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Os tecnicistas de África

Apesar das selecções oriundas do continente africano serem, maioritariamente, conhecidas pela velocidade na transição ofensiva e pela capacidade física, no Norte de África a situação é distinta. Além das características físicas diferentes facilmente visíveis, a técnica sobrepõe-se ao físico e Marrocos quererá impressionar na Rússia com base nessa valência dos seus atletas. Na verdade, poucas equipas se apresentarão no certame com tanto talento à disposição, sendo que, do meio-campo para a frente, a técnica e a criatividade são atributos inatos. Além disso, a boa organização ofensiva contrasta com o que é hábito por aqueles lados. Após um período de grande fulgor no final da década de 80 e na década de 90, com presença em três Mundiais, os “Leões do Atlas” passaram por uma travessia no deserto, com 20 anos de ausência da principal prova de selecções do mundo. Ainda assim, trata-se da 3.ª formação de África com mais presenças em Campeonatos do Mundo (será a 5.ª), logo atrás dos Camarões, que falhou o apuramento desta vez, e Tunísia. A qualificação começou sob o comando de Zaki, mas, após eliminar a Guiné Equatorial (2-1) na 2.ª eliminatória, o carismático Hervé Renard assumiu o comando em 2016 e levou os marroquinos ao Mundial, apurando-se num grupo com Costa do Marfim, selecção pelo qual passou anteriormente com sucesso, Mali e o Gabão, de Aubameyang e Lemina, tendo sofrido apenas 1 golo e marcado 13. Vencedor de duas edições da CAN, com Zâmbia e Costa do Marfim, o técnico francês de 49 anos é muito respeitado no continente e é nele que muitos marroquinos depositam as maiores esperanças. O triunfo na CHAN de 2018 (uma espécie de CAN destinada a jogadores que alinham nos campeonatos nacionais africanos realizada de dois em dois anos) é um bom cartão de visita, mas a tarefa na Rússia promete ser bem mais difícil. Inserido no Grupo B, com o campeão da Europa Portugal, a favorita Espanha e o Irão, Marrocos será sempre um outsider, mas, caso entrem com o pé direito contra o Irão, poderão surpreender porque têm armas para isso.

Estrela: Hakim Ziyech (Médio Ofensivo, 25 anos, Ajax) – Um talento que promete dar o salto. Figura de destaque em Amesterdão (9 golos e 18 assistências), é, possivelmente, o melhor jogador da Eredivisie e poderá surpreender os menos atentos neste torneio. Muito criativo, com grande visão de jogo, qualidade de passe, remate e nas bolas paradas. Um ‘10’, mas que, com Renard, descai para o flanco esquerdo, onde também consegue desequilibrar, derivando para o corredor central com facilidade. Possui ainda uma média de golos bastante interessante a nível internacional (8 golos em 15 presenças).

Jogadores em Destaque: Mehdi Benatia (Central, 31 anos, Juventus) – O capitão de equipa e, possivelmente, o elemento mais conhecido do grande público. Com passado de Roma e Bayern e vários títulos na Juventus, o experiente defesa é um elemento extremamente fiável, fortíssimo na marcação e no jogo e uma clara mais-valia para este elenco, formando dupla com o adaptado Saiss. Younès Belhanda (Médio Ofensivo, 28 anos, Galatasaray) – Tal como Ziyech, é um criativo extremamente talentoso, que possui técnica, qualidade de drible e de passe (10 assistências em 2017/18), mas que tem pautado a sua carreira pela irregularidade, com várias mudanças de clube nos últimos anos. Esta temporada foi presença habitual no campeão Galatasaray. Khalid Boutaib (Avançado 31 anos, Yeni Malatyaspor) – O melhor marcador da fase de qualificação (4 golos, com destaque para um hat-trick ao Gabão) e um elemento que, após marcar muitos golos em França, rumou à Turquia, apontando 12 golos no 10.º classificado da Liga. A ausência de um grande ponta de lança será uma das lacunas da equipa, mas o possante Boutaib (1,89 cm) poderá disfarçar, até porque leva uma média de golos muito interessante na selecção (7 golos em 15 internacionalizações).

XI Base: Munir Mohamedi, Nabil Dirar, Mehdi Benatia, Romain Saiss, Achraf Hakimi, El-Ahmadi, Boussoufa, Belhanda, Nordin Amrabat, Ziyech, Boutaib

Jovem a Seguir: Achraf Hakimi (Lateral, 19 anos, Real Madrid) – Apesar da juventude, conseguiu ser utilizado em 17 partidas nesta temporada (2 golos), beneficiando da saída de Danilo para se assumir como uma alternativa a Carvajal. Muito rápido e capaz de fazer o flanco com facilidade, pode fazer a diferença nesta equipa, sendo que aqui ocupa o lado esquerdo da defesa, ficando Dirar na direita. Termina o vínculo este ano com os Merengues, pelo que quererá certamente ter uma prestação positiva para rubricar um bom contrato.

Principal Ausência: Sofiane Boufal (Extremo, 24 anos, Southampton) – Participou apenas num jogo na qualificação (86 minutos), mas, apesar da temporada não lhe ter corrido bem, dado que o Southampton lutou para não descer e foi apenas titular em 15 partidas (2 golos e 2 assistências), é um elemento que surpreende não estar presente, já que poderia acrescentar a partir do banco com a sua velocidade, potência e capacidade de remate. Prometeu quando explodiu no Lille, mas, para já, ainda não atingiu o nível que o seu talento denunciava.

Convocatória: Guarda-redes: Munir Mohand (Numancia), Yassine Bounou (Girona), Ahmed Reda Tagnaouti (Tanger); Defesas: Nabil Dirar (Fenerbahçe), Manuel Da Costa (Basaksehir), Romain Saiss (Wolverhampton Wanderers), Hamza Mendyl (Lille OSC), Mehdi Benatia (Juventus), Achraf Hakimi (Real Madrid), Badr Banoun (Raja Casablanca); Médios: Mbark Boussoufa (Al Jazira), Karim El Ahmadi, Sofyan Amrabat (Feyenoord), Youssef Ait Bennasser (Caen), Younès Belhanda (Galatasaray), Faycal Fajr (Getafe), Amine Harit (Schalke 04), Hakim Ziyech (Ajax); Avançados: Ayoub El Kaabi (RS Berkane), Khalid Boutaib (Malatyaspor), Aziz Bouhaddouz (St. Pauli), Nordin Amrabat (Léganes), Mehdi Carcela-Gonzalez (Standard).

Seleccionador: Hervé Renard

Prognóstico VM: Fase de Grupos

 Rodrigo Ferreira

24 Comentários

  • Ricardo Matos
    Posted Maio 26, 2018 at 1:41 pm

    Se há alguma coisa que aprendemos com o Mundial 2014 foi dar pouca importância aos “nomes” porque uma tal de Costa Rica passou um grupo com Itália e Uruguai, sem derrotas. Podemos sempre especular, mas num Mundial os jogadores agigantam-se, sejam eles espanhóis, franceses ou marroquinos.

  • Mantorras
    Posted Maio 25, 2018 at 11:01 pm

    Marrocos e uma equipa engracada, mas nao mete medo a ninguem. Se esta seleccao de Portugal tivesse medo de Marrocos, mais valia virem ca a casa que eu arranjava onze sem medo para ir la jogar.

  • Manchester Is Red
    Posted Maio 25, 2018 at 3:26 pm

    Tanta descrença na nossa selecção.

    Parece que, defrontando Portugal, qualquer outra selecção é melhor. A nossa sorte é que não trazemos um Campeonato da Europa na bagagem (abstenham-se por favor de comentar com coisas do género do “Ah e tal mas ganhámos com sorte”, “Acontece 1 vez num milhão” etc etc) e os nossos jogadores são só mancos que jogam na distrital…

    De repente os jogadores adversários são melhores que o Ronaldo, Guedes, Bernardo, Gelson, Patrício, Pepe, Adrien, William, Guerreiro…

    Nossa Senhora…

    • António Hess
      Posted Maio 25, 2018 at 6:00 pm

      Realmente…
      Até creio que Marrocos sai sem pontos, porque isto de ter nomes não equivale a ter equipa e nisso Portugal cava um fosso gigantesco para os marroquinos.

      • Manchester Is Red
        Posted Maio 25, 2018 at 6:10 pm

        Concordo a 100%.

        O Queiroz vai preparar muito bem o Irão e até prevejo que acabem em 3º lugar.

  • Bacano Driblador
    Posted Maio 25, 2018 at 3:04 pm

    Voltamos a encontrar Marrocos numa fase menos boa do Futebol Português, em 1986 a nossa comitiva, penso que tinha 3 treinadores e a organização foi desastrosa a todos os níveis, neste ano de 2018 tivemos, a patuscada de galhardetes comunicacionais e as agressões fisicas e psicológicas a jogadores e não só!!!

  • RodolfoTrindade
    Posted Maio 25, 2018 at 2:52 pm

    O Irão e Marrocos são os parentes pobres do nosso grupo, deverão mesmo ser logo eliminados.

  • Ze Maria
    Posted Maio 25, 2018 at 2:07 pm

    Esta fase de grupos vai ser uma dureza, Jesus. A Espanha fará 9 pontos tranquilamente e depois serão dois jogos quase mata-mata para as outras 3 seleções.

    • Joao Silvino
      Posted Maio 25, 2018 at 2:40 pm

      Portugal ganha à Espanha. Lopetegui é um boneco.

    • Joao D
      Posted Maio 25, 2018 at 2:20 pm

      Diziam o mesmo em 2014 e no entanto ao fim de 2 jogos já estavam arrumados.

      Vamos com calma. Não vai ser nenhum passeio para a Espanha. Muito menos a defrontar Portugal. Nunca é.
      Veja-se em 201 em que só nos eliminaram com um golo em fora de jogo e em 2012 nos pénaltis com manifesta felicidade. Em 2004 ganhámos por 1-0.

      • Ze Maria
        Posted Maio 25, 2018 at 3:02 pm

        Diziam o mesmo em 2004 e eu volto a dizer o mesmo agora. E se as condições forem as memas em 2070, torno a dizer o mesmo.

  • T. Pinto13
    Posted Maio 25, 2018 at 1:35 pm

    Vão ser um grande problema para nós…

  • skuravy
    Posted Maio 25, 2018 at 1:30 pm

    Acredito que podem ficar em 2.º à frente de Portugal. Tecnicamente são muito fortes, e se venceram o primeiro jogo contra o Irão podem jogar com a ansiedade de Portugal na segunda jornada

    • cards
      Posted Maio 25, 2018 at 2:02 pm

      quando uma seleção como portugal tivrr medo de um Marrocos então o melhor é nem ir ao mundial.
      Se algum dia o Brasil tiver medo de Marrocos coitado do brasil.
      Se Marrocos tivesse saído ao Brasil era jogo para o Brasil golear facilmente.
      menos de 4 era derrota.

      • O Fernandes
        Posted Maio 25, 2018 at 2:47 pm

        Partilho da opinião da primeira frase.

        Mas Portugal é assim, descrente, o povo português é de extremos, ou ambiciona o mundo ou não acredita em nada. Marrocos é uma selecção da “moda” agora, e nós seremos sempre muito criticados internamente, mesmo depois da vitória no Euro (não questiono a beleza do futebol, mas é um facto que limpámos um Euro).

        Portugal tem de encarar o adversário de frente, qualquer que seja, e acreditar que é possível. Muito importante é não desmoralizar caso percamos com a Espanha tal como aconteceu no Brasil em 2014.

        Eu acredito que podemos fazer um bom trajecto no Mundial, e logo veremos onde acaba, não somos favoritos à vitória claro está, mas também não somos nenhuns outsiders ou equipa mediana.

        Obrigado,

        O Fernandes

        • Ze Maria
          Posted Maio 25, 2018 at 3:10 pm

          Qual é a tua definição de “limpar”? É ganhar? É que, se assim for, Portugal limpou um Euro, a Grécia dizimou outro e a Espanha violou toda a gente duas vezes seguidas.

          Portugal não limpou Euro nenhum, foi bafejado pela sorte e contou com momentos de inspiração dos seus jogadores. Para além disso, vencemos 1 jogo nos 90 minutos contra Islândia, Áustria, Hungria, Croácia, Polónia, País de Gales e França.

          Razões para ter medo de Marrocos? Não faltam.

          • O Fernandes
            Posted Maio 25, 2018 at 3:37 pm

            Boa tarde Zé Maria,

            A minha definição de limpar é ganhar, mas pode de facto descrever as campanhas dessas seleções dessa maneira, não vejo mal nenhum, tenha apenas cuidado com o termo “violou”.

            Para mim, utilizando essa “minha” definição, limpou de facto. Se tiver sido apenas sorte como diz, ainda bem que foi e que venha ela de novo! Eu discordo, não foi bafejado por sorte, teve muita dela de facto, mas também teve outros factores.

            Mas caro Zé, é a sua opinião, e não tenho medo de Marrocos, tenho respeito, assim como tenho por qualquer outro adversário.

            Utilizando o seu termo, com todo cuidado, Espanha “violou” no Euro 2012, mas curiosamente foi “bafejada pela sorte” contra nós, tendo em conta que apenas nos ganhou nos penalties.

            Um abraço e que a sorte esteja do nosso lado!

            O Fernandes

            • Ze Maria
              Posted Maio 25, 2018 at 4:21 pm

              Meu caro,

              O objetivo do termo foi mesmo ser agressivo (o termo, não eu para contigo).

              Eu considero que há formas e formas de ganhar, daí eu utilizar o termo “limpar” quando uma equipa ganha uma competição como o City venceu este ano a BPL, mas não o aplico a toda a gente.

              Portugal merece mérito, sem dúvida nenhuma, mas de todo “limpou” o Euro. A Espanha no Euro 2012 teve muitas dificuldades, mas não foi bafejada pela sorte da maneira que eu entendo, porque se tivéssimos sido nós a passar, tínhamos nós tido essa sorte.

              Ser bafejado, como eu entendo, é ser dominado, ver o adverário ter muita infelicidade e mesmo assim vencer e isso não aconteceu com a Espanha em 2012, contra Portugal. Mas aconteceu connosco na final do Euro 2016.

              Um abraço

              • O Fernandes
                Posted Maio 25, 2018 at 4:39 pm

                Caro Zé Maria,

                Não falava de ser violento comigo, falava sim de nos dias de hoje esse termo ser facilmente utilizado e levado a mal pela sociedade mesmo dito no contexto futebolístico em que até serve de elogio para a equipa que domina.

                Mas passando à frente, continuo a discordar nesse ponto de Portugal, porque nessa sorte da final também tivemos muito azar, a começar logo pelo capitão lesionado desde cedo.

                Mas talvez tenha um critério mais largo na aplicação do termo “limpar”.

                Gostei desta pequena troca de ideias.

                Um abraço e que sejamos bafejados já dia 15 de Junho!

                O Fernandes

          • Joao D
            Posted Maio 25, 2018 at 3:30 pm

            Dizer que Portugal teve sorte e no mesmo comentário dizer que a Grécia dizimou o Euro 2004 é só da maiores pérolas que já vi na caixa de comentários do VM.

            E se vamos para o Mundial a temer Marrocos mais vale os jogadores irem para férias e esquecerem isto.

    • R.Lopes
      Posted Maio 25, 2018 at 1:41 pm

      Infelizmente partilho dessa opinião.
      Nós temos por hábito de complicar, já para não falar que temos um bom elenco mas que no futebol que apresenta não me convence nada, e principalmente pelo primeiro jogo ser com a Espanha.
      Óbvio que confiança temos de ter sempre

    • Joao D
      Posted Maio 25, 2018 at 1:37 pm

      Estás assim tão descrente quanto à nossa participação?

      É que Marrocos, por muitos elogios que mereça, não tem o nosso nível.

  • Tiago Silva
    Posted Maio 25, 2018 at 1:14 pm

    Quero mesmo destacar a ausência: Sofiane Boufal. Não percebo o porquê de tanto talento desperdiçado, ainda por cima numa seleção com poucos jogadores de topo.

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