Numa Alemanha que tem sido indiscutivelmente um dos países que melhor tem trabalhado a área da formação nos últimos anos, o Schalke é um dos principais reveladores de talento. O emblema de Gelsenkirchen fez aparecer craques como Neuer, Ozil, Draxler ou Meyer e a qualidade não pára de surgir. Leroy Sané é o nome mais recente da fábrica dos mineiros, mas a capacidade de trabalho, típica de um mineiro, não é, de todo, a característica que o define. É, pelo contrário, um fantasista, um jogador com uma enorme facilidade em criar desequilíbrios através de iniciativas individuais, fazendo uso da sua velocidade (muito explosivo quando arranca) e qualidade técnica. Com um pé esquerdo fantástico, pode actuar em qualquer posição no apoio ao ponta-de-lança, mas é sobre a direita que o seu futebol atinge outra dimensão. Ainda assim, tem de corrigir algumas deficiências na definição dos lances, pois só assim poderá pôr o seu talento verdadeiramente ao serviço do colectivo. A chegada de Breitenreiter pode ser bastante positiva para o jovem de 19 anos, já que, com Di Matteo, que o lançou, teria sempre menor liberdade para desequilibrar, como consequência do conservadorismo do italiano. Contudo, apesar de ser titular com o novo técnico, não tem tido propriamente grande protagonismo na equipa, precisando de adquirir alguma consistência no seu jogo (por vezes parece alheado). Mas o tempo, fundamental na aprendizagem de um miúdo, deverá resolver as dificuldades de Sané, que tem a irreverência e a ousadia que costuma diferenciar os craques. A exibição frente ao Real, no Bernabéu, na época passada quando ainda tinha idade de júnior, que impressionou tudo e todos, mostrou que o alemão, nascido em Essen mas filho do antigo internacional senegalês Samy Sané, não tem medo dos grandes palcos e é capaz de assumir a equipa em momentos de aperto. Com esse jogo tornou-se, se é que já não o era, uma das figuras da nova geração germânica e pôs, justificadamente, o radar dos grandes clubes a pairar sobre si. E a continuar neste ritmo não será surpreendente que em 2018 a Alemanha tenha na ala ou meio campo um artista com raízes africanas.
Como para tudo, é essencial definir critérios. Esta rubrica destina-se a jogadores nascidos em 1996. Os parâmetros de selecção são os feitos dos jogadores até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro. Mesmo considerando que são seniores de 1.º ano já é possível mencionar elementos que nesta fase apresentam algumas destas características.



0 Comentários
João Dias
E Portugal com guineenses, cabo-verdianos e brasileiros?
E a Holanda com jogadores das Caraíbas?
Jose Vilela
A diferença é que estes nasceram mesmo na Alemanha e nao em Africa como muitos jogadores da nossa seleçao.
Ricardo
A Alemanha está no top mas também tem beneficiado muito deste melting pot, se fossemos a tirar os jogadores de origem africana e turca à selecção a força deles era muito menor.
Kafka I
Já agora o Leroy Sané nasceu na cidade de Essen
Kafka I
Ozil nasceu em Gelsenkirchen
Kedhira nasceu em Estugarda
Mustafi nasceu em Bad Hersfeld
Boateng nasceu em Berlim
Bellarabi nasceu em Berlim
Gundoghan nasceu em Gelsenkirchen
Que eu saiba tudo isto são cidades Alemães, pelo menos quando andava na escola e na Faculdade foi o que me ensinaram, mas continua o mito..
César Torres
Rui Silveira o nosso melhor jogador, CR7, tem avó cabo-verdiana.
Kafka I
Continua o mito dos Alemães jogarem com "estrangeiros", é que são TODOS nascidos em território Alemão logo são Alemães de pleno direito,
Tirando o Podolski e o Klose que foram viver para a Alemanha em crianças, todos os restantes nasceram na Alemanha
Portugal é de longe a Selecção Europeia que nos últimos 10 anos jogou com mais jogadores nascidos fora de território nacional.
diogo jose
Ricardo, Inglaterra tem muito jogador de descendência jamaicana ( sterling, Ox, Lennon, etc)
William
Caro ricardo, Citar a inglaterra como não tendo jogadoes originarios de paises tipo turquia ou africa deve ser brincadeira. Sterling e Sturridge à cabeça
Fábio_ SCP
O Thiago Alcântara também na seleção espanhola.
Anónimo
Holanda?
andré
I.C.E.
Ricardo,
Se formos a ver os jogadores que mais jogos detêm na presente qualificação do Euro 2016, seria retirar o Ozil, o Khedira, o Mustafi, o Boateng e o Bellarabi. Não creio que, apesar da qualidade de todos eles, fossem ficar "muito" mais fracos.
Anónimo
Tal como a alemanha tantas outras (frança, holanda, etc) beneficiam deste 'melting pot'.
É normal isto acontecer e continuara a acontecer por muitos mais anos sem razões futebolisticas mas sim principalmente de factores históricos e culturais.. Nos, em Portugal, também vamos beneficiando de um melting pot, menos requintado é verdade, mas sempre aparecem reliquias vindas de cabo verde, angola…
Rui Silveira
Ricardo
Não vejo isto na Espanha, sem ser o Diego Costa, e na Inglaterra.
Anónimo
Como se fossem os únicos… Olha para as principais selecções.
Bruno