Finda a temporada desportiva, é hora de olhar para trás e analisar aquilo que foi o desempenho das equipas, mas também dos jogadores. Num ano com vários destaques individuais, que dariam espaço para várias considerações, a nível dos jovens, nenhum se destacou mais que João Félix. Apesar de outros, inclusivamente companheiros de equipa (Gedson, Rúben Dias, Ferro e Florentino em particular, não esquecendo o portista Éder Militão, o atleta que mais se aproximou do camisa 79 encarnado) se terem apresentado a um nível altíssimo, e de forma regular, o avançado do Benfica agregou ao desempenho individual (expresso de forma bem vincada nos números com que fecha o ano) um tremendo grau de influência para o sucesso do clube, suficiente para questionar: teriam as “Águias” sido campeãs sem o seu contributo?
Este contributo, curiosamente, até começou por ser curto, uma vez que, nas primeiras jornadas, foi utilizado de modo residual. Na verdade, e apesar de ter sido decisivo logo na 3.ª jornada, quando, vindo do banco, empatou o duelo com o Sporting (1-1), só a 23 de Setembro mereceu a primeira titularidade, no triunfo caseiro sobre o Aves (2-0). O craque português até marcou um dos golos, mas saiu lesionado, e com Rui Vitória no comando técnico, que o vinha colocando a jogar na ala, só por uma ocasião mais começaria de início no campeonato (derrota caseira, 1-3, face ao Moreirense), sendo sobretudo usado em competições secundárias.
Com a chegada de Bruno Lage, tudo mudou. Não só Félix conquistaria a titularidade, desde o primeiro dia, como o fez na posição que melhor lhe permite exponenciar o seu talento: a segundo avançado. O seu grau de preponderância, de resto, ficou logo claro nessa partida inicial, quando apontou dois dos quatro golos que permitiram aos encarnados superar o Rio Ave. Daí em diante, com os seus companheiros cada vez mais acostumados às ideias de Lage, o Benfica passou pelos melhores meses da temporada – e o mesmo pode ser dito do jogador de 19 anos. Sem medo de procurar o remate, e não se amedrontando perante o poderio dos adversários, foi deixando a sua marca a cada jogo, acumulando golos (20 em todas as provas) e assistências (8) com fartura. Mais importante, várias dessas acções surgiram em momentos decisivos, contra rivais de respeito: o golo que permitiu eliminar o Vitória de Guimarães da Taça, os tentos em Alvalade e no Dragão, o hattrick ao Eintracht Frankfurt e, ainda bem recentemente, o 2-0 que deu tranquilidade no jogo do campeonato frente ao Santa Clara.
Consoante mencionado, Éder Militão, cuja brilhante temporada lhe valeu a transferência milionária para o Real Madrid, teria sido outra opção credível, mas por um lado não foi tão preponderante para a campanha do FC Porto como Félix foi para a do Benfica (e o trajecto do segundo, em grande medida, resultou na conquista da Liga), e por outro perdeu muito protagonismo desde que passou para a direita devido à contratação de Pepe.


12 Comentários
Antonio Clismo
O João Félix pode sair (por muitos milhões) que o Benfica nem se vai ressentir da sua ausência uma vez que já tem o Tiago Dantas na pole position para o substituir. Pelo menos já está a ser treinado para isso
Empaler
Dantas ainda tem de comer muita sopa para ser opção.
Nem na B tem jogado quanto mais jogar na A.
Pode ter bons pés e visão mas ainda lhe falta muita coisa, nomeadamente dar o salto fisico.
Mantorras
O Tiago não joga mais recuado? Ele tem golo como o Félix tem? É que sempre que o vi jogar, pareceu-me outro tipo de jogador, muito mais um médio do que um segundo avançado… o Félix é avançado ou extremo e até pode jogar a 9. Posso estar enganado, claro.
Anderson
Era nice o VM ter feito uma lista com os jovens candidatos, porque o prémio seria sempre para o Félix… Era como terem feito uma outra bola de ouro, a uns anos, para os jogadores sem ser os dois Ets :D
JohnnyBlue
Merecido, infelizmente
Estigarribia
Penso que ninguém fica surpreendido. Era óbvio.
Saudações Leoninas
PauloDybala1O
Felix !
Khal Drogo
Escolha óbvia e acertada.
Bfas
Sem muita matemática, Felix tem sido umas das unidades mais importantes desde Benfica de Bruno Lage,admira me a capacidade brutal de decisão no último terço que ele tem com apenas 19 anos.
Espero que fique na luz por mais uma ou duas temporadas e que depois vá ao encontro de Guardiola
Saudações Desportivas
Tiago Silva
Não há dúvidas! A importância que ele tem na manobra ofensiva do Benfica é preponderante, é o cérebro da equipa, a equipa foi construída à sua volta e foi desde que ele entrou no XI que o Benfica mostrou o seu melhor futebol.
Kacal
Militão podia estar aqui porque continuando a central continuadamente poderia ter mantido o nível que o fez ser transferido para o Real e quem sabe não seríamos campeões e nessas circunstâncias seria o brasileiro a vencer este prémio. No entanto, os “ses” não passam de suposições e nunca saberemos portanto o que sabemos é que ele desceu o nível a lateral direita porque nessa posição é mediano e apenas em último recurso deve jogar lá, o que contribuiu para o campeonato ser perdido ao tira-lo do meio, eu acredito nisso. E além disso nunca mais exibiu o mesmo nível, só a espaços.
Depois Rúben Dias fez uma boa época e foi o esteio defensivo de um Benfica forte e que recuperou 7 pontos de vantagem, mas o João Félix leva este prémio fácil. A preponderância que teve no jogo ofensivo da equipa campeão foi enorme, tanto a jogar como a assistir e marcar, os seus números aos 19 anos vindo da equipa B em apenas meia época são assombrosos, um autêntico prodígio que dá gosto ver jogar, pena ser da equipa rival eheh, mas pelo menos é português! Mas vence.
Bio
Concordo em absoluto!
Félix pela importância que teve no sucesso do Benfica tem de ser o jovem do ano.
Militão é fantástico e ainda é muito jovem também. Contudo, como referido no post, perdeu qualidade no sistema com a entrada de Pepe e não teve a preponderância de Félix para o sucesso da sua equipa (também pelas posições que ocupam no terreno).
Ambos têm tudo para ter uma carreira brilhante e espero que tal aconteça!