhe salvou a pele foi a carta que ele desesperadamente precisava que lhe saísse e acabou mesmo por sair, a contratação do Amorim. Tivesse ele falhado essa aposta e deixaria o clube no mesmo farrapo que o encontrou acabado de dar 10M por um treinador que seria um flop. Agora também ninguém o ia perdoar se ele dissesse: “Bom meus caros, vou reformar o clube, mas vai doer muito: nos próximos 5 anos títulos nem vê-los”. Era corrido à primeira oprtunidade. E eu gosto bastante do Varandas, atenção.
Quanto à regra, tem algum peso porque obriga a que os clubes inscrevam jogadores formados localmente. Não sei muito bem que leis poderia a FPF implementar (a Liga está sob a alçada da Liga por exemplo), mas isso não resultou muito bem noutros lados (estou a lembrar-me da China por exemplo).
Antonio Clismo II
Num comentário lá em baixo deixo duas sugestões de regras que poderiam/deveriam ser implementadas pela Liga já a partir da próxima época.
Rui Faria
Misturar tesouraria com lucro é brilhante. Se dúvidas havia que nada mais que ódios vivem aí dentro de graça.
Tiago Silva
Concordo com a tua linha de raciocínio. Os clubes não têm que apostar necessariamente em jogadores nacionais, mas devem-no fazer quando há qualidade. É como o Manel estava a dizer, a prospeção é também muito importante e os clubes portugueses devem também estar atentos a outros campeonatos e à procura de pechinchas de outros clubes para poderem sobreviver.
O problema está na forma pouco sustentável com que os clubes chegaram à Primeira Liga. Quiseram comprar muito e ganhar no imediato e depois têm que apostar sempre dessa forma para sobreviverem. E depois há a questão das negociatas e intercâmbio de jogadores para as comissões que se nota totalmente em alguns clubes como o Estrela principalmente.
Resumindo, acho que os clubes portugueses devem olhar para dentro primeiro. A adaptação de jogadores portugueses é mais fácil, criar grupos de homens e balneários com jogadores com a mesma cultura, que criem laços dentro e fora de campo e que remem todos para o mesmo lado. E isso é muito mais difícil de se fazer quando se contratam muitos jogadores de campeonatos diferentes! O que não quer dizer que os clubes não apostem no scouting e procurem qualidade e potencial em jogadores para se irem integrando nesse grupo.
Antonio Clismo II
Muita gente acha que o talento é inato. Acham que os jogadores nascem com o talento e brotam em qualquer contexto. Nada mais errado. O talento trabalha-se. Os jogadores são feitos. Construídos. Muitas vezes são martelados por treinadores, presidentes ou agentes. Futebol a este nível é mais politica do que outra coisa.
Prova disso é o facto da maioria dos jogadores que chegam ao nível seleção nacional só chegou a esse nível por um MERO ACASO, sendo o factor mais frequente, o facto do clube tuga não ter tido dinheiro naquela fase para ir ao mercado e ser obrigado a apostar neles/ou então fizeram-se jogadores no estrangeiro. Mas também não deixa de ser curiosa a quantidade do “dedo” do padrinho Mendes em grande parte deles…
Por exemplo em Espanha vemos projetos de jogadores bem cimentados, bem geridos e bem desenvolvidos, raramente aparece alguém tipo “geração espontânea” que apareceu do nada por um mero acaso.
JÁ EM PORTUGAL A HISTÓRIA É OUTRA… ORA VEJAMOS:::
Rui Silva – Lançado no Nacional foi suplente do Facchini e do Gottardi e teve que ir para as reservas do Granada e em poucos meses era titular na LaLiga. Se continuasse em Portugal teria sido sempre suplente de qualquer GR brasileiro que contratassem no Verão.
José Sá – No Marítimo foi suplente do Salin, do Wellington e depois o padrinho meteu-no no FC Porto para ser suplente do Casillas (natural), Helton (natural), Vaná ou Fabiano Freitas e depois o padrinho voltou a metê-lo noutro clube desta feita no Olimpiakos e foi no estrangeiro que pegou de estaca e depois o padrinho voltou a metê-lo no Wolves a evoluir na Premier League. Se tivesse continuado em Portugal estaria na equipa B do FC Porto a fazer de “Cláudio Ramos”….
Ricardo Velho – Fez-se GR por acaso. Dispensado pelo Braga aos 22 anos, lá seguiu para o Farense e na Segunda Divisão assumiu a baliza e evoluiu progressivamente época após época.
Diogo Costa – Se o Marchesín não se tivera lesionado, o Diogo Costa hoje ainda seria suplente dele e estaria entre a equipa B e a equipa A.
Diogo Dalot – Suplente do Maxi Pereira e do Ricardo Pereira entra na equipa a lateral esquerdo pelas lesões do Layun e do Alex Telles (o mercado estava fechado em Fevereiro), não havia outra hipótese, e dá muito boa conta de si e então o Manchester United vem buscá-lo nesse Verão para o acabar de desenvolver em Inglaterra porque no FC Porto seria sempre suplente de qualquer jogador que fossem buscar ao estrangeiro.
Rúben Dias – Teve de fazer mais de 80 jogos pela equipa B para repararem nele. Preferiram apostar num idoso Luisão, medíocre Lisandro López ou num rígido Jardel antes de “em último recurso” olharem para o diamante que tinham em casa…
Tomás Araújo – Teve de ser um treinador estrangeiro (Roger Schmidt) a apostar forte nele, porque a estrutura tinha outros planos (João Vítor do Corinthians, que flopou)
António Silva – Teve novamente de ser o treinador estrangeiro a chegar e a ver o óbvio não tendo problemas em subir um miúdo dos sub23 (praticamente nem passou pela equipa B) e colocou-o a titular à frente de Vertonghen, Morato, Brooks, João Vítor, etc… qualquer treinador sem coluna vertebral teria sucumbido à pressão da direção em apostar nos jogadores que eles tinham investido milhões…
Renato Veiga – Daqueles casos estranhos em que não serve para a Liga3 e tem que sair para o estrangeiro para explodir. Passados 18 meses estava a ganhar competições europeias no Chelsea…
João Cancelo – Nem para suplente do Maxi Pereira servia (o Benfica tinha comprado o Luiz Felipe ao Criciúma… Em poucos meses era dos melhores laterais da LaLiga pelo Valência.
Gonçalo Inácio – Panca do Rúben Amorim. Mas sorte dele porque o Sporting estava sem dinheiro para ir buscar um suplente para o Mathieu e tiveram de olhar para dentro.
Nuno Mendes – Panca do Rúben Amorim que teve a coragem de encostar o Acuña e apostar num miúdo que nos sub23 era suplente do espanhol Echedey Carpintier…
Bruno Fernandes – Teve que se fazer jogador em Itália porque em Portugal ninguem dava por ele…
Matheus Nunes – Mais uma panca do Rúben Amorim que o foi buscar aos sub23 para substituir outros pesos pesados como o Battaglia, Wendell ou Eduardo Henrique…
Bernardo Silva – Escorraçado do Benfica que tinha gasto milhões em Ola John, Sulejmani, Djuricic ou Markovic. E poucos meses era estrela na Ligue1 pelo Mónaco. Se tivesse ficado no Benfica teria tido o mesmo fim do Miguel Rosa ou do André Carvalhas…
Samuel Costa – Outro que ninguém ligou cá e teve que sair para subir degraus.
Rúben Neves – Não fosse um técnico espanhol que ao chegar ao FC Porto não teve problemas em meter um ex-juvenil a titular da equipa titular do FC Porto… Nenhum outro técnico normal tuga fari uma coisa dessas e hoje o Rúben Neves poderia andar a jogar no Lousada ou o Feirense…
João Neves – Suplente do Cher Ndour na equipa B… o Roger Schmidt apostou nele quando a equipa estava a cair de rendimento e foi ele que levou a equipa às costas até ao título. Estivesse o mercado aberto e de certeza que a direção teria ido comprar 2 estrangeiros e hoje o João Neves estaria emprestado ao Estoril…
Vitinha – eterno suplente do Uribe e Otávio. Foi mandado para o exílio no Wolves e só mesmo um FC Porto sem um tostão é que fizeram com que não tivessem dinheiro para contratar mais ninguém e em último recurso lá apostaram no Vitinha no meio campo… Resultado. Campeões Nacionais.
Rafael Leão – Outro que se fez lá fora. Emboara tenha forçado e inventado a sua saída (depois pagou por isso e com juros!!). Não tenho dúvidas que se tivesse ficado em Portugal hoje estaria a fazer companhia ao Jovane Cabral no Estrela da Amadora.
Gonçalo Guedes – Dos poucos a ter oportunidas reais em Portugal mas foi em Espanha que se fez realmente jogador.
João Félix – entre muitos milhões atirados ao lixo (Krovinovic, Ferreyra, Zivkovic, Cervi, Nicolás Castillo…. foi da equipa B que veio o salvador daquela época. Bruno Lage a provar que com 4 ou 5 miúdos da B conseguia recuperar 7 pontos de distância e sagrar-se campeão nacional garantido ao clube mais de 200 milhões de euros em vendas que serviriam para pagar… mais estrangeiros sem qualidade.
Gonçalo Ramos – Com Jesus era suplente de todos (Seferovic, Darwin, Walschmidt, Carlos Vinicius, etc)… Teve que vir um alemão para ver o óbvio e apostar a sério no miúdo.
Francisco Trincão: Mais uma pancada do Rúben Amorim que o soube reconstruir.
Pedro Neto – Outro que se fez lá fora. Cá dentro não teria hipótese.
Ricardo Horta – Apareceu num péssimo Vitória de Setúbal e foi no Málaga na LaLiga que se fez jogador e o Braga aproveitou…
Chico Conceição – O pai fez questão de fazer dele jogador e contribuiu para que ele estivesse onde está.
Pedro Gonçalves – Outra pancada do Rúben Amorim.
manel-ferreira
Eh pá, outra vez a conversa do Rui Silva ser suplente do Nacional? Ainda? O Rui Silva era TITULARISSIMO do Nacional quando foi para o Granada. Foi vendido por 1 milhão, que na altura era uma venda bastante boa. Jogou na B do Granada, sim, mas isso foi porque não se conseguiu impor logo quando lá chegou, portanto a desvalorização dele até foi feita pelo Granada, não pelo Nacional.
É que eu nem percebo se isso é ignorância ou desonestidade.
Antonio Clismo II
Claramente o Arouca já está a preparar a petição para se mudar para a Primera RFEF (a 3.ª divisão espanhola). Aquilo no balneário já se fala mais espanhol do que em Vigo.
Para um jovem português, o GPS de Arouca deve dar sempre erro ‘Caminho Bloqueado’, mas se o passaporte for de Espanha, o tapete vermelho estende-se logo desde a fronteira de Vilar Formoso. É o único sítio do mundo onde a Posta Arouquesa deve saber melhor do que a Paella, porque os ‘nuestros hermanos’ chegam e não querem outra coisa.
Ma devia-se tocar noutro ponto importante que é um gargalo que muitas vezes se forma nas equipas B dos clubes grandes em que jogadores preferem ficar por lá mesmo depois da sua data de validade para estarem nas equipas B, porque estão cómodos, estão na Segunda Liga, recebem bem e têm todas as condições que se calhar não teriam em muitos clubes da Primeira Divisão e por um lado comprendo que clubes como o Arouca até possam tentar contratar na Liga Revelação ou nas equipas B e levem mais negas dos jogadores em si do que por parte dos clubes…
Muito a rever em vários capítulos do desenvolvimento de jogadores em Portugal
Art Vandelay
Sim é preocupante porque a Liga Portuguesa é uma liga exportadora e estes números são de uma liga importadora, o que a longo prazo pode vir a ter impacto ao nível de formação, porque é certo que os nossos melhores jogadores não ficam cá, mas eles precisam da Liga Portuguesa para se evidenciar e serem exportados… Ora se a liga portuguesa dá cada vez menos oportunidades aos jogadores portugueses pelas probabilidades haver menos espaço para mesmo os melhores jovens se evidenciarem
—
Ao dia de hoje vão dizer que não é preocupante porque Portugal tem uma das 3 melhores seleções do Mundo da actualidade e provavelmente até vai ganhar o campeonato do Mundo daqui a 3 meses, mas isto rapidamente muda e as gerações não são eternas, logo no médio-longo prazo é preocupante
Um Jasomp
Eu prefiro 10000 vezes não ganhar o Mundial e ver que há um projeto sustentado em Portugal, com uma FPF que realmente tem um projeto e uma gestão pensada em articulação com os clubes, que ver se coisas no estado em que estão.
Esperam-nos anos difíceis na seleção.
Antonio Clismo II
São duas coisas completamente diferentes, de um lado ter uma seleção forte e do outro uma Liga Forte. Ter uma liga com baixa percentagem de atletas estrangeiros não significa automaticamente uma seleção mais forte.
Esqueçamo-nos por uns momentos que a maior parte dos jogadores que chegaram á seleção nacional fizeram-no mais por acaso, geração espontânea, lesões graves dos estrangeiros da sua equipa e mercado fechado para irem buscar e então tiveram de apostar nos miúdos, etc…
Eu estou mais preocupado com a sustentabilidade do futebol portugueês, porque vemos semana após semana, clubes sem qualquer identidade, com poucas centenas de pessoas nos estádios, futebol deprimente e clubes completamente divorciados das suas comunidades… ora isso é a morte de qualquer indústria..
In a Silent Way
Preocupante – tal como muitos users ja vêm alertando.
Uma nota para o Sporting CP – bicampeão – e que utiliza vários jogadores portugueses e da sua formação. Só ontem foram 9 portugueses, incluindo 6 da sua formação.
Antonio Clismo II
É o mínimo olímpico para um clube como o Sporting. Não fazem mais do que a sua obrigação.
Neville Longbottom
“Para um clube como o Sporting”, ou seja, para um clube com os pergaminhos do Sporting no que toca à formação?
Um Jasomp
E não foi de longe o clube português mais competitivo na Europa?
Instalou-se a ideia de que os 3 grandes só conseguem ser competitivos se importarem em barda. E isso é uma completa mentira.
Não culpo só os dirigentes. Também os treinadores do Benfica e Porto. Estás a ganhar 4-0 ao Arouca em casa. Que custava lançar um jogador da formação, uns 30 minutos para dar palco?
E mesmo assim nunca o fazem.
Antonio Clismo II
Ou o AFS, que são uma das piores equipas de que me lembro de competirem na Primeira Liga Portuguesa…
Se era para passarem esta vergonha ao menos poupavam e não enchiam o plantel cheio de estrangeiros e faziam uma aposta em jovens jogadores com fome de bola e DE CERTEZA QUE NÃO TERIAM SÓ 11 PONTOS EM 29 JOGOS.
Um Jasomp
Enquanto as autoridades portuguesas continuarem a fazer vista grossa perante a autêntica terra sem lei e sem regulação que é o mercado de importação de jogadores em Portugal, continuaremos a escalar até ser a liga do mundo com maior percentagem de jogadores estrangeiros.
E isto é válido para todos os clubes da Liga portuguesa. Todos.
Não há um único que se olhe e veja que há realmente um projeto, uma preocupação em olhar para dentro e crescer internamente. É tudo na base do gado.
Perante estes factos, onde anda Pedro Proença? Gostava mesmo de saber.
Antonio Clismo II
O Pedro Proença tem responsabilidades óbvias mas está mais interessado em meter os seus muchachos na FPF com salários principescos e conseguir apoio para suceder ao Ceferin na UEFA daqui a uns anos… o problema dele é que não se quer sujar com este assunto e ainda por cima com uma medida que os clubes achariam impopular porque lhes ia limitar o carrossel. E o Proença bem que precisa do apoio dos clubes para fazer o que quer que seja.
Quem deveria ser pressionado é o atual presidente da Liga que pouco faz e pouco aparece, foi apenas um fantoche colocado pelos clubes lá no lugar para fazerem com ele o que quiserem.
A alteração regulatória foi na direção errada — passar de 8 FL num plantel de 27 para 8 FL num plantel de 30 reduziu efetivamente a proporção mínima obrigatória de ~29,6% para ~26,7%, facilitando ainda mais a entrada de estrangeiros precisamente quando a liga já era das mais “internacionalizadas” do mundo. Basicamente deixou de haver limite e os clubes podem agora andar de roda no ar que nada lhes acontece.
O modelo de inscrição é perverso — um clube pode ter apenas 1-2 formados localmente “de cosmética” e ainda assim inscrever 22-24 estrangeiros, sem qualquer penalização de tempo de jogo.
A métrica quantitativa (inscrição) é insuficiente — o que realmente importa é o tempo de utilização efetiva dos FL, não apenas a presença no plantel.
Eu propunha algumas alterações já na próxima temporada (SE HOUVER CORAGEM):
1. Reforçar o critério – Repor o mínimo de 10 FL para todos os clubes (independentemente de terem equipa B), e considerar subir para 12 FL a partir de 2027/28. Baixar o limite de inscrição de 30 atletas para 27 por plantel como a UEFA faz.
2. Criar um índice de utilização FL com impacto financeiro
Calcular no final de cada época a % de minutos FL de cada clube.
Clubes acima de 50% de minutos por parte de atletas formados localmente recebem um bónus de solidariedade do fundo de distribuição da Liga.
Clubes abaixo de 20% pagam uma taxa de compensação para um fundo de desenvolvimento da formação nacional.
Antonio Clismo II
O ARTIGO 77º DO REGULAMENTO É CLARO!
As equipas devem ter no mínimo 8 atletas formados localmente num plantel de 30. Se for um clube com equipa B, esse número mínimo passa a 10. Se não cumprirem, nada demais acontece, não há penalização, apenas não podem inscrever mais jogadores (se por acaso só tiverem 6 atletas formados localmente só poderão inscrever 28 atletas… e assim por diante…
A Liga para este ano foi muito cretina e pouco se falou nisto, alterou a regra que antes estipulava o mínimo de 8 atletas formados localmente num plantel de 27, para 8 atletas formados localmente num plantel de 30!!! E isto faz toda a diferença quando mais de metade dos clubes querem encher os planteis de estrangeiros e dar papéis secundários aos formados localmente porque os dirigentes que votam os cargos da Liga assim o quiseram, para que esta máquina de lavar e de ganhar comissões continuasse a carburar a toda a velocidade!! Ou seja, com esta nova regra, no limite um clube pode dar-se ao luxo de nem sequer ter NENHUM atleta formado localmente no plantel e mesmo assim conseguir inscrever 22 jogadores estrangeiros para competir na Primeira Liga… se arranjar 1 ou 2 gatos sapatos que sejam formados localmente para estarem no plantel a servirem de terceiro GR ou de mascote, então já podem inscrever 24 estrangeiros, e assim por diante… UMA VERGONHA.
E isso centra-se apenas no número de jogadores aquando da inscrição. A meu ver é a forma errada de ver a coisa pois o regulamento deveria centrar-se numa perspetiva qualitativa em vez da componente quantitativa (inscrições para fazer número apenas…)
Tomei a liberdade de contabilizar os minutos totais de todos os jogadores da Liga, cruzar com os minutos jogados por jogadores formados localmente e chegar a conclusões…. >>>>
POS CLUBE MIN FL TOTAL MIN % FL JOGADORES NO PLANTEL
——————————————————-
01º Moreirense FC 13.524 28.633 47,2% 30
02º Sporting CP 12.363 27.724 44,6% 32
03º Vitória SC 11.686 28.677 40,8% 31
04º Estoril Praia 9.329 28.714 32,5% 26
05º Casa Pia AC 8.384 27.681 30,3% 32
06º FC Famalicão 8.543 28.633 29,8% 25
07º FC Porto 7.761 28.657 27,1% 30
08º CD Santa Clara 7.764 28.660 27,1% 31
09º Estrela Amadora 7.426 28.623 25,9% 37
10º Gil Vicente 6.695 28.643 23,4% 29
11º SC Braga 5.535 27.708 20,0% 27
12º FC Alverca 5.389 28.557 18,9% 33
13º CD Tondela 4.604 27.725 16,6% 30
14º CD Nacional 4.636 28.472 16,3% 27
15º FC Arouca 4.565 28.475 16,0% 32
16º AFS 4.453 28.539 15,6% 33
17º SL Benfica 4.346 28.703 15,1% 36
18º Rio Ave FC 1.036 28.587 3,6% 34
Portanto, a meu ver, uma percentagem na ordem dos 40% de minutos jogados por jogadores formados localmente (no país) é o mínimo de um clube saudável e bem gerido. Portanto, temos apenas 3 clubes com estes valores (Sporting, Moreirense e Vitória de Guimarães). Valores na ordem dos 30% já são uma red flag e causa para a Liga colocar sanções a sério e valores abaixo dos 20% deveriam dar descida de divisão direta ou tirar-lhes as licenças de competição.
Esta listagem é a prova da vergonha que foi a Liga este ano, um manancial para os presidentes e agentes que são quem anda a construir os plantéis à medida das comissões que caem nas suas contas off-shore… os próprios treinadores estão a perder a mão nisto e são cada vez mais figurantes do que outra coisa, servem quase apenas para a parte da comunicação, para aparecer, dar murros na mesa, criticar as arbitragens e pouco mais, são cada vez mais dispensáveis nesta indústria a que chamam Primeira Liga Portuguesa…
Um Jasomp
Custa-me mesmo muito a acreditar que os treinadores sejam tidos e achados no que toca a treinarem os jogadores que treinam, nos clubes profissionais em Portugal.
Quem manda são os empresários.
E isto é um dos exemplos mais gritantes que não há projeto, há placa giratória para fazer as comissões render.
Antonio Clismo II
A tabela ficou um bocado desformatada, mas resumindo, todos os clubes da 12ª posição para baixo eram para verem as suas licenças de competição caducadas até provarem que merecem competir na PRIMEIRA LIGA PORTUGUESA. Se quiserem competir noutra Liga, por exemplo a espanhola não teriam a mínima hipótese porque lá as regras são muito mais rígida e os clubes não brincam.
Mas como se está a dar a balcanização da Liga Portuguesa, aqui pode-se tudo
Pos | Clube | Min FL | Total Min | % FL | Jog
—-|——————-|———|———–|——–|—-
🥇 | Moreirense FC | 13.524 | 28.633 | 47,2% | 30
🥈 | Sporting CP | 12.363 | 27.724 | 44,6% | 32
🥉 | Vitória SC | 11.686 | 28.677 | 40,8% | 31
04º | Estoril Praia | 9.329 | 28.714 | 32,5% | 26
05º | Casa Pia AC | 8.384 | 27.681 | 30,3% | 32
06º | FC Famalicão | 8.543 | 28.633 | 29,8% | 25
07º | FC Porto | 7.761 | 28.657 | 27,1% | 30
08º | CD Santa Clara | 7.764 | 28.660 | 27,1% | 31
09º | Estrela Amadora | 7.426 | 28.623 | 25,9% | 37
10º | Gil Vicente | 6.695 | 28.643 | 23,4% | 29
11º | SC Braga | 5.535 | 27.708 | 20,0% | 27
12º | FC Alverca | 5.389 | 28.557 | 18,9% | 33
13º | CD Tondela | 4.604 | 27.725 | 16,6% | 30
14º | CD Nacional | 4.636 | 28.472 | 16,3% | 27
15º | FC Arouca | 4.565 | 28.475 | 16,0% | 32
16º | AFS | 4.453 | 28.539 | 15,6% | 33
17º | SL Benfica | 4.346 | 28.703 | 15,1% | 36
18º | Rio Ave FC | 1.036 | 28.587 | 3,6% | 34
Antonio Clismo II
Portanto, esta tabela serve para explicar que apesar d notícia e do título dizerem que a Liga Portuguesa é a 3ª no Mundo com mais estrangeiros (72.9%) isso é em termos quantitativos.
Se falarmos em termos qualitativos (minutos jogados) a situação ainda é muito pior, porque os poucos jogadores formados localmente são usados para funções secundárias e terciárias e muitas vezes só lá estão para fazer número e ambiente no balneário.
Apesar da Liga portuguesa ter 72.9% de estrangeiros, são responsáveis por jogar 75% dos minutos.
O clube que tem mais minutos jogados por jogadores formados localmente é o Moreirense (quem diria) e o clube com menos e (sem surpresas) o Rio Ave (nem devia estar a competir na Liga, mas pronto. é o que temos..
Art Vandelay
8 em 30 é pouco, devia ser no mínimo dos mínimos 20 de 30…Para além de que se não conseguirem azar e no máximo só podiam inscrever os 10 estrangeiros
manel-ferreira
Boa sorte a convencer os adeptos dos grandes de que só 10 em 30 jogadores é que podem ser estrangeiros. E boa sorte a achar que isso não se vai refletir nas provas europeias, quando comparado com outros campeonatos.
Quando tu consegues ser mais extremista que o Clismo é porque a coisa tá mal. E eu até acho que o Clismo disse algumas coisas de jeito aqui, sobretudo a ideia de que os jogadores que vêm das formação/equipas B dos grandes muitas vezes olham com desdém para os clubes da Primeira Liga e preferem ou ficar nas B ou ir para fora ganhar mais dinheiro (e estão no seu direito, claro, mas não são poucas as negas que os clubes tugas levam dos jogadores formados nos grandes).
Art Vandelay
Numa 1ª fase o impacto seria duro e concordo contigo que iria ter impacto nos resultados nas competições europeias, mas isso obrigava todos os clubes desde a base até ao topo a apostarem mais nos respectivos centros/escolas de formação e isso a médio/longo prazo poderia fazer aumentar a qualidade média do jogador português e com isso colmatar a actual necessidade dos grandes irem contratar resmas de estrangeiros
maZe
Bom trabalho de campo. O Rio Ave é escandaloso mesmo, um clube que não há muitos anos lutava pela Europa regularmente e tinha boas equipas. O Benfica enfim… andavam há uns anos nas bocas do mundo pelos jogadores formados (e bem, saiu dali muito talento) mas estes números não mentem e com Mourinho só vão tender a piorar.
manel-ferreira
Diga-se que a “decadência” do Rio Ave começou muito antes de surgir o Marinakis e do plantel quase todo estrangeiro. Aliás sem essa decadência, eles não tinham ido ter com o Marinakis.
Flavio Trindade
Alguns vão falar do mercado livre e de outras coisas, eu digo só que é uma vergonha.
Mas enquanto o povo andar entretido com falsas centralizações, ninguém vai falar do que realmente interessa.
Querem mais dinheiro para serem mais competitivos? Tudo certo. Completamente válido.
Sendo mais competitivos o campeonato fica mais nivelado por cima e teremos mais equipas em posição de ir à Europa.
Se forem à Europa têm que cumprir as regras. Logo têm que ter formação…que não têm…
Querem estrangeiros de qualidade? Todos querem. Só que não existirem regras para proteção do jogador nacional tem o efeito contrário, que é não contratam qualidade. Contratam tudo o que mexe porque é mais barato, não porque são melhores.
E este é o mercado livre que muitos defendem…
Por isso é que temos uma Liga da Temu porque é mais baratinho em vez de querermos ter uma liga de marca.
Resumindo… é o mercado livre que o Proença deixou e que os nossos dirigentes continuam a patrocinar…
batalha34
uma vergonha, mas ainda ha quem chame nomes a quem critica isto.. enfim temos a liga que merecemos
Knox_oTal
Ridículo e vergonhoso! Não há argumentos que justifiquem esta utilização acima dos 70%, sobretudo se tivermos em conta o contexto da nossa liga e país! Isto acontece devido à incompetência, ganância e visão curta da Liga de Clubes (aliás uma entidade obsoleta e de fachada), Federação e dirigismo desportivo em Portugal!!!
Saudações desportivas
JJayy "Non Believer"
Campeonato medíocre, a começar pela mentalidade. Não se justifica tanta estrangeirada no futebol ou até mesmo no país em geral. Vamos torcer que coloquem uma equipa na Conference League próxima época, já que tantos estrangeiros deviam aumentar a qualidade da liga
Kacal
Também é verdade que agora os colossos e outros clubes médios das Ligas de topo já jogam mais na antecipação e vêm buscar jovens nossos ainda antes de começarem a jogar com regularidade e se afirmarem. Mas sim, isto é ainda mais significativo nos clubes pequenos que têm bem menos dinheiro e possibilidades que os três grandes e por vezes apostam em camiões de estrangeiros. E o mal é que muitos deles têm qualidade duvidosa, se ainda fossem de muita qualidade ok, mas nem isso por vezes. O Rio Ave é um dos casos mais flagrantes. Nesse contexto mais vale apostar no jogador Português.