Arranca amanhã o Europeu sub-21, na Eslováquia. A única competição europeia que Portugal ainda não conquistou, apesar de ter ficado próximo por duas vezes. A primeira foi em 2015, quando perdeu a final para a Suécia depois de grandes penalidades. A geração de João Cancelo, Bernardo Silva, William Carvalho (MVP do torneio), João Mário, José Sá ou Raphael Guerreiro jogava um bom futebol e tinha acabado de golear a Alemanha de Kimmich, Can ou Ter Stegen, mas acabou por vacilar no final da competição, deixando um amargo de boca a todos. A outra tentativa falhada ocorreu em 2021, com a geração de 99 (campeões europeus sub-17 e sub-19), onde despontavam nomes como Rafael Leão, Jota, Francisco Trincão, Diogo Costa, Diogo Dalot, Florentino Luís, Daniel Bragança ou Gedson Fernandes, a somar aos “reforços” Vitinha, Fábio Vieira (MVP do torneio), Francisco Conceição, Gonçalo Ramos, Tiago Tomás, entre outros. Após bater a Suíça, a Croácia, a Inglaterra, a Itália e a Espanha, os portugueses acabaram por sucumbir a uma Alemanha liderada por Florian Wirtz. De recordar que no último Europeu, há dois anos, Portugal acabou eliminado nos quartos de final por uma Inglaterra superior e recheada de talento.
Este ano, no entanto, a seleção sub-21 chega a esta edição com ambições controladas. Desde logo, pelas várias ausências de jogadores do Benfica e do Porto, que participarão no Mundial de Clubes. Tomás Araújo, Martim Fernandes, Vasco Sousa (também a recuperar de lesão), Rodrigo Mora ou Dario Essugo são alguns desses casos, havendo outras baixas a considerar por motivos diferentes. Eduardo Quaresma preferiu ter férias, Diego Moreira optou pela seleção belga e Fábio Silva foi dado como fisicamente inapto pela FPF. Por outro lado, registou-se um “reforço” de peso com a naturalização de Roger Fernandes.
Este Europeu fica, como tal, marcado pelas várias ausências de jogadores devido a competições que se realizam quase em simultâneo como o Mundial de Clubes ou mesmo a final four da Liga das Nações.
O grupo de Portugal é composto pela França, Polónia e Geórgia (os georgianos venceram o grupo das quinas, na última edição).
Destacando individualmente, e começando pelos anfitriões eslovacos inseridos no grupo A, Leo Sauer (o seu irmão gémeo Mario também tem valor) será a maior promessa do país desde Hamsik. Finalizou a sua formação no Feyenoord e o empréstimo ao NAC Breda correu-lhe bem. Com apenas 19 anos, é um extremo tecnicamente e fisicamente evoluído a partir da esquerda. Tomas Suslov junta-se aos jogadores eslovacos para acompanhar. Continuando no Grupo A, a Espanha já nos ofereceu seleções mais talentosas (muitos já estão na seleção A), mas há qualidade nos laterais Andrés García e Gerard Martín, no criativo Pablo Torre, na dupla do Valencia Javi Guerra e Diego López e no irreverente Jesús Rodríguez. Destaque para a presença de Roberto Fernández (boa segunda metade de temporada na La Liga), que ainda pertence ao Braga. Na Itália, os destaques vão para o nível que podem apresentar jogadores como Matteo Ruggeri, Tommaso Baldanzi, Giovanni Fabbian (excelente época no Bolonha), Cesare Casadei ou Willy Gnonto. Nota ainda para a presença de Cher Ndour. A Roménia venceu Portugal num jogo de preparação e entra com alguma esperança no talento do lateral esquerdo Andrei Borza, do criativo Rares Ilie e dos extremos Octavian Popescu (promessa adiada) e Ianis Stoica.
No Grupo B, dois representantes do campeonato português vão tentar ajudar a Chéquia a competir contra Inglaterra, Alemanha e Eslovénia. Lukas Hornicek já dispensa apresentações, podendo ter aqui uma montra para clubes europeus, e Václav Sejk é o avançado do Famalicão. Adam Karabec (médio elegante canhoto) também merece atenção especial. A Inglaterra apresenta quase uma equipa B, embora com praticamente o mesmo recheio de talento. Destaques naturais para Harvey Elliott, Tino Livramento, Jarell Quansah, Alex Scott, Elliot Anderson, James McAtee, Omari Hutchinson e Ethan Nwaneri, entre outros. Entrarão em campo como campeões europeus do escalão e portanto serão um dos principais favoritos. A Alemanha é uma nação que vai perdendo talento em quantidade ano após ano e a equipa que irão apresentar neste Europeu vem reforçar essa ideia. Há bons jogadores, mas faltam diferenciados. Brajan Gruda (canhoto pela direita), Paul Wanner (pé esquerdo subtil), Ansgar Kanuff serão as principais atrações numa seleção que terá ainda o gigante ponta de lança que enfrentou Portugal na Liga das Nações, Nick Woltemade. O central do Braga Bright Arrey-Mbi também marcará presença. Já a Eslovénia, apresenta-se como uma das equipas mais pobres individualmente, onde salta à vista o ex-Benfica Zan Jevsenak.
Entrando no Grupo C, o de Portugal, a França tem reais aspirações de chegar, ver e vencer, dada a massiva acumulação de talento, nos últimos anos. Tal como os ingleses, poderiam ter na lista outros jogadores ainda com mais rodagem. Porém, as seleções principais e o Mundial de Clubes já são a realidade de muitos. Guillaume Restes é um dos mais promissores guarda-redes do mundo e nomes como Castello Lukeba, Lucien Agoumé, Wilson Odobert, Loum Tchaouna ou Mathys Tel têm capacidade para manter a França na luta por um lugar na decisão. Na Geórgia, que derrotou Portugal há 2 anos, nota para o lateral esquerdo Irakli Azarovi, para o ex-Porto Giorgi Abuashvili e para o “famalicense” Otar Mamageishvili. Famalicão que poderia formar um meio campo só com este Euro, juntando os portugueses Gustavo Sá e Mathias de Amorim. A Polónia, que costuma lançar um ou outro nome nas seleções jovens, chega a esta competição com uma seleção algo curta em talento, destacando-se o já cotado Kacper Kozlowski (jogou o Europeu 2020).
Por fim, no Grupo D, a Dinamarca traz sempre seleções fortes para este tipo de torneios e tem em Conrad Harder a principal atração, numa perspetiva portuguesa. O lateral direito Elias Jelert (já associado ao Benfica), os médios Oscar Fraulo, Oscar Hojlund, Oliver Sorensen e Tochi Chukwuani e o desequilibrador William Boving são alguns dos nomes que podem brilhar. Os Países Baixos, e como é tradição, apresentam-se igualmente bem apetrechados individualmente. Bjorn Meijer, Devyne Rensch, Ryan Flamingo, Jorrel Hato e Ian Maatsen para controlar o primeiro terço. Kenneth Taylor e Antoni Milambo (desfez o Benfica na Champions) para organizar o miolo. Noah Ohio, Ernest Poku ou Myron Van Brederode para desorganizar as defesas adversárias. Nos uranianos, o principal destaque poderá passar pelo titular da Premier League e do Brentford, o médio Yehor Yarmoliuk, sendo que nos finlandeses aparecem como principais nomes o guarda-redes do Chelsea Lucas Bergstrom, o lateral esquerdo formado no City Tomas Galvez e a grande promessa Juhio Talvitie (canhoto especial). Destaque ainda para outro jogador do Famalicão, o baixinho Otso Liimatta.
Inglaterra, França e Espanha são, provavelmente, as principais favoritas, aparecendo noutro patamar seleções como Portugal, Alemanha, Itália, Países Baixos e Dinamarca.
Detalhando a equipa portuguesa, Samuel Soares tem armas para vir a ser figura da competição. Está cada vez mais completo e abdicou do Mundial de Clubes para mostrar a sua qualidade neste Europeu. Não há Eduardo Quaresma, Tomás Araújo ou Renato Veiga, mas não se deve ignorar a grande temporada de Chico Lamba, em Arouca. João Muniz deverá ser o titular pela esquerda. Lourenço Henriques e Christian Marques partirão atrás. Rodrigo Pinheiro cresceu bastante em Famalicão, mas Rodrigo Gomes poderá aparecer como lateral titular, sendo que à esquerda haverá luta saudável entre Flávio Nazinho e Rafael Rodrigues. Curiosidade para perceber se Rui Jorge fará de Diogo Nascimento (melhor médio da II Liga) o “seu” Vitinha, embora Mateus Fernandes, Paulo Bernardo (vem de lesão) e Gustavo Sá sejam perspetivados como donos do meio-campo. O canhoto Pedro Santos não brilhou no Moreirense, mas poderá aparecer como joker, havendo ainda o talentoso luso-francês Mathias de Amorim e o híbrido João Marques. Na frente de ataque, e havendo dúvidas acerca do sistema que Rui Jorge vai adotar, surgem Geovany Quenda e Roger Fernandes como principais figuras, até do torneio. Contudo, ambos se destacam mais pela direita. Tiago Tomás (que pode ser opção como extremo esquerdo) e Henrique Araújo terão a missão de aproxima a seleção dos golos. Carlos Forbs (época para esquecer nos Wolves) será arma para agitar do banco.
Sublinhar ainda o facto do Famalicão colocar 6 jogadores neste Europeu.
Potencial MVP do torneio: Geovany Quenda, Samuel Soares, Harvey Elliott, James McAtee, Ethan Nwaneri, Mathys Tel, Cesare Casadei, Matteo Ruggeri, Antoni Milambo, Brajan Gruda
Hugo Moura


16 Comentários
Max K.
Curioso que este já é o segundo lugar onde vejo mencionado o facto de que o Famalicão coloca 6 jogadores seus neste Euro, e das duas vezes não há menção de que o Braga tem o mesmo número de atletas na competição igualmente – João Carvalho, João Marques, Roger, Roberto Fernández, Hornicek e Bright Arrey-Mbi. Poderiam até ter sido 7, se não fosse o estranho preterimento do Chissumba.
Kacal
Muitos Parabéns pelo post, Hugo Moura! E acima de tudo muito Obrigado porque vai ser uma ajuda preciosa para quem for ver o Europeu Sub-21 e não conhecer a maioria dos jogadores, é o meu caso. Posso conhecer de nome e de ouvir falar ou por jogarem no Famalicão, por exemplo. Mas vê-los jogar e conhecer melhor só aqueles nomes da melhores Ligas ou da nossa que mais vi jogar como Elliots e afins por isso é uma ótima ajuda este post.
Antonio Clismo II
Diego Moreira acabou por não jogar pela Bélgica portanto ainda continua selecionável por Portugal, mas para isso o Martínez teria que o convencer e convocar já em Setembro, mas já sabe que a sua carreira será ser sempre suplente do Nuno Mendes…
CABONG
O Diego Moreira acabará na Seleção do pai.
Guiné Bissau
ManuelFAlbuquerque_
Craques para as pessoas ditas normais são jogadores que agarram na bola e fazem umas coisas engraçadas ou marcam muitos golos.
Jamais esquecerei o que li nesta última época, Mbappe que era sistematicamente louvado como o futuro grande vencedor crónico dos troféus individuais depois de Messi e Ronaldo afinal foi embora e o PSG agradeceu.
Anedótico.
Muito honestamente jamais serei a favor de as pessoas deixarem de expressarem a sua opinião de forma livre, mas também estou já numa fase em que a maioria das opiniões valem zero ou perto disso porque as narrativas são muito fortes e como dizia alguém o rebanho tá com o pelo bem bonito.
Hey, Até há vídeos sobre isso, metem numa sala 7 pessoas combinadas e uma outra sem saber da combinação. As 7 dão respostas erradas consecutivamente e a outra pessoa a certa altura começa a dizer o mesmo por pressão.
Que valente anedota.
_Mushy_
Hey, vai dar um vista de olhos aqui, ficaste por responder a uma questão, estou realmente curioso por saber, já que falas em expressar a opinião de forma livre, o que implica algumas vezes tu dizeres asneiras sem conhecimento de causa e teimar no erro com uma convicção cega..
https://blogvisaodemercado.pt/2025/06/07/liga-portugal-melhor-onze/
ManuelFAlbuquerque_
Bom dia.
Que teimar no erro?
Eu analisei o melhor 11 da temporada tendo em conta a bitola do melhor 11 funcional onde os jogadores de facto joguem em posições nas quais possam dar do melhor que têm.
É completamente irrelevante que a votação não ligue ao posicionamento.
Para mim Diomande num melhor 11 na lateral direita na defesa a 4 é anedótico.
Mas hey, alguma vez leste eu a dizer que as pessoas não podem ter opinião diferente?
Tanto podem que eu até me dei ao trabalho de justificar o porquê de Diomande estar ali mal.
Pior foi o que viúvas fizeram na questão Amorim onde não conseguiram justificar taticamente os desaires do United e usavam argumentos baseados na fé quando nos seus próprios clubes desancavam os seus treinadores por coisas muitas vezes menos criticáveis.
Obrigado pelo link de facto não tinha reparado no teu comentário porque não leio tudo.
_Mushy_
Continuas sem perceber o óbvio…
É a numero de votos que receberam para os melhores DEFESAS, se o não existisse o Carreras provavelmente estaria lá outro central porque ia ser o que mais votos tinha recebido..
Se não houvesse Trincão se calhar o ataque era Samu, Pavlidis e Gyo apenas porque tinham recebido mais votos e não porque jogam no lado esquerdo ou direito..
*
E sim tu não fazias a minima ideia como foi feita a votação e julgavas que era por cada posição mas arranjaram um espaço para o DIomande..
*
Ao menos tenta aprender alguma coisa em vez de armares em pseudo entendedor de tudo o que dizes
ManuelFAlbuquerque_
Já respondi a isso, é uma lógica patética porque um 11 é um 11 que se faz por posição e não por votos e depois metem os jogadores à martelada.
Se numa defesa a 4 estivessem 4 centrais então mais patético seria.
O meu problema é com o método de votação que deveria ser feito por posição e onde os jogadores a votos de facto jogam ali ou consigam de alguma forma entrar bem.
Diomande ali é piada total e não vou mudar o que disse.
Quem leu percebeu perfeitamente a minha crítica mas podes continuar a ser viúva na boa.
Antonio Clismo II
Não estou a acreditar. Fizeste um post sem uma única referência ao Amorim??? chamem o 112
ManuelFAlbuquerque_
Bom dia.
Verdade, agora também falta um Pokémon evoluir falo do Clismimon, o Clismimon vai também evoluir quando escrever aqui no blogue qualquer coisa como disse mal de determinado jogador estrangeiro e disse que um miúdo nacional era melhor. Errei pa c… e portanto faço aqui mea culpa.
Acho que também te falta isso, mas hey eu ao menos ainda elogiei Amorim por ter testado Mainoo em posições menos importantes na parte da construção e por ter dado minutos ao Diallo e provado que a narrativa Quenda no United não fazia sentido porque nesse campo há matéria prima já no clube.
Antonio Clismo II
Nah, isso nunca vai acontecer :P
Jasomp
Samuel Soares, Rodrigo Gomes, Chico Lamba, Nazinho, Gustavo Sá, Mateus Fernandes, Paulo Bernardo, Quenda, Roger Fernandes, Tiago Tomás esta longe de ser um 11 fraco, bem pelo contrário. Há talento e rodagem.
Obviamente que há muitas baixas mas temos todas as condições para ir longe. Temos sempre.
Gorlami
Jesus depois de ler os jogadores que tínhamos em 2021 é chocante não termos vencido. Para além disso, a desilusão que o Fábio Vieira tem sido pós-transferência para o Arsenal, estando muito atrás de muitos desses nomes (e considerando que foi o MVP).
CABONG
A equipa portuguesa é das mais limitadas.
Ainda mais limitada que a seleção de à 2 anos( que tinha vários problemas no meio campo).
O centro da defesa e centro do ataque são as posições com maiores problemas.
É tentar ser competitivo e ir o mais longe possivel
Jasomp
Muitas baixas, cada um pelas suas ordens de razão.