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Liga portuguesa é a 3.ª no Mundo com mais percentagem de minutos de jogadores estrangeiros

Preocupante? Esta época tivemos vários jogos com apenas 1 ou 2 portugueses.

Segundo o mais recente estudo do Observatório do Futebol (CIES), a I Liga é a 3.ª no Mundo com mais minutos somados por jogadores expatriados (72,9%). O campeonato português é apenas superado pelo cipriota (78,8%) e pelo turco (76,2%). Destaque ainda para a Premier League, que aparece na 5.ª posição, à frente da Serie A.

9 Comentários

  • Neville Longbottom
    Posted Abril 16, 2026 at 4:13 pm

    Não é preocupante pelo facto em si. É preocupante pelas bases em que assenta o futebol português, isto é, uma liga que recruta barato e que é pouco atrativa. Os modelos que os clubes profissionais seguem passam pela sobrevivência no curto prazo (como se pode ver em inúmeros casos de equipas que dependem das receitas da liga em que estão inseridas para competir, assim que descem, “desaparecem”). E para atingir essa sobrevivência é mais fácil vender a sociedade desportiva ou contratar em mercados periféricos. O desaparecimento de históricos do panorama nacional também ajuda muito porque as ligas profissionais têm vários clubes com pouca expressão na sociedade, ao passo que clubes como a Académica, o Belenenses, o Vitória FC, etc estão afastados da primeira liga há muito tempo.

    Isto está de tal modo instalado no mercado português que é literalmente impossível para um clube como o Arouca (por exemplo), fazer o reset e apostar no mercado português (ou na formação). Arriscariam de imediato a permanência na 1º liga e, uma vez na segunda, perderiam o suporte orçamental para competir. É evidente que, no longo prazo, é possível que os frutos sejam abundantes, mas quem é que arrisca a sua posição quando o curto prazo é o que interessa?

    Concluindo, há modelos de gestão desportiva de sucesso que não se baseiam em desenvolver ou contratar jogadores locais (Gil Vicente, o próprio Arouca, o Estoril, etc) obtiveram sucesso de outra forma. Por isso, o problema não é a ausência de portugueses, isso é o sintoma de algo muito mais profundo: o facto da maioria das equipas profissionais estar com a corda na garganta a maioria do tempo, com fluxos muito irregulares de tesouraria e ultra dependentes das receitas televisivas.

    • Art Vandelay
      Posted Abril 16, 2026 at 4:34 pm

      Até por essa constante necessidade de tesouraria fica mais barato formar e vender (contabilisticamente a venda entra quase toda como lucro) do que comprar fora e depois vender (só entra como lucro a diferença entre compra e venda)

      Agora óbvio que como dizes se for só 1 a fazer individualmente corre o risco de cair de divisão, mas por isso é que a FPF tem de implementar regras que obriguem a todos e é super fácil de contornar as leis de fantochada da UE, como a própria UEFA por exemplo já faz, onde obriga a mínimo de jogadores formados no País….

      Claro que esta regra não garante a 100% que todos os jogadores formados sejam nativos, mas garantidamente a grande maioria acabará por ser nativos

      • manel-ferreira
        Posted Abril 16, 2026 at 6:00 pm

        No teu primeiro parágrafo podes substituir o verbo “formar” por “adquirir a custo zero” e o sentido é exatamente o mesmo. Ou seja, para mim, muito mais importante do que formação é a prospecção. Aliás, eu vejo a formação como um subgrupo da prospecção, por assim dizer.

        Mesmo obrigando os clubes todos a ter jogadores da formação, vai sempre haver clubes que vão ter melhores formações do que outros (por variadas razões desde dinheiro a prestigio a localização) portanto esses vão sempre ter sempre vantagem natural.

        Já a prospecção, esta sim, pode ser feita por TODOS e aí vai contar mais o “know how” e a competência do que a sorte/azar de estar na Zona X ou de não ter vários clubes maiores num raio de 30 km (como acontece com alguns clubes, o que influencia logo a qualidade da formação).

        Isto para dizer que não desvalorizo a formação, mas também não a vejo como esse fim em si mesmo (“bom porque sim”), que é visto por estes lados. A formação nunca vai ser a solução para todos os clubes (nem nos principais campeonatos isto acontece). Quando muito, um acrescento.

        Já a boa prospecção, essa sim, pode ser feita por todos. E tem sido feita, cada vez melhor, em Portugal. Basta comparar o que os clubes pequenos/médios vendem hoje com o que vendiam há dez anos, são mundos de diferença (sim, o mercado também cresceu, no global, mas isso não explica tudo, houve países que ficaram para trás).

  • Art Vandelay
    Posted Abril 16, 2026 at 4:17 pm

    Sim é preocupante porque a Liga Portuguesa é uma liga exportadora e estes números são de uma liga importadora, o que a longo prazo pode vir a ter impacto ao nível de formação, porque é certo que os nossos melhores jogadores não ficam cá, mas eles precisam da Liga Portuguesa para se evidenciar e serem exportados… Ora se a liga portuguesa dá cada vez menos oportunidades aos jogadores portugueses pelas probabilidades haver menos espaço para mesmo os melhores jovens se evidenciarem

    Ao dia de hoje vão dizer que não é preocupante porque Portugal tem uma das 3 melhores seleções do Mundo da actualidade e provavelmente até vai ganhar o campeonato do Mundo daqui a 3 meses, mas isto rapidamente muda e as gerações não são eternas, logo no médio-longo prazo é preocupante

    • Um Jasomp
      Posted Abril 16, 2026 at 6:09 pm

      Eu prefiro 10000 vezes não ganhar o Mundial e ver que há um projeto sustentado em Portugal, com uma FPF que realmente tem um projeto e uma gestão pensada em articulação com os clubes, que ver se coisas no estado em que estão.
      Esperam-nos anos difíceis na seleção.

  • In a Silent Way
    Posted Abril 16, 2026 at 4:24 pm

    Preocupante – tal como muitos users ja vêm alertando.
    Uma nota para o Sporting CP – bicampeão – e que utiliza vários jogadores portugueses e da sua formação. Só ontem foram 9 portugueses, incluindo 6 da sua formação.

    • Antonio Clismo II
      Posted Abril 16, 2026 at 6:37 pm

      É o mínimo olímpico para um clube como o Sporting. Não fazem mais do que a sua obrigação.

  • Um Jasomp
    Posted Abril 16, 2026 at 6:07 pm

    Enquanto as autoridades portuguesas continuarem a fazer vista grossa perante a autêntica terra sem lei e sem regulação que é o mercado de importação de jogadores em Portugal, continuaremos a escalar até ser a liga do mundo com maior percentagem de jogadores estrangeiros.
    E isto é válido para todos os clubes da Liga portuguesa. Todos.
    Não há um único que se olhe e veja que há realmente um projeto, uma preocupação em olhar para dentro e crescer internamente. É tudo na base do gado.

    Perante estes factos, onde anda Pedro Proença? Gostava mesmo de saber.

  • Antonio Clismo II
    Posted Abril 16, 2026 at 6:36 pm

    O ARTIGO 77º DO REGULAMENTO É CLARO!
    As equipas devem ter no mínimo 8 atletas formados localmente num plantel de 30. Se for um clube com equipa B, esse número mínimo passa a 10. Se não cumprirem, nada demais acontece, não há penalização, apenas não podem inscrever mais jogadores (se por acaso só tiverem 6 atletas formados localmente só poderão inscrever 28 atletas… e assim por diante…

    A Liga para este ano foi muito cretina e pouco se falou nisto, alterou a regra que antes estipulava o mínimo de 8 atletas formados localmente num plantel de 27, para 8 atletas formados localmente num plantel de 30!!! E isto faz toda a diferença quando mais de metade dos clubes querem encher os planteis de estrangeiros e dar papéis secundários aos formados localmente porque os dirigentes que votam os cargos da Liga assim o quiseram, para que esta máquina de lavar e de ganhar comissões continuasse a carburar a toda a velocidade!! Ou seja, com esta nova regra, no limite um clube pode dar-se ao luxo de nem sequer ter NENHUM atleta formado localmente no plantel e mesmo assim conseguir inscrever 22 jogadores estrangeiros para competir na Primeira Liga… se arranjar 1 ou 2 gatos sapatos que sejam formados localmente para estarem no plantel a servirem de terceiro GR ou de mascote, então já podem inscrever 24 estrangeiros, e assim por diante… UMA VERGONHA.

    E isso centra-se apenas no número de jogadores aquando da inscrição. A meu ver é a forma errada de ver a coisa pois o regulamento deveria centrar-se numa perspetiva qualitativa em vez da componente quantitativa (inscrições para fazer número apenas…)

    Tomei a liberdade de contabilizar os minutos totais de todos os jogadores da Liga, cruzar com os minutos jogados por jogadores formados localmente e chegar a conclusões…. >>>>

    POS CLUBE MIN FL TOTAL MIN % FL JOGADORES NO PLANTEL
    ——————————————————-
    01º Moreirense FC 13.524 28.633 47,2% 30
    02º Sporting CP 12.363 27.724 44,6% 32
    03º Vitória SC 11.686 28.677 40,8% 31
    04º Estoril Praia 9.329 28.714 32,5% 26
    05º Casa Pia AC 8.384 27.681 30,3% 32
    06º FC Famalicão 8.543 28.633 29,8% 25
    07º FC Porto 7.761 28.657 27,1% 30
    08º CD Santa Clara 7.764 28.660 27,1% 31
    09º Estrela Amadora 7.426 28.623 25,9% 37
    10º Gil Vicente 6.695 28.643 23,4% 29
    11º SC Braga 5.535 27.708 20,0% 27
    12º FC Alverca 5.389 28.557 18,9% 33
    13º CD Tondela 4.604 27.725 16,6% 30
    14º CD Nacional 4.636 28.472 16,3% 27
    15º FC Arouca 4.565 28.475 16,0% 32
    16º AFS 4.453 28.539 15,6% 33
    17º SL Benfica 4.346 28.703 15,1% 36
    18º Rio Ave FC 1.036 28.587 3,6% 34

    Portanto, a meu ver, uma percentagem na ordem dos 40% de minutos jogados por jogadores formados localmente (no país) é o mínimo de um clube saudável e bem gerido. Portanto, temos apenas 3 clubes com estes valores (Sporting, Moreirense e Vitória de Guimarães). Valores na ordem dos 30% já são uma red flag e causa para a Liga colocar sanções a sério e valores abaixo dos 20% deveriam dar descida de divisão direta ou tirar-lhes as licenças de competição.

    Esta listagem é a prova da vergonha que foi a Liga este ano, um manancial para os presidentes e agentes que são quem anda a construir os plantéis à medida das comissões que caem nas suas contas off-shore… os próprios treinadores estão a perder a mão nisto e são cada vez mais figurantes do que outra coisa, servem quase apenas para a parte da comunicação, para aparecer, dar murros na mesa, criticar as arbitragens e pouco mais, são cada vez mais dispensáveis nesta indústria a que chamam Primeira Liga Portuguesa…

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