O futebol evolui, e com essa evolução aparecem novos esquemas tácticos, novas dinâmicas. Uma consequência da evolução é a extinção de algumas espécies, que não se adaptam aos novos sistemas, e por isso são eliminados pela selecção natural. No futebol, isso significa o desaparecimento de certo tipo de jogadores que, pelas suas características físicas ou tácticas, se tornam inúteis, ou simplesmente ultrapassados. Seguem-se alguns espécimes que raramente ou nunca são avistados nos relvados hoje em dia.
o Baixote
Uma defesa normalmente era constituída por centrais latagões (embora normalmente um fosse mais possante e outro mais rápido) e por laterais que primassem pela velocidade, de modo a que pudessem acompanhar os alas adversários e ainda apoiar o ataque pela linha. Era irrelevante a estatura do lateral, e não era anormal a posição pertencer a um jogador de baixa estatura. A certa altura foi-se pedindo mais à posição, nomeadamente que fechasse a zona central, sendo que para tal é exigido um jogo de cabeça mais eficaz e um maior poder de choque. Assistiu-se ao fenómeno da adaptação de centrais à posição (em especial aqueles que fossem mais rápidos), alguns médios mais possantes foram descendo no terreno, mas hoje, mesmo um lateral de raíz tem forçosamente de ter uma estampa física considerável.
o Carraça
Havia jogadores cuja especialidade era a marcação individual. Tipicamente centrais ou trincos, colavam-se ao adversário directo, e não o largavam, fosse aquele para onde fosse. Alguns deles, não sendo escolhas regulares, apareciam em jogos especiais, com o único intuito de secar o melhor jogador da outra equipa. Nos dias de hoje, em que a ocupação do espaço defensivo e ofensivo é uma prioridade, nenhum treinador se dá ao luxo de abdicar de um elemento e “jogar com dez”. Normalmente as marcações são feitas ao jogador que cai no espaço que o defesa ocupa, sendo raro o acompanhamento da sombra a todo o campo.
o Comboio
Uma das armas dos extremos modernos é a diagonal, que permite entrar na zona de remate (daí muitos extremos jogarem do lado oposto ao melhor pé), ou abrir espaço para a entrada do lateral no apoio. Mas havia um tipo de jogador para o qual a única linha que existia era paralela à lateral, ao longo da qual carrilava o seu jogo. Estes jogadores, basicamente corriam a direito, e iam à linha centrar para dentro da área. Não ocupavam zonas interiores, quer a defender quer a atacar, não entravam pelo centro, e jogavam quase sempre bem abertos.
o Maestro
O chamado número 10 é espécie rara, sendo substituído pelo médio de ataque. O chamado maestro, por quem todo o jogo ofensivo passava, tinha o mérito de romper as linhas defensivas adversárias, em drible ou em passes a rasgar. O número na camisola era sinónimo de criativo, de jogador que inventava espaço onde aquele não existia. Com menos funções defensivas, podia desgastar-se menos a pressionar, pois ele estava lá era para gerir o processo de ataque. A extinção deste tipo de jogador pode estar relacionada com o facto de existir menos espaço (e portanto, haver mais contacto físico) e de as defesas serem mais pressionantes e agressivas , ou então com se exigir mais trabalho defensivo ao terceiro médio, o que obriga a que este seja mais brigão e menos artista.
o Paradinho
Um verdadeiro dodô do futebol, não tem lugar num estilo de jogo em que a movimentação, com e sem bola, é uma característica obrigatória. Normalmente estes jogadores, lentos e sem capacidade de aceleração, jogavam na zona central, onde faziam distribuição de jogo para as linhas ou frente de ataque. Eram jogadores com um raio de accção reduzido, que poucas vezes progrediam com a bola, fazendo-a antes circular a um ou dois toques. Defensivamente, eram praticamente inócuos, pois não conseguiam acompanhar o portador da bola. Ainda que fossem donos de excelente capacidade de leitura e passe, estes jogadores (que não procuravam a bola, mas antes esperavam por ela) foram sendo substituídos por aqueles que procuram o espaço, e se dão mais ao jogo.
o Vagabundo
Imaginem um jogador que anda por onde lhe apetece, sem amarras de qualquer tipo. Esqueçam o rigor táctico, as posições, os quadros com os “X”, “Y” e setinhas. O Vagabundo, passe o pleonasmo, vagabundeava pelo campo ao sabor do vento, ocupando diversas zonas do terreno. O problema é que estas movimentações eram quase que aleatórias, e como tal, não podiam ser compensadas pelos colegas. Se ofensivamente, podiam criar desequilíbrios, quando a bola era perdida o desposicionamento e falta de compensação criava autênticos buracos que facilmente eram aproveitados. No futebol moderno, são poucos os treinadores que suportam um seu subordinado que ande em campo sem se importar com as restrições impostas pelo dispositivo táctico.
Evolução natural? Ainda há espaço no futebol actual, mais rápido e físico, para os jogados franzinos? Os espartilhos de hoje permitiriam a ascenção de jogadores como Rivaldo (já na altura criticado por Van Gaal) e Romário? Estando muito do fascínio pelo futebol relacionado com o facto de estar ao alcance de qualquer um, não obstante a sua constituição física, a dificuldade de jogadores menos fortes se imporem pode matar a paixão pelo jogo? Que jogadores conheceu ou conhece que se enquadrem nestas descrições?
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno Ranito
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno Ranito



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Anónimo
O Comboio = Diego Capel. "mas havia um tipo de jogador para o qual a única linha que existia era paralela à lateral, ao longo da qual carrilava o seu jogo. Estes jogadores, basicamente corriam a direito, e iam à linha centrar para dentro da área" é tal e qual.
GM
Vitor Bruno
Não me lembro de um carraça tão carraça como o Puyol ao Figo :)
Pedro Soares
Paulinho Santos e João Vieira Pinto. A Carraça e o Vagabundo, e que duelos nos proporcionaram.
Bruno Rocha
Apesar de o Mourinho não lhes achar piada, os laterais baixotes estão cá para ficar… basta ver que, dos 8 laterais titulares dos clubes que vão às meias-finais da champions, apenas um (Lichtsteiner) tem mais de 1,75m
Pedro
Nuno, então e o libero?! Esse clássico do futebol? Quem não se lembra das muralhas atrás dos defesas. :-)
GM
O líbero não está em extinção. O líbero simplesmente já não existe.
Nuno R
É verdade. Nos antes, era o central de marcação mais o líbero. O primeiro era o gajo da porrada (tipo Jorge Costa ou Couto), o segundo jogava de cadeira (Aloísio, Luisinho). O líbero mandava a linha subir para o fora de jogo, era sempre o último defesa, e que dobrava os outros todos.
Rui Sancho
Assim, considero que as coisas não desapareceram, pelo contrário, tornaram-se melhores, mais organizadas. É certo que às vezes falamos do passado como se fosse melhor, como se os jogadores fossem melhores, mas esquece-mo-nos de quão rudimentar era a táctica e o treino defensivo.
Já ninguém se lembra do final dos anos 90? Do futebol em Portugal antes de Mourinho? Se hoje nos queixamos de que as equipas pequenas jogam para o "pontinho" antes não se sabia para que é que elas jogavam! Metade de um jogo era a bola no ar, a saltar de cabeça em cabeça sem grande sentido. Os grandes jogadores apareciam muito menos do que aquilo que nos fazem crer, especialmente tendo em conta a qualidade dos relvados. Lembro-me do Benfica a jogar no início dos anos 2000, mesmo com bons treinadores como Trap e Camacho era comum não haver um fio condutor e o jogo passar por fases enormes de marasmo, anarquia táctica completa em que uma equipa não sabia assumir o jogo e a outra não tinha capacidade para tal. A táctica hoje pode ser mais estrita, mas não duvido por um segundo que isso veio melhorar o futebol.
Rui Sancho
É um bom artigo e uma boa discussão mas eu tendo a discordar. O futebol evolui e os jogadores adaptam-se, não "desaparecem".
É certo que a intensidade física é uma característica muito importante hoje em dia, mas isto ainda advém dos vícios da formação e do ganhar a qualquer custo. Ultimamente tem-se mudado esta ideia e está a ser dado mais espaço ao talento nos jovens, em detrimento da estampa física precoce.
É preciso diferenciar entre ser alto e forte e ser intenso fisicamente. E os treinadores vão sempre preferir um jogador intenso, independentemente da sua altura.
É normal que deixemos de ver jogadores abaixo do 1,70 visto que o desporto praticado desde muito jovem potencia o crescimento. Hoje, um jogador de 1,75 é um jogador relativamente baixo, mas isso é apenas natural, pois a média de alturas tem subido.
Quanto aos estereótipos aqui apresentados, eu acho que todos eles vão simplesmente adaptando-se e assumindo outras funções, outros nomes.
A locomotiva, como muito se fala por aqui, hoje está consignada aos laterais. A ideia de um extremo que só vai à linha cruzar caiu em desuso, mas essa função continua presente nos laterais de equipas ofensivas.
O carraça contínua bastante presente, a diferença é saber quando é que é preciso sê-lo, ou seja, tem a ver com dosagem de esforço e indicações técnicas. O Maxi é uma carraça, um baixote e uma locomotiva ao mesmo tempo! O Ricardo Rocha tornou-se um belo central ao lado do Luisão e a melhor exibição que eu lhe vi foi contra o Barcelona em que foi a carraça de Ronaldinho e não largou o homem por nada deste mundo. O facto de não se ver tanto esta característica nos jogadores tem a ver com a marcação à zona.
O paradinho, tal como é mencionado, sim,acredito que tenha vindo a desaparecer, por todas as razões mencionadas. No entanto, esse tipo de jogadores continua presente. Tom Hudlestone é/era um daqueles casos de médio defensivo que actua dentro de uma caixa 2 por 2. Em Portugal temos o William que não é paradinho, é paradão. Com isto não quero dizer que falta qualidade ao jogador, simplesmente acredito que se tornaram nos chamados jogadores posicionais e que recuaram no terreno. Alguns inclusive para central, pois cada vez mais se vêem centrais com boa capacidade de passe.
O Maestro, para mim, continua tão raro quanto sempre foi. Ser Maestro não é uma questão de posição no campo ou um 10 nas costas, é uma questão de qualidade. E a qualidade sobrepõem-se sempre às amarras tácticas. Jogando mais atrás ou mais encostado à ala, um 10 não deixa de cumprir a sua função: ser o melhor a perceber o espaço e onde tem de colocar a bola. Hoje é o construtor de jogo e pode assumir formas tão dispares como o Gaitan ou o Pirlo. É preciso não confundir entre o Maestro e o Virtuoso, aquele que resolve tudo com a bola nos pés. Muitas vezes, as duas coisas andam de mãos dadas. Iniesta e Modric são talvez exemplos máximos disto, já para não falar nas saudades que deixou o Riquelme; mas quando um virtuoso nasceu só com futebol nos pés e pouco na cabeça pode tornar-se duas coisas: um técnicista, normalmente afastado para a ala e ele que se safe a partir daí em slaloms que só ele sabe como passa, ou então um brinca-na-areia.
Já os vagabundos também têm o seu lugar, pois foi graças a eles que deixámos de ter o extremo que só sabe ir à linha cruzar. Ele não desapareceu, ele simplesmente mudou de sítio. Mas nem todos são assim. Lisandro Lopéz do Porto era um belo exemplo de um vagabundo, o chamado avançado livre. Uma coisa é certa: liberdade táctica sim, anarquia táctica não.
Rui Sancho
Está certo Nuno, o que eu quero dizer é que as características que definiam esses tipos de jogadores continuam presentes, simplesmente não são mais aquela que domina o seu estilo de jogo.
Nuno R
O Maxi é forte nas marcações individuais, mas está longe de ser um jogador que vive alapado ao adversário. Marca quem cai na sua zona de acção, mas não anda atrás de ninguém. E também não está exclusivamente colado à linha, aparecendo várias vezes na área para finalizar.
O William pode ser lento, mas não é parado. Ainda ontem fez um sprint de meio campo com um adversário atrelado a ele, e começou e fechou um contra-ataque em tabelinhas.
Rafa
Há aí tipos de jogadores que vão desaparecer (e ainda bem). O futebol moderno exige que todos os jogadores ataquem e defendam em bloco, por isso jogadores que não defendam ou só atacam vão desparecer. À medida que as defesas vão melhorando deixa de haver espaço e aos jogadores exige-se técnica para que possam receber e dar muito rapidamente.
Os jogadores baixinhos não vão desparecer, porque tendo um Centro de Massa mais baixo permite que sejam mais ágeis (importante no meio campo). Por isso é que uma das equipas mais dominantes de sempre tinha Xavi, Iniesta e Messi no corredor central.
Cristiano
Penso que o Salvio se enquadra nessa descrição do comboio, o homem é uma autêntica locomotiva quando está em forma e as coisas saem bem.
Cristiano Gonçalves
Anónimo
Comboio lembro-me sobretudo de inglaterra. Valencia, walcott, lennon.
Agora comboios sao os laterais. O extremo mete a bola e eles vao lá no apoio cruzar.
António Ferreirinha Aroso
Anónimo
Baixote-Camacho,Passarella
Carraça-Nobby Stilles,Gentile,Amaral(brasileiro)
O Comboio-Gento,José Augusto,Jimmy Johnstone,Juanito
O Maestro-Netzer,Rivelino,Cruyff,Rivera,Antognoni,Giannini
O Paradinho-Bochini,Tátá Martino,Van Hannegen,Gerson,Valderrama,Álex Aguinaga,Felipe
o Vagabundo-Laudrup,Cruyff,Kempes,Bertoni,Dalglish
Filipe Ribeiro
Anónimo
Mas era vagabundo tanto na Lazio como na Juve mesmo no Barça antes do Romário na grande fase dele era vagabundo um falso 9 que jogava em todo lado quando apareceu o Romário e dps no Real é que era um maestro declarado.
Filipe Ribeiro
RhaiL
Vagabundo o Laudrup? Só se estiveres a falar do Bryan porque o Michael era um maestro e dos bons ;)
Anónimo
Por ordem de apresentação os que me ocorrem de imediato são:
Roberto Carlos
Andrade
Overmars
Rui Costa
Romário
Del Piero
Ass: Carlos Gomes Silva
Anónimo
Bom post, mas discordo um bocado no que toca aos ''baixotes''.. Aí consegue-se encontrar uma serie muito grande deles, e vêem-se em todos os campeonatos..Até no italiano como é o caso do Nagatomo com 1.70m..
Paulo Lopes
Rodrigo
Comboio (dos fracos): Capel.
João
Excelente artigo. Ainda há pouco, no Sporting-Moreirense, comentava que o Mané podia ser um bom ponta de lança se tivesse mais corpo, pois tem "faro de golo" e tenho insistido constantemente que há muitos jogadores que são normalmente apelidados de "rápidos", mas que são tão pequenos que a sua passada é demasiado curta.
Ainda assim, acho que ainda há por aí uns Maestros e uns Vagabundos… Quanto ao Paradinho, parece-me que o Pirlo de hoje em dia encaixa bem na descrição que deram.
Como sugestões, podiam fazer uma votação para "melhor X" e talvez contrapor este artigo, explorando as posições modernas.
Rodrigo
Grande post Nuno R, sempre fantastico.
Quanto ao teor do post, nao tenho saudades nenhumas das "carraças" e tenho pena de o futebol de hoje conter cada vez menos maestros e vagabundos, aqueles jogadores por quem verdadeiramente nos apaixonavamos. Que saudades de ver um Rui Costa, um J.V.Pinto, um Zidane. Messi e o que de mais parecido hoje existe, mas nao e tanto o pensador, mas sim o desequilibrador e finalizador.
Henrique Ferreira
O carraça: o exemplo perfeito foi o Andrade, que jogou no sporting e benfica. Lembram-se do Del Piero e das suas afirmações?
sadf
Que que ele disse?
Anónimo
Lahm, Pepe (com Mourinho, creio, atrás de Messi), Capel, Hamsik/Diego?, Pirlo/Xavi, Messi
Fausto
Anónimo
Comboio, vem-me imediatamente à cabeça a imagem do Capel
Já Vagabundo, talvez o Matías Fernandez (pelo menos há uns anos tinha essa liberdade na selecção)
Luis Mota
Anónimo
Acho que a nivel nacional o caso de quintero é o mais gritante. Nao sou portista, mas acho que se lhe dessem tempo, margem pra errar e principalmente liberdade (quer no posicionamento, pois nao devia ficar ancorado a uma posiçao fixa, quer na forma de jogar) que o Quintero podia ser a proxima "big thing" em portugal. Dizem que os baixinhos ja nao têm lugar no futebol, mas deviamos todos olhar pros exemplos de verrati e insigne, ate de exemplos como o de raphael guerreiro e bernardo silva (mas em menor dimensao), e constatar que quando ha talento (e por vezes talento de sobra), o fisico e a capacidade fisica nao deviam ser criterio quase obrigatorio pra se definir o lugar dos jogadores no futebol.
JC
Lucas TB
No futuro a posição de lateral vai desaparecer. Ou serão zagueiros ou médios alas
Kafka I
Alexis
Erro meu, sendo assim dou-te razão a ti e ao Lucas, tinha percebido que ele achava que os sistemas com 4 defesas iriam acabar acabando assim a posição de lateral :)
Alexis
Kafka o que o Lucas quis dizer (penso eu) vai ao encontro do que o Carragher disse há uns meses "os defesas laterais de hoje em dia ou são centrais falhados ou extremos falhados – já ninguém quer ser um Gary Neville"
Pelo menos interpretei assim, se estou errado peço desculpa.
Kafka I
Discordo por completo, os sistemas com 4 defesas (2 centrais e 2 laterais) continuam a ser de longe os mais viáveis e com mais sucesso e assim continuará a ser
Léxico Yxxy
O futebol está a tornar-se tão complexo que não permite, excepto raras excepções (ex: CR7) a existência de jogadores que se dediquem apenas a uma função dentro de campo.
E acho que isto explica muito sucintamente, o motivo da extinção destes jogadores.
MosqueteiroSLB
ja agora, parabens pelo post nuno ranito. muito interessante.
MosqueteiroSLB
baixote e carraça – maxi pereira. o braihimi que o diga. ja tinha pesadelos com ele apos o jogo do dragao, entao agora…
comboio- capel
maestro- aimar, ainda da uns toques. temos o oliver que e uma junçao entre o maestro e a sua evoluçao
paradinho- talisca a jogar a medio centro. ate parece a descriçao dele… sem ser a parte do 2 toques.
vagabundo- no futebol actual so vejo um… messi (e com luis enrique nao tanto). em portugal o mais perto disso parece-me o gaitan, que ofensivamente esta sempre a trocar de sitio, mas que ja cumpre defensivamente o seu plano. mas la esta, em portugal nao existe. gaitan esta muito longe de o ser.
Anónimo
david silva é vagabundo.
JG
SENSEI
Talvez por isso o Danny seja se calhar o jogador mais influente do Zenit, a par de Hulk, e na seleção eclipsa-se.
João Lains
Pelo menos, nos primeiros tempos com Villas Boas era assim, altura em que dediquei especial atenção ao Zenit, agora nem tanto. Era muitas vezes o ele que recuava até à primeira linha de médios para recolher a bola e fazer a ligação entre sectores.
MosqueteiroSLB
eu nao costumo ver o zenit, so o vejo mesmo na seleçao e contra o benfica. e realmente lembro-me, na seleçao nao pois nao tem esse estatuto, que ele andava por ali a solta. mas nao tenho a certeza, pois nao o acompanho assim tanto.
mas acredito que seja joao lains.
João Lains
O Danny também é vagabundo.
Rúben Gomes
Se por um lado ainda tenho decadas de futebol pela frente e priveligio coexistir na era Messi-Ronaldo fico com "inveja" de não ter visto jogadores como Ronaldo, Zidane, Romario, Rui Costa na sua fase ascendente ( apanhei o nos ultimos anos do Benfica, tenho memorias de ve lo jogar de aguia ao peito ), Bergkamp, etc.
Já não sei a quanto tempo não vejo um grande jogo de futebol. Hoje em dia é tudo muito tatico, muito fisico. Cada vez mais treinadores optam pela forma mais facil de atingir o sucesso: Defender desde o momento em que pisam o relvado. Têm medo de arriscar, cair no esquecimento. Futebol é espetaculo. Ganhar é o que todos querem. Mas não podemos ter estas duas componentes em simultaneo? Têm de ser coisas que seguem destinos parelelos?
Cada vez mais os "massudos" têm lugar nas equipas de Top Mundial. Cada vez menos vemos os artistas, os tais maestros. Estes, os Maestros, têm de se habituar a estes novos moldes do futebol. Este jogo mais fisico. Têm de ganhar musculo. É o que pedem muitas vezes. Estão a retirar lhes o que melhor têm? A magia? Que deixem se de expressar atraves do futebol de rua em prol do resultado?
Gosto de ter 18 anos, adoro poder ver crescer uma Lenda. Talvez o ultimo genio dos proximos anos, ou mesmo decadas, mas o futebol está a perder a sua alma.
Parabéns, Nuno. ;)
Anónimo
Quando falam no grande Milan, vem-me logo à memória o grande jogo em que eles espetam 5 ao Real Madrid para a Taça dos Campeões. Tive a sorte de gravar esse jogo em vhs.
O meu lance favorito, o 4º golo, Rijkaard pica para a área, Gullit amortece de cabeça para Van Basten ajeitar e fuzilar Buyo, um hino ao bom futebol.
Nesse Milan tinha um jogador que já não me lembro porquê, achava cómico, o Virdis.
Cumprimentos
Verde Rubro
Anónimo
Lá está o exagero o Maradona não ganhou nada sozinho o Nápoles tinha craques Ferrara,Alemão,Crippa,Carnevalle,Careca não eram uns arranca troços quaisqueres.A Juve era bem fraquinha só voltaram a investir apartir de 91 o Inter por exemplo nessa fase do Nápoles e Milan era bem superior a Juve.Equipa que ninguém fala pk não podiam participar na Europa era o Liverpool que dúvido que não vence se o Milan do Sacchi.
Filipe Ribeiro
Zé
Pedro Barata,
O Maradona ganhou "sozinho" o campeonato de 90 ao Milan Campeão Europeu. O plantel do Nápoles era mais fraco que o da Juve (do Toto Schilachi e Rui Barros) e ficava a anos-luz do Milan, mas o Maradona sozinho valia por 7 ou 8… Juntas-lhe o Zola e o Ferrara (que seria ídolo na Juve) e pronto, tens um clube campeão.
Aliás, não conheço outro clube (talvez ignorância minha) onde os adeptos tenha exigido que "a 10" fosse retirada. Se fores ao San Paolo pergunta porquê. Resposta? "Porque depois do Maradona ninguém tem classe suficiente para usar a 10 do Nápoles".
Fabuloso.
Alexis
Ze, sem dúvida o privilégio que foi ver o grande Milan do Sacchi.. Então ver os 3 holandeses era um verdadeiro regalo. Não se esqueça de mencionar Lentini e Masaro à lista de craques poia estes sempre que entravam do banco (também pouco espaço no 11 tinham) mexiam com o jogo.
No Napoles havia outro jogador bastante importante que vai ficar um pouco no esquecimento porque esse Nápoles era Maradona.. e falo do brasileiro Careca. Um jogador rapido e matreiro, sempre à espreita de um ressalto ou de um passe mágico do El D10S..
Depois veio a decada de 90 (ja depois da vitória do Marselha de Desailly e Papin) e o Barvelona assumiu o estatuto e titulo de Dream Team, com Stoichkov, Bakero, Koeman, Romario… O Hagi se não estou em erro assinou pelo Barça depois do mundial de 94. E apesar de ser um grandíssimo pequeno jogador, apos duas epocas perdeu o destaque (corrijam-me se estou em erro)
Estas foram para mim 2 das 3 melhores equipas que vi jogar futebol (Milan e Barcelona – falta o Barça de Guardiola) e o Napoles o que mais me cativou (reconhecendo no entanto a diferença para os outros 2 gigantes), especialmente por aquele que considero o melhor de todos.. Diego Armando Maradona.
Anónimo
A melhor seleção brasileira de sempre foi o Brasil de 70. Só aquela final…
Erwin SS
Pedro Barata
Não tendo idade para ver na altura algumas dessas equipas e jogadores, hoje a tecnologia e a Internet fazem maravilhas e, como tal, todos aqueles que queiram ir mais além vão ao YouTube e desfrutem, por exemplo, dos muitos jogos completos (não vídeos de jogadas isoladas) existentes do Nápoles de Maradona.
Zé
Rui Sancho,
O Milan do Rui Costa foi, de facto o último "bom" Milan, mas é impossível comparar com o Milan do Sacchi e Capello, "O" Milan do final dos anos 80 (O da final da Champions com o Benfica, por exemplo) até 95. É completamente impossível. Na minha opinião (vale o que vale) não haveria nenhum jogador do plantel de 2005 que tivesse lugar no onze de 1988 até meados dos 90´s (quando saiu o Papin) a não ser o Maldini porque, curiosamente, fazia parte de todos esses planteis :)
Pensa que no Milan de 90 falas do Baresi com 30 anos, Costacurta com 26 ou 27, Van Basten (ainda) a top com 26 ou 27 anos, Donadoni, Gullit e Rijkaard os três com 28 ou 29 ano, Maldini ainda um puto com 22 ou 23 anos, Tassotti, Ancelotti, Simone, tudo a top, tudo na idade perfeita. Era inacreditável! Nunca mais vai acontecer uma coisa do género. Para mim, foi a melhor equipa de sempre.
Miguel Guerreiro
Amigo, se conseguir, tente obter os jogos do Brasil de 82… Foi a melhor selecção brasileira de tempo e talvez a melhor selecção de sempre que nunca ganhou nada e teve o melhor futebol de selecções de sempre. Isto vai mostrar o porquê de já não ver um jogo de futebol sénior durante 90 minutos.
Rui Sancho
Zé, mas ainda vimos o ultimo grande Milan, com Nesta e Maldini aquele belíssimo meio campo com Gattuso, Pirlo, Rui Costa e Seedorf. Metiam respeito.
Zé
18 anos…
Bem, eu sei que sou, provavelmente, mais velho que 90% de vocês e digo-vos que vocês não fazem a mínima ideia do que perderam…
Nem sonham o que era o Hagi a jogar à bola. Não "conhecem" o Romário, não sabem o que significava o Dream Team.
Não viram jogar "O" Milan" (não é esta palhaçada que agora anda no San Siro) é "O" Milan dos Imortais! O Milan do Baresi, Costaturta, Tassotti, Ancelotti, dos três reis magos, do início de Maldini….
O Maradona… O Maradona do Nápoles!
Só vos queria a idade… :)
Kafka I
O Barça tem sido um pouco a excepção que confirma essa regra (de jogadores mais "massudos), mas de facto tirando esta pequena excepção, muito impulsionada pelo melhor jogador de futebol dos últimos 25 anos (Messi) – essa tendência tem sido de facto notória e cada vez o futebol tem-se tornado mais fisico ….
Mas diga-se que até o Barça actual já teve de se resignar às evidências, e neste momento temos lá um verdadeiro "Panzer" na frente, o Grande Suárez :)
Anónimo
Sou da tua idade e penso exatamente como tu so tenho pena nao ter ligado ao futebol mais cedo eheh
Miguel sousa
Anónimo
Bom post! Tinha falado disso com alguns amigos este fim-de-semana :)
Só tenho mesmo pena do Maestro, que ainda vão existindo, só que não se conseguem adaptar aos grandes clubes. Ex: De Bruyne, Ozil.
Bruno Reis
Pedro Barata
De Bruyne é a antítese do maestro. É um enorme jogador, mas um elemento que, atuando na zona de três quartos, sente se confortável é em aceleração, em velocidade, explorando as transições, não um elemento de pausa e último passe fino e preciso.
Anónimo
Acabou recentemente a carreira mas Riquelme era um 10 puro, a razao esta la em cima de n ter dado mais
Mike
João Magalhães
De Bruyne nos maestros? É um jogador de velocidade e transição.
Gabriel Esteves
Um dos poucos jogadores com as características do Vagabundo é o Messi. Aparece em qualquer lado, na esquerda, na direita, no centro do ataque, no meio-campo, sempre a baralhar as marcações.
O último jogador que vi a fazer um jogo "à carraça" foi o Maxi contra o Porto, no Dragão, onde não largou por nada o Brahimi.
JOAO.p
Primeira época de Mourinho no Real quando Pepe foi colocado a trinco pura e simplesmente para secar Messi e não largou o argentino
Dr. Bayard
Revejam a final do Mundial México86: marcação individual Matthaus-Maradona. Maradona "rebentou" com todas as equipas nesse mundial, e na final foi necessário tomar medidas com Matthaus a tentar secar D10.
Quem diria que este simples alemão "trabalhador", "baixote" também seria considerado o melhor jogador do mundo (1991)…
Rui Sancho
Bem lembrada Lains, eu já gostava do Ricardo Rocha na altura mas essa exibição foi lendária.
pedro
Pedro barbosa foi um dos maiores exemplos do paradinho
Gonçalo Miguel.
Não me lembro em que jogo foi, mas lembro-me de há uns anos atrás fazerem marcação homem-a-homem ao Aimar num jogo qualquer… (não funcionou ahahah)
Mister JóJó
Gattuso num Man Unt – Milan, pelo que me lembro também não largou o Ronaldo.
Mas essa do Ricardo Rocha é outro exemplo.
Pedro Barata
Sem duvida lains. Nesse jogo koeman colocou o português a defesa direito só com a intenção de parar o bola de ouro e surtiu efeito, ao contrário do que aaconteceu quando jj colocou David Luiz na esquerda para travar hulk
João Lains
Ricardo Rocha, Ronaldinho, Benfica, Barcelona, 2006. Pelo menos, é essa ideia que eu guardo.
João Magalhães
Toda e qualquer arte passa por evolução e o futebol não é excepção. Se é positiva ou negativa, acho que ninguém sabe. Agora, julgo que alguns exageram na extinção do Maestro, e na desculpabilização que fazem de antes eles não defenderem. Em toda a parte, os maestros defendiam e recuavam para fechar linhas, tal como fazem hoje alguns deles. Pelo menos, os de excepção, tal como o Rui costa que aparece na foto.
Continuam a haver laterais baixos e os melhores curiosamente são desse tipo. Jordi Alba, Coentrão, Marcelo etc, o que desapareceu mesmo foi o verdadeiro médio-ala que ia à linha cruzar. E sinceramente, é um futebol que não me agrada e demasiado rudimentar.
João Magalhães
Pedro,
Defender não exige roubar a bola ao adversário e esses jogadores sempre tiveram que colaborar no processo defensivo, seja ao fechar linhas de passe, ou pelo menos a obstruir um pouco os adversários. Senão, eu também digo que o Ronaldo não defende. Todos os jogadores acabam por defender, só que normalmente as pessoas associam defender a corridas desenfreadas atrás da bola.
Pedro
Por ninguém se envolver é que o Maestro desapareceu.
O Rui Costa era 10 puro, o Zidane muitas vezes jogava sobre o lado esquerdo, mas também pouco defendia. Jogadores como o Hagi, Laudrupp, Djalminha, nunca defenderam na vida deles.
Anónimo
lahm, marcelo, gaya, alba, bernat, maxi, bellerin, coentrao, carvajal, alex sandro sao todos jogadores com menos de 1.80 e maior parte perto dos 1.70 por isso considero que nao sao jogadores muito altos
Miguel Santos
João Magalhães
Mas isso do 10 puro aplicava-se muito antes destes tempos modernos,ou achavas o Zidane, Rui Costa, ou outros jogadores dessa linha, 10 puros?
Mesmo hoje em dia, o Ozil é um jogador que abdica de defender, se reparares. Então no Real, iss era gritante.
Aliás, desde que o fora-de-jogo está institucionalizado desta forma, o 10 teve sempre que se envolver minimamente no processo defensivo. Nos dias de hoje, quem é que não se envolve? O próprio Messi colabora.
Pedro
O Coentrão tem 1,78m, não é propriamente baixo. E o Marcelo deve ser quase da mesma altura.
Diz-me que equipa tem um 10 puro que se limita só a organizar, fazer posse, transporte e distribuir? Que não se aplique no processo defensivo.