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NFL Semana 10: O crescimento de Dak Prescott, a dependência dos Chiefs e jogo do ano em San Francisco

Muitas vezes, em especial no desporto, é nos momentos de maior pressão que se tiram as melhores ilações sobre os atletas, e se torna possível separar o realmente bom do medíocre. Novidades para muitos dos fãs da NFL: Dak Prescott é realmente bom. Frente aos Minnesota Vikings, um dos plantéis mais fortes desta liga, no jogo de domingo à noite, com todos os olhos e holofotes apontados para o mesmo sítio, Dak foi sensacional. O Quarterback (QB) dos Dallas Cowboys lançou a bola para quase 400 jardas e, com menos de dois minutos para jogar e a equipa a perder, liderou uma fantástica drive que os deixou a apenas 11 jardas de um touchdown que provavelmente fecharia o jogo a favor dos Cowboys. E, neste momento de enorme pressão, o medíocre apareceu. Não Dak Prescott, mas sim a equipa técnica, em especial o treinador Jason Garret e o coordenador ofensivo Kellen Moore, que, inexplicavelmente, tiraram a bola das mãos do jogador que estava a fazer o melhor jogo e decidiram deixar Ezekiel Elliot, cuja exibição não estava a ser nada famosa graças à estratégia dos Vikings que consistia em pará-lo, correr com a bola no segundo e terceiro down, tendo essas corridas acabado numa perda de 3 jardas. No quarto down, Dak não acertou, jogo para os Vikings (24-28). O que mais querem de Dak Prescott? Um Tom Brady? Só há um e está quase a terminar. Patrick Mahomes voltou a perder. Drew Brees perdeu com uma das piores equipas da liga e o seu ataque marcou apenas 9 pontos. Até Russell Wilson cometeu erros que quase custaram o jogo à sua equipa. E existem fãs dos Cowboys que ainda não estão convencidos que têm realmente um franchise quarterback? Dak, lá está, sob pressão e críticas e duvidas, foi fenomenal, calmo, composto, liderou de forma fantástica todo o jogo ofensivo da equipa, e, não fossem duas péssimas decisões por parte da equipa técnica, Dak teria ganho o jogo e esta semana os Cowboys seriam uma das equipas mais faladas para chegarem ao Super Bowl. O QB da equipa de Dallas continua a melhorar, a encaixar no modelo de jogo da equipa e a moldá-lo um pouco à sua imagem, com os resultados a serem cada vez mais visíveis. No entanto, apesar da derrota, foi um dos jogos mais positivos para os Cowboys, para quem tudo se tornou mais claro: Dak é o futuro do franchise, os técnicos são a verdadeira limitação desta equipa e alguém precisa de avisar Ezekiel Elliot que a época já começou, porque quem se recusa a treinar na offseason para reivindicar um salário melhor (que acabou por receber e que o colocou entre os mais bem pagos da liga), tem de conseguir ganhar aquelas duas jardas. No início da época todos falavam na equipa de Ezekiel Elliot, que sem ele era impossível ganhar. A narrativa parece estar a mudar, e a equipa parece cada vez mais de Dak Prescott.

No Tennesse, a equipa dos Titans recebeu e venceu os Kansas City Chiefs por 35-32, num jogo que teve como principal ponto de interesse o regresso de Patrick Mahomes após paragem devido a um problema no joelho. Antes da lesão começavam a fazer-se notar algumas fragilidades na equipa de Kansas, em especial na defesa. Com a lesão e a entrada de Matt Moore, a defesa parecia mais decidida, mais física e a jogar com maior intensidade. Voltou Mahomes e, por alguma razão, a defesa voltou a mostrar imensas dificuldades. A equipa dos Chiefs começa, assustadoramente, a assemelhar-se aos últimos anos dos Green Bay Packers, ou seja, demasiado dependentes do Quarterback e incapazes de vencer a menos que este seja incrível. E, mesmo assim, esta semana Mahomes foi incrível (lançou para 446 jardas, com 3 passes para touchdown) e nem isso foi suficiente para levar de vencida uma equipa, que apesar de complicada, é preciso vencer. Incapazes de correr com a bola, incapazes de parar o ataque contrário de correr com bola e a primeira oportunidade para ver como Mahomes e o treinador Andy Reid reagem quando as coisas não estão a correr bem. Mahomes continua absurdo, é realmente um talento especial. Mas, para ganhar jogos nos playoffs e Super Bowls, não pode ser essa a única arma da equipa. Lamar Jackson, por exemplo, é igualmente especial. Mas atrás dele está um excelente treinador, excelente running game e uma defesa a melhorar significativamente, e esta semana não perderam contra uma equipa inferior. Para piorar, Mahomes em breve irá receber um novo contrato cujo valor deve rondar os 40 milhões de dólares, e será muito bem merecido. Mas se já atualmente a equipa está demasiado dependente do jovem quarterback, o que os espera quando esse contrato forçar à saída de Tyreek Hill ou de uma outra peça importante? Com isto tudo não quero dizer que os Chiefs já não contam, ou que já não são eles a maior ameaça para os New England Patriots no caminho para o Super Bowl. Quero apenas dizer que estão alguns passos atrás do que estavam no ano passado e que precisam de resolver alguns problemas sérios se quiserem ter legitimas aspirações nos playoffs.

O jogo grande da semana, como muitas vezes, jogou-se na noite de segunda feira e a visita dos Seattle Seahawks aos San Francisco 49ers não desapontou. Candidato a melhor jogo do ano na fase regular, houve de tudo um pouco: muitas mudanças no momentum do jogo, grandes jogadas ofensivas, turnovers que alteraram o jogo quando este parecia decidido, prolongamento, oportunidades de fechar o jogo falhadas e ainda o fim do registo perfeito dos 49ers, que perderam por 24-27 após prolongamento. Apesar da derrota, foi a equipa de Kyle Shanahan que entrou melhor no jogo, com a juventude e energia dos jogadores a sintonizarem na perfeição com o fantástico ambiente que se sentia no estádio, e os 49ers a chegarem a uma vantagem de 10-0 cedo no jogo. Depois, quando a equipa de Pete Carroll parecia perdida no jogo, em especial no ataque, foi a defesa a dar vida aos Seahawks, ao forçar um fumble que se converteu num touchdown e deu um novo rumo ao encontro, que marcava 10-7 ao intervalo. Na segunda parte, um autêntico espetáculo de fogo de artificio, com ambas as equipas a cometerem turnovers e com o jogo a tornar-se altamente imprevisível e interessante. No entanto, no terceiro período o jogo parecia ter ficado resolvido, com a experiência de Russell Wilson e Pete Carroll, aparentemente, a ser um fator determinante nesta fase, uma vez que ambas as equipas cometeram erros, mas os Seahawks mais adultos e capazes de seguir em frente desses erros, ao mesmo tempo que a juventude e energia de Shanahan e Jimmy G parecia estar a deixar-se afetar por esses mesmo erros. Mas, no quarto período, tudo mudou outra vez, quando a equipa de Seattle, que vencia e controlava a partida, comete mais um turnover que resultou em 7 pontos para os 49ers e abriu (novamente!) um jogo que aparentava estar acabado. Do outro lado, novamente a experiência deu frutos, com Russell Wilson, tranquilo como sempre, liderou a equipa até um field goal que os deixou a vencer por 3 pontos, muito perto do fim. Mas não terminaria assim. Para os 49 ers, foi a vez de Garoppolo, num momento crucial e de alta pressão, mostrar que está realmente a altura, ao fazer o mesmo que Wilson, ou seja, levar a equipa à conversão de um field goal que foi convertido com apenas 1 segundo para se jogar. Depois, e com uma pequena nota de satisfação pessoal, o jogo seguiu para prolongamento, que não ficou nada atrás do tempo regulamentar. Wilson pegou na bola e mais uma vez o jogo parecia resolvido, com outra fantástica drive do QB dos Seahawks a fazer parecer que o destino da partida estava sentenciado. Mas não, second down na linha de 9 jardas dos 49ers e Russell Wilson lança para mais uma recuperação de bola por parte da defesa de San Francisco, que se mostrou, mais uma vez, espetacular. Com isto, a equipa da casa apenas precisava de mais um field goal para manter o registo perfeito de vitórias intacto, e Jimmy G voltou a aparecer, ao deixar a bola a 37 jardas da linha final, ótima posição para acabar com o jogo. Mas não, outra vez. O rookie Chase McLaughlin, que convertera o field goal para o empate no último segundo do tempo regulamentar, falhou incrivelmente e deixou tudo nas mãos de Russell Wilson outra vez. Finalmente, os Seahawks foram capazes de fechar o jogo, com um field goal a 42 jardas de distância convertido pelo kicker Jason Myers, que recuperou assim das dificuldades que tinha vindo a ter na primeira metade da época. Vitória para Seattle e, no fundo, para todos os fãs deste desporto. Duas equipas talentosas, bem treinadas, com legitimas aspirações a chegar ao Super Bowl e que proporcionaram um fantástico jogo.

Em boa forma continuam os Baltimore Ravens, que após a surpreendente vitória diante dos Patriots, cilindraram na visita aos Cincinnati Bengals por 13-49, com mais uma exibição virtuosa de Lamar Jackson, que continua a ser o mais rápido em campo e a desenvolver o lançamento. Atenção a Baltimore. Já Aaron Rodgers e os Packers recuperaram da péssima exibição da semana passada e venceram em casa os Carolina Panthers, 24-16, numa partida que se jogou em grande parte debaixo de um nevão. Mas nem isso arrefeceu a equipa da casa, que somou mais uma importante vitória no caminho para os playoffs e, pelo menos por uma semana, fez esquecer algumas das fragilidades que se têm vindo a revelar. Os Browns ganharam, não que importe muito. Não se deixem enganar, os Browns continuam uma confusão à beira do desastre. Aliás, o jogo acabou por revelar muito mais sobre os Buffalo Bills do que sobre Cleveland. Os Bills são uma boa equipa, bem treinada, mas limitada em vários pontos, e, portanto, não parecem equipa de playoff apesar do bom registo de 6-3. No final, 19-16 para Cleveland, primeira vitória caseira da época e algum (pouco) espaço para Freddie Kitchens e Baker Mayfield respirarem. Para concluir, nota para a derrota surpreendente dos New Orleans Saints, em casa, frente aos Atlanta Falcons, com o resultado final de 9-26. Segunda vitória dos Falcons e segunda derrota dos Saints. Um dia normal na NFL é um dia com resultados anormais, e isso só a torna melhor.

Resultados da semana 10:
Oakland Raiders 26-24 LA Chargers
Chicago Bears 20-13 Detroit Lions
Cincinnati Bengals 13-49 Baltimore Ravens
Cleveland Browns 19-16 Buffalo Bills
New Orleans Saints 9-26 Atlanta Falcons
New York Jets 34-27 New York Giants
Tampa Bay Buccaneers 30-27 Arizona Cardinals
Tennesse Titans 35-32 Kansas City Chiefs
Indianapolis Colts 12-16 Miami Dolphins
Green Bay Packers 24-16 Carolina Panthers
Pittsburgh Steelers 17-12 LA Rams
Dallas Cowboys 24-28 Minnesota Vikings
San Francisco 49ers 24-27 Seattle Seahawks

Pedro Afonso Farinha

8 Comentários

  • Big Ben
    Posted Novembro 13, 2019 at 3:32 am

    Seahawks, onde a defesa tem estado a muito bom nível e o dangerous Wilson, agora livre de lesões e com um jogo muito mais objectivo e com a sua mobilidade sempre presente, continua com o beast mode ligado e lá levou a sua equipa à vitória num jogo que podia ter caído para qualquer um dos lados, mas onde ficou patente que gimmy g mostrou estar a um nível abaixo da elite de qbs.

    Ps. Para quem gostava de ver um jogo ao vivo e não conseguiu ir até londres, os jogos da liga portuguesa estão de volta este fim-de-semana com os Braga Warriors e os paredes lumberjacks a defrontarem os Cascais crusaders e Lisboa devils, respectivamente. Ambos os jogos serão no domingo às quinze horas, e a contar para o torneio Fundadores.

  • Big Ben
    Posted Novembro 13, 2019 at 3:19 am

    Vou cingir o meu comentário a dois jogos.
    Primeiro os meus steelers. Num ano em que o ataque tem estado em péssima forma, e dependente em quase exclusividade do que o conner produz, a grande surpresa vem da nossa defesa que nos últimos dois anos tem andado pelas ruas da amargura e surge este ano como a melhor da liga, escusam de falar da defesa dos patriots já que até agora só teve um teste a sério e falhou, onde bud dupree, cam Hayward, tj watt, o rookie devin bush e o recém chegado Fritzpatrick teem sido dos 3 melhores da liga nas respectivas posições.
    O outro jogo que destaco, é o jogo dos sra

    • Mexicano
      Posted Novembro 13, 2019 at 12:52 pm

      Desculpa, mas é de rir se achas que o Bud Dupree tem sido top 3 EDGE esta época, bem como o Cam Hayward tem sido top 3 IDL. Isto já para nem falar do Devin Bush.

      O que não falta é melhores EDGE a ter muito melhores épocas que o Bud Dupree.

      A defesa dos Steelers tem sido boa, pela soma das partes e por boas épocas tanto do TJ como do Minkah e ainda do Joe Haden. No entanto, a tua parcialidade está a cegar-te no que toca aos valores individuais de cada um.

      Quanto aos Seahawks, mais uma vez não é possível que andes a ver os jogos. A defesa não tem estado “a muito bom nível”. De todo. São das equipas que forçam menos punts (30 em 32), 2 pontos/drive (20) e 17 em Drive Sucess Rate. E isto depois de jogar contra equipas que, ofensivamente, são uma miséria (Bengals, Steelers, Browns, Falcons sem o Ryan, até os próprios 49ers sem o Gould, o Kittle, Breida e Sanders). É que se vais penalizar os Patriots pelo schedule, há que ser coerente.

      • PedroLareira
        Posted Novembro 13, 2019 at 6:23 pm

        Concordo. A defesa de Seattle é um ponto fraco. Têm ganho quase todos os jogos por 3-4 pontos. O Wilson é que é super clutch. O running game também não me convence muito. Chris Carson é “curto”

        • Mexicano
          Posted Novembro 14, 2019 at 10:27 am

          Por acaso discordo. Acho que o running game tem sido o verdadeiro segredo para o sucesso.

          Confesso que também não sou o maior fan do Carso, mas mais porque não é um complete back, mas rushing ele tem apenas 4 jogos com menos de 89 yards. Contra o que é a melhor run defense da liga nos Bucs, teve 105 jardas. Ele tem é muitas fumbles, devido ao seu estilo de levar tudo à frente. Também lhe faltam os números de TD’s, porque SEA quer sempre dar os TD’s ao Wilson (se resulta, fazem bem).

          Quanto ao Wilson ser clutch, isso para mim é mais uma narrativa que fizeram para ele nos primeiros anos, porque ele não era um grande passer. Ele é bom e mantém isso durante o jogo. Se há alguém que é clutch, são os receivers dele. Sempre que há uma drive no 4th para ganhar, juro que estou sempre a ver receivers dele fazerem catch enquanto fazem a volta, o pino, uma mão, pirueta, mortal encarpado, etc e segurarem a bola!

  • Jacobo
    Posted Novembro 12, 2019 at 11:00 pm

    Tinha dito no post anterior que estas eram as duas melhores equipas da NFC, e nao desapontaram, jogaço do ano ate agora. Russel Wilson esta a um nivel assombroso. Os receivers dos 49ers falharam alguns lances escandalosos que viraram picks. Isto num dia normal nao acontece.
    Vai ser uma destas equipas que vai jogar com os Patriots no Superbowl.

    • PedroLareira
      Posted Novembro 13, 2019 at 10:23 am

      Tem demasiadas certezas. Não existem dias normais na NFL. Os 49ers precisam de todas as armas ofensivas ( Kittle e Sanders) para disfarçar as limitações de Garopollo que não é um QB de elite.
      Wilson é o oposto: sendo de elite transforma colegas medianos em “estrelas” momentâneas como Hollister.

      A NFC está recheada de grandes equipas: as 2 anteriores + packers+ Saints e os Vikings. Os Cowboys são demasiado irregulares . Enquanto Zeke Elliot estiver mediocre e os treinadores meio aturdidos não os coloco na contenda.

      Na AFC os Patriots têm mais 3 jogos com equipas a sério e sempre quero se o ataque consegue fazer algo de jeito. No 1º teste levaram 1 lição. Os Ravens seguem a todo o vapor. Os Chiefs parecem relaxar quando Mahomes joga. Quando ele esteve ausente o coletivo superou-se, especialmente a nível defensivo.

  • Kafka
    Posted Novembro 12, 2019 at 8:22 pm

    Exclente resumo

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