Martín Anselmi esteve particularmente inspirado na conferência de imprensa de antevisão ao jogo com o Arouca, deixando explicações táticas detalhadas e profundas e ainda ajudou os jornalistas nas perguntas a fazer. “Fez várias perguntas… Quer que comece por qual? A ideia de jogo? A pergunta vem em que sentido? O meu trabalho como treinador consiste, principalmente, em tomar decisões. E, para tomar decisões, tenho de ter fundamentos. E esses fundamentos têm de partir de entender um porquê. E o porquê vem da análise que fazemos, da análise profunda de um jogo, de três jogos. Também me perguntou sobre o futebol português. Essa análise que fazemos é o contexto, o rival que defrontámos, o que funcionou, o que não funcionou, o futebol português como um todo. E, a partir daí, vamos encontrando fundamentos que nos façam entender se há algo a mudar ou não. Mas tendo em conta a pergunta, parece que isso só se faz através do resultado. Posso fazer 50 remates à baliza rival e não marcar. Há coisas que não têm nada a ver com a forma como defendemos. A jogada mais perigosa que o adversário teve no jogo passado, foi uma bola que era nossa. Perdemo-la, golo do adversário. Se me perguntarem a nível de intensidade, pressão, recuperação após a perda. Dá para ver se o FC Porto está a defender bem ou mal. Temos recuperado a bola rapidamente. Mas claro que o rival também joga. Mas é isso que quero ver. Uma equipa que pressione, que recupere a bola o mais rápido possível. Isso é o que quero. Como quero fazer isso? Pode variar. Se defendemos com cinco? Se quiserem, metemos aqui a imagem e vemos com quantos jogadores defendemos. Às vezes com cinco, outras vezes com três, com dois. ‘Saltamos’ ao rival de acordo com o que faz. Se me disserem que temos de mudar o sistema? Não. Pressionamos como queremos, roubamos a bola como queremos roubar. Não podemos controlar tudo no jogo, claro. Mas há que analisar os porquês. Gosto de analisar coisas que nos enriqueçam, entender esses porquês. Ofensivamente, podemos não ter a quantidade de remates que o FC Porto queria. E nesse caso, tenho de analisar o que está a falhar. Estamos a errar o último passe antes do remate? Mas e se o jogador tomar a decisão correta na mesma? Perceber se estamos a insistir por um lado e temos de tentar pelo outro. Como fizemos o golo contra a Roma? A pressionar. Contra o Vitória? Igual. Houve um lance em que faltou um passe e ficava 2-0. E claro que, quando analisamos o resultado, não vemos tudo isto. Vemos o empate. O meu trabalho é melhorar. A minha obrigação como treinador é fazer com que o FC Porto melhore, independentemente do resultado. O resultado é o fim. Mas como vamos ganhar? Temos de trabalhar nisso. Eu trabalho no como. E nesse como, há toda uma análise. E quando encontro algo que não está a funcionar, mudo. E no que está a funcionar, temos de melhorar. Não mudar tudo, pequenas coisas”, começou por dizer o técnico portista, prosseguindo em seguida com o seu monólogo: «Já respondi a tudo, já posso ir embora. Vamos falar de quê? De jogadores individuais já disse que não falo, de estatística não gosto, de futebol já falámos, do rival também. Futurologia? Também não, o que interessa é o jogo de amanhã.»


14 Comentários
Veridis Quo
Gosto genuinamente de o ouvir falar. Parece-me coerente, realista e há ali conteúdo a sério, longe dos lugares comuns, sobre o que quer e sobre como tenta chegar lá.
Não é, naturalmente, sinónimo de se traduzir automaticamente em ser bem sucedido, mas não há perdas de tempo em ouvir falar o Anselmi. Como não havia com Amorim, que será dos poucos treinadores que passaram pelo Sporting em que sentia que era verdadeiramente interessante ver o que tinha sempre para dizer, concordando ou discordando com o que de lá viesse. Rui Vitória, Rui Borges, Vitor Bruno, para dar alguns exemplos, no polo oposto.
Gil-Galad
Não tenho dúvidas que é o homem certo para o Porto e que percebe muito de futebol. A reestruturação do Porto é com ele e estaremos sempre mais perto do sucesso no futuro. O presente é lidar com o que há dentro e fora do campo. O clube precisa de calma. O portista já viveu muuuuuuito sucesso. Está na hora de virar a página, deixar outros ganharem um bocado e voltar dentro de poucos anos a ter melhores bases para ganhar. Neste momento não temos e estamos longe dos outros dois mas acredito que é possível voltar a ter a hegemonia com a competência que esta nova direcção trouxe. Vamos ver
Veridis Quo
Qualquer grande, com um minimo de competência na escolha de treinador e de alguns jogadores, tem sempre a porta aberta aos títulos. Reestruturações a longo prazo, como se fosse uma reconstrução à NBA, não tem sentido em Portugal. Amorim foi prova disso duas vezes (Hjulmand, Gyokeres depois do 4 lugar), Benfica passou de Quique para JJ e mais 2/3 jogadores e idem, Veríssimo para Schmidt (Enzo, Neres, Aursnes) e por aí fora.
2/3 contratações que elevem o nível e o treinador certo e uma equipa de grande fraca em Portugal pode dar um salto qualitativo gigante. Até porque o normal, é os concorrentes que estejam acima perder os melhores jogadores considerando que isto é um país vendedor.
Gil-Galad
Os problemas do Porto vão desde a formação ao scouting e principalmente na componente financeira. Não se trata de um par de reforços. Não interessa ganhar um ano e ficar mais 3 sem ganhar. Trata-se de ter as bases certas para ganhar com consistência
Non-Flying Dutchman
Até agora tenho adorado este homem! Show nas conferências e empates em campo. Que continue assim.
pimbajaesta
engraçado que o Lage faz o mesmo (analise detalhada do futebol e antecipa as perguntas dos jornalistas) mas aí é gozado e criticado. mas pronto Anselmi tá no seu periodo de lua de mel com a imprensa e tem piada porque é jovem, cheio de estilo e tem um sotaque cool. é o Timothy Chalomet do futebol português.
_Mushy_
Em tudo semelhante…
Tão semelhante como um show do batatinha com um show de André Rieu.
pimbajaesta
cool story bro ;)
Miguel Lopes
Olha que o Show do Batatinha é demais “Comando na mão, e carrega no botão!”.
O André mexe na batuta, mas não é o Batatinha.
Antonio Clismo II
Não deve ser fácil ser treinador de um clube onde o presidente é melhor treinador do que ele… e também o diretor desportivo (Jorge Costa) é capaz de ser melhor treinador do que ele também…
NCM
Nem sei se vale a pena responder a essa idiotice, mas vamos lá. É possível que seja inferior ao presidente porque o presidente foi um bom treinador e faz um grande trabalho quando ssrve no Porto, embora a mão de obra (jogadores) fossem de um nível muito superior. Algum jogador do Porto actual seria titular no Porto de VB? Talvez o Diogo Costa.
O JC é um treinador fraco e nunca fez nada de minimamente relevante na sia carreira, ao contrário de Anselmi.
Não deixa contudo de ser engraçado os elogios ao VB treinador. Noutras circunstâncias era criticado, mas todos percebemos o elogio.
O Anselmi fala de futebol o que a maioria dos treinadores em Portugal não faz, porquw não sabem ou não querem. Para mim na maior parte dos casos é pelo 1° motivo.
Gndias
É um bom analista de Fm…treinador vamos ver
A matéria prima tb é fraca
Antonio Clismo II
O facto de não ter havido FM25 fez com que os treinadores não tenham com que treinar nos tempos livres e o nível este ano caiu a pique… não é por acaso que estamos a bater todos os recordes em despedimentos na Primeira Liga este ano
Petrol
Espero que seja uma piada.