O Egipto regressa a um Mundial 28 anos depois de ter marcado presença no Itália 90, e volta carregado de sonhos e expectativas, potenciadas por ter no seu elenco uma super estrela mundial e um dos maiores destaques individuais de 2017/2018. Mohamed Salah, o rei do Egipto, como cantam os adeptos do Liverpool, é o craque que indica o caminho e que enche de fé um povo louco por futebol. Para chegar à Russia, os Faraós começaram por eliminar o Chade na fase de qualificação, passando à fase de grupos, onde defrontaram o Gana, o Uganda e o Congo. Com uma primeira fase em que venceu as duas equipas em teoria mais perigosas, o Gana e o Congo, uma derrota no Uganda (uma das surpresas da qualificação africana) ainda abalou as estruturas, mas a desforra no Cairo correu de feição, e a faltarem dois jogos para o término da qualificação, os egípcios selaram a qualificação em casa, com um 2-1 frente ao Congo, depois de Salah concretizar um penalty ao minuto 94, garantindo o bilhete para a Rússia e o título de melhor marcador da fase africana de qualificação. O Egipto, que já vinha com o balanço de uma Taça das Nações Africanas bem conseguida, onde chegou à final sendo derrotado pelos Camarões de Vincent Aboubakar, continua o seu percurso mantendo-se fiel aos princípios de jogo do seu treinador. O argentino Héctor Cúper trouxe para o país dos faraós uma consistência defensiva dificilmente vista nos países africanos, sendo uma equipa muito difícil de desmontar e de sofrer golos e assente num 4-2-3-1, com laterais pouco envolvidos no processo ofensivo, um duplo pivot no meio-campo, e muita apetência para jogar em transição, com 3 setas na frente, sem uma referência clara. Depois de 28 anos de ausência e com uma velha raposa no banco, o sonho dos egípcios irá recair naquilo que Mo Salah conseguir fazer e no quão bem estacionado for o autocarro de Cúper, num grupo A que tem a oposição do Uruguai, Arábia Saudita e Rússia, o que deixa tudo em aberto. Curiosidade: O guarda redes Essam El Hadary, titular da baliza do Egipto, tornar-se-á o jogador mais velho a jogar um jogo do Mundial.
Estrela: Mohamed Salah (avançado, 25 anos, Liverpool) – Velocidade, magia, técnica, golo. Mo Salah fez uma época absolutamente demolidora na Premier League e no seu Liverpool onde formou com Mané e Firmino uma das mais diabólicas frentes de ataque do futebol europeu esta época. Na terra dos Beatles, Salah mostrou aquilo que já havia dado a demonstrar em Basileia, e mais tarde a comprovar na Roma. Melhor jogador e melhor marcador da Premier League com uns incríveis 32 golos, melhor marcador da fase de qualificação africana, e vários postais enviados para a FIFA dando conta da sua candidatura ao prémio de Bola de Ouro.
Jogadores em destaque: Mohamed Elneny (médio, 25 anos, Arsenal): O companheiro de viagem de Salah – jogaram juntos no El Mokawloon e Basileia, é a 2.ª principal referência dos Faraós. Médio que joga simples, de grande capacidade de entrega e capaz de cobrir muito terreno. Curiosamente à semelhança do craque do Liverpool também acabou a época lesionado. Ahmed Hegazi (defesa central, 27 anos, WBA): O líder da defesa egípcia. Hegazi é um defesa central alto, dominante no jogo aéreo e uma presença física impressionante na área e referência nas bolas paradas ofensivas. A época não correu de feição ao WBA, mas mesmo assim o gigante central ainda se conseguiu destacar. Abdallah Said (médio ofensivo, 32 anos, Al Ahli): Outro dos indispensáveis de Cúper. O homem que tem a missão de fazer a ligação entre o meio campo e o ataque. Um típico 10 do norte de África, convertido num 8,5 por Cúper. Aos 32 anos, Said saiu do maior clube do Egipto o Al Ahly para fazer o contrato da sua vida noutro Al Ahli este na Arábia Saudita.
XI Base: El Hadary; Ahmed Fathy, Ahmed Hegazi, Ali Gabr, Mohamed Abdel Shafy; Tarek Hamed, Mohamed El Neny, Abdallah Said; Mohamed Salah, Ramadan Sobhi, Trezeguet.
Jovem a seguir: Mahmoud Hassan “Trezeguet” (extremo, 23 anos, Kasimpasa) – Sendo o Egipto uma Selecção de tracção atrás, não deixa de ser curioso, que os jogadores que ocupam os terrenos mais ofensivos tenham características semelhantes. Marwan Mohsen é o mais parecido com um ponta de lança, e Amr Warda, Ramadan Sobhi e Trezeguet são 3 setas que se dividem na frente de ataque. O jovem contratado há duas épocas pelo Anderlecht ao Al Ahly, não se adaptou ao futebol belga, mas explodiu na Turquia, sendo um dos destaques da Liga turca com 13 golos e várias assistências. Jogando essencialmente pela esquerda, Trezeguet gosta de partir em velocidade e fazer diagonais para o interior.
Principal ausência: Ramy Rabia (defesa central, 25 anos, Al Ahly): O defesa central que passou sem sucesso pelo Sporting, foi um dos responsáveis pela criação de uma das defesas mais sólidas em África. Cúper tinha-o como imprescindível ao lado de Hegazi e juntos fizeram toda a qualificação, formando uma dupla muito complementar. Hegazi mais físico e Rabia mais rápido e técnico. Titular indiscutível, falhará a Rússia por lesão.
Convocatória: Guarda-redes: Sherif Ekramy (Al Ahly), Essam El Hadary (Al Taawoun), Mohamed El Shennawy (Al Ahly); Defesas: Mohamed Abdel-Shafi (Al Fateh), Ayman Ashraf (Al Ahly), Ahmed Elmohamady (Aston Villa), Ahmed Fathi (Al Ahly), Omar Gaber (Los Angeles FC), Ali Gabr (Zamalek), Mahmoud Hamdy (Zamalek), Ahmed Hegazi (WBA), Saad Samir (Al Ahly): Médios: Mohamed Elneny (Arsenal), Abdallah El Said (Al Ahli Jeddah), Tarek Hamed (Zamalek), Sam Morsy (Wigan Athletic), Shikabala (Al Raed); Avançados: Marwan Mohsen (Al Ahly), Mohamed Salah (Liverpool), Mahmoud Kahraba (Al Ittihad Jeddah), Ramadan Sobhi (Stoke City), Mahmoud Hassan “Trezeguet”(Kasimpasa), Amr Warda (Atromitos)
Seleccionador: Hector Cúper
Prógnóstico VM: Fase de grupos
Flávio Trindade
As selecções já abordadas no nosso guia:
Grupo A: Uruguai, Rússia, Egipto
Grupo B: Marrocos
Grupo C: França, Dinamarca
Grupo D: Islândia, Argentina
Grupo E: Costa Rica, Brasil, Sérvia
Grupo F: Suécia, Coreia do Sul, México
Grupo G: Inglaterra, Panamá, Bélgica
Grupo H: Senegal, Japão


4 Comentários
João Ribeiro
A não convocação do Hassan também pode ser considerada algo polémica, sendo que para o seu lugar foi o ex-Gil Vicente Marwan Mohsen. O Mohsen no Gil não mostrou grandes qualidades e até fiquei a pensar se teria tido uma grande evolução desde que retornou ao Egito, mas os seus números continuam a não deixar grande água na boca. É certo que os números não dizem tudo e que a época de Hassan foi fraca, mas continuo a achar muito estranha esta opção. Talvez alguém mais informado sobre a realidade do futebol egípcio saiba dar alguma justificação.
João Lains
Este Trezeguet joga muito. Já o conhecia, mas só esta época vi alguns jogos completos dele.
Luis 1 2 3
Devem passar em 2° o salão foi o 2° melhor jogador desta época mas o resto da seleção é fraca.
Luis 1 2 3
Salah