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Os craques a seguir no Europeu sub-17

Estão de volta as emoções do futebol juvenil de seleções, após dois anos de cancelamentos devido à pandemia o Europeu sub-17 vai decorrer em Israel entre 16 de Maio e 1 de Junho. Para os demais adeptos apaixonados por este desporto será sempre um prazer desvendar aqueles que, dentro de alguns anos, serão as grandes figuras do futebol sénior. As duas últimas finais (2018 e 2019), curiosamente, foram disputadas pelas mesmas nações, Países Baixos e Itália, tendo a primeira vencido as duas edições. Os neerlandeses são também quem tem mais títulos neste escalão (4), seguindo-se a Espanha (3), Portugal, Inglaterra, França e Rússia (2).

Portugal, que venceu em 2003 e 2016, parte com legítimas aspirações a alcançar um lugar de destaque na prova. Para além de individualmente ser uma geração forte, os comandados de José Lima (que chega a Israel mais tarde devido à Covid) mostraram argumentos coletivos de relevo nos jogos de qualificação. Passamos a conhecer os 20 selecionados da nossa seleção:

Na baliza, lutam pela titularidade Diogo Fernandes, GR do FC Porto que tem sido a opção preferencial, e Francisco Silva, que contabiliza 16 jogos pelos sub-19 do Sporting.

Os 3 centrais escolhidos são Diogo Monteiro, capitão da seleção que nasceu na Suíça e já se estreou pela primeira equipa do Servette, João Muniz, que é talvez a grande revelação da temporada sub-17 em Portugal (central canhoto com facilidade no passe longo e vertical) e Luís Gomes do FC Porto, possivelmente o atleta mais alto entre os portugueses.

Os laterais, curiosamente, são os 3 destros. João Conceição (Benfica) à direita, com potencial físico e técnico muito interessante a fazer o corredor todo, Leonardo Barroso (Sporting) preferencialmente à esquerda tem um desenvolvimento muscular muito acima da média, apesar de não ser alto, e acrescenta em condução vindo de trás, e Martim Fernandes, o único elemento da geração 2006 (1 ano mais novo) e que é a nova coqueluche da formação do FC Porto, tendo realizado mais de 30 partidas no campeonato nacional sub-19 (ele que saltou praticamente direto dos sub-14 para os juniores, em 2 anos). A sua consistência e rendimento, quer defensiva quer ofensiva, é fora do normal para a idade.

No meio campo, Portugal está super bem servido em quantidade e qualidade. Dario Essugo, que apenas participou na qualificação da seleção sub-19 (falhou apuramento) e que raramente jogou com esta geração dispensa apresentações. Para além de ser um “reforço sonante” na equipa, também promete ser um dos destaques do certame. Rafael Luís (Benfica), já comparado a Matic anteriormente, é um dos grandes valores da nossa seleção. Partindo de 6 ou de 8, a sua elegância a manobrar de pé esquerdo no alto dos seus 188cm aguça o apetite, aportando várias soluções criativas no passe e ligando o jogo como ninguém. João Veloso, outro médio do Benfica e igualmente um dos bons valores de equipa, caracteriza-se também pela sua elegância e confiança jogando como interior. Protege a bola, roda sobre si e coloca os colegas em melhor situação, podendo acrescentar meia-distância de qualidade. Ussumane Djaló (Benfica) tem sido, provavelmente, o médio com mais rendimento no Nacional sub-17. Centro de gravidade baixo, intensidade com e sem bola, capacidade para pressionar e sair dela, conduções curtas e chegada à área são algumas das virtudes deste excelente jogador. Manuel Mendonça, que esta temporada leva 30 jogos e 19 golos pelo Sporting, é uma das grandes revelações do futebol juvenil em Portugal. Faz dupla de interiores com Gui Santos (ausente do torneio) e ganhou protagonismo pela sua enorme desenvoltura técnica e facilidade com que aparece a associar-se em várias zonas do terreno. João Vasconcelos (SC Braga), por fim, é um médio que utiliza o seu calibrado pé esquerdo para lançar os avançados ou arriscar remates e que poderá acrescentar nas bolas paradas.

Como extremos, surgem Ivan Lima (Benfica) que se revê em Rafael Leão e Mbappé na forma como pode desequilibrar. Passada larga, forte aceleração e drible sempre preparado, será certamente uma arma ofensiva temível sobretudo partindo da esquerda. Afonso Moreira (Sporting) também aporta qualidades no 1×1, mas com menos explosividade. Partirá preferencialmente da direita e é incisivo no ataque à baliza. Tiago Andrade (FC Porto), talvez menos falado que os outros, mas não é por falta de talento. Possivelmente o melhor jogador da equipa sub-17 portista, destaca-se sobretudo pela sua relação com bola em espaços curtos e facilidade em sair da pressão do adversário, podendo acrescentar saindo do banco.

Na frente de ataque, o luxo mantém-se. Rodrigo Ribeiro, não só é a estrela da nossa seleção, como também é uma das maiores do Europeu. A dúvida será onde poderá encaixar no 11 titular, se como avançado ou como ala (na qualificação partiu quase sempre dessa posição para terrenos interiores). Esta questão coloca-se, porque Dinis Rodrigues (SC Braga) tem tido uma ascensão impressionante na formação dos bracarenses e tem sido a opção mais frequente para ponta lança titular desta geração. 6 golos em 6 jogos de qualificação e 19 golos em 37 partidas pelos minhotos, divididos entre campeonatos nacionais sub-17, sub-19 e sub-23. Por fim, Vivaldo Semedo (Sporting), avançado canhoto longilíneo a roçar os 190cm de altura, que tem feito uma época de grande nível (20 golos em 20 jogos nos sub-17 e 3 golos em 8 pelos sub-19) na fantástica equipa juvenil do Sporting, poderá vir a ser uma opção a ter em conta saindo do banco (forte a aparecer a finalizar dentro de área).

Possíveis destaques de outras seleções:

Os talentosos canhotos Paul Wanner (próximo fenómeno germânico) e Tim Bischof, que já jogaram pelas suas equipas principais, respetivamente Bayern e Hoffenheim. Também Sidney Raebiger (Leipzig), Arijon Ibrahimovic (Bayern) e o lateral esquerdo luso-alemão Alexandre Azevedo (Estugarda) suscitam curiosidade na Alemanha. Warren Zaire-Emery (PSG), médio, de apenas 2006, que brilhou na Youth League, é candidato a estrela do torneio pela França. El-Chadaille Bitshiabu (PSG), central esquerdino, e o extremo irreverente Mathys Tel (Rennes) também são outros destaques gauleses. Por Espanha, há que olhar para os canhotos de fácil desequilíbrio do meio para a frente Dani Rodríguez (Barcelona) Miguel Carvalho (Espanhol) e David Mella (Deportivo), para o central canhoto Yarek Gasiorowski (Valencia) e para o médio defensivo Mahamadou Susoho (Man. City). Pelos Países Baixos, há Gabriel Misehouy (Ajax), Antoni Milambo (Feyenoord) e Isaac Babadi (PSV). Na Bélgica, Malick Fofana (Gent) e Idumbo-Muzambo (Ajax) são as maiores esperanças. A Dinamarca, que também sempre nos habituou aos seus bons valores tem em Zidan Sertdemir (Leverkusen), Valdemar Andreaen (destaque pelo Midtjylland contra Benfica na Youth) e Noah Sahsah (Copenhaga) as suas maiores figuras. Na Suécia, Jardell Kanga (Leverkusen) será o maior agitador e ainda há Leonardo Oliveira (PL de nacionalidade portuguesa com excelentes números pelo Famalicão). Luca Di Maggio (Inter) partirá como personagem principal da Itália e Tim Flick (Frankfurt) promete surpreender muitos scouts pela seleção do Luxemburgo.

Hugo Moura

VM
Author: VM

4 Comentários

  • Filipe Ferreira
    Posted Maio 16, 2022 at 8:26 pm

    Wanner já começou a dar chocolate

  • Antonio Clismo
    Posted Maio 16, 2022 at 3:46 pm

    Notar o feito impressionante que é a qualificação do Luxemburgo para este torneio (começam a ter cada vez mais jogadores de qualidade e já não é aquela seleção que levava goleadas de há 10 anos atrás).

    Metade da seleção sub17 do Luxemburgo é composta por luso-descendentes e até se podem encontrar bons projectos de jogadores para o futuro.

  • Lourenco Oliveira
    Posted Maio 16, 2022 at 3:10 pm

    Competição interessante numa fase em que já há pouco para definir nos principais campeonatos europeus. Espanha, Bélgica, Rússia ou Turquia está tudo decidido, Alemanha, Portugal, Países Baixos e França já acabou e só a Premier League e a Serie A concentram atenções. Nesse sentido, este Euro sub-17 é um aperitivo quando teremos o verão futebolístico mais calmo do século.

    Neste sentido, dizer que estou expectante para ver o que Portugal faz. Conheço alguns destes craques e podem vir a ser nomes importantes nos três grandes. Essugo e Rodrigo Ribeiro estão já no radar de Rúben Amorim, atenção ao Muniz também. No FC Porto, a ascensão do Martim Fernandes é impressionante e o Benfica volta a produzir um grande lote de médios.

    De resto, muito boas referências do Zaire-Emery, Dani Rodríguez e de toda a Mannschaft, mas vou seguir a Itália com particular atenção. Luca Di Maggio, Fabio Chiarodia, Alessio Vacca, Lipani e Kevin Bruno são para seguir. Ah e o treinador é o Bernardo Corradi, antigo ponta de lança.

  • Antonio Clismo
    Posted Maio 16, 2022 at 3:01 pm

    Mais importante do que o talento individual é a preparação, solidez e espírito de equipa e isso só se faz com tempo e uma gestão atempada por parte da equipa técnica.

    O facto do Rodrigo Ribeiro nem sequer ter feito a preparação junto da seleção (preferiram que ele ficasse a treinar no plantel do Sporting para jogar 15 minutos) é um pouco preocupante.

    Dário Essugo não tem qualquer experiência com esta equipa (joga em escalões acima) e essa falta de química pode notar-se e pode até emperrar muito o jogo.

    Os centrais também são muito macios (nos sub17 ou sub19 têm muito pouca competição, o Diogo também não tem muito tempo de jogo na Suiça a um nível mais elevado, apesar de costumar treinar com a equipa sénior)

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