No rescaldo de mais uma exibição da seleção portuguesa na era JJ e onde ainda há muito trabalho a fazer e rotinas para assimilar, saltou à vista mais uma atitude deplorável do capitão. Sim, disse bem, do capitão. Um capitão deve ser, entre muitas outras coisas, um mediador, um gestor de conflitos. Irónico é quando é o próprio capitão a criar os conflitos dentro da equipa, retirando, coadjuvado pela comunicação social, a atenção à performance da restante equipa no terreno de jogo. Esta situação não é virgem, mas tem-se vindo a acentuar e acontece, frequentemente, quando há algo que destabiliza ou não é do agrado de Ronaldo. Quer sejam substituições, opções ou mesmo quando o “golinho da casa” não surge. Para bom entendedor, meia palavra basta, e neste caso, meio olho basta – Ronaldo usa a seleção com interesse próprio acima do interesse da equipa. Com a idade e a maturidade que deveria daí advir, esperava-se um comportamento diferente e uma melhor capacidade de interpretação daquilo que o beneficia. Por exemplo, ao não ser utilizado neste jogo muito físico em Oslo, apresentar-se-á, fisicamente mais disponível num próximo encontro. Mas não. Ronaldo amuou e dirigiu-se, de imediato, para o balneário, qual jogador amador que sai da “peladinha” apressado porque tem o tacho ao lume ou os filhos para ir buscar à escola. Se fosse uma atitude de qualquer outro jogador que não o capitão de uma equipa, já seria uma atitude egoísta e mimada. Sendo do capitão, uma figura vista por milhões de crianças pelo mundo, torna-se ainda mais impactante e nociva. As perguntas que se colocam são: Vai Jorge Jesus sobrepôr-se a CR7 e saber optar de acordo com o rendimento/necessidade ou será mais uma marioneta da FPF, refém de uma figura mediática com o retorno financeiro inerente? E o que acrescenta Ronaldo ao grupo, visto não ter a performance de outros tempos e continuar com estas atitudes infantis?
Visão do Leitor: David Pedreirinho


3 Comentários
Goncalo Silva
Já cansa um pouco tanto post e artigo de opinião sobre o Ronaldo. Não aparecem artigos de opinião que falem efetivamente de futebol?
Adoraria que houvesse algum user com vontade de detalhar o modelo de jogo de Jorge Jesus, e que por isso explicasse que craques poderiam sair beneficiados ou prejudicados desta nova era JJ
Francisco Ramos
Ronaldo usa a selecção para interesse próprio, tudo certo! E não usa a seleção o Ronaldo por interesse próprio também? A não participação de Ronaldo nos amigáveis na América reduziu o cachet em 20%! As receitas passaram de 75M em 16/17 (até uso o ano do EURO 2016) para 161M em 26/27, em parte derivado à presença de Ronaldo!
Este faz o que faz porque a FPF assim o permite e é conivente!
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Sobre a parte futebolística nem vou comentar, é um jogador de 41 anos. Só me canso de ver notícias atrás de notícias sobre CR7 porque a CS também precisa dele para se alimentar, para criar engagement, como a FPF. São é virgens ofendidas que não o admitem!
filipe19
Caro David, escreves “Ronaldo usa a seleção com interesse próprio acima do interesse da equipa”.
Mas isso aplica-se a ambos os lados; também a federação coloca o Ronaldo acima dos interesses desportivos. Dele dependem contratos de patrocínio, contratos televisivos, receitas de bilheteira e vendas de camisolas. Não viram as imagens nos EUA? Os estádios estavam cheios de “adeptos de Portugal”, mas quantos deles tinham realmente vindo de Portugal? Quantos deles em verdade não eram “adeptos de evento” vindos dos EUA, do México, até vi pessoal vindo da Venezuela e por aí fora.
Em princípio, trata-se de uma relação de dar e receber, e quem pensa que o Ronaldo manda na seleção nacional está a ignorar que, para isso, também é preciso uma contraparte. Um estudo recente revelou que a marca do Ronaldo é responsável por cerca de metade do volume de negócios da FPF. Com isso, pagam-se os salários de pessoas que provavelmente também dependem disso. Os tais tachos pagam-se com quê? É um círculo vicioso.
Dito isto, não me refiro explicitamente ao seu papel como capitão. Já me pronunciei sobre isso noutro contexto. Mas aqui sugere-se que não seria possível expulsar o elefante da sala. No entanto, isso não é verdade; a FPF convidou o elefante, alimentou-o e agora está sentada à mesa com ele. E ninguém quer-se livrar dele para não perder o money, money, money.
A mesma discussão aplica-se com os combustíveis, os carros, a função da Brisa, da Galp…etc…Ok, estou fugir ao tema mas a dependência é a mesma e fecham-se os olhos para o potencial que existe além do Ronaldo, de carros a combustível etc..